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KAZAKİSTAN’IN ÜYE OLDUĞU ULUSLARARASI ÖRGÜTLERLE İLİŞKİLERİ

3.4. Şangay İşbirliği Örgütü

O  modelo  da  cognição  social,  desenvolvido  inicialmente  por  Bandura,  sugere  que  expectativas, incentivos e cognições sociais estão na base dos comportamentos. Este modelo  enfoca  o  indivíduo  no  contexto  social  para  explicar  que  as  suas  crenças  têm  uma  dimensão  normativa. Segundo o modelo, as expectativas são de três níveis: relativas à situação, relativas  aos resultados; e relativas à auto‐eficácia (Ogden, 1999). Anteriormente, pudemos já observar  que os utentes assumem atitudes de medo face à sua situação de doença. No contexto do seu  episódio  depressivo,  vamos  agora  tentar  perceber  que  expectativas  manifestam  em  relação  aos  resultados  do  tratamento  e  à  auto‐eficácia.  A  análise  das  narrativas  dos  participantes  permitiram  eleger  como  categorias  temáticas:  expectativas  de  tratamento,  capacidades  de  coping e adesão ao regime terapêutico.  

Relativamente  ao  tratamento,  as  expectativas  dos  participantes  foram  expressas  nos  relatos que se seguem: 

“Eu gostava que o dr. me fizesse um tratamento em condições p’ra eu…[suspira] esquecer isto tudo!  Um tratamento que, depois, um dia em que viesse, que saísse à rua, arranjava‐me em condições,  prontos…com um sorriso na cara, como em antes sempre a rir‐me.” (F03) 

“Que há pessoas que com o tratamento conseguem superar. Não é em dois dias ou três que se vai  conseguir,  não  é?...  fazer  isso,  mas…  quem  sabe,  com  a  ajuda  dos  médicos  e  coisa  eu  consiga  superar.(…) É isso que eu espero p’ra mim.” (F05) 

“É  curar‐me,  porque  tenho  dois  filhos  pequenos  e  eles  precisam  de  mim.(…)  Não  sei.  [silêncio]  Arranjar um trabalho, ocupar‐me com alguma coisa.” (F09)  “Eu tenho a esperança de, agora com algum tratamento, voltar a… a, pronto, voltar a ser a pessoa  que era, a ter a energia que tinha, a vontade que tinha, apesar de saber que cada vez é mais difícil.  (…) E sei que há a possibilidade de me tratar, de me curar, e é isso que eu quero fazer.” (F10)    Numa primeira análise é notório, como seria previsível, que as expectativas em relação  ao tratamento se focam na possibilidade da cura da sua doença. Ora, na assumpção de crenças  normativas  próprias  do  seu  contexto  sociocultural  (ocidental),  assumem  que  a  via  da  cura  consiste,  fundamentalmente,  na  assistência  médica.  Para  si  próprios,  os  utentes  assumem  apenas  o  dever  de  colaborar  com  aqueles  que  estão  mandatados  socialmente  como  detentores do poder de tratar e curar, cuja imagem mais representativa é a do médico.  

Quando  foram  questionados  sobre  a  sua  capacidade  para  lidar  com  a  sua  doença,  os  participantes assumiram vulnerabilidades e incapacidades associadas à mesma, o que os leva a 

reconhecer que ficam na dependência de cuidadores formais (técnicos de saúde) ou informais  (familiares):  “Eu acho que não posso fazer nada, ‘tá na mão dos médicos. Eu faço o que eles me mandam.(…) Às  vezes, engano‐me. De vez em quando engano‐me. Quando ando mais… nervosa engano‐me. (…)‘tá  lá uma lista no frigorífico com… com, p’ra eu não me enganar.” (F03)  “Porque eu tinha a minha sogra que me acompanhava. Eu não podia ficar sozinha, não podia, de  maneira alguma.(…) Sim, sim, precisava sempre.” (F04)  “[tratamento no domicílio] Sim, fazia‐o por mim. Eu neste momento, eu neste momento, não tenho  forças mesmo p’ra… p’ra seguir com a minha vida p’rá frente. As enfermeiras perguntam‐me se está  tudo bem, se ‘tá tudo bem, eu digo sempre que sim mas a minha cabeça diz o contrário.(…) Tou a  fazer o que  as  enfermeiras mandam, tento  ser  educada  c’as pessoas, tento…  ter  forças.  Só  que a  gente, ás vezes, não… consegue ter forças.” (F05) 

“Batalhar por ter outra vez a minha vida direita (…) E sei que há a possibilidade de me tratar, de me  curar, e é isso que eu quero fazer. (…) Estou aqui p’ra tentar que me ajudem. Ao menos a ter um  bocadinho de mim que me faça continuar a… caminhar. [murmura]” (F10) 

 

Os  achados  são  compatíveis  com  a  bibliografia,  e  confirmam  os  episódios  depressivos  como condição patológica muito incapacitante (OMS, 2001; Gusmão et al, 2005; Rojas, 2007). 

