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HAKEMSİZ YAZILAR OPINION PAPERS

ANONİM İLE LİMİTED ŞİRKETİ TASFİYE ETMEMENİN CEZASI VAR MIDIR?

3. ÖZET VE SONUÇ

Vistos na generalidade e na especialidade os diversos temas de História, a sua representatividade e distribuição pelas bibliotecas da amostra, o que nos permitiu esboçar perfis coleccionistas baseados nos assuntos escolhidos, passamos agora a uma caracterização diferente cujo objectivo é percepcionar os perfis das bibliotecas, em termos editoriais, ou seja, quanto à escolha das línguas de leitura e quanto à posse de edições antigas e modernas.

471 Começamos pelas línguas que já trabalhámos no início do capítulo, em termos de caracterização geral, mas não na sua relação específica com as bibliotecas, tal como se apresenta no Quadro XXXIV.

Quadro XXXIV – Obras de História (amostra) por língua de edição Instituição L at im P or tu gu ês F ra nc ês E sp an ho l It al ia no In gl ês A le m ão T ot al Biblioteca Mariana 2 8 9 19

Casa de S. João e S. Paulo 9 16 13 21 6 1 66

Casa do Espírito Santo 4 14 26 29 14 3 90

Convento de N.S. da

Conceição (Luz-Arroios) 8 3 11

Convento de N.S. da

Conceição do Monte Olivete 5 14 9 27 1 56

Convento de N.S. da Graça 43 19 21 54 28 1 166 Convento de N.S. dos Remédios 22 18 5 17 6 68 Convento de S. Bento de Xabregas 9 35 1 10 2 57 Convento de S. Francisco de Xabregas 26 16 22 20 13 97

Convento de S. João da Cruz

(Carnide) 4 8 10 11 1 34

Convento de Santo Alberto 7 9 16

Hospício Régio de S. João

Nepomuceno 5 6 1 8 2 22 Mosteiro de S. Vicente de Fora 11 8 130 6 4 6 165 Mosteiro do Santíssimo Sacramento 1 9 8 18 7 43 Total 134 177 253 234 99 11 2 910

Vistos no conjunto, os dados relativos a esta amostra confirmam os indicadores que tínhamos apontado anteriormente. Prevalece o Francês com 27,8%, seguido do Espanhol com 25,7%, ficando o Português com 19,5%, o Latim com 14,7% e o Italiano com 10,9%. Todas as edições em língua inglesa e alemã se encontram em bibliotecas desta amostra.

472 Gráfico 25 – Distribuição das Obras de História (amostra) por língua de edição

Começando a análise mais detalhada pela questão da variedade linguística dos textos, a casa do Espírito Santo, a casa de S. João e S. Paulo, o convento de Nossa Senhora da Graça e o mosteiro de S. Vicente de Fora apresentam obras em seis línguas, incluindo portanto o Inglês o que confere aos leitores destas instituições uma competência alargada no acesso aos conteúdos em diversas línguas. Os conventos femininos só têm obras em Português e Espanhol conforme já tínhamos indicado antes. A maioria das instituições têm obras nas cinco línguas mais representadas (ficando de fora o Inglês) e, como também anteriormente mencionado, só o hospício régio de S. João Nepomuceno tem obras em Alemão.

473 Gráfico 26 – Línguas de edição por instituição

474 Os indicadores que podemos retirar da análise individual por língua, e que sobressaem no gráfico acima, mostram que:

− Existem obras em Latim na quase totalidade das bibliotecas desta amostra, com as excepções dos conventos femininos, da Biblioteca Mariana e também do hospício régio. A prevalência pode ser um indicador da importância que a língua latina tinha não só no contexto das bibliotecas conventuais mas no que à História diz respeito, tendo em atenção que fora a língua de publicação por excelência nos séculos XV- XVI. As edições em Latim predominam sobre cada uma das línguas nacionais em S. Francisco de Xabregas e nos Remédios, e são a segunda língua na Graça. Se cruzarmos com os dados do Quadro XXXV, relativos à data de edição, vê-se que se trata de bibliotecas com importantes fundos antigos e menos significativas em obras setecentistas.

