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Alaca Höyük Sfenksli Kapı Batı Kulesi, Tahtında Oturan Fırtına Tanrısı ve Kral

O termo aglomerados subnormais é utilizado pela COHAB-LD para referir-se aos assentamentos urbanos, favelas e ocupações irregulares de Londrina. Para o IBGE essa categoria foi usada para substituir o termo favela no Censo de 2000, designando, assim, um conjunto de favelas e assemelhados constituídos por unidades habitacionais dispostas de forma desordenada e densa, carentes de serviços públicos essenciais (IBGE, 2000).

Quanto à categoria assentamento urbano, optou-se por mantê-la, tal como definida pela COHAB-LD, porque esse órgão público foi uma das principais fontes de informações, uma vez que a ênfase desta pesquisa recai na atuação do Poder Público frente à questão desses tipos de moradias. Desse modo, incorporou-se a definição produzida por Ferreira (2001):

Os assentamentos urbanos representam locais, cujo histórico de vida de seus habitantes, também é marcado pela precariedade social e econômica. Representam a aglomeração de pessoas que se encontram à margem da capacidade de aquisição de uma moradia, seja através da compra direta ou pela forma de financiamento. Muitos assentamentos expressam o segundo estágio do processo de favelização. Tal fato se dá pela regulamentação posterior do processo de ocupação (invasão), bem como por representar, muitas vezes, o local para onde as famílias são transferidas, durante os processos de remoção de favelados. (FERREIRA, 2001, p. 86)

Ao defini-los como uma forma de regularização de ocupações clandestinas e lugar para onde são destinadas famílias sem teto e favelados de outras localidades, relacionados, portanto, a processos de “desfavelização” ou “desfavelamento”, Ferreira (2001) também enfatiza a ação estatal, central na sua definição, que contempla ainda outros aspectos do bairro estudado, em particular, a dinâmica da organização populacional.

Mas a crítica quanto à utilização da categoria assentamento urbano não pode ser ignorada e está presente, por exemplo, no recente trabalho de Andrioli (2003), que considera mais coerente o conceito de ocupações urbanas, por contemplar o caráter da luta dos sujeitos sociais e das entidades que os defendem. Afirma a autora, que se trata de uma conceituação simplista e carregada de preconceitos, utilizada de forma intencionalmente errônea pelo Poder Público, com o objetivo de

esconder os reais problemas sócio-econômicos presenciados na cidade. Para a mesma, o termo assentamento urbano seria

uma categoria utilizada pelo Estado, dividida em etapas para que ocorra e se dê a posse ou propriedade da terra, o que nos leva a concluir que esta categoria vigora somente num determinado período, ou seja, no tempo necessário para a conclusão das referenciadas etapas, que são elas: levantamento da população, número de famílias que serão beneficiadas, escolha da área e transferência para a mesma, divisão e distribuição dos lotes, implantação da infra-estrutura básica (água, luz e ordenamento) e posteriormente mediante pagamento, a propriedade dos lotes. (ANDRIOLI, 2003, p. 61)

Embora se reconheça a importância das considerações desta pesquisadora, reiteramos que nesta pesquisa optou-se por manter a categoria assentamento urbano, de caráter oficial, em função da ênfase que se pretendeu dar à atuação do Estado frente à realidade estudada, vista como uma solução encontrada pelo Poder Público para amenizar os problemas enfrentados pela população carente que reside em favelas e ocupações irregulares, principalmente no que se refere à questão habitacional e social. Por outro lado, a organização e os mecanismos empregados na luta por melhores condições de vida, pelos moradores do Jardim Maracanã, embora não ignorados, não estão entre os principais objetivos deste trabalho.

Segundo Silva e Melchior (2002), a categoria assentamento urbano foi criada na gestão municipal de Antônio Casemiro Belinati (em seu terceiro mandato, iniciado em 1996), com vistas à propaganda política. Esperava-se que garantisse a conquista de votos da população assentada, mesmo que as famílias fossem apenas removidas das áreas de ocupação ilegal e transferidas para estas áreas cedidas pela Prefeitura, sem qualquer infra-estrutura, assemelhando-se a das favelas.

