2.3. Nazlı Eray’ın Öykülerinde Mekân Kurgusu
2.3.2. Algısal Mekânlar
2.3.2.2. Açık Geniş-Besleyici Mekânlar
Na Guatemala, após a queda da ditadura de Ubico, o país passou por mudanças democráticas até que Jacobo Arbenz, coronel de tendências esquerdistas assumiu a presidência e deu prosseguimento a essas reformas. Entre elas a mais importante foi a legislação da reforma agrária de 1952, que pôs fim ao sistema oligárquico dos latifúndios e nacionalizou as propriedades da poderosa United Fruit Company, a multinacional norte- americana, dona de imensas terras na América.108
A United Fruit tinha contatos estreitos com o governo de Eisenhower, presidente dos EUA. Os irmãos Dulles, um secretário de Estado, outro diretor da CIA tinham laços “íntimos” com a empresa. Até mesmo parentes próximos de Eisenhower tinham ligações com a United Fruit. No final de 1953 havia um nítido conflito entre Washington e Guatemala, apesar do governo norte-americano não admitir oficialmente que arquitetava a derrubada dos “comunistas” da Guatemala.
Em janeiro de 1954, o programa clandestino dos EUA, chamado de “Operação Sucesso”, contava com apoio dos vizinhos centro-americanos como Trujillo, Somoza e Pérez Jiménez. A marionente guatemalteca, Castillo Armas, ex-coronel do exército e vendedor de móveis, foi chamado para liderar as forças paramilitares mercenárias que estavam sendo treinadas e armadas na Nicarágua de Somoza. Os chefes das missões 108 SADER, Emir. Século XX: uma biografia não autorizada. O século do Imperialismo. São Paulo:
diplomáticas norte-americanas na Costa Rica, na Nicarágua e em Honduras foram substituídos por homens de confiança da CIA. Para coordenar a “Operação Sucesso”, dois meses antes foi nomeado o novo embaixador dos EUA na Guatemala: John Puerifoy. Estava evidente que nuvens negras se formavam no horizonte da Guatemala.109
De fato, em março, na X conferência da Organização dos Estados Americanos (OEA), John Foster Dulles conseguiu convencer a maioria dos delegados a assinar a resolução que justificava a intervenção armada em qualquer Estado membro que fosse “dominado pelo comunismo” e que constituísse uma “ameaça hemisférica”. Apenas México e Argentina se abstiveram e a Guatemala votou contra.110
Com a máquina de propaganda de Washington funcionando a pleno vapor, o acordo da CIA com a igreja guatemalteca e vários conflitos e incidentes se espalhando pelo país, foi fácil criar o clima favorável para enfrentar o que era chamado pela elite conservadora de tentativa de instalação de um ditadura comunista na América Central. Em 16 de junho, mercenários norte-americanos deram início ao bombardeio da Guatemala e em 18 de junho, Castillo Armas entrou no país.
Até então, a única ação concreta do governo guatemalteco foi fazer um protesto diplomático e apresentar seu caso ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. Porém, com a pressão pessoal de Eisenhower e Dulles sobre a França e Grã-Bretanha, o conselho não aprovou uma investigação pela ONU. Em 3 de julho, Castillo Armas, ao lado de Puerifoy, entra na Cidade da Guatemala, depois que os próprios chefes militares guatemaltecos obrigaram Arbenz a renunciar.111
109 ANDERSON, Jon Lee. Che uma biografia. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997. p 154-186 110
Idem.
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No livro Polícia Política: relações EUA–América Latina, a pesquisadora norte- americana Martha Huggins relaciona documentos da CIA e em outros do FBI (Bureau Federal de Investigação), OPS (Seção de Segurança Pública, - a partir de 1990 designada ICITAD: Programa Internacional de Ajuda ao Treinamento em Investigação Criminal) que demonstram como os EUA constituíram um sistema de repressão e tortura em países da América Latina, África e Ásia através do treinamento e da montagem de polícias.
