2. ÜRETİM, ÜRETİM SİSTEMİ VE ÜRETİM PLANLAMASI
2.3 Üretim Sistemi Kavramı
2.3.3 Üretim sistemlerinin sınıflandırılması
2.3.3.2 Üretim akışları veya miktarlarına göre sınıflandırma
71 Assim como Kimball, Junior toca na questão da pertença e também não cita nenhum autor como referência,
66
Decepcionados com a Graça: Esperanças e Frustrações no Brasil Neopentecostal72, do brasileiro Paulo Romeiro, foi publicado em 2005 pela editora Mundo Cristão.
Apesar de ter um capitulo sobre a doutrina da graça, este livro não fala necessariamente sobre pessoas que ficaram frustradas, decepcionadas com este antigo conceito religioso cristão.
O livro trata a respeito do neopentecostalismo brasileiro, por isto gasta boa parte do texto explicando a história e a teologia deste movimento. O objetivo principal é a realização de uma analise critica do modelo de prática pastoral de três igrejas, a saber: Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Apostólica Renascer em Cristo e Igreja Internacional da Graça de Deus.
No sétimo capitulo, Romeiro discorre diretamente sobre as decepções que os adeptos destas igrejas estão sujeitos a enfrentar. Ele apresenta três depoimentos de fieis, que sofreram grandes decepções ao se envolverem com estas igrejas.
Igreja da Graça: Junior chegou a Igreja da Graça através da esposa, em 1999, e participou ativamente da mesma durante dois anos. Ele “esperava ser abençoado por Deus com prosperidade através das doações para as campanhas, para os programas de TV e da fidelidade no dizimo. Era isso que deduzia das pregações e dos ensinos da Igreja, [...]. Por essa razão, dedicou-se sem reservas à Igreja da Graça” (ROMEIRO, 2005, p. 148).
Os constantes apelos por ofertas ou o passo de fé, na terminologia neopentecostal, somado a um sério problema no trabalho, que Junior atrelou a sua crença na Teologia da Prosperidade, fez com que pouco a pouco ele rompesse com a igreja (ROMEIRO, 2005, pp. 148, 149), nas palavras do depoente:
Eu comecei a ver que a teologia da prosperidade não batia com a Palavra de Deus. Então comecei a deixar de ouvir o pastor da igreja, o que eles diziam, o que as suas publicações diziam, e comecei a ouvir o que Jesus falava. Comecei a confrontar o que a Bíblia dizia (sic) com a pregação deles, e decidi ficar com a Bíblia. Decidi ser fiel ao que Jesus falou. Comecei a ver que Jesus não pedia dinheiro, nem cobrava pelos milagres. Paulo em nenhum momento disse que, se déssemos dinheiro a Deus, ele agiria em nosso favor. Então aquilo para mim foi o fim. Eu me senti enganado durante todo aquele tempo. (ROMEIRO, 2005, pp. 150, 151).
72 Este livro é fruto da tese de doutorado: Esperanças e Decepções – Uma análise crítica da pastoral do
neopentecostalismo na Igreja Internacional da Graça de Deus sob a perspectiva da práxis religiosa defendida
67 Fernando e Alice atuaram ativamente na Igreja Renascer em Cristo. “Alice fez um pouco de tudo: aconselhou, pregou, evangelizou, celebrou ceia, trabalhou como diaconisa, visitou etc. tinha facilidade para conseguir doações para a igreja” (ROMEIRO, 2005, p. 152). Fernando “também se envolveu com alguns departamentos [...] o de intercessão, o infantil e o coral da igreja” (ROMEIRO, 2005, p. 153).
O casal ao perceber “que a igreja estava saindo dos trilhos e manipulando as pessoas, sem se importar com a vida delas, decidiram sair” (ROMEIRO, 2005, p. 154), porém, esta não foi uma decisão fácil, pois Alice acreditava que tinha sido curada de uma doença, mediante a oração de Estevam Hernandes.
Quando Alice precisou de ajuda, com o irmão drogado, e não recebeu nenhum tipo de apoio, “nem sequer uma visita” (ROMEIRO, 2005, p. 155), eles deixaram a Renascer.
Felipe passou onze anos na Igreja Universal, foi auxiliar de pastor, morou na igreja durante algum tempo e trabalhou durante vários anos para a mesma, organizando o local dos cultos e realizando os mesmos, principalmente os que tinham uma quantidade menor de pessoas. Apesar de sua obsessão por ser pastor, não foi aprovado pela igreja para tal função (ROMEIRO, 2005, pp. 156, 157).
Em um período em que ele não estava atuando como pastor auxiliar, “Felipe conta que o Bispo preparou os fieis para uma doação além do que podiam” e prometeu: “se a sua vida não mudar, eu devolvo o dinheiro” (ROMEIRO, 2005, p 158).