Talvez essa origem ainda se reflita no caráter preconceituoso da expressão pela imprensa local, como se vê na seguinte reportagem da Folha de Londrina, de 09 de abril de 2003:

VIOLÊNCIA URBANA: MEDO ESVAZIA ESCOLA

Moradores do Jardim Maracanã, na região oeste de Londrina, estão convivendo diariamente com o medo e a violência das quadrilhas que agem no local. No bairro que não passa de um assentamento, a população não tem muros altos nem cerca elétrica. Muitos moradores preferem mudar de região do que conviver com as constantes ameaças. Quatro turmas da Escola Municipal Noêmia Malanga foram fechadas no ano passado por causa do grande número de transferências de alunos. (grifo nosso) (FOLHA DE LONDRINA, 9 de abril de 2003)

Diante dessa diversidade crescente da realidade presenciada em Londrina, os aglomerados subnormais foram divididos em categorias, embora aparentemente, aos olhos de quem chega, a cidade não revele em seu espaço urbano, por exemplo, o que se convencionou classificar de favela, conforme definido pelo IBGE (apud RODRIGUES, 2001, p. 36), como “um aglomerado de pelo menos cinqüenta domicílios – na maioria carentes de infra-estrutura – e localizados em terrenos não pertencentes aos moradores”, conforme é visível em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, principalmente.

Assim, buscando compreender as distintas formas de moradias populares e organização espacial das mesmas na cidade de Londrina, faz-se necessário destacar a diferenciação entre ocupação, favela e assentamento urbano, visando também o entendimento da subnormalidade existente nesta cidade, do ponto de vista oficial. De acordo com a COHAB-LD (2002, p. 32), tem-se a seguinte classificação: ocupações irregulares, favelas e assentamentos urbanos.

As ocupações irregulares são produto de ocupação de áreas legalmente impróprias de serem regularizadas, insalubres, de risco e de preservação permanente, como as ruas, os lixões, locais com alta declividade, solo instável e fundo de vales, bem como áreas destinadas à implantação de equipamentos comunitários. Podem ser áreas de domínio público ou privado. Um exemplo dessa categoria situa-se no Fundo de Vale do Córrego Bom Retiro na Favela Marizia, que apresenta os primeiros registros de ocupação em 1995 e está localizada próximo à área central da cidade, possuindo 129 barracos e 645 pessoas, em 2002.

Foto 21: Ocupação Irregular - Fundo de Vale do Córrego Bom Retiro na Favela Marisia

Foto: Júlia Luciana Pereira das Dores – janeiro de 2004

Já as favelas seriam núcleos de gênese espontânea, sendo produto de ocupação organizada ou desorganizada, gradativa, em áreas públicas ou privadas; mas que já possui infra- estrutura básica como demarcação de lotes, arruamento, implantação de sistema de abastecimento de água potável e energia elétrica, executada pela COHAB-LD, visando a futura regularização fundiária. A área onde está instalada pode ser ou não regularizada, conforme a situação legal da mesma. No primeiro caso, torna-se uma favela urbanizada. Os barracos ou similares geralmente não são objetos de intervenção, ocorrendo apenas a realocação dentro da mesma área. Em função do adensamento inicial, quando é feita a demarcação dos lotes, surge um excedente de famílias que podem ser assentadas em outro local, dependendo de negociação entre a população atingida e o Poder Público. Um exemplo é a Favela Marizia II, localizada na Avenida Brasília, que possui 68 barracos e 340 moradores. Os primeiros indícios de ocupação da área ocorreram em 1968, sendo regularizada somente entre 1994 e 1997, como mostra a Foto 22.

Ao enfatizar aspectos como inadequação ou adequação, áreas públicas ou privadas e, sobretudo, ocupação organizada ou desorganizada, a COHAB escamoteia, de maneira deliberada, o

aspecto do desafio à propriedade privada central nas favelas e ocupações irregulares, cujas diferenças tornam-se inclusive, pouco significativas, quando tal aspecto é considerado. O que o discurso oficial, expresso nessas classificações, procura esconder é a relação conflituosa estabelecida, ao menos numa primeira etapa, entre Poder Público e favelados.

