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5. ÇALIŞAN PERFORMANSI

5.4. Çalışma Performansına Etki Eden Faktörler

5.4.2.4. Örgütsel Uyum

Comparações com estruturas reais do meio ambiente e da natureza não são recentes nem raras. Desde os primeiros relatos de pensadores e estudiosos, sistemas lúdicos ou imagéticos são comparados com sistemas reais e vice-versa, a fim de se compreender melhor seu funcionamento. Desta forma, a comparação da organização empresarial com uma célula biológica pode permitir que se realizem algumas reflexões com relação ao seu funcionamento sistêmico.

Bertalanffy (1977: 54-6), demonstrando a relação entre leis que regem as diferentes disciplinas da ciência afirmava categoricamente que há um “paralelismo dos princípios cognoscitivos gerais em diferentes campos da ciência”. Postulava que existem modelos, princípios e leis que se aplicam a sistemas generalizados ou suas subclasses, qualquer que seja seu tipo particular, a natureza dos elementos que os compõem e as relações ou ‘forças’ que atuam entre eles. Destacou que existem princípios que podem ser aplicados aos sistemas em geral e que a existência de propriedades gerais dos sistemas gera, como conseqüência, o aparecimento de semelhanças estruturais ou isomorfismos em diferentes campos.

“Nada obriga a por um termo aos sistemas tratados em física. Ao contrário, podemos aspirar a princípios aplicáveis aos sistemas em geral, quer sejam de natureza física, biológica, quer de natureza sociológica. Se estabelecermos esta questão e definirmos de modo conveniente o conceito de sistema, verificaremos que existem modelos, princípios e leis que se aplicam aos sistemas generalizados qualquer que seja seu tipo particular e os elementos e “forças” implicadas.”

Não é pretensão deste trabalho estabelecer analogias vagas e sofismas estéreis, mas como postulou Bertalanffy (1977: 57), uma teoria geral dos sistemas poderia se tornar

num instrumento útil capaz de fornecer modelos a serem usados em diferentes campos e transferidos de uns para outros. O isomorfismo que ele postula é uma conseqüência do fato de, sob certos aspectos, poder ser possível se aplicar abstrações correspondentes e modelos conceituais a fenômenos diferentes. Assim, a possibilidade de se abstrair comportamentos eventuais dos fenômenos biológicos existentes numa célula ou tecido podem trazer lições comparativas de grande utilidade às organizações sociais (por exemplo: uma organização comercial) e aos seus relacionamentos.

Ackoff (1981: 27) demonstrou que a corporação passou a ser vista como um organismo vivo depois da primeira Guerra Mundial e que este novo conceito de corporação como um organismo emergiu gradualmente. Assim conceitualizado, a corporação tem uma vida e propósitos próprios. Seus propósitos principais se assemelham a qualquer organismo, como a sobrevivência e o crescimento. O lucro é tão necessário para a organização como o oxigênio para um organismo vivo. A administração foi caracterizada como o cérebro que dirige a firma e os empregados, como seus órgãos.

Gareth Morgan, em seu livro Imagens da Organização, de 1996, afirma que todas as pessoas constroem imagens mentais das organizações em que trabalham, e que estas podem ser vistas de formas diferentes por diferentes pessoas e que, uma mesma pessoa pode criar diferentes imagens sobre cada uma destas organizações. Assim, conhecer as imagens criadas e entender seu significado pode propiciar uma compreensão maior da administração e permitir uma gestão mais eficiente. Nesta linha de estudo, o autor propõe oito imagens possíveis das organizações (máquina, organismo vivo, cérebro, cultura, sistema político, prisão psíquica, sistema em fluxo e transformação, instrumento de dominação). O autor aponta que, na imagem do organismo vivo como uma metáfora

biológica das organizações, a ênfase está na capacidade de adaptação e não no arranjo ordenado das coisas. Assim, as tarefas e as linhas de autoridade podem ser mudadas continuamente, a fim de possibilitar o alinhamento da organização com seu ambiente. Os pontos fortes deste tipo de funcionamento organizacional incluem a flexibilidade e a ênfase no desenvolvimento de competências humanas, o que segundo ele, é particularmente apropriado para tratar com ambientes turbulentos e competitivos, tal qual nossas sociedades capitalistas.

Os ingleses Burns e Stalker, em seu livro The Management of Innovation, de 1961, estudaram a transição de organizações industriais convencionais para o mercado de alta tecnologia, bem mais dinâmico e turbulento, e chegaram à conclusão que dividia as organizações em dois tipos: o mecanicista e o orgânico. O tipo de organização

mecanicista está mais adequado às condições ambientais relativamente estáveis. As

tarefas são especializadas e precisas; a hierarquia de controle está bem delineada; a alta administração é responsável pela coordenação e pela visão de conjunto; a obediência e a lealdade são valorizadas, e a comunicação vertical é enfatizada. Já o tipo orgânico de organização está mais adaptado a condições instáveis, a ambientes com os quais a organização não tem familiaridade e oferecem complexidades demasiadas que não se podem resolver apenas com funções especializadas. Desta forma, no sistema orgânico há contínua redefinição de tarefas, todos são generalistas e a natureza cooperativa do conhecimento juntamente com a interação nas comunicações informativas são enfatizadas, o que favorece um alto nível de comprometimento com as metas da organização. Como conclusão de seus estudos, manifestaram dúvidas quanto à capacidade de organizações atuando sob o tipo mecanicista de organização se tornarem

orgânicas, pois as alterações de cultura envolveriam fortes quebras de paradigmas e objetivos pessoais.