Entusiasmado com a promessa. Felipe doou uma quantia em cheque e para cobri-lo precisou fazer um empréstimo. Como as coisas não progredissem, ele se lembrou da promessa do bispo de devolver o dinheiro. Entretanto, ao contata-lo, o bispo não só desmentiu a promessa como ouviu dele que sua vida não melhorara por falta de fé. Embora tivesse tentado por todos os meios, Felipe nunca recuperou o dinheiro. Ele finalmente abandou a Universal (ROMEIRO, 2005, p 158).
Utilizando-se da sociologia da religião, Romeiro trás para a literatura evangélica algo que ainda não tinha surgido nos livros sobre os que estão fora da igreja, publicados até 2005. A constatação do transito religioso no meio evangélico brasileiro, fieis que o autor chama de nômades da fé.
Conforme o autor há “no Brasil um contingente significativo de evangélicos, principalmente nos grandes centros urbanos, que estão sempre circulando de igreja em igreja. Não criam raízes, não conseguem cultivar relacionamentos e são avessos aos compromissos
68 que normalmente surgem do relacionamento entre o fiel e a igreja” (ROMEIRO, 2005, p. 159).
Mas, quem é que cria os nômades da fé? Para Romeiro: “A igreja midiática alimenta o transito religioso. É ela quem gera os mecanismos para convencer os fieis, logo transformados em consumidores, a ocupar um assento dentro de seus templos” (ROMEIRO, 2005, p. 160).
Paulo Romeiro olha para o fenômeno dos sem igreja a partir do neopentecostalismo e credita a este a existência de pessoas decepcionadas com as igrejas e com a religiosidade evangélica.
Decepcionados com a Igreja, cuidados por Deus, artigo de Ênio Caldeira Pinto e
Selma Almeida Rosa para a revista Práxis Evangélica, número 12, ano 2007, da Faculdade Teológica Sul Americana de Londrina, no Paraná.
Para os autores, neste texto “entende-se por decepcionados com a Igreja os exemplos bíblicos de personagens que sofreram algum tipo de malogro da esperança, que se sentiram desiludidos com o projeto messiânico, que foram enganados por falsos líderes e mentores” (PINTO & ROSA, p. 20), tendo como causas motivadoras do estado de decepção: “O desejo, o consumismo e o desapontamento [...], geralmente gerados por pessoas, sistemas e estruturas e até por si próprio” (PINTO & ROSA, p. 34).
Os autores pretendem usar uma “metodologia [...] simples: passeando por exemplos do Novo Testamento (NT), o procedimento é escanear narrativas que configuram a temática da decepção”, a partir do que eles consideram “fundamentos da espiritualidade cristã (Jesus Cristo, o Espírito Santo, a Palavra e a Igreja)” (PINTO & ROSA, p. 20).
Aqui nos ateremos apenas aos apontamentos que os autores realizaram sobre a igreja. Porém, é relevante frisar que os autores não ficam apenas na análise de textos bíblicos. Em diversos momentos há citação de exemplos contemporâneos, do que eles entendem como decepcionamentos no meio cristão evangélico.
A igreja do primeiro século, “deixou adentrar às suas portas os falsos ensinos e promoveu a frustração da humanidade, como visto em Filipenses 3: 18-19” (PINTO & ROSA, p. 22).
A igreja causa decepção nas pessoas devido à desunião que há dentro dela, como por exemplo, o caso da igreja de Corinto, onde alguns diziam ser de Paulo, outros de Apolo, outros Cefas e ainda outros de Cristo (PINTO & ROSA, p. 23).
69 Para estes autores, um dos principais motivos para a existência dos decepcionados com a igreja é “o apego às lideranças”, porem estas vivem uma crise sem precedentes na contemporaneidade, logo “não proporciona um bom testemunho de Cristo”, o que se torna um ciclo vicioso, gerando cada vez mais, pessoas decepcionadas com as igrejas evangélicas (PINTO & ROSA, p. 24 e p. 34).
A igreja frustra/decepciona as pessoas ao compreender erroneamente a função do Espírito Santo, ao oferecer aos “seus membros ministros para serviços gerais: os taumaturgos da fé, os obreiros fervorosos da oração e os agentes da operosidade de milagres” (PINTO & ROSA, p. 30).
Em resumo para Pinto e Rosa, os lideres e o seu modelo de liderança, na igreja evangélica contemporânea são as principais causas de decepção para as pessoas que a ela se achegam, ou que pertencem à mesma.