− O Português está presente em todas as colecções da amostra menos na Biblioteca Mariana, mas é a língua dominante apenas no acervo de S. Bento de Xabregas que já vimos ser muito caracterizado pela presença de Relatos de acontecimentos, e no convento feminino de Nossa Senhora da Conceição (Luz-Arroios). Quase em paridade com a língua espanhola, o Português aparece nos Remédios e em Santo Alberto, neste ocupando o segundo lugar, a confirmar assim o perfil que já vínhamos traçando para estas duas primeiras fundações de Carmelitas Descalços, em que o peso da biblioteca inicial, com relevância para a edição espanhola do “Siglo de Oro” é a característica dominante. O Português também é segunda língua na casa de S. João e S. Paulo, no convento de Nossa Senhora da Conceição do Monte Olivete e no mosteiro do Santíssimo Sacramento, se bem que a grande distância da língua dominante. Os valores mais expressivos do Português relacionam-se nas bibliotecas da amostra sobretudo com a existência de obras de História classificáveis na História eclesiástica seja na Hagiografia, História das ordens e seus estabelecimentos, e História de imagens e de milagres e na História profana, no respeitante às Vidas das personagens ilustres ou aos Relatos de acontecimentos.

− O Espanhol está presente em todas as bibliotecas da amostra, sendo a língua predominante nas casas do Espírito Santo e de S. João e S. Paulo, nos conventos de Nossa Senhora dos Remédios, Monte Olivete, Graça, S. João da Cruz, Santo Alberto e no mosteiro do Santíssimo Sacramento, ou seja em 57% das instituições da

475 amostra, incluindo duas que têm das maiores colecções e três com colecções médias. Sendo a língua mais importante nas edições do século XVII, quando cruzamos estes indicadores do Quadro XXXIV com os que sobressaem no Quadro XXXV é fácil vermos a coincidência entre as duas circunstâncias, língua e data de edição, em instituições como os Remédios, a Graça e Nossa Senhora da Conceição do Monte Olivete. Realce-se ainda a circunstância de, na Graça, existirem grandes diferenças entre os valores do Espanhol que é a primeira língua (32,5%) e do Latim (25,9%) com as restantes línguas o que, cruzando com as datas de edição das obras que referenciámos, confirma o perfil então esboçado de uma colecção que não teve um movimento muito explícito de actualização.

− A análise que podemos fazer relativamente à língua francesa é bem demonstrativa do perigo que os dados estatísticos podem ter, quando não são minuciosamente vistos. É um facto ser o Francês a língua dominante, porém 51% das obras pertencem ao mosteiro de S. Vicente de Fora onde representam quase 80% do respectivo total. Nas restantes instituições, tem valores significativos na casa do Espírito Santo, no convento de S. Francisco de Xabregas e no de S. João da Cruz onde ocupa a segunda posição. Aliás, é interessante verificar no Quadro XXXIV e no Gráfico 26 que estas duas instituições, têm uma distribuição por línguas mais uniforme que a Graça, com a língua francesa em segundo lugar a pouca distância do Latim e com o Espanhol e o Português também não muito distanciados. O Francês tem valores proporcionalmente muito baixos em algumas bibliotecas como os Remédios e a Graça, não esquecendo o caso de S. Bento de Xabregas onde apenas registámos uma obra.

− A língua italiana é predominante na Biblioteca Mariana e no hospício régio de S. João Nepomuceno e é a terceira na Casa do Espírito Santo (ex-aequo com o Português) e também na Graça. Está presente em todas as instituições à excepção dos conventos femininos. Não são, porém, valores muito expressivos os que nos aparecem nas duas primeiras instituições, qualquer delas aliás com pequenas colecções. Podemos, no entanto, perspectivar no somatório da Biblioteca Mariana com a casa do Espírito Santo, pois se localizavam juntas, uma possível relação se não preferencial, pelo menos importante dos Oratorianos e das suas leituras, com Itália e a sua produção bibliográfica, do mesmo modo que vimos nos livros dos Carmelitas

476 Descalços dos Remédios e de Santo Alberto, em relação à língua espanhola e às obras editadas em Espanha.

− No tocante ao Inglês e ao Alemão pouco mais há a dizer uma vez que, como referimos antes, esta amostra contém a totalidade dos dados do conjunto institucional global referente a estas línguas. Note-se apenas, na distribuição pelas instituições, que S. Vicente de Fora tem mais de metade das existências na língua inglesa, num quantitativo que é igual ao da língua espanhola e que as outras instituições que possuem livros em Inglês são a casa do Espírito Santo, a de S. João e S. Paulo e a Graça.

