Güv HesabaD
ÜÇÜNCÜ BÖLÜM ARATIRMANIN METODOLOJS
Falar da vida e da obra de Vygotski parece desnecessário, neste momento, por se tratar de um estudioso já bem conhecido nos meios educacionais. Suas ideias, agora difundidas, são sempre bem lembradas para embasar as discussões referentes às pesquisas relacionadas ao desenvolvimento humano. A insistência por trazer neste trabalho tais informações apenas cumpre o papel de contextualizar e situar, brevemente, a vida desse professor, psicólogo e pesquisador, que contribuiu para a compreensão da abordagem histórico-cultural sobre o psiquismo e desenvolvimento humano em geral, bem como sobre o desenvolvimento das crianças com deficiência em suas diferentes áreas.
Foi o segundo de uma família de oito filhos15. Pertenciam a uma comunidade
judaica da cidade de Gomel. Sua condição econômica a social permitiu uma educação de excelência, estudando com tutores particulares e tendo acesso a boas bibliotecas. Depois, frequentou o Gymnasium judeu particular em Gomel, graduando-se com medalha de ouro em 1913. De acordo com Kozulin (2001), Vygotski é lembrado como uma criança inteligente e precoce. Seu tutor, Solomon
14 VIGODDSKAIA, Guita Lvovna & LIFANOVA, Tamara Mirrailovna. Lev Semionovitch Vigotski:jizn,
deiatelnost, chtrirri k portretu. Moscou: Smisl i Smisl, 1996.
15 Lev Semyonovitch Vygotski nasceu a 5 de novembro de 1896, na cidade de Orsha, na
proximidade de Minsk, na Bielo Rússia. Morreu de tuberculose em 11 de junho de 1934 (VYGOTSKI, 1991, p.17-18).
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Ashpz, formado em matemática, mas capaz de ensinar qualquer disciplina, logo percebeu a tendência de seu aluno para as humanidades e as ciências sociais. Foi também um apreciador e especialista em poesia russa desde os autores clássicos aos modernos.
Seus estudos acadêmicos, na Universidade de Moscou, foram permeados por idas e vindas, passando pelo curso de medicina, de direito, filosofia e história. Contudo, manteve seu interesse pela literatura e pela arte. Escreveu ainda adolescente um ensaio sobre Hamlet, de Shakespeare, e sua dissertação de mestrado foi uma análise da obra de Dostoiévski e sua tese, Psicologia da Arte, terminada em 1925. Porém, seus interesses foram se ampliando para a área da psicologia e da pedagogia. Após a conclusão, em 1917, de seus estudos universitários, Vygotski retorna para sua cidade, Gomel, onde inicia sua trajetória profissional como professor em escolas públicas estaduais. Desse período até 1924, quando retorna para Moscou, os biógrafos têm poucos dados de sua produção científica; no entanto, sabe-se que Vygotski participou ativamente da vida cultural de sua cidade e tornou-se um de seus líderes.
De acordo com Veer e Valsiner (1999), é provável que a maioria dos trabalhos de Vygotski desse período ainda esteja desaparecida; contudo, é possível ter uma ideia de sua vida entre 1917 a 1924 pelas atividades organizativas que desempenhou na vida cultural de Gomel e nos institutos em que foi professor, quais sejam, Escola Trabalhista Soviética e Colégio Pedagógico de Gomel. Este último desempenhou um importante papel na vida de Vygotski como cientista. Foi nesse local que ele organizou um laboratório psicológico no qual seus alunos podiam fazer investigações práticas.