As  estratégias  para  lidar  com  a  doença  referem‐se,  quase  exclusivamente,  ao  tratamento  farmacológico.  Alguns  utentes  reconheceram  como  desejável  um  maior  envolvimento social e a prática de actividades lúdicas, desportivas ou até ocupacionais. Porém,  acabavam  por  admitir  que,  no  momento  em  que  se  encontravam,  não  tinham  energia  e  ou  motivação  para  realizar  tais  actividades.  Portanto,  genericamente  os  utentes  revelaram  um  “locus de controlo” externo, ou seja, consideraram que o controlo da sua doença dependia,  em  primeira  instância,  da  intervenção  externa  dos  profissionais  de  saúde.  A  informação  recolhida não permite perceber se o locus de controlo externo se fica a dever à passividade e  negativismo  característicos  da  depressão  ou  se  decorre  de  um  traço  da  personalidade.  Admitimos, porém, que no quadro de um episódio depressivo os utentes sejam condicionados  a um locus de controlo externo, partindo do pressuposto de que assumem estar vulneráveis e  incapazes de controlar o rumo das suas vidas. 

Ainda  assim,  quando  questionados  sobre  a  necessidade  de  ajuda  para  o  tratamento  farmacológico,  no  domicílio,  oito  dos  participantes  referiram  que  conservaram  sempre  a  capacidade  de  o  fazer  com  autonomia  e  apenas  dois  assumiram  que  estiveram,  em  algum  período, na dependência dos familiares para esse efeito.  

Na  parte  teórica  do  estudo  documentamos  com  várias  fontes  bibliográficas  as  dificuldades  dos  doentes  na  adesão  ao  tratamento  e  as  suas  consequências  (OMS,  2001;  Afonso, 2004; Rojas 2007; APA 2010). Á escala global, a OMS (2001) estima que pouco mais de  50% dos doentes depressivos adiram ao tratamento farmacológico. Quando comparados com  doentes  não  depressivos,  a  probabilidade  de  adesão  ao  tratamento  é  três  vezes  inferior. 

Segundo Afonso (2004), as falhas na adesão terapêutica ficam a dever‐se a múltiplos factores.  Os  principais  têm  que  haver  com:  as  incapacidades  cognitivas  e  funcionais  associadas  à  doença;  aspectos  do  tratamento  como  a  sua  complexidade  e  longa  duração,  os  efeitos  secundários da medicação e os custos económicos inerentes; e a interrupção do tratamento  antecipada  pelo  próprio  doente  na  fase  de  estabilização,  pela  percepção  errada  de  estar  recuperado e pelo alívio de custos e exigências do regime terapêutico (APA, 2010). Nas suas  narrativas,  os  participantes  reconhecem  dificuldades  e  desajustes  na  gestão  do  regime  terapêutico, em linha de conta com aquilo que ficou acima descrito:   “Eu na vez de ir à consulta, não fui. Fui trabalhar. Só que não pensava eu que não ia conseguir. As  mulheres disseram logo “Tu, tu a tomares a medicação que estás a tomar e vens trabalhar? Não  podes, não podias. Não podias, não vinhas! (F05)  “(…) Tive algumas falhas! Tive algumas falhas...(…) Por vezes, também via que não estava... tomava  e que morria e que não queria tomar! Outras vezes, que não... que não estava a fazer nada, que não  queria tomar.” (F07)  “Achei que já estava bem… deixei de tomar a medicação. Fui a uma consulta depois disso… depois  não fui mais. Achei que não era preciso. Só ia lá ao médico p’ra ele me passar receitas!” (F09)  “Eu fiquei de baixa uma semana, fui trabalhar e deixei de tomar os comprimidos.(…) já na sequência  da… da última situação… tinha paroxetina em casa, que era o que tomava. E voltei a tomar. (...) Ao  fim de um mês e tal, (…) não, não senti grandes melhoras e fui a primeira vez à urgência.” (F10)   

Observa‐se  que  os  participantes  têm  consciência  crítica  sobre  o  seu  incumprimento  terapêutico, no tratamento actual ou em situações anteriores. Isto é tanto mais evidente na  sua  atitude  de  valorização  do  momento  presente,  quanto  terem  declarado  que  estão  comprometidos  a  cumprir  com  rigor  o  tratamento.  Os  enfermeiros  podem  ter  um  papel  essencial  na  promoção  da  adesão  ao  regime  terapêutico.  Tomando  em  consideração  as  orientações da OMS (2001) e da APA (2010), os EESM podem fomentar relações terapêuticas  de confiança, realizar intervenções de ensino sobre o regime terapêutico dirigidas aos utentes  e seus familiares, bem como, realizar intervenções psicoterapêuticas que potenciem a adesão  ao tratamento. O modelo cognitivo de crenças de saúde defende que os comportamentos de  saúde derivam sobretudo da ponderação racional sobre conhecimentos individuais, relegando  para segundo plano as influências do contexto social (Ogden, 1999). O interesse deste modelo  aqui reside no facto de defender que a partir das principais crenças dos indivíduos é possível  perceber  a  probabilidade  de  apresentarem  comportamentos  de  adesão  ao  tratamento  e  recuperação  da  doença.  Nas  suas  intervenções,  os EESM  devem  apreciar  em  que  medida  as  crenças  dos  utentes  predizem  uma  boa  adesão  ao  tratamento  e  promover  a  adopção  de  crenças realistas e culturalmente ajustadas, que fomentem essa adesão.