Como acabar com a decepção? Para os autores a solução está nos fieis. “Só rompemos o ciclo da decepção quando nossos olhos passam a desejar outras coisas que não aquelas que nos condenaram e isso acontece por meio da reflexão, do estudo, da comunhão” (PINTO & ROSA, p. 36).
Características e Movimentos Promotores de Decepção na Igreja Cristã no Brasil,
artigo de Reginaldo von Zuben para a revista Práxis Evangélica, número 12, ano 2007, da Faculdade Teológica Sul Americana de Londrina, no Paraná.
Este autor, diferente dos demais, inicia a sua análise, buscando definir o que é a igreja: “antes de ser a denominação, a instituição, o local e até mesmo o templo, igreja são as pessoas que foram convocadas, chamadas e separadas por Deus. [...] O caráter pessoal é muito mais importante na definição do conceito igreja que o caráter organizacional, hierárquico ou o próprio edifício e bens materiais” (ZUBEN, 2007, p. 43).
Outra distinção do olhar de Zuben é o fato de incluir o catolicismo nos grupos que ele analisa que são: catolicismo, protestantismo, pentecostalismo e neopentecostalismo. Para cada um destes grupos, o autor procura retomar aspectos históricos, para desenhar o modelo institucional utilizado pelas igrejas e denominações.
Desta forma ele entende que: “Em linhas gerais, tanto a igreja católica romana como as protestantes [...] são identificadas como igrejas institucionais”. Logo as linhas gerais deste modelo, são: “valorização do aspecto denominacional, ênfase hierárquica em seus sistemas de
70 governo, certa rigidez e conservadorismo doutrinário e acentuada tendência disciplinar” (ZUBEN, 2007, p. 48).
Neste modelo de igreja corresse o perigo de “preocupar-se mais com as questões institucionais, dogmáticas e políticas internas do que com as pessoas” (ZUBEN, 2007, p. 63).
Para Zuben no modelo pentecostal “a perspectiva carismática (charismata, ou seja, dons espirituais) se sobrepõe à hierarquia e, com isso, ocorre maior valorização, reconhecimento e sentimento de importância das pessoas que não compõem a hierarquia e a liderança da igreja” (ZUBEN, 2007, p. 58).
O modelo neopentecostal é marcado pela “transferência do carisma pessoal para o carisma institucional; a associação da mensagem cristã com a lógica do mercado em termos de sucesso e prosperidade; a adaptação de vários rituais e linguagens relacionadas à umbanda e ao candomblé numa perspectiva cristã” (ZUBEN, 2007, p. 60).
O modelo institucional (catolicismo e protestantismo) “pode gerar pessoas decepcionadas por pensarem, serem e se comportarem diferente dos padrões estabelecidos, normatizados e sustentados pela autoridade histórica e clerical. O rigor do legalismo e do moralismo nessas igrejas tem levado muitas pessoas a se afastarem do convívio comunitário, devido a tão grande decepção” (ZUBEN, 2007, p. 66)73.
Soma-se a este apontamento, a ordenação feminina e o ecumenismo, amplamente combatido, tanto no meio protestante fundamentalista, como no meio católico conservador. Estas duas questões causam decepção tanto em quem é a favor como em quem é contra (ZUBEN, 2007, pp. 66 - 68).
O envolvimento, ou a falta de envolvimento da igreja com questões sociais, também geram decepções, nos modelos protestante e pentecostal74.
Para Zuben, dentro do pentecostalismo o que mais gera decepção é a “questão da posse ou da manifestação [de] certos dons e experiências com o Espírito Santo. [...] quem não foi batizado com o Espírito Santo, não falou em línguas ou não possui um dom de destaque [...], isso pode resultar numa certa discriminação em termos de espiritualidade” (2007, p. 69). O autor também pontua que no pentecostalismo a “ênfase nas experiências carismáticas e nas manifestações surpreendentes com o Espírito Santo tem gerado o
73 Anteriormente, nas páginas 62 a 65, o autor já tinha destacado que no catolicismo o legalismo e o moralismo
são aplicados apenas ao clero.
74 Um dos entrevistados para a pesquisa desta dissertação, sita a falta de envolvimento com questões sociais de
71 emocionalismo e certos excessos contraditórios e fantasiosos sobre o conteúdo da mensagem cristã. Diante disso, percebesse-se certa fragilidade no conteúdo e na consistência do ensino75, o que também pode causar decepções” (ZUBEN, 2007, p. 69).
No neopentecostalismo a principal decepção está naqueles que participaram, cumpriram os rituais e as exigências de doação de dinheiro para a igreja, porém não alcançaram a sua tão esperada benção (ZUBEN, 2007, p. 69).
Os filhos pródigos da Igreja: Uma análise das causas que levam as pessoas a ficarem decepcionadas com a Igreja, artigo de Jorge Henrique Barro para a revista Práxis Evangélica,
número 12, ano 2007, da Faculdade Teológica Sul Americana de Londrina, no Paraná.