Durante seu trabalho no Colégio Pedagógico, preparou um de seus primeiros livros, Psicologia e Pedagogia16, demonstrando seu interesse cada vez maior pela
área. Essa obra, nas palavras de Kozulin (2001), foi dirigida à nova geração de professores soviéticos que deveriam implementar o novo sistema educacional pré- revolucionário, tratando-se de um livro com diferentes abordagens, que abarca temas sobre a criatividade humana, passando pela psicologia experimental
16 De acordo com Prestes (2010, p.122), essa obra de Vygotski foi entregue para publicação logo
após sua participação no Congresso de Psiconeurologia, em Petrogrado, em 1924. Porém, sua primeira edição saiu em 1926. O livro está dividido em três partes, com 19 capítulos, e apresenta conceitos fundamentais da Psicologia e da Pedagogia.
europeia e americana, até chegar a uma descrição da teoria dos reflexos de Pavlov, defendendo que o estudo dos reflexos deveria se converter na base dos estudos da nova psicologia, entre outros assuntos.
Lecionou, também, segundo Veer e Valsiner (1999), na Escola Noturna para Trabalhadores Adultos e atuou em Cursos Preparatórios para Pedagogos. Veer e Valsiner (1999, p.22) enunciam que as temáticas de suas aulas variavam entre “literatura e língua russa, a lógica, psicologia e pedagogia” [...], postulam que “deu palestras em vários outros institutos sobre estética e história da arte”, organizou as famosas “segundas-feiras literárias”; em que eram apresentadas obras de poetas clássicos e modernos. Dirigiu a seção de teatro do departamento de Educação Popular de Gomel, em colaboração com um de seus organizadores, tendo participação ativa na seleção do repertório e dos cenários das peças. Nunca perdeu seu interesse pelo teatro; mantinha contato com o pessoal dessa área, participando ativamente da vida cultural de sua cidade. Uma de suas primeiras produções de divulgação científica, em psicologia, trata sobre o caráter e o desenvolvimento da imaginação artística da criança, no livro La imaginación y el
arte en la infancia, Vygotski (2003)17. Foi convidado para retornar a Moscou e
trabalhar no campo da defectologia logo após seu casamento com Roza Smekhova, em 1924.
Seu interesse por esse tema surgiu, acreditam os autores, durante seu trabalho como professor em Gomel, mas só foi evidenciado por volta do ano de 1924, com as publicações decorrentes das pesquisas no Subdepartamento de Educação de crianças defeituosas ligado ao Instituto de Psicologia Experimental de Kornilov, onde Vygotski trabalhava (VEER; VALSINER, 1999).
Conforme Veer e Valsiner (1999), os escritos sobre a defectologia realizados por Vygotski devem ser analisados pelo valor intrínseco e pelas contribuições que apresentaram para o desenvolvimento da Defectologia na União Soviética, além de estarem:
[...] intimamente ligados ao restante e de sua obra e, às vezes, proporcionam uma pista para uma compreensão do desenvolvimento de seu pensamento como um todo. Por fim, uma análise de seu trabalho nesta área irá mostrar as várias
17 Esse livro é parte da obra Psicologia da Arte, escrita por Vygotski em 1925, monografia resultante
de seus estudos de mestrado, intitulada A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamrca, a qual só foi publicada em 1965, com 379 páginas, conforme Prestes (2010, p.33-111).
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fases de sua obra. A partir de 1924, Vygotsky tentou formular sua própria visão da criança ‘defeituosa’, tarefa esta que nunca foi completada e prosseguiu até sua morte, em 1934 (VEER; VALSINER, 1999, p.74).
Nessa perspectiva, Kozulin (2001) complementa asseverando que, em 1925, Vygotski trabalhava no laboratório para os estudos de crianças com deficiência. Neste período, devido aos graves problemas sociais existentes, era difícil diagnosticar as questões puramente orgânicas, sociais, psicológicas, os problemas de nascimento, as sequelas das enfermidades e os problemas por falta de Educação Básica. Por isso, intensificou seus estudos no sentido de responder às questões mais emergentes de sua realidade. Tanto que em 1929, segundo o mesmo autor, transformou aquele laboratório no Instituto de Defectologia, do qual foi seu diretor científico nos últimos anos de sua vida. Nos dias de hoje, continua sendo um importante centro de pesquisa dos problemas que acometem as crianças com deficiências da União Soviética.
