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2. Kuramsal Çerçeve

2.1. Yabancılaşma Kavramı ve Kapsamı

2.1.3. Örgütsel yabancılaşma

2.1.3.1. Örgütsel yabancılaşmanın nedenleri

O conde de Arraiolos casou, em Dezembro de 142974, com D. Joana de Castro, única herdeira da união entre D. João de Castro e D. Leonor da Cunha75. D. João de Castro, senhor do Cadaval, falecido à data do casamento da filha, era o primogénito de D. Pedro de Castro76 e de D. Leonor Telo de Meneses (filha de D. João de Telo, conde de Ourém)77. D. Leonor da Cunha era filha de Martim Vaz da Cunha, nobre que apesar de ter combatido ao lado de D. João I durante a guerra com Castela acabou por, no fim das hostilidades, ir viver para o reino vizinho, aparentemente ressentido com a exagerada recompensa dada pelo monarca a D. Nuno Álvares Pereira78.

O dote de D. Joana era constituído pelos morgados de S. Mateus e Santo Eutrópico, em Lisboa, a pensão de 18 tabeliães, os direitos das cabeças dos mouros e o genesim da comuna dos judeus também em Lisboa, no valor de 5 704 coroas, devidas por D. João I à mãe de D. Joana de Castro pela aquisição que fizera a D. João de Castro de umas terras79; e ainda metade da Quinta das Ilhas no termo de Mafra, Peral, Cadaval80, Torres Vedras, casais, moinhos e herdades no termo de Lisboa e jóias no valor de 1000 dobras81.

Este casamento permitiu aos descendentes de D. Nuno Álvares Pereira uma aliança com a alta nobreza do reinado de D. Fernando que havia optado por regressar a Portugal mesmo tendo apoiado o lado castelhano durante a crise de 1383-85. Todavia, o

74 O contrato de casamento data de 28 de Dezembro de 1429 e foi celebrado em Estremoz, nos paços do

conde de Arraiolos. Cf. Provas, tomo III, parte 2, pp. 129-136.

75 Quando a filha se casou D. Leonor encontrava-se viúva pela segunda vez, tendo sido casada em

primeiras núpcias com João das Regras (falecido em 1404) com quem tivera uma filha, D. Branca. Do casamento com D. João de Castro D. Leonor teve, para além de D. Joana, outra filha chamada Inês.

76 Os Castro eram uma família de origem galega que veio para Portugal durante o reinado de D. Afonso

IV. D. Álvaro Pires de Castro (bisavô de D. Joana) foi o 1º conde de Arraiolos. Cf. Mafalda Soares da CUNHA, Linhagem, parentesco…cit., p. 37, nota 54. Os Castro serão, contudo, sempre mais conhecidos devido à irmã de D. Álvaro, D. Inês de Castro.

77 Quando D. Pedro de Castro regressou ao reino, após ter apoiado o lado castelhano durante a crise de

1383-85, doou a D. João I Salvaterra e S. Martinho, as terras que lhe tinham sido doadas pelo rei castelhano. Como recompensa por esta atitude, o monarca fez-lhe mercê da vila do Cadaval e seu termo, bem como do reguengo de Campores, da mesma forma que os tivera o seu sogro, D. João Afonso, conde de Ourém. Cf. Idem, ibidem.

78 Idem, ibidem.

79 Compra feita por D. João I a D. João de Castro das terras de Tarouca, Larim e Valdigem, com todos os

direitos e jurisdições, bem como de Paços de Larim e Canadas de Valdigem, por 2 contos e 281 008 libras. Cf. Mafalda Soares da CUNHA, Linhagem, parentesco…cit., p. 37, nota 55 (ACB, ms. 2, fls. 120- 123, Contrato celebrado entre D. Leonor da Cunha e D. João I a 1 de Julho de 1412).

80 A 9 de Dezembro de 1433 D. Duarte confirmou a doação da vila do Cadaval feita por D. João I a D.

Pedro de Castro com todos os seus termos, dando-lhe também o reguengo de Campores. ANTT,

Chancelaria de D. Duarte, liv. 1, fl. 27 v. Nesta data foi-lhe também confirmada pelo rei a herança do seu bisavô, D. João Afonso Telo.

mais interessante nesta união é, a nosso ver, o facto de D. Fernando se ter casado com a herdeira, em circunstâncias naturais, do condado de Arraiolos e, quiçá, do condado de Ourém, legitimando, de certa forma, a sua detenção.

Árvore Genealógica 1- Os Castro

Desta união nasceram oito filhos82, D. Fernando, D. João, D. Afonso, D. Álvaro, D. Isabel, D. Beatriz, D. Guiomar e D. Catarina. Supomos que D. Fernando, o primogénito, terá nascido no ano de 1430.

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Apesar de ter casa constituída desde 1422 e de ser já nessa data maior de idade, parece-nos que o conde de Arraiolos só assumiu o governo da mesma após o casamento com D. Joana de Castro. Até lá, o conde deverá ter sido auxiliado no governo dos seus assuntos pelo pai. Aliás, ainda em 1428, o conde de Barcelos solicitava um instrumento público em nome dos filhos, os condes de Ourém e Barcelos, justificando que estes

eram descendentes da família Pereira, por parte da sua mãe, D, Beatriz Pereira, e que a eles pertencia o mosteiro de Santo Tirso83; e no ano de 1424, D. Afonso actuara como tutor do filho no escambo realizado entre o conde de Arraiolos e a sua irmã, D. Isabel, das terras de Paiva, Tendais e Lousada pelas rendas, direitos e jurisdições de Campo de Ourique84.

D. Fernando só assumiria grande protagonismo político no reinado de D. Duarte, seu tio85. Os seus avós D. Nuno Álvares Pereira e D. João I faleceriam nos anos de 1431 e 1433, respectivamente, abrindo alas para que se afirmasse uma nova geração86.

É interessante notar que durante as exéquias fúnebres de D. João I foram os condes de Barcelos, Ourém e Arraiolos, acompanhados pelos homens das suas casas, os veladores do corpo do rei na última noite do cortejo fúnebre feito entre Lisboa e Alcobaça. Esta honra, apenas concedida aos filhos do rei, era uma importante distinção e o assumir dos três condes como membros da casa real.

83 Instrumento público de 7 de Julho de 1428, em Provas, tomo III, parte 2, pp. 105-123.

84 Escambo realizado entre o conde de Arraiolos e a sua irmã, D. Isabel, a 10 de Outubro de 1424, em

Provas, tomo III, parte 2, pp. 98-123.

85 D. Duarte para além de ter mantido no seu conselho todos os irmãos, chamou também para este círculo

os seus sobrinhos adultos, D. Afonso e D. Fernando, para além de lhes ter confirmado todas as doações recebidas durante o reinado anterior e ainda os ter excluído do cumprimento da Lei Mental.