Amabis e Martho (1997: 82-4) relatam que, a partir da década de 1940, entraram em operação os primeiros microscópios eletrônicos de transmissão, e algum tempo depois o microscópio eletrônico de varredura, em que um feixe eletrônico, finíssimo, é projetado sobre a superfície metalizada do material, permitindo se obter uma imagem tridimensional do microorganismo estudado. Até esse tempo, as células que deveriam ser examinadas o eram de forma bem mais simples: era feita uma raspagem da superfície de onde se queria analisar; em seguida, este material (raspas) contendo as células era homogeneizado e colocado numa plaqueta de vidro transparente, que era prensado em outra plaqueta e colocado sob a lente de um microscópio mecânico-óptico. Esta forma de observação permitia apenas uma visão bidimensional das células e seus conteúdos, e pior ainda, as células, além de “chapadas”, estavam paralisadas, estáticas.

Com o advento da microscopia eletrônica, foi possível estudar as células de forma tridimensional e, mais recentemente, ao vivo, o que permitiu conhecer não apenas suas organelas internas (componentes celulares), mas qual seriam as reações e os processos dinâmicos ali ocorrentes, bem como suas produções e funcionalidades. Da mesma forma, a análise das organizações, desde Gantt e Fayol (Crainer, 1999: 299 e 60) até recentemente, era feita de forma estática e na maioria das vezes bidimensional (“chapadas”). Atualmente, com o advento da informática e da telemática, tornou-se possível observar os processos de forma mais ampla, desde o tridimensional até o multidimensional e, ao vivo.

Assim, a possibilidade de se utilizar modelos da natureza (biológicos) na otimização dos processos organizacionais já tem sido largamente reafirmada desde a primeira metade do século XX {Bertalanffy, 1972; Mintezberg, 2000; Fine et al, 2002, entre outros}. É neste contexto que se pode observar uma estrutura celular simples e correlacioná-la a uma organização empresarial para se observar seu funcionamento e aperfeiçoamento. Adotou-se neste estudo a possibilidade de comparação tridimensional, sem considerar inválida a possibilidade de se fazer análises em um número maior de dimensões ou variáveis de impacto na organização empresarial.

No exemplo a seguir, é importante notar que a visão da organização, assim como a de uma célula, está contida por uma membrana. No caso da célula, uma membrana celular (celulósica) que filtra e controla as substâncias (produtos e subprodutos) que entram e que saem dela mesma. Da mesma forma, a organização está contida por uma membrana tangível traduzida pelos muros, paredes, portas, cercas, sua segurança, e por uma membrana intangível que poderia ser não apenas seus limites físicos, mas sua história, sua cultura, política e seus limites de atuação. Os processos internos, caracterizados por departamentos ou áreas funcionais, poderiam ser comparados aos processos celulares e suas estruturas. Cada um deles tem uma função fundamental para o funcionamento eficiente da célula (Fig. 1).

É através dessa membrana que entram as moléculas alimentares na célula biológica, na organização ocorre a entrada de matérias primas, componentes e insumos. Pela membrana celular são expelidos substâncias e produtos celulares como hormônios que promovem ações em outras células além das excreções, da mesma forma na célula

organizacional são expelidos produtos acabados e informações ao mercado ou a outras células organizacionais.

Assim como nas células biológicas, a organização comercial também sofre os efeitos e influências do meio ambiente. O frio ou o calor, situações de estresse e outras incidências das variáveis incontroláveis, exercem influência significativa tanto sobre o funcionamento das células, quanto sobre o funcionamento das organizações empresariais, restringindo e interferindo em seus processos.

Figura 1. Modelo de célula vegetal e suas organelas.

Fonte: http://www.geocities.com/celuled/serv03.htm, Acesso em 14/10/2004.

Yourdon (1992: 15-17), citando a obra de Miller (1978), descreve uma analogia por ele encontrada, elaborada no agrupamento em categorias dos 19 principais subsistemas existentes que sempre estão presentes nos sistemas viventes, em nível de célula, de órgão, de organismo, de grupo, de organização, de sociedade ou de sistemas internacionais, todos eles contendo os seguintes subsistemas:

“- O reprodutor, que é capaz de dar origem a outros sistemas semelhantes ao sistema ao qual ele pertence. Em uma organização comercial, pode ser a divisão de planejamento, que faz novas plantas e constrói novos escritórios regionais.

- O delimitador, que mantêm coesos os componentes do sistema que os protege dos problemas ambientais e que impede ou permite a entrada de vários tipos de matéria-energia e informações. Em uma organização comercial, poderia consistir nas instalações físicas (prédio do escritório, fábrica etc.), nos guardas e outros elementos da segurança que impedem intrusões não desejadas.

- O ingestor, que introduz matéria-energia através dos limites do sistema a partir do seu ambiente. Em uma organização comercial, pode ser representado pelo departamento de recebimentos ou de compras, que traz produtos in natura, material de escritório e coisas afins. Pode ser constituído também pelo departamento de entrada de pedidos, que recebe pedidos verbais e escritos para os produtos e serviços da organização.

- O distribuidor, que transporta entradas de fora do sistema ou saídas dos subsistemas em torno do sistema para cada componente. Em uma organização comercial, podem ser as linhas telefônicas, o correio eletrônico, os mensageiros, transportadoras e vários outros mecanismos.

- O conversor, que modifica certas entradas do sistema em formas mais adequadas para os processos desse sistema em particular. Numa organização comercial poderia ser a alteração das unidades de volume e peso para atender a operação de produção.

- O produtor, que forma associações estáveis que garantem, durante significativos períodos entre entradas de matéria-energia no sistema ou entre as saídas do conversor, o material sintetizado para o crescimento, reparo dos danos ou substituição dos componentes do sistema, ou destinado ao fornecimento de energia para movimentar ou compor as saídas de produtos ou informações de mercado para seu sistema de nível superior.

- O subsistema de armazenamento de matéria-energia, que