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Acoustics and Sound

Belgede BAŞKENT UNIVERSITY (sayfa 154-161)

CHAPTER III. CORRELATION BETWEEN ARCHITECTURE

3.3. Immersion in Video Games

3.3.2. Acoustics and Sound

A escolha das técnicas de recolha de dados é uma etapa de extrema importância no processo de investigação, pois desta depende a concretização dos objetivos do estudo, pelo que o investigador não a pode minimizar (Aires, 2011). De acordo com Olabuenaga (1996), as principais técnicas de recolha de dados são: a observação, a entrevista e, ainda, a análise documental.

Assim, atendendo à natureza do presente estudo, os instrumentos devem fornecer informação diversificada que permita obter uma descrição detalhada e o mais completa possível do objeto de estudo. Os instrumentos de recolha de dados focados em seguida serão: observação (participante e não participante), entrevista e análise documental.

4 Vários autores (Yin, 1984; Meirinhos & Osório, 2010) preferem a expressão estratégia à de método ou

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3.3.1. Observação participante e não participante

A observação é um dos instrumentos de recolha de dados mais importantes na investigação qualitativa (Aires, 2011). No fundo, tal como refere este autor, a observação, enquanto instrumento de recolha de dados para uma investigação, consiste na recolha de informação através do contacto direto com situações específicas. No entanto, esse contacto é feito de modo intencional e sistemático, o que permite distinguir de observações espontâneas. Esta técnica existe desde o início do estudo do mundo social e natural (idem, 2011) e releva ser bastante poderosa, como ferramenta de investigação, quando é: orientada para um objetivo de investigação concreto e previamente formulado; planificada sistematicamente em várias fases, aspetos, lugares e pessoas; controlada e relacionada com proposições, teorias sociais, abordagens científicas e explicações profundas; e, ainda, submetida a um controlo de veracidade, objetividade, fiabilidade e precisão (Olabuenaga, 1996).

De acordo com Cohen et al. (2007), a observação permite ao investigador reunir dados reais de situações reais, ou seja, consegue captar o que está a acontecer in loco em vez de tomar conhecimento apenas posteriormente. Esta técnica permite aos investigadores: entender os contextos dos agentes em estudo, captar informações que se pudessem perder inconscientemente, descobrir coisas que os participantes possam não revelar na entrevista, aceder às características pessoais dos participantes, entre outras vantagens.

Os observadores qualitativos não estão limitados por qualquer categoria de medida ou de resposta, são livres de pesquisar o que se revela significativo para os sujeitos. Aliás, a maior virtude da observação é, efetivamente, o seu caráter flexível e aberto (Aires, 2011). Assim, a observação tem um caráter flexível e aberto.

Cohen et al. (2007) classifica a observação em três tipos: i) observação altamente estruturada - é uma observação interessada, que procura encontrar o que previamente foi definido; ii) observação semiestruturada - consiste numa observação baseada em diversos pontos fulcrais, mas que terá uma recolha de dados mais livre e menos pré-determinada que a anterior; e iii) observação não estruturada - trata-se de uma observação em que o investigador não tem tão claro aquilo que procura, ou seja, apenas perante a situação que observa, e na qual está inserido, é que atribui o significado à sua pesquisa. Em suma, os autores referem que o primeiro tipo de observação consiste em usar os dados da observação para aceitar ou refutar as hipóteses previamente levantadas. Já os segundo e terceiro tipos terão um objetivo mais forte para gerar hipóteses ao invés de testá-las.

Olabuenaga (1996) refere que as observações podem distinguir-se, entre si, de acordo com vários critérios: i) de acordo com o grau de participação do observador - estratégia de observação participante ou não participante; ii) conforme o grau de sistematização e estruturação da informação - fixação, ou não, das categorias, dos grupos, etc.; iii) considerando o grau de controlo - nível de controlo e manipulação do investigador da situação.

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Bogdan e Biklen (1994) recorrem a Gold (1958) para distinguir três papéis possíveis que os investigadores podem desempenhar enquanto observadores. Um investigador pode ser um observador

completo, que não participa em nenhuma das atividades do local onde ocorre o estudo ou, inversamente,

poderá ter um envolvimento completo com a instituição. Os investigadores de campo situam-se, normalmente, entre os dois extremos referidos.