Quadro XXXV – Obras de História (amostra) por data de edição

Instituição Séc. XV Séc. XVI Séc. XVII Séc. XVIII S.d. Total Biblioteca Mariana 3 8 8 19

Casa de S. João e S. Paulo 9 17 40 66

Casa do Espírito Santo 10 38 42 90

Convento de N.S. da

Conceição (Luz-Arroios) 5 6 11

Convento de N.S. da

Conceição do Monte Olivete 2 30 24 56

Convento de N.S. da Graça 50 74 42 166 Convento de N.S. dos Remédios 1 12 42 13 68 Convento de S. Bento de Xabregas 1 5 16 34 1 57 Convento de S. Francisco de Xabregas 3 27 28 39 97

Convento de S. João da Cruz

(Carnide) 4 10 20 34

Convento de Santo Alberto 3 10 3 16

Hospício Régio de S. João

Nepomuceno 5 17 22 Mosteiro de S. Vicente de Fora 2 9 16 138 165 Mosteiro do Santíssimo Sacramento 1 17 25 43 Total 7 135 316 451 1 910

477 Continuando a caracterização editorial das obras e seus possuidores, desta feita em relação às datas de edição, apresentamos no Quadro XXXV os quantitativos de cada biblioteca.

Na sua generalidade, a distribuição cronológica das obras da amostra apresenta as mesmas características vistas no Quadro XIV que englobava todas as instituições que encontrámos com livros de História, independentemente dos quantitativos individuais de cada uma: predomínio das edições setecentistas que aqui, aliás, ainda é mais expressivo pois representam 49,6% do total, seguindo-se o século XVII com 34,7% e finalmente, as obras do século XVI que correspondem a 14,8%. Os incunábulos são 7 e há uma obra que não foi possível datar, ainda que nos pareça ser do século XVIII.

Gráfico 27 – Distribuição das Obras de História (amostra) por data de edição

Fazendo a leitura por instituição, também com recurso ao gráfico, verificamos que o predomínio da edição setecentista abrange a maioria das bibliotecas, ainda que as proporções variem, com excepção dos conventos de Santo Alberto, Nossa Senhora dos Remédios, Graça e Nossa Senhora da Conceição do Monte Olivete. Sobre os dois primeiros já tínhamos esboçado o perfil, a propósito da prevalência da língua espanhola. Ora a verdade é que, a julgar pelo predomínio de obras do século XVII nos Remédios (que tem uma colecção maior que Santo Alberto) as quais somadas às do século XVI perfazem 79,4% do acervo, estamos perante um perfil de maior conservadorismo, como se as aquisições feitas nos primeiros decénios da constituição da biblioteca fossem o cerne da colecção, verificando-se um movimento de actualização muito reduzido.

478 A questão da Graça é interessante de analisar: sendo uma das maiores e mais prestigiadas bibliotecas religiosas de Lisboa, como já referimos e a amostra de livros de História assim o prova, tem a sua colecção de História constituída, muito em torno de núcleos editoriais mais antigos, com uma política menos expressiva de actualização, pois as obras do século XVI e XVII totalizam 74,7% das existências. Conquanto tematicamente cubra quase todos os assuntos, é uma colecção que, como vimos na distribuição por línguas e na caracterização por assuntos, é especialmente forte na posse da produção historiográfica espanhola seiscentista.

Já a diferença que se verifica no Monte Olivete, fundado por D. Luísa de Gusmão, em pleno século XVII, como vimos no capítulo II, é que, apesar de revelar um predomínio do núcleo-base fundacional, apresenta com algum destaque, também obras do século XVIII o que nos permite configurar uma biblioteca que vai mantendo uma política activa de actualização.

No sentido oposto, temos as bibliotecas onde o conjunto de obras setecentistas sobreleva as outras, de forma expressiva. O caso mais óbvio é o da biblioteca de S. Vicente de Fora em que as edições do século XVIII perfazem 83,6% do seu acervo, assim contribuindo para 30,6% do total desse século. Também o hospício régio de S. João Nepomuceno tem uma percentagem elevada de 77,3%; trata-se, porém, de uma fundação setecentista e pode encontrar-se aí uma explicação plausível. Nos conventos de S. Bento de Xabregas e S. João da Cruz de Carnide, tal como na casa de S. João e S. Paulo (esta também criada no século XVIII, tal como o hospício régio), com colecções de muito menos obras no geral, há uma equiparação no número de edições do século XVII e do XVIII.

