• Sonuç bulunamadı

1. Güçsüzlük : Marx’ın, kapitalist toplumda işçinin durumu hakkındakine görüşüne

2.2. ÖRGÜTSEL VATANDAŞLIK DAVRANIŞ

2.2.2. Örgütsel Vatandaşlığa Etki Eden Faktörler

No Brasil, o contexto do início do modernismo é o contexto pós Primeira Guerra Mundial, conturbado politicamente, com embate de forças entre as velhas oligarquias rurais e a burguesia industrial, ainda sem representatividade junto ao poder oficial.

A Primeira Guerra Mundial irá influir no crescimento econômico e industrial brasileiro e causar reflexos nos costumes e nas relações políticas. A legitimidade do sistema político dominado pelas oligarquias rurais começa a ser questionado. Em 1922, ano em que se oficializa o movimento modernista, eclode o movimento denominado Tenentismo - primeiro dos levantes político-militares que acabariam por triunfar com a Revolução de Outubro de 1930 - e é fundado o Partido Comunista Brasileiro.

Em 1930, o Brasil sofria os efeitos da grande crise econômica mundial iniciada em 1929, nos Estados Unidos, que vai abalar as exportações do café brasileiro. As oligarquias dirigentes, apoiadas na economia rural, sofrem um impacto que permitirá a vitória dos liberais na Revolução de 1930. A era Vargas que se inicia representa uma mudança de orientação na vida política e econômica do país. A burguesia industrial, agora no poder, define uma política econômica voltada para a indústria. Após 1930, as mudanças no quadro social e político brasileiro alteram de certa forma os rumos do movimento modernista. A arte e a literatura modernas, até então marginalizadas, serão reconhecidas e legitimadas e surge o interesse pelo conhecimento da realidade social do país, vide, por

exemplo, o romance de 1930, de autores como Graciliano Ramos, Raquel de Queirós ou José Lins do Rego.

Assim como na Europa, o gosto musical das camadas sociais dominantes brasileiras circunscrevia-se a um repertório calcado na tradição clássico-romântica, que era apresentado em concertos, saraus das sociedades artísticas, teatros de ópera, conservatórios e academias. Observa-se no período a circulação, sem precedentes históricos, de partituras de obras clássicas, particularmente para piano ou canto, em ambientes públicos como os teatros e cafés, assim como nas residências burguesas dos principais núcleos urbanos, ou em sedes de fazendas de café abastadas.

Segmentos de uma elite intelectual, conhecedores dos movimentos modernistas na Europa, iniciam um movimento pela renovação das artes e educação. Oswald de Andrade retorna da Europa totalmente conquistado pelo futurismo. Em 1917, a exposição da pintora Anita Malfatti, com técnicas e ideias ligadas ao cubismo, chocariam o público e despertariam a indignação da crítica especializada. Pouco antes dessa exposição, encontram-se pela primeira vez Oswald e Mário de Andrade, figuras essenciais dentro do modernismo brasileiro. A atualização dos recursos técnicos e revisão dos conceitos estéticos eram os grandes temas de debates por volta de 1920, travados principalmente por jovens escritores.

Alguns dos dogmas futuristas eram pontos fundamentais a serem enfocados pelos modernistas: abandono do estudo acadêmico, a libertação de toda a influência do passado e o combate ao sentimentalismo fácil. Sem, entretanto, filiarem-se ao futurismo italiano, recusando-se mesmo a serem categorizados como tais, a designação de “futurista” implicava na atitude revolucionária dos militantes brasileiros, defensores da causa do modernismo. E, realmente, o caráter de choque encontrado no futurismo europeu esteve presente no movimento brasileiro, principalmente na área literária, como era de se esperar, devido ao fato de o grupo modernista constituir-se principalmente de escritores.

Se, por um lado, os modernistas rebelavam-se contra o nacionalismo romântico, contestando a exacerbação do “nativismo” e a ênfase em personagens indígenas, então tomados como o símbolo do povo brasileiro – o mesmo acontecendo com a obra de Carlos Gomes – por outro lado, a preocupação em encontrar “verdadeiros” símbolos de brasilidade e em construir obra que refletisse o povo e a terra brasileira continuou presente e fez com que o modernismo não apenas enfatizasse, como se tornasse um dos grandes sustentáculos do nacionalismo brasileiro.

A Semana de Arte Moderna, propositalmente marcada para acontecer no mesmo ano do centenário da Independência do Brasil - agendada após a “bandeira futurista” dos artistas de São Paulo até o Rio de Janeiro com a finalidade de conquistar outros intelectuais brasileiros ao movimento modernista, entre eles Villa-Lobos, - tornava públicos os ideais modernistas de independência nas artes em vários sentidos, que podem ser bem sintetizados pelo líder do grupo, Mário de Andrade: direito permanente à pesquisa estética, atualização da inteligência brasileira, estabelecimento de uma inteligência criadora nacional, pela unânime vontade de cantar a natureza, a alma e as tradições brasileiras, e daí, banir para sempre os postiches (sic) da arte europeia (Cf. Neves, 1981, p.37).

A Semana de Arte Moderna vai inaugurar a chamada primeira fase do modernismo brasileiro que durou aproximadamente até 1930, com o início da era Vargas. Nesta primeira fase, o movimento adota primeiramente uma atitude combativa, contrária às técnicas de expressão consideradas obsoletas. Falava-se no atraso do meio artístico e criticava-se o “passadismo”, representado, em linhas gerais, pelo romantismo, na música e pelo parnasianismo, na poesia. Os modernistas criticavam duramente a sujeição da música a intenções descritivas, a grandiloquência e o sentimentalismo. Com relação à poesia, combatia-se o rigor das regras de metrificação e rima, além dos temas e vocabulário anacrônicos encontrados no parnasianismo, responsáveis por tolher a liberdade e o poder inventivo dos poetas. O modernismo toma, ainda que nunca tenha se filiado diretamente, como modelos que poderiam legitimar as propostas locais, os movimentos artísticos europeus, como o “futurismo” italiano ou as propostas do Grupo dos Seis em Paris, que criticavam irreverentemente o romantismo.

Posteriormente, o tema da nação é introduzido nos debates culturais e estéticos. De um modo geral, apesar da diversidade de correntes e ideias, defendia-se a reconstrução da cultura brasileira sobre bases nacionais, a promoção de uma revisão crítica do passado histórico e das tradições culturais e a eliminação do apego aos valores estrangeiros. A temática nacionalista gera uma mudança de tom no movimento. Fala-se, portanto, em momentos de destruição e construção, de rompimento com velhos padrões e da edificação de uma arte apropriada aos novos tempos, alicerçada num passado e numa tradição ainda desconhecidos dos artistas brasileiros (Cf. Travassos, 2000, p. 19-21).