Foto 22: Favela Marisia II

Foto: Júlia Luciana Pereira das Dores – janeiro de 2004

Os assentamentos urbanos seriam núcleos de gênese planejada pela COHAB-LD em área pública, cuja demanda normalmente é formada por ocupação na própria área, ou em outra. No primeiro caso, as famílias são retiradas para a implantação de infra-estrutura básica, como demarcação de lotes, abertura de ruas, sistema de abastecimento de água e energia elétrica, em alguns casos pavimentação primária ou asfáltica, executada pela COHAB-LD. Na área, as famílias vão sendo assentadas de forma organizada podendo receber excedentes de outros núcleos ou famílias carentes dispersas pela cidade. No segundo caso, as famílias vão sendo remanejadas e assentadas conforme o término das obras. O objetivo ainda é a futura regularização fundiária, como também evitar o agravamento da situação social, ambiental entre outros. A área pode ou não ser regularizada, dependendo da fase do processo legal de regularização. Nesta categoria as habitações são objetos de

intervenção, dependendo da viabilização dos recursos, ou deixando a construção por conta das próprias famílias.

Foto 23: Assentamento Urbano Jardim União da Vitória Foto: Eduardo J. Marandola Jr. – junho de 2001

Fica claro, portanto, que para o Poder Público londrinense, os assentamentos urbanos, as favelas e as ocupações irregulares não são sinônimos, embora tenham algumas características comuns, como a não regularização fundiária. Mais do que diferenciação entre o primeiro e os dois seguintes, pode-se identificar, sempre do ponto de vista oficial, uma oposição, demarcada exatamente pela intervenção do Poder Público.

Além disso, considera-se que as favelas são caracterizadas pelas construções de barracos em terrenos de propriedade pública ou particular, dispostos, na maioria, de forma desordenada e densa, carente de qualquer serviço público básico. Podem originar e evoluir como pontos excluídos e de modo diferenciado de um lugar para outro. Seu padrão de ocupação pode ser gradual, repentino, organizado, o que influencia em sua evolução, necessidades e carências.

Para o Presidente da COHAB-LD, a partir do momento em que uma ocupação que se encontra em estado de não regularização e sem nenhuma infra-estrutura é regularizada, implantada água e luz e, e não está localizada numa área de degradação ambiental, pode ser considerado um

assentamento urbano. As diferenciações também são dinâmicas, podendo ser superadas, sempre em função da atuação do Poder Público.

Para o assessor de comercialização da COHAB-LD, Heleno Solano Rabello16,

assentamentos urbanos nada mais são que “bairros ordenados, divididos em lotes de aproximadamente 120 m2 que são colocados à venda para a população que reside nestes locais ou

não, no valor de R$ 20,00 mensais, com financiamento de 10 anos. São munidos de arruamento, mas apresentam grande déficit na infra-estrutura básica, como péssimas condições de moradia, alimentação, saúde, educação”. São, ainda, construídos em áreas planas ou levemente onduladas, não possuem asfalto, as habitações são de alvenaria na porção mais antiga e os barracos de madeira e lona constituem os mais recentes.

Considerando que as principais diferenças entre favela e assentamento estão no tipo de ocupação, na organização interna dos bairros e no grau de intervenção do Poder Público, foram identificadas na cidade de Londrina, em 2002, de acordo com as conceituações definidas pela COHAB- LD, 57 aglomerados subnormais, divididos em 7 favelas urbanizadas, 22 assentamentos urbanos aptos à regularização, 22 ocupações irregulares em áreas públicas e 6 ocupações irregulares em áreas particulares, o que corresponde a cerca de 9.423 unidades habitacionais, abrigando aproximadamente 47.115 pessoas nestas áreas, o equivalente a mais de 10% da população total e urbana de Londrina, constituindo os bolsões de pobreza.

