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2. KURAMSAL BİLGİLER ve İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.1. KURAMSAL ÇERÇEVE

2.1.8. Affedicilik

A utilização da técnica de grupo pretendeu criar um espaço, no qual se pudesse também construir, coletivamente, possíveis análises quanto ao processo de produção social das feminilidades. Analisar ainda, o protagonismo dessas jovens nas atividades realizadas num bairro popular favelizado, e suas relações

com a violência, zoação70, e poder nos momentos de lazer em bailes funk. A situação grupal permite ao pesquisador obter informações que na entrevista individual podem não surgir, e vice- versa, uma vez que verifiquei mudanças na postura das jovens nos dois contextos.

Nesse sentido, para melhor compreensão dos códigos, dos sentidos e significados da menina/mulher jovem, negra funkeira e participante de Bondes, o grupo foi de extrema importância. Dessa forma, o coletivo que foi diversas vezes disparado nos grupos criava elementos passíveis de desestabilizar os sujeitos, em sua configuração individual, pois convocava-as a uma construção a partir da multiplicidade. “O objetivo é incitar aqueles que vivem e trabalham, a por em palavras um ponto de vista sobre sua atividade, a fim de torná-la comunicável e de submetê-la à confrontação de saberes” (SCHAWRTZ, 2010, p. 163). Os grupos de discussão funcionaram como uma espécie de entrevista de grupo, mas não como um processo de perguntas e respostas, mas sim, de interação entre os participantes a partir de temas relacionados aos objetivos da pesquisa, fornecidos pela pesquisadora, a qual ocupa lugar de moderadora do grupo. Os tópicos não foram apresentados em forma de perguntas, mas de estímulos para introduzir o assunto

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Chama-se de “zoação” – formas de manifestações juvenis que visam, na maioria das vezes, descontrair o ambiente, introduzindo uma lógica que contraria a lógica normativa estabelecida. Porém, tal tema não é entendido dessa forma por todos, o que acaba gerando conflitos, sobretudo, entre alunos e professores. Desse modo, o artigo intitulado “Zoação e Processos de Escolarização Juvenil”, de Luiz Alberto de Oliveira Gonçalves e Paulo Henrique Queiroz Nogueira, analisa cenas escolares, mostrando o quanto essa prática constrói níveis importantíssimos de sociabilidade dos alunos entre si e conserva a ambiguidade entre identidade discente e identidade juvenil. Na primeira, encontra- se a incorporação das regras escolares propriamente ditas, e na segunda situam- se elementos que contradizem essas regras preservando a liberdade juvenil. A zoação, se percebida como algo pró-ativo, poderia ajudar na construção de uma escola liberada de formas instituídas e persistentemente velhas (GONÇALVES E TOSTA, 2008, p.10). Assim, esse conceito de “zoação” não pode ser interpretado apenas como violência, mas como um processo que no dizer dos autores acima; explicitava essa condição paradoxal posta pela articulação entre as duas identidades que se combinam produzindo, ao mesmo tempo, a conservação dos objetivos propostos pela escola e sua (re) significação pelos jovens ao orientarem suas ações no âmbito escolar. (GONÇAVES e NOGUEIRA in GONÇALVES ; TOSTA (orgs), 2008. p.123)

que, no decorrer da conversa, solicitava comentários ou descrições de experiências, evitando sempre demonstrar opiniões que pudessem influenciar as respostas.

Como grande parte dos nossos encontros se deram no espaço da rua, da praça, da esquina e do baile funk, precisava articular um local para os grupos de discussão. Estava certa de que, usar a escola na qual elas estudavam, não seria o espaço ideal para que elas se sentissem a vontade para expressar suas idéias, questionamentos e tensões. Como ficávamos sempre próximas ao Curumim, procurei a coordenadora do local para conhecer o espaço e ver se ali seria possível realizar os GD. Ela foi muito atenciosa e se colocou à disposição. Nesse dia, eu estava com mais três jovens, ela nos convidou a entrar, serviu refrigerante para as jovens e convidou-me a conhecer as duas salas que ela teria para disponibilizar. Parecia que “os ventos sopravam a nosso favor”, a sala era ideal, ventilada, espaçosa, longe do barulho de crianças que frequentavam o espaço Curumim, além de possuir cadeiras, banheiro e bebedor. As jovens que estavam presentes neste dia também aprovaram. Deixei a sala reservada todas as sextas, no final da tarde, pois ainda tinha dúvidas se conseguiria reunir todo o grupo de uma vez só. Todavia, encarando o desafio, liguei para cada uma delas. Fiz o convite, disse ainda que poderiam levar outras jovens do Bonde, falei sobre o local escolhido para o nosso “bate papo”, já marcando dia e horário.

Assim, em todos os nossos encontros, contei com a presença de todas as jovens que participaram também da entrevista. Como já tinham certa liberdade comigo, pelos diversos contatos que já tínhamos tido, no espaço da rua foi tranquilo iniciar as atividades com elas no grupo. No primeiro dia, fiz uma apresentação um pouco mais detalhada em relação aos nossos primeiros contatos, contando brevemente minha história e relação com o bairro, motivação e objetivos de estar ali, enfatizando sempre que aquele momento era um ‘bate papo’ especial; que desejava

construir novos conhecimentos junto com elas, sobre a situação real de vida delas, como ser menina/mulher em um bairro popular criminalizado, que sabendo da carga de trabalho que elas tinham, por serem meninas/mulheres, me interessava identificar em quais momentos e como elas viviam o lazer. Sendo assim, elas poderiam falar livremente sobre o que quisessem. Estava muito calor no primeiro dia, optamos por sentar no chão da sala e em círculo, o que se tornou um hábito em todos os outros encontros. Como a relação delas com a música funk é muito forte, elas traziam sempre em seus celulares, funks novos para me mostrar. Era um espaço também para me apresentar um universo que eu desconhecia e elas “dominavam”. Como nos alerta Rey, “um grande músico, com suas visões singulares, pode desencadear uma mutação dos sistemas coletivos de escuta. A relação de um indivíduo com a música e com a pintura pode gerar um processo de percepção e de sensibilidade inteiramente novo”. (REY, 2005, p.18)

Desse modo, foram utilizadas as seguintes palavras- chave, para as quais foi solicitado que dissessem o que pensavam sobre elas: família, diversão, tempo livre, dançar funk, bonde, violência, rua, periguete, feminilidades, polícia, gírias, códigos.