Este texto procura apontar as causas que levam as pessoas a deixarem as igrejas evangélicas. A metodologia utilizada é a observação detalhada, de duas pesquisas especificas sobre o tema. “A primeira, da Life Way Research [...]. Trata-se de uma pesquisa nos Estados Unidos para descobrir porque as pessoas estão abandonando as igrejas. A segunda trata de uma pesquisa que foi fruto de um projeto de investigação realizado em uma das disciplinas de Pós-Graduação da Faculdade Teológica Sul Americana” (BARRO, 2007, p. 76).
Infelizmente, o autor não esclarece, quantas pessoas participaram de cada pesquisa, nem quando elas foram realizadas e em qual cidade. Porém em relação a segunda, há as seguintes informações:
As pessoas foram escolhidas criteriosamente, levando em conta que deveriam estar fora da igreja no mínimo de dois (2) e no máximo de dez (10) anos. Exigiu-se também que as pessoas entrevistadas tivessem exercido algum tipo de liderança em sua igreja. A entrevista consistia de várias perguntas e as mesmas foram gravadas e transcritas, nos dando permissão de citá-las, desde que omitida as fontes (BARRO, 2007, p. 76).
Barro descreve seis causas para as pessoas ficarem decepcionadas com a igreja, são elas:
Primeira: mudanças de situação de vida76. Mudança de cidade, transferência no trabalho, “divórcio, separação, nascimento de um filho(a), morte na família, tipo de disciplina eclesiástica aplicada em decorrência de alguma situação experimentada, uma frustração de relacionamento com algum(s) membros(s) da igreja, a má conduta de certas pessoas ou lideres, e coisas do tipo” (BARRO, 2007, p. 77).
75 Para ver um caso especifico, deste tipo de decepção, leia nos anexos desta dissertação a entrevista do casal
A.C. e K.C. sobre os motivos que os levaram a deixar de pertencer ao pentecostalismo.
72 Segunda: Desencantamento dos membros e pastores. “A liderança pastoral77 foi a causa número um (1) que praticamente perpassou a todos entrevistados (PL)”78
Terceira: Igreja como mercado de consumo79. Apesar de todos os participantes da pesquisa de Londrina serem ex-membros de igrejas históricas, diversos deles reclamaram, do forte apelo mercadológico das igrejas à qual pertenceram. Uma delas afirmou: “A igreja hoje é um comércio” (BARRO, 2007, p. 79).
Quarta: A drácma80 se perde dentro da própria casa.
O medo de tratar as coisas, de honestamente saber o que as pessoas estão pensando e sentido, de se humilhar, de querer varrer a casa, faz com que não exista na comunidade ambiente que possam proporcionar diálogos, reflexões, autocríticas. Elas acabam ficando no seu próprio mundo e aos (sic) poucos, “devagarzinho”, como disse alguém, a drácma se perde. Um pastorado que não aceita críticas está à beira do precipício. Se as pessoas não tiverem um foro dentro da igreja para tratar das questões, certamente elas o encontrarão fora da igreja (BARRO, 2007, p. 82).
Quinta: Manipulação, abuso de poder e institucionalização. Para o autor ainda impera nas igrejas evangélicas um tipo de autoridade baseada no coronelismo81. “Este modelo cultural, travestido de uma autoridade espiritual que não se pode questionar, se traduz em
abuso de poder”. Poder aqui é para mandar e dominar. Não é poder para servir. Esses são os
autocratas da fé, os donos do rebanho (BARRO, 2007, p. 83).
Sexta: Membros invisíveis. Muitas pessoas deixam de participar das reuniões da igreja e a sua ausência não é notada pelas demais, o que posteriormente ocasiona a sua saída.
Para Barro a solução destas desistências de pertencimento é “olharmos mais cuidadosamente a porta dos fundos da igreja. Cuidar é amar. O amor gera atitude” (BARRO, 2007, p. 88).
77 Nas entrevistas realizadas para esta dissertação encontramos a mesma tendência como causa principal para as
pessoas optarem pela não pertença no meio evangélico.
78“PL” significa pesquisa Londrina e refere-se a segunda pesquisa que o autor está utilizando na construção deste
artigo (BARRO, 2007, p. 76).
79 Nas entrevistas realizadas para esta dissertação encontramos a mesma reclamação, veja a oitava entrevista nos
anexos.
80 Barro está fazendo referencia a parábola de Jesus narrada no texto do evangelho de Lucas, no capitulo 15. 81 Nas entrevistas anexas a esta dissertação o participante A. C. fala sobre algo semelhante na igreja a qual ele
73