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Aile Arabuluculuğunun Tanımı

BÖLÜM II. AİLE ARABULUCULUĞU

2.1. Genel Olarak Arabuluculuk

2.1.4. Aile Arabuluculuğunun Genel Esasları

2.1.4.1. Aile Arabuluculuğunun Tanımı

FICO (2004) ressalta que quase todos os militares remanescentes do golpe de 1964196 aderiram de certa forma, à chamada “utopia autoritária”. Apesar de haver divergências internas quanto aos rumos que os acontecimentos estavam tomando, todos acabaram admitindo algum grau de violência contra os opositores do regime.

Neste contexto, foi determinante o papel da Comunidade de Informações, onde a captação e processamento das informações eram vitais para a manutenção do Regime Militar. Outro ponto bem trabalhado pelos militares foi a divulgação, na caserna, da idéia de necessidade da repressão, bem como da conscientização da importância da censura, do combate à corrupção e da “correta” utilização dos meios de comunicação no combate ao inimigo.

[...] Os vencedores não perderam tempo no desmantelamento da rede de organizações em que se apoiava a FMP (sic). Centenas de sindicatos caíram sob intervenção, as ligas camponesas foram dispersadas (sic) e as chamas de um incêndio televisado queimaram a sede da UNE [ União Nacional dos Estudantes], na Praia do Flamengo. Cassações de direitos políticos, iniciados com o primeiro Ato Institucional, inquéritos policiais militares e processos administrativos expurgavam das Forças Armadas e do serviço público civil mais de dez mil pessoas. [...] torturas e assassinatos deram início ao terrorismo de Estado. 197.

O ciclo repressivo começa com o Ato institucional número 1, baixado logo após a consolidação da vitória dos militares.

“Com o AI número 1, de 9 de abril de 1964, editado seis dias antes da posse do Gen. Castello Branco, deixaria a mensagem clara “A revolução vitoriosa, como o Poder Constituído, se legitima por si mesma”. “Em 11 Jun 64, termina o prazo qual o AI 1 estabelecia para as cassações, com um saldo inicial de “378 atingidos: três ex-presidentes da República (Juscelino Kubistchek, Jânio Quadros e João Goulart); seis senadores, 63 deputados federais e mais de três centenas de deputados estaduais e vereadores.” 198

Com a Lei de Segurança Nacional ocorreu a militarização dos crimes políticos a partir da decretação do Ato Institucional Número 2(AI2), de outubro de 1965. O Regime Militar se consolida com o presidente Costa e Silva, o qual baixou o Ato

196

Lembrando que muitos militares foram afastados, cassados ou presos pelo novo regime instalado em 1964.

197GORENDER, 1987.p.70.

Institucional número 5, o AI5, em 13 Dez 68 sem prazo de vigência. “Era ditadura sem disfarces” 199·.

“[...] que o projeto repressivo baseado numa “operação limpeza” violenta e longeva estava presente desde os primeiros momentos do golpe. Assim, o Ato Institucional nº 5 foi o amadurecimento de um processo que se iniciara muito antes, e não uma decorrência dos episódios de 1968, diferentemente da tese que sustenta a metáfora do “golpe dentro do golpe”, segundo o qual o AI5 iniciou uma fase completamente distinta da anterior. Trata-se de reafirmar a importância, como projeto, do que se pode chamar “utopia autoritária”; isto é, a crença de que seria possível eliminar quaisquer formas de dissenso (comunismo, “subversão”, corrupção), tendo em vista a inserção do Brasil no campo da “democracia ocidental cristã”. 200

Com a vitória definitiva da corrente representada pela decretação do AI5, os chamados militares “linha dura”, entra em vigor toda uma estrutura capaz de monitorar vários setores da sociedade: a Comunidade de Segurança e Informações. A espionagem, a informação e a contra informação passaram a ser prioridade do regime político consolidado em 1968, bem como cresceu em importância a manutenção da repressão e o controle dos meios de comunicação.

“É fundamental destacar que, se o anseio punitivo que caracterizava a linha dura não surgiu repentinamente em 1968, como reação à opção de parte da esquerda, pela chamada “luta armada”, de fato, a partir do AI5, as diversas instâncias repressivas já existentes passaram a agir segundo ethos da comunidade de segurança e de informação ou com ela entravam em conflito”. 201

Com o comando ostensivo do Estado sob as rédeas das Forças Armadas, a direção do Estado passou para a tutela permanente detentora do exercício superior da coerção. Este Estado Autoritário, imposto pela força das armas fez surgir uma reação: a luta armada. GORENDER (1987) destaca que com a militarização do Estado, a violência como forma extremada de controle social e político passou a ser a regra, fomentando atos ilegais, arbitrariedades e o terrorismo de Estado.

“Constata-se um círculo vicioso: a resistência armada intensifica suas ações e parte para os seqüestros, exigindo em troca a libertação de presos políticos; a Junta Militar, por sua vez, adota as penas de morte e banimento, tornando mais duras as punições previstas na Lei de Segurança Nacional.

202 199 Ibid., p. 62. 200FICO, 2004, p. 34. 201Ibid., p. 37.

Considerando que a via pacífica havia se esgotado definitivamente com o AI5, várias organizações de esquerda se viram compelidas a intensificarem suas ações e a pegar em armas para combater o Regime Militar. GORENDER (1987) destaca, não obstante, que se este pensamento se cristalizou como um axioma, nem por isso unificou a esquerda. “São as fases de rachas, de divisões e subdivisões, às vezes motivadas por questões secundárias ou pelas rivalidades personalistas”. 203

Outra categoria que foi atingida em cheio pelo AI5 foi a dos jornalistas.

“Várias redações de jornais foram invadidas, depredadas ou fechadas pela polícia, como ocorreu com a pioneira revista Realidade, cujos dirigentes, entre os quais Paulo Patarra, foram demitidos. Em outras empresas, como no grupo Folha da Manhã, Jorge Miranda Jordão e seus “jornalistas engajados” foram substituídos por Antônio Aggio.” 204

KUSHNIR (2004) classifica como terrorismo cultural a coação sobre os organismos de comunicação após o AI5. A repressão intensificou o ataque às bancas de jornal; promoveu depredação de redações; invasão de editoras e a destruição de gráficas. A força bruta dos órgãos de segurança promoveu uma violência sobre as atividades da informação e da divulgação de idéias, principalmente as idéias contrárias ao Regime Militar.

Dentre os diversos jornais que sofreram a influência direta da censura, destacam-se o Jornal O Estado de São Paulo; O Estadão e o Jornal da Tarde. No caso do jornal

Estadão, a censura esteve presente durante mais de seis anos. 205 Num ato de resistência desses jornais para burlar a censura, formas inusitadas foram utilizadas como estratégias, como a colocação de poemas e receitas de culinária para preenchimento dos espaços cortados pelos censores.

Neste jogo pela posse, divulgação e veto de informações, a prevalência do silêncio era uma forma de resistência implícita. A censura prévia atingia as notícias no ato

203GORENDER, 1987.p.79.

204

KUSHNIR, 2004, p.41.

205

“Por ocasião dos trinta anos do AI5, em 1998, muitos jornais realizaram séries de reportagens sobre a decretação do Ato Institucional e suas conseqüências.” (KUSHNIR, 2004, p.41).

de sua produção, onde os censores cortavam trechos que, na redação final, deformavam todo o conteúdo da reportagem.

“Essa prática foi exercida em algumas redações entre 1968 e 1978. Ou seja, das vésperas do AI5 ao processo de Anistia, de forma mais intensa, o que não significa que não tenha existido antes e que tenha deixado de existir depois”. 206