Examinando outras grandes colecções como S. Francisco de Xabregas e a casa do Espírito Santo, vê-se que a primeira apresenta edições de todas as épocas, com quantitativos quase idênticos para os séculos XVI e XVII e uma subida acentuada no número de obras setecentistas que correspondem a 40,2% do seu total. Já os Oratorianos da casa do Espírito Santo mostram uma diferença acentuada entre os quantitativos do século XVI e do século XVII, com um aumento expressivo para estes últimos, e uma subida no número de obras do século XVIII muito menos evidente.

479 Ora, precisamente, algumas destas bibliotecas foram total ou em grande parte destruídas pelo terramoto de 1755 como é o caso da biblioteca da casa do Espírito Santo e da colecção especializada nela existente, a Biblioteca Mariana, o mesmo sucedendo à biblioteca de S. Francisco de Xabregas e à de S. João da Cruz, de Carnide. Nelas se verifica a presença de edições de obras antigas e a presença de outras mais modernas, dentro do século XVIII. Confirmamos, assim, nos dados presentes no Quadro, que as políticas de aquisição no período pós terramoto consagram a dupla intenção de, por um lado, restituir, na medida do possível, o acervo destruído e, por outro lado, apostar na actualização dos fundos. Esta atitude parece corresponder a um padrão pois é também referida por Claude Jolly quando afirma, a propósito da capacidade de duração e recuperação das bibliotecas religiosas em França, vítimas de destruição:

« Même si certaines collections religieuses connaissent des périodes de déclin accéléré au point de devenir moribondes, même si les pillages huguenots, la Ligue, la guerre de Trente Ans ou la Fronde sont à l’origine de destructions parfois considérables, ces bibliothèques sont douées d’une aptitude à revenir à la vie, pour autant que survivent ou renaissent les maisons qui les abritent »65.

No entanto, como também conseguimos perceber no Quadro XXXV, a propósito do convento dos Remédios e até mesmo do da Graça, essa dinâmica de actualização não é igual em todos os estabelecimentos e, como no capítulo anterior tínhamos afirmado, ela existe naqueles em que houve uma clara intenção de manter um serviço de leitura adequado à prossecução da missão e do prestígio da Ordem e aos da própria casa. Nesta perspectiva é importante chamar, de novo, à colação dois casos apresentados no capítulo IV, o primeiro dos quais é o da Biblioteca Mariana. Sabe-se que, em Janeiro de 1756, dois meses depois do terramoto, já estava estabelecido que as compras a fazer para restaurar aquela colecção, seriam depositadas na casa das Necessidades onde se tinham acolhido os sobreviventes da casa do Espírito Santo, “mas em parte separada da outra livraria comua”66. Logo nesse ano e no seguinte foram adquiridas 540 obras em 641 volumes, o que representava “59% do número das obras anteriores e 56% do número

65 Unité et diversité des collections religieuses. In: Histoire des bibliothèques françaises. Paris:

Promodis, 1988, vol. II – Les bibliothèques sous l’Ancien Régime, 1530-1789. Dir. Claude Jolly, p.11.

66 CRISTINO, Luciano - A Biblioteca Mariana dos Oratorianos de Lisboa (séc. XVIII). Romae:

480 das que foram adquiridas até ao ano de 1768”67. Pode tratar-se de um caso excepcional, porém, o segundo exemplo também já antes mencionado, o de S. Francisco de Xabregas, com uma colecção de livros de História que cobre edições dos séculos XV ao XVIII, configura uma política aquisitiva muito activa, pelo menos até 1777, por iniciativa do Provincial frei José da Estrela Fonseca68. Também a biblioteca do convento de S. João da Cruz de Carnide que ficou muito danificada, veio a ser amplamente dotada de livros por iniciativa do seu Prior, frei Inácio de S. Caetano que, para o efeito, os chegou a adquirir de seu próprio bolso69.

