BÖLÜM 3: GÜRCİSTAN VE ACARA ÖZERK CUMHURİYETİ’NİN
3.2. Siyasal Özerk Birim Olarak Acara Özerk Cumhuriyeti
3.2.2. Özerklik Statüsü
Com a intenção de aproximarmo-nos da abrangência das ideias dos estudiosos sobre a temática em estudo, na descrição do objeto, priorizamos o conteúdo das entrevistas, mas, ao mesmo tempo, recorremos também a produções publicadas em livros, artigos, ensaios.
Observamos – para melhor clarificar o movimento realizado pelo pensamento na tentativa de apreender às mediações do objeto e expressá-las na organicidade desse capítulo – a necessidade do entendimento de que, a despeito do foco desse estudo não estar voltado para a trajetória intelectual e profissional dos entrevistados, tratar das proposições contra- hegemônicas e do movimento da didática crítica, impôs a necessidade de ora, ou outra, reportarmo-nos ao percurso intelectual desses, na medida em que nos ajuda no esclarecimento
do objeto da investigação por sua forte ligação com esse momento e com a história da didática no Brasil.
Essa necessidade fica mais patente quando tratamos da manifestação das pedagogias contra-hegemônicas no movimento da didática crítica, seu contexto, razões e proposições.
As ideias, as posições e proposições sobre as quais trataremos compõem o movimento do modo de pensar dos estudiosos da didática – aqueles tomados como sujeitos da pesquisa – que integraram, na década de 1980, as ações e discussões a respeito da crítica à didática tecnicista e lançaram as bases para um pensamento pedagógico-didático contra-hegemônico. Pensamento esse caracterizado pela busca intencional e sistemática de colocar a educação a serviço das forças que lutam para transformar a ordem vigente com o escopo de instaurar uma nova forma de sociedade.
Pelos motivos e critérios já apresentados na justificativa da escolha constantes do item 1.3.1, os sujeitos da pesquisa são os estudiosos da didática. A pergunta medular da investigação conduziu-nos a quatro pesquisadores da área: Libâneo, Oliveira, Pimenta e Candau35. Pela questão procuramos saber: Como os estudiosos que constituíram o movimento
da didática crítica, e que tinham suas bases epistemológicas assentadas na dialética marxiana, estão tratando as questões colocadas pela pós-modernidade, uma vez que as proposições desse modo de pensar questionam as principais teses do materialismo histórico- dialético, com implicações epistemológicas e praxiológicas diretas para o campo da pedagogia e da didática? Por essa indagação, a sinalização é tanto para aqueles que
participaram do movimento da didática crítica quanto para aqueles que em suas produções se referenciam a partir de uma concepção histórico-dialética da educação.
Com a intencionalidade da pesquisa, sempre no horizonte, traduzida em seus objetivos e questão central, procuramos extrair, recolher, abrir janelas expressas por categorias que melhor revelassem e correspondessem ao movimento do objeto, o seu modo de ser, de existir. Captar a relação da singularidade de cada um dos sujeitos com o coletivo do movimento da didática crítica, ou seja, nesse amplo movimento de estudos da didática, como se inserem e se situam os sujeitos da pesquisa? Quais eram suas preocupações? Do ponto de vista das concepções de mundo, de homem, de educação e de conhecimento, com quem dialogavam?
35 A referência a esses entrevistados – José Carlos Libâneo, Maria Rita Neto Sales Oliveira, Selma Garrido Pimenta e Vera Maria Candau –, neste capítulo, sem especificação do ano refere-se à análise de pensamentos manifestados durante as entrevistas, as quais serão datadas logo na primeira transcrição de depoimento de cada um deles. Ainda, ao transcrevermos a fala desses entrevistados, optamos por mencionar o sobrenome, acompanhado da expressão informação verbal.
Qual é o alcance dessa ou dessas posturas teóricas no interior do movimento da didática crítica?
Isso porque entendemos, na esteira de Paulo Netto e Braz (2006), que os homens, na sua individualidade social, no seu processo de amadurecimento humano, podem tornar-se homens singulares que se humanizam e, à base da socialização que lhes torna acessíveis as objetivações já constituídas do ser social, constroem-se como personalidades inconfundíveis, únicas e inigualáveis. Cada homem e cada mulher vão se apropriando das objetivações existentes na sociedade em que vive, no quadro das mais densas e intensas relações sociais, e nessa apropriação reside o processo de construção da sua subjetividade. Esta não se elabora a partir do nada, nem num quadro de isolamento, mas a partir das objetivações existentes e no conjunto de interações em que o ser singular está inserido. “A riqueza subjetiva de cada homem resulta da riqueza das objetivações de que ele pode se apropriar. E é a modalidade peculiar pela qual cada homem se apropria das objetivações sociais que responde pela configuração de sua personalidade” (PAULO NETTO; BRAZ, 2006, p. 47).