Cohen et al. (2007) consideram numa das extremidades o participante completo, depois o

participante como observador, em seguida o observador enquanto participante e, por fim, o observador

completo. Os autores referem que os investigadores qualitativos inicialmente tendem a ter um foco muito particular e, à medida que o estudo progride, vão fragmentando os seus objetos de observação e, posteriormente, tentam encontrar causas e relações entre os agentes observados.

Meirinhos e Osório (2010) fazem a distinção entre observação participante e não participante. Estes autores referem que a observação participante ocorre quando o investigador não é um observador passivo, mas pode assumir um papel ativo no desenvolvimento do estudo de caso. Já a observação não participante subentende a ideia contrária, de que o investigador é um mero observador da ação, não interferindo com esta. Como é verificado por estes autores, não existe uma linha perfeita que separe estes dois tipos de observação. Ainda assim, a escolha do tipo de observação que o investigador adota deve ir ao encontro dos objetivos do estudo, ou seja, “se o objetivo for a compreensão do funcionamento da sala de aula tal como o aluno a vê, poder-se-á optar por participar mais com os alunos do que com o professor” (Bogdan & Biklen, 1994, p.127).

Bogdan e Biklen (1994) referem que, ao longo do estudo, o tipo de observação pode ser alterado conforme a necessidade e as circunstâncias, podendo a participação do investigador ser mais alta nuns momentos e mais baixa noutros.

Durante os primeiros dias de observação participante, é natural que o investigador fique um pouco de fora à espera que o observem e aceitem. Ainda assim, com o desenrolar das relações o investigador vai começando a participar mais (Bogdan & Biklen, 1994). Estes autores referem que “a tentativa de equilíbrio entre a participação e a observação pode também surgir como particularmente difícil” (p.127), uma vez que, no caso do ensino, por exemplo, pode ser difícil separar os papeis do professor com o do investigador (Beirão, 2012; Santos, 2011), uma vez que o professor não consegue captar com exaustão todas as informações necessárias ao investigador (professor enquanto investigador), ao mesmo tempo que o investigador não consegue controlar a turma do mesmo modo que um professor (investigador enquanto professor).

3.3.2. Entrevista

A entrevista é uma das fontes de informação mais importantes e essenciais nos estudos de caso (Yin, 1984), sendo, apontada por Aires (2011) como uma das técnicas mais comuns e importantes no estudo e compreensão do ser humano. Aliás, Olabuenaga (1996) considera-a como sendo a segunda

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grande técnica de investigação qualitativa, seguidamente à observação. Uma entrevista consiste numa conversa intencional, normalmente entre duas pessoas (embora possa, por vezes, envolver mais pessoas) dirigida por uma das pessoas, o entrevistador, com o objetivo de obter informações sobre a outra, o

entrevistado (Bogdan & Biklen, 1994). Apesar da intencionalidade que uma entrevista apresenta, esta

pode começar sem qualquer introdução, o entrevistador pode simplesmente transformar uma determinada situação numa entrevista (idem). Este instrumento é bastante utilizado para “recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspetos do mundo” (idem, p.134).

De acordo com Bogdan e Biklen (1994), em investigação qualitativa, as entrevistas podem ser utilizadas de duas formas. Podem constituir a estratégia principal para a recolha de dados ou podem ser utilizadas paralelamente à utilização de outras técnicas, como por exemplo a análise documental, a observação participante, entre outras.

Olabuenaga (1996) diferencia três características básicas das entrevistas: i) as entrevistas desenvolvidas entre duas pessoas ou com um grupo de pessoas; ii) as entrevistas que abarcam um amplo espectro de temas (p. ex. biográficas) ou as que incidem sobre um só tema (denominadas

monotemáticas); e iii) as entrevistas que se diferenciam quanto ao grau de estruturação - entrevistas

estruturadas, nas quais o entrevistado é dirigido pelo entrevistador que o confronta com questões pré- definidas; e entrevistas não estruturadas, nas quais o entrevistador segue um esquema geral e flexível na ordem, conteúdo e formulação das perguntas.

Relativamente à diferenciação das entrevistas através da estrutura das questões abordadas, Bogdan e Biklen (1994) fazem a distinção entre entrevista estruturada, semiestruturada e não estruturada. Meirinhos e Osório (2010) focam-se na entrevista semiestruturada, referindo que, neste tipo de entrevista, embora o entrevistador estabeleça os âmbitos sobre os quais incidem as questões, este “não segue uma ordem pré-estabelecida na formulação das perguntas, deixando maior flexibilidade para colocar essas perguntas no momento mais apropriado, conforme as respostas do entrevistado” (p.63).