Não localizámos livros do convento de S. Domingos e muito poucos de S. Francisco da Cidade. No entanto, as respectivas bibliotecas vêm referidas, como vimos no capítulo IV, nos Almanaques das duas últimas décadas de Setecentos e também em relatos de viajantes estrangeiros, entre as bibliotecas de grande porte existentes em Lisboa e até abertas ao público. Sobre o primeiro já indicámos que são muito poucas as obras com marca de posse nos acervos da BNP e em relação ao segundo, a ausência verifica-se igualmente em outras instituições que receberam fundos dos conventos extintos. Em qualquer dos casos, configura-se em S. Domingos e em S. Francisco da Cidade a inexistência de uma prática corrente de marcar os livros.

67 Id., ibid., p. 125.

68 Cf. MENDES, Maria Valentina Sul – As novas instalações da “Livraria de S. Francisco de Xabregas”

no século XVIII, segundo uma carta de frei António de Jesus Maria José Costa. Revista da Biblioteca

Nacional, S.2, vol. 9, nº 2, Jul.-Dez. 1994, p. 123-150.

69 V. a propósito MARTINS, Francisco de Assis de Oliveira – O Convento de S. João da Cruz de

481 Gráfico 28 – Datas de edição por instituição

Em conclusão, que indicadores podemos carrear para a análise das obras propriamente ditas, que nos vai ocupar no próximo capítulo? No que respeita às línguas existia competência e interesse em grande parte das instituições para leituras noutros idiomas que não o Latim e o Português. A presença da língua espanhola é expressiva sobretudo em obras dos séculos XVI e XVII e em bibliotecas onde a presença de religiosos espanhóis foi forte. A língua francesa está presente em maior número nas edições do século XVIII a demonstrar o declínio do Espanhol e a subida do Francês em

482 termos de oferta editorial. A prevalência que ocupa no mosteiro de S. Vicente condiciona, no entanto, a percepção de língua dominante mas a sua menor expressão noutras bibliotecas relaciona-se também com a temática das obras, ou seja, quando o predomínio é da História eclesiástica nas suas diversas modalidades há um maior número de obras em Latim e, dentro das línguas nacionais, do Português ou do Espanhol. Pelo contrário, quando há um peso maior da História moderna profana (ainda que possa não ser predominante no total) verifica-se maior representação das nacionais e o Francês surge mais naturalmente, sobretudo, se as obras forem do século XVIII.

Dos dados que apresentámos sobre a data de edição das obras de História, pudemos concluir que eram as edições do século XVIII que predominavam (já vimos que o peso de S. Vicente de Fora altera a leitura percentual) seguidas das do século XVII e por fim do século XVI. Procurámos estabelecer indicadores de actualização de colecções, mais verificáveis numas do que noutras instituições e hipóteses justificativas das diferentes situações. Ora a alteração sofrida em várias das colecções em razão, sobretudo, da destruição nelas causada pelo terramoto de 1755 leva-nos a analisar os livros de algumas instituições da amostra como “novas colecções” que espelhariam (ou talvez não) as existências anteriores. Certo é que mesmo nas que ficaram totalmente destruídas, a “nova colecção” volta a contar com exemplares de edições antigas quinhentistas e seiscentistas o que nos tem de conduzir a uma reflexão sobre a forma de obter estas edições, mais próprias de um coleccionismo bibliófilo, e que não punha em causa a aquisição de novos títulos que iam surgindo.

Para a bibliografia corrente certamente funcionavam os livreiros e impressores, bem como a mais do que provável oferta de autores, especialmente quando pertenciam a ordens religiosas. As permutas de duplicados entre estabelecimentos religiosos que era prática que no capítulo III exemplificámos, através dos testemunhos de posse, as doações de particulares que podiam complementar as aquisições correntes com a entrada de edições mais antigas e por fim, o recurso a outros circuitos sobretudo a “fraternité culturelle”70 que também vimos ilustrada em marcas de posse onde se assinalava quem tinha trazido tal ou tal obra a partir do estrangeiro, foram certamente importantes para o renovo, mas os quantitativos que encontrámos transmitem-nos a

70 V. a propósito a obra de PIWNIK, Marie-Héléne – Echanges érudits dans la Péninsule Ibérique

483 certeza de que tinha de existir um mercado bem apetrechado de livro antigo para se conseguir, em poucos anos, um núcleo tão importante de obras que vão do século XV à