Pensar assim é entender que cada um dos sujeitos da pesquisa entra no movimento da didática crítica como portador único de trajetórias teóricas, percursos profissionais e pessoais, bastantes peculiares de sua intersubjetividade. Significa dizer que eles não entraram de modo isolado, autonomizados do amplo movimento de questionamentos e críticas às relações histórico-sociais e educacionais da década de 1980, mas, sim, na esteira e intrinsecamente com este. O movimento da didática crítica não foi, portanto, obra de um, ou de outro educador, mas, fundamentalmente, do conjunto destes; significa entender que mesmo partilhando de preocupações e questões comuns, cada um entra de modo original, diferente, com ideias, questões e posições que configuram sua singularidade.
Os sujeitos investigados, cada um em circunstâncias bem particulares, inseriram-se, na década de 1980, no movimento da didática crítica, simultaneamente, de modo uno e diverso. Na relação indivíduo e coletivo, entre tantas questões, é preciso deixar claro que “o coletivo só é tal em resultado de um concurso efectivo dos indivíduos que o integram. Daí todo o espaço para a diferença, para o eventual conflito, até para a contradição” (BARATA- MOURA, 1998, p. 302). O imbricamento das motivações e questões dos educadores, enquanto pensadores da didática com o amplo movimento de luta, questionamentos e proposições por uma educação contra-hegemônica, não pode ser considerado de modo homogêneo e harmonioso, sem espaço para a divergência e o debate aberto das posições no tocante à função da escola, às finalidades educativas, ao objeto da didática e às concepções
pedagógicas manifestadas nas orientações educativas, quanto ao processo ensino- aprendizagem e seus componentes, quais sejam, os conteúdos de ensino, os métodos pedagógicos, a relação educador e educando, as estratégias de ensino e o processo de avaliação da prendizagem e do trabalho pedagógico na sala de aula.
Pautados por esses pressupostos e entendimentos no tocante aos estudiosos da didática e suas participações enquanto atores ativos no movimento de construção-reconstrução da didática, como também do consenso e dissenso crítico característico dos debates e encaminhamentos por uma concepção crítica de didática, é que seguiremos no estudo em tela com a atenção voltada para nos aproximarmos, tanto pelas falas dos entrevistados quanto pela análise histórico-social dos anos 1980, da manifestação de uma proposição de didática contra- hegemônica, como também de seu questionamento nos anos 1990, pelo ideário pós-moderno e, nessa atmosfera, das implicações para a teoria didática.
Dissemos que os sujeitos da pesquisa são estudiosos da didática, mas também o que faz cada um, suas experiências profissionais, seus estudos. Apresentamos a seguir de modo bastante sintético a trajetória intelectual e profissional desses sujeitos pesquisados.
4.2 Caracterização dos sujeitos
A despeito de se tratar de estudiosos de renome na área, optamos por fazer uma caracterização geral dos sujeitos participantes das entrevistas que subsidiaram este trabalho de pesquisa.
São intelectuais que atuam na docência, estudiosos e pesquisadores da didática, com trajetórias profissionais profundamente ligadas ao desenvolvimento da área da didática no Brasil, em especial a partir do final dos anos 1970 e início da década de 1980. Com, em média 40 anos de trabalho na área, são sujeitos centrais, privilegiados, no movimento de construção da didática crítica organizado ao longo das últimas décadas.
Os quatros educadores atuam em universidades públicas, federais e estaduais, particularmente, nas Faculdades de Educação, sendo três deles já aposentados, mas todos continuam em atividade em outras instituições públicas e/ou privadas, nos Estados de Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo. Possuem ampla e rica experiência de ensino de graduação na disciplina Didática Geral, Estágio e Práticas de Ensino; também atuam na Pós- graduação stricto sensu e estão envolvidos em projetos, grupos de pesquisas e atividades próprias do trabalho acadêmico. Todos são membros do GT de Didática da Anped, alguns
deles com experiência na coordenação do grupo, no comitê científico, como também dos Endipes.
Outra característica dos entrevistados é que a maioria já participou ou participa de comissões, comitês de órgãos da instância federal, como Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), bem como de conselhos editoriais. Alguns assumiram cargos de direção e coordenação no âmbito de suas instituições. As entrevistas foram realizadas com base em um roteiro semiestruturado, em um ambiente marcado pela cordialidade, pelo acolhimento e disponibilidade, mas, em especial, pelo compromisso com o desenvolvimento da pesquisa e das questões da didática.
Com o propósito de destacar o que pensa e o que faz cada um dos sujeitos da pesquisa, trazemos uma breve referência de suas trajetórias profissionais e intelectuais.