Aires (2011) explica que as entrevistas não-estruturadas desenrolam-se de acordo com os objetivos definidos, não sendo as perguntas definidas a priori, mas sim durante a interação entre os dois agentes (entrevistador e entrevistado). Este tipo de entrevistas aplica-se essencialmente em estudos de índole qualitativa e o seu objetivo principal consiste na recolha e no aprofundamento de informação sobre o sujeito e/ou o seu contexto.

Olabuenaga (1996) refere que nas entrevistas não estruturadas se pretende, principalmente, respostas do foro emocional, no qual o entrevistador procura os significados que o agente atribui a determinada situação. Por norma, as respostas são abertas e não existem categorias de respostas pré- estabelecidas, em oposição ao que acontece nas entrevistas estruturadas.

Olabuenaga (1996) considera que numa entrevista estruturada o entrevistador tem um papel neutro nas questões que coloca, não expressando ser a favor ou contra a questão em causa, ao contrário

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do que poderá suceder numa entrevista não estruturada. Bogdan e Biklen (1994) referem ainda que ao longo de uma investigação pode ser necessário utilizar diferentes tipos de entrevista.

Por exemplo, no início do projeto pode parecer importante utilizar a entrevista mais livre e exploratória, pois nesse momento o objetivo é a compreensão geral das perspetivas sobre o tópico. Após o trabalho de investigação, pode surgir a necessidade de estruturar mais as entrevistas de modo a obter dados comparáveis num tipo de amostragem mais alargada. (Bogdan & Biklen, 1994, p. 136).

Os mesmos autores fazem ainda referência a algumas características para uma boa entrevista, nomeadamente: i) o entrevistador deve pedir ao entrevistado que o clarifique no caso de não compreender alguma resposta, pedindo-lhe que seja mais explícito ou que dê algum exemplo - “o que quer dizer com isso?”, “não tenho a certeza se estou a seguir o seu raciocínio.” ou “pode explicar melhor?” (p. 136); ii) o entrevistador deve evitar fazer questões de resposta fechada uma vez que estas não carecem dos pormenores e detalhes que o investigador procura; iii) o entrevistador não deve recear os momentos de silêncio do entrevistado visto que estes potenciam a reflexão do sujeito, permitindo que este organize os seus pensamentos e dê um rumo à conversa; iv) o entrevistador deve ser persistente e deixar que os entrevistados se habituem a si, assim, mesmo quando uma entrevista não corre tão bem, o investigador deve considerar é aquilo que se retira do estudo completo; v) o entrevistador deve considerar todas as palavras ditas pelo entrevistado como importantes e encarar cada palavra “como se ela fosse potencialmente desvendar o mistério e o modo de cada sujeito olhar para o mundo” (p.137).

3.3.3. Análise documental

A fonte de informação que agora se trata são os documentos que possam ter informações sobre o caso em estudo, designada normalmente por análise documental ou pesquisa histórica. Olabuenaga (1996) revela que esta técnica pode ser a forma mais ampla, universal e rica de recolher informações para uma investigação. Os documentos analisados podem ser, segundo Bogdan e Biklen (1994): textos escritos pelos sujeitos, documentos oficiais (ex.: documentos internos, comunicação externa, registos sobre os estudantes e ficheiros pessoais, etc.) ou documentos pessoais (ex.: diários íntimos, cartas pessoais, autobiografias). O investigador, por norma, utiliza material que já existe, sendo que a sua tarefa é apenas localizar e ter acesso.

Tal como referem Meirinhos e Osório (2010), a análise documental é uma estratégia básica num estudo de caso. De acordo com estes autores, a informação que o investigador recolha poderá servir para contextualizar o caso, acrescentar informação ou para validar evidências de outras fontes” (p. 62).

Os investigadores qualitativos por diversas vezes recorrem aos registos biográficos dos estudantes que se encontram nas escolas e que contêm informações que podem ser relevantes para o estudo, nomeadamente: relatórios psicológicos, registos de testes e frequência às aulas, comentários de professores, informações acerca de outras escolas frequentadas pelo estudante e perfis da família. Embora os investigadores utilizem esta técnica, têm consciência de que poderá não traduzir informações

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precisas sobre a criança ou jovem. Neste sentido, a análise destes registos deve ser cruzada com a informação obtida através das entrevistas com os alunos ou com os pais (Bogdan & Biklen, 1994).

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