Data-se de 1898 o primeiro registro de treinamento norte-americano das polícias latino-americanas. Considerando-se somente a América Latina, nas três primeiras décadas do século XX os EUA inseriram e constituíram forças policiais em seus próprios territórios nas Grandes Antilhas e na América Central. Essas forças policiais ajudaram a manter o domínio norte-americano sobre Cuba, Porto Rico e Ilhas Virgens e a vigiar a construção do Canal do Panamá e sua operação pelos Estados Unidos. Mais tarde, seria exatamente no Panamá que os EUA construiriam sua “Escola das Américas”, especializada no treinamento das polícias políticas.
Durante e logo após a Segunda Grande Guerra, temendo ameaças aos seus interesses na América Latina, os EUA transformaram o envolvimento com as polícias nativas em uma maneira de coletar informações que ajudassem a “proteger” o Ocidente contra as atividades da organização comunista e da espionagem fascista.
Nos anos seguintes à Segunda Grande Guerra, o treinamento das polícias latino- americanas foi quase unicamente dedicado a combater a ameaça – que se julgava eminente – da revolução de esquerda e do levante de guerrilhas armadas, urbanas e rurais. O receio da potência norte-americana era que as polícias locais não estivessem preparadas organizacional e ideologicamente para enfrentar as supostas ameaças concebidas pelos EUA. A Guerra Fria alimentava este discurso estimulando umaa ideologia de segurança nacional, em nome da qual, qualquer atitude era aceita: seqüestro, tortura, espancamento, incentivo a esquadrões da morte e “desaparecimento” de inimigos políticos.
Em 1985, o governo Reagan instituiu o treinamento de polícias estrangeiras, de modo mais eficaz, para combater o que ele chamava de “terrorismo” nicaragüense e
cubano. Em 1986, a CIA se auto-intitulou a polícia norte-americana na guerra contra o terrorismo. Os militares norte-americanos e conselheiros da CIA começaram a treinar unidades policiais “antiterrorismo” na Costa Rica, El Salvador, Honduras e Guatemala. 112
Estas idéias mantiveram-se fortes até a década de 1990, quando o fim da Guerra Fria deu lugar a um discurso do antiterrorismo, do controle do narcotráfico e do crime organizado. Agora, o inimigo não era mais o “perigo vermelho vindo do leste” e sim os árabes terroristas, os fundamentalistas islâmicos, os narcotraficantes da Colômbia e os criminosos dos bairros pobres.
No Brasil, especificamente, esse discurso percorreu o mesmo caminho. Dos comunistas, passaram aos criminosos (assaltantes de bancos, seqüestradores); aos narcotraficantes, simbolizados pelos morros cariocas; às “minorias” sociais (negros, nordestinos, homossexuais) e movimentos sociais, como grevistas ou o MST.113
Washington justificava a ajuda a polícias estrangeiras com a lógica de que as tornaria mais democráticas, menos violentas e corruptas e mais profissionais. Isso poderia, de início, favorecer a imagem dos EUA no cenário internacional. No entanto, a verdadeira intenção da Casa Branca era outra. À medida que os Estados Unidos treinavam polícias estrangeiras, podem instalar infra-estruturas de informação e controle social para proteção e fortalecimento de sua posição. Assim, conforme as hegemonias centralizadoras do período da Guerra Fria foram sendo substituídas pela descentralização pós queda do Muro de Berlim, cresceu o que Huggins chama de “O Império da Lei”. 114
O objetivo da ajuda a polícias estrangeiras continua sendo o de transformá-las em “correias de transmissão” da política externa dos EUA e dos interesses econômicos e políticos norte-americanos no exterior. Com o caminhar desse processo, os Estados Unidos penetram nos países estrangeiros através de seus sistemas policiais, tornando as polícias apêndices da política externa norte-americana.
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HUGGINS, Martha K. Polícia e Política: relações EUA/América Latina.São Paulo: Cortez, 1998.
113 DEPOIMENTO de Paulo Sérgio Pinheiro, presidente do Núcleo de Estudos da Violência da USP
(NEV/USP) a Alexandre Barbosa em 1999.
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