José Carlos Libâneo é graduado em Filosofia, com Mestrado em Filosofia da Educação e Doutorado em Filosofia e História da Educação pela PUC/SP. Fez Pós-doutorado pela Universidade de Valladolid, na Espanha. É Professor Titular da Universidade Católica de Goiás, atuando no Programa de Pós-graduação em Educação, na Linha de Pesquisa Teorias da Educação e Processos Pedagógicos. Caracteriza-se como estudioso, pesquisador e professor de didática. Iniciou suas atividades profissionais em 1967, como Diretor do Ginásio Estadual Pluricurricular Experimental (SP), por seis anos. Ainda na capital paulistana colaborou com projetos da Secretaria Estadual de Educação e lecionou em Instituições de ensino superior. Libâneo em 1973, em Goiânia, fundou e dirigiu por três anos o Centro de Treinamento e Formação de Professores. Foi Professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, onde por quatro coordenou o curso de Mestrado em Educação. Nessa faculdade se aposentou como Professor Titular. Hoje, coordena o Grupo de Pesquisa do CNPq: Teorias e Processos Educacionais. Foi Membro do Colegiado de Coordenação do Grupo de Trabalho de Didática da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa (Anped), no período 1990- 1995, e também é membro do Conselho Editorial de várias revistas: Olhar de Professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Revista de Estudos Universitárias (Sorocaba), Educativa da Universidade Católica de Goiás (UCG), Espaço Pedagógico da Universidade de Passo Fundo (UPF), Interface-Comunicação, Saúde e Educação da Unesp de Botucatu. É parecerista da Revista Brasilera de Educação e Revista Brasileira de Estudos
didática, seja a pedagogia, Libâneo é um referência obrigatória. No tocante aos seus estudos pesquisa e escreve sobre os seguintes temas: teoria da educação, didática, formação de professores, ensino e aprendizagem, organização e gestão da escola, como também, desenvolve pesquisas dentro da teoria histórico-cultural, com ênfase na aprendizagem, ensino e organização da escola. É membro do GT Didática da Anped.
Maria Rita Neto Sales Oliveira. É pedagoga pela Universidade Federal de Minas Gerais, com graduação também em Comunicação Social pela Faculdade de Filosofia da Fundação Cultural de Belo Horizonte (1990). Possui Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais e Doutorado em Instructional Design, com área de domínio conexo em International Intercultural Development Education – Florida State University (1985). Realizou estágio de Pós-doutorado na PUC/SP, áreas: Currículo, Ensino e Trabalho e Educação. É Professora Titular aposentada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Professora Associada do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais. Caracteriza-se como estudiosa, pesquisadora e professora de didática. Sua trajetória intelectual e profissional está profundamente vinculada à história da didática nas últimas quatro décadas. Sua contribuição para área esteve/está voltada para pesquisar o conteúdo da didática, assim como em oferecer elementos teórico-metodológicos que pudessem contribuir com a reconstrução da didática. Sua produção tem sido marcada fortemante pelas teses do materialismo histórico-dialético. Seus estudos, além da didática, também estão voltados para a Educação Profissional e Tecnológica, pesquisando e estudando principalmente os seguintes temas: formação de professores, teoria da didática e formação tecnológica. Coordenadora do Grupo de Trabalho de Didática da Anped, no período 1991- 1994. É membro do GT Didática da Anped.
Selma Garrido Pimenta é pedagoga, com Mestrado e Doutorado em Filosofia da Educação na PUC de São Paulo. Defendeu Livre-Docência e depois se tornou Professora Titular, ambos na área de didática, na Feusp. Caracteriza-se como estudiosa, pesquisadora e professora na área da didática. Hoje, quando nos referimos à didática e à pedagogia, é quase impossível não recorrermos às suas produções. Atou em escolas públicas e privadas como orientadora educacional. Foi presidente da Ande (1983/1986); presidente da Comissão de Pós-graduação em Educação da Faculdade de Educação da USP (1999-2001). É membro do GT Didática da Anped, do qual foi coordenadora (1996-1999) e representou-o como membro do Comitê Científico da Anped (por quatro anos). Coordenou ainda o Fórum Estadual
Paulista sobre Formação de Professores para as Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Foi Diretora da Faculdade de Educação (2002-2006) e Pró-Reitora de Graduação (2006-2009) na Universidade de São Paulo. Atualmente coordena o Gepefe, atua em cursos de Graduação e Pós-graduação e compõe a coordenação da Coleção Docência em Formação da Editora Cortez. Seus estudos estão voltados para a formação de professores, didática, pedagogia e pesquisa educacional e suas pesquisas mais recentes são no campo da Pedagogia Universitária e Docência no Ensino Superior.
Vera Maria Ferrão Candau é pedagoga. Graduou-se pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/Rio) e cursou Doutorado e Pós-doutorado em Educação pela Universidad Complutense de Madrid. Atualmente é Professora Titular da PUC/Rio. Caracteriza-se como estudiosa, pesquisadora e professora de didática. Tem uma rica experiência de ensino desde a escola básica aos cursos de Licenciatura, Mestrado e Doutorado. Coordenou os seminários A Didática em Questão. Seu nome é um marco na história da didática no Brasil. Assessora experiências e projetos socioeducativos no País e no âmbito internacional, em particular em países latino-americanos. Desde 2003 é membro da Comissão da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. Participa, desde 2006, com projetos no Comitê de Educação do CNPq. Tem ampla experiência de ensino desde a escola básica aos cursos de Licenciatura, Mestrado e Doutorado. É coordenadora do Grupo de Pesquisas sobre Cotidiano, Educação e Cultura(s) (Gecec) por meio do qual tem desenvolvido sistematicamente pesquisas sobre as relações entre educação e cultura(s). Suas principais áreas de atuação são: educação múlti/intercultural, cotidiano escolar, educação em direitos humanos e formação de educadores(as). É membro do GT Didática da Anped.