A partir de sua ideia central de que a formação da mente humana é resultado de interações e mediações com o meio social, exigia que a psicologia se dedicasse em investigações dos processos mentais da mente humana, tanto inferiores como superiores, formando, assim, um conjunto de elementos denominado a teoria Histórico-Cultural. Nesse sentido, de acordo com os estudos de Pasqualini (2006), Tuleski (2007), Libâneo e Freitas ([2009?]), a Teoria de Vygotski, também, chamada Escola de Vygotski, teve seus primeiros e principais pressupostos teórico-metodológicos desenvolvidos no início do século XX, entre os anos de 1920 a 1934. Liderados por Vygotstki participaram, inicialmente, desse grupo A. N. Leontiev e A. R. Luria. Na opinião de Kozulin (2001), os três formaram a famosa “tróika”. Nesse momento, corroborando o autor, esse grupo de investigadores se encontrava inconformado com a situação turbulenta da vida nos anos 1920, e seus graves problemas sociais, principalmente com o número elevado de crianças abandonadas, vítimas da guerra civil. Outra preocupação do grupo era desenvolver um serviço psicológico para o sistema de educação secundária. Ocupados com diferentes tarefas e compromissos, entre palestras, estudos, discussões e acompanhamento dos laboratórios de pesquisa, logo o
grupo sentiu necessidade de expansão, constituindo-se, em pouco tempo, oito investigadores18.
A magnitude da obra exigia o empreendimento de esforços de diferentes estudiosos que aceitaram a coordenação de Vygotski em trabalho coletivo, o qual resultaria na elaboração da “História do desenvolvimento das funções psicológicas superiores”, terminada em 193119. Essa teoria se baseia em uma série de conceitos interconectados, tais como os processos mentais superiores, a noção de atividade mediada e as ferramentas psicológicas.
Assim, a teoria Histórico-Cultural defendida por Vygotski e seus colaboradores foi, aos poucos, sendo disseminada em várias partes do mundo, apesar de muitos obstáculos, alguns superados e outros nem tanto. O livro ‘Pensamento e Linguagem’, sem a conotação do marxismo, foi uma das primeiras obras a serem divulgadas do conjunto de produções desses investigadores para o mundo ocidental.
Libâneo e Freitas ([2009?]) propalam que, em outro momento, houve a expansão da teoria histórico-cultural para o norte da Europa, Estados Unidos e América Latina. Nos Estados Unidos, destacam importantes nomes que se especializaram no pensamento vygotskiano, como M. Cole, Vera John-Steiner, entre outros. Na Europa, foram realizados vários encontros de âmbito internacional, dentre os mais recentes, da última década, ocorridos na Dinamarca e na Espanha. Há um grupo de estudos sobre a teoria da atividade na Universidade de Helsink, na Finlândia, sob responsabilidade de Yrjo Engeström
No Brasil, citando o mesmo autor, a teoria de Vygotski chegou por volta dos anos de 1970. Só na década de 1980 foram formados grupos de estudos da obra do autor em diferentes universidades do país, como na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Pontifícia Católica de São Paulo (PUC/SP), depois em universidades de Minas Gerais, Rio de Janeiro e outros estados brasileiros. Hoje, já é possível contar com um razoável acervo bibliográfico do autor, bem como consistentes produções dos estudiosos do país sobre sua teoria.
18 Segundo Kozulin (2001, p.112), são eles: Lidia Bozhovich, Roza Levina, Natalya Morozova, Lidia
Slavina e Alexander Zaporozhets e de acordo com Pasqualini (2006, p.68) depois se integraram ao grupo Daniil Borisovich Elkonin e Piotr Iakolevich Galperin.
19 Conforme Prestes (2010), essa obra no Brasil foi publicada com diferentes nomes, ver referências
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