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ÜLKESEL TÜKETİLME COĞRAFİ REJİMİ

Belgede Patent hakkının tüketilmesi (sayfa 75-79)

PATENT VE PATENT HAKK

C. COĞRAFİ REJİMLERE GÖRE HAKKIN TÜKETİLMESİ İLKESİ

1. ÜLKESEL TÜKETİLME COĞRAFİ REJİMİ

Tão logo o capitalismo se impôs, impôs-se também o mecanismo do mercado e a redução da ação do Estado como produtor direto do espaço urbano. O Estado passou a ser produtor “indireto” com a legislação urbanística, que, supostamente, regularia a iniciativa privada. (VILLAÇA, 1998, p. 251).

A apreensão dos fenômenos que ocorrem na R A Norte, durante a última década do século XX, sinalizam para um processo de transformação no processo de estruturação sócioespacial e econômico local. Em grande parte a apropriação do espaço urbano da região ocorre à margem da legislação vigente, como elucida Maricato (2000) quando da aplicabilidade dos planos urbanísticos no Brasil:

Não é por falta de Planos Urbanísticos que as cidades brasileiras apresentam problemas graves. Não é também, necessariamente, devido à má qualidade desses planos, mas porque seu crescimento se faz ao largo dos planos aprovados nas Câmaras Municipais, que seguem interesses tradicionais da política local e grupos específicos ligados ao governo de plantão. (MARICATO, 2000, p. 124)

Apesar de Natal ter tradição de planos urbanísticos datados desde os primórdios do século XX, o seu primeiro Plano Diretor, Lei nº. 2.221/1974, é muito genérica e não faz menção a R A Norte, apenas no artigo 19, refere-se como sendo zona de expansão urbana. Com a promulgação da Lei nº. 3.175/1984 (Plano Diretor Físico-Territorial do Município de Natal) é instituído pela primeira vez o zoneamento urbanístico, inspirado nos padrões rígidos da cidade funcional e ideal, estabelecendo zonas de usos – setorização, um plano diretor de desenvolvimento integrado, os Planos Diretores de Desenvolvimento Integrado (PDDIs), tão em evidência na década de 1980 em todo Brasil. Em relação a R A Norte, o que se verificou foi uma lacuna no zoneamento, definida a sua maior parte de terra apenas como zona especial de expansão urbana (ZEEU), uma Zona de Preservação Moderada (ZPM) e uma Zona Industrial (ZI). Como as Zonas Especiais dependiam de planos específicos que deveriam ser elaborados e posteriormente regulamentados, o que não aconteceu, o zoneamento ficou apenas no papel. Ou seja, a região cresceu, principalmente com a implantação dos conjuntos

habitacionais (BNH/SFH), com tênues parâmetros urbanísticos no disciplinamento e controle do uso e ocupação do solo.(ver capítulo 2, Figura – 15)

A publicação do Plano Diretor – Lei Complementar nº. 07/1994, fundamentado numa nova filosofia de zoneamento, institucionaliza novos paradigmas e práticas nesse instrumento de planejamento. Estabelece parâmetros urbanísticos básicos para toda Natal e define a política urbana municipal. Configura-se, portanto, o novo modelo de zoneamento, onde integra e complementa as variáveis dos parâmetros de densidades, com a identificação de situações sócio-ambientais existentes na cidade.

Na R A Norte, o já referido Plano Diretor (Lei no07/1994) deu ênfase ao adensamento não residencial, nos bairros mais consolidados (Igapó e Potengi), denominada Zona Adensável-2(ZA2), ou seja, incidiu nas áreas onde a ocupação pelo setor terciário estava mais concentrada. Os demais bairros compreendiam a Zona de Adensamento Básico: Lagoa Azul, Pajuçara, Nª Sra. da Apresentação, Redinha e Salinas. Tendo ainda as Zonas de Proteção Ambiental localizadas nos bairros de Lagoa Azul, Pajuçara, Redinha e Salinas.

No ano de 1999, foi realizada a revisão da Lei Complementar n.º07/94 (sancionada como Lei Complementar nº. 022/99 em 18/08/1999). A Lei complementar nº. 022/1999, com relação a R A Norte aumentou a Zona Adensável-2(ZA2), em mais dois bairros: Pajuçara e Redinha. Como também a densidade máxima de 180 hab./ha para 350 hab. /ha, sem estudos técnicos dos parâmetros adotados para ampliação da referida zona.

Percebe-se através dos Planos Diretores para Natal, que o Estado pouco ou mesmo quase nenhum estudo realizou na R A Norte. Villaça (1998) mostra que o Estado atua através da legislação urbanística, feita pela e para a burguesia. Isso se revela pelo fato de se colocar na clandestinidade e ilegalidade a maioria dos bairros e das edificações de nossas metrópoles. As leis são voltadas para solucionar problemas de aparências e cumprir os requisitos das burguesias, nos bairros populares, quando existem, elas são extremamente permissivas (como exige o mercado), portanto, inócuas.

Segundo Rolnik (1999, p.13), a legislação urbana age como marco delimitador de fronteiras de poder. A Lei organiza, classifica e coleciona os territórios urbanos, conferindo significados e gerando noções de civilidade e cidadania diretamente correspondentes ao modo de vida e à micropolítica familiar dos grupos que estiverem mais envolvidos na cidade, mesmo quando não é capaz de determinar sua forma final.

No entanto, as legislações urbanísticas de Natal, mesmo as elaboradas, durante a década de 1990, se estabeleceram ainda dentro de um quadro mantenedor do processo de dualidade centro-periferia no nível local. Trata-se de um movimento contraditório: ao mesmo tempo em que a estrutura social se diversifica e se torna mais complexa, com o surgimento de novas formas de uso e ocupação do espaço urbano, as desigualdades sociais não são atenuadas, e permanece uma hierarquia social que se concretiza no território onde as extremidades mantêm distanciamento. Os processos sócioespaciais são tão dinâmicos no nível local, que leis municipais se mostram insuficientes para interferir positivamente na diminuição das desigualdades sócioespaciais

As mudanças ocorridas na R A Norte de Natal e o descompasso quanto à legislação urbanística para a área, referendam o que Maricato (2000) afirma quanto ao distanciamento tradicional, entre arcabouço jurídico e a realidade social.

Maricato (2000) faz uma reflexão, quanto ao fosso ainda existente entre o planejamento urbano e gestão, aborda a necessidade da constituição de uma nova matriz urbanística para eliminar esse distanciamento. Para a autora não acaba com o espaço dos planos locais ou das decisões participativas descentralizadas. Mas, talvez mais importante do que tudo, não se pode desconhecer a necessidade de desconstrução das representações dominantes sobre a cidade e é imperativa a construção de uma nova simbologia engajada a uma prática democrática. Villaça reforça:

O planejamento urbano é encarnado numa idéia - hoje nada clara – de plano diretor e passa a ser admitido a priori como algo bom, correto e necessário em si. Adquire – no plano da ideologia – uma incrível credibilidade e autonomia, principalmente se lembrarmos que, a rigor, nas décadas de 1980 e 1990, os urbanistas mais atuantes já não sabem o que é um plano diretor, tamanha é a controvérsia entre eles. A ideologia, entretanto, encarregou-se de fazer com que os leigos não só sabem o que é plano diretor como também lhe atribuam poderes verdadeiramente mágicos. (VILLAÇA, apud MARICATO, p. 174. In: ARANTES & outros, 2000).

Belgede Patent hakkının tüketilmesi (sayfa 75-79)