No caso de Londrina, a expressão bolsões de pobreza foi utilizada para indicar um aglomerado de pessoas identificadas como sendo de baixa renda e carentes, levando em conta alguns dos indicadores de pobreza (desnutrição, condições de saúde precária). Com isso, foram registrados em Londrina, em 1995 (FERREIRA, 1999), três grandes bolsões de pobreza (A, B, C).

O Bolsão A é considerado o maior deles e está localizado na Zona Sul-Sudeste da cidade, fazendo divisa com as áreas rurais da mesma. Era constituído por 6 núcleos (Franciscato I, Franciscato II, Novo Perobal, Núcleo Cristal, Núcleo Jardim Itapoã e União da Vitória I, II, III, IV). Este

último é o maior assentamento urbano em número de população. Em 1995, lá residiam mais de 8.000 pessoas, com um dos mais elevados índices de desemprego em Londrina.

O segundo, Bolsão B, localiza-se às margens do Ribeirão Quati, Zona Norte da cidade, destacando-se a Favela Nossa Senhora da Paz e Favela Marisia (em 1995 residiam cerca de 3.700 pessoas nessas duas áreas). O Bolsão C está situado na Zona Leste, aglutinando neste local cerca de 3.000 pessoas, em 1995.

Esses bolsões de pobreza são caracterizados por assentamentos recentes de população, cuja intensificação ocorre na década de 1990. São formados principalmente por famílias migrantes, que buscam na cidade melhores condições de emprego, mas acabam sujeitando-se às condições de carência alimentar, educacional, de renda, profissão, sanitárias, entre outras.

Referente a situação em 1995, destaca Ferreira (1999), que foram identificadas algumas áreas específicas de grande concentração populacional e uma difusão espacial desses bolsões e pontos de pobreza, conforme apresentado no Cartograma 02. Atualmente (considerando a situação em 2002), os bolsões de pobreza continuam evidentes, sendo acrescidos de outros pontos de concentração de pessoas em condições de pobreza, como mostra o Cartograma 03, referente à espacialização dessas áreas no espaço urbano de Londrina.

O Quadro 11 mostra a situação dos aglomerados subnormais (ano base – 2002), destacando o número de famílias e pessoas e a quantidade de aglomerados divididos por zonas da cidade. Ressalta que a Região Oeste, onde está inserido o Jardim Maracanã, embora apresente um número reduzido de aglomerados, concentra o maior número de famílias e pessoas residindo nestes locais, perdendo somente para a Região Sul.

Quadro 11: Aglomerados subnormais em Londrina – PR – situação em 2002 Assentamentos urbanos

aptos a serem regularizados

Assentamentos urbanos e

favelas urbanizadas Ocupações irregulares em áreas particulares Ocupações irregulares em áreas públicas Total Localização

Nº Nº de

famílias Nº de pessoas Nº Nº de famílias Nº de pessoas Nº Nº de famílias pessoas Nº de Nº Nº de famílias Nº de pessoas Nº Nº de famílias Nº de pessoas

Zona Oeste 2 803 4015 2 1131 5655 1 80 400 1 62 310 6 2076 10380 Zona Leste 6 276 1380 1 356 1780 1 590 2950 8 301 1505 16 1523 7615 Zona Sul 7 679 3395 3 2355 11775 2 66 330 4 435 2175 16 3535 17675 Zona Norte 4 1051 5255 1 46 230 2 288 1440 8 645 3225 15 2030 10150 Área Central 2 106 530 - - - - - - 1 129 645 3 235 1175 Distrito de Guaravera 1 24 120 - - - - - - - - - 1 24 120 Total 22 2939 14695 7 3888 19440 6 1024 5120 22 1588 7955 57 9423 47115

Fonte: Perfil do Município de Londrina – PR – 2003 (Ano base 2002) Org.: Júlia Luciana Pereira das Dores

A partir do exposto, o item seguinte busca analisar a trajetória desses aglomerados subnormais, destacando os aspectos históricos e a situação desses no período de 1972 até 2002, com ênfase nos principais assentamentos urbanos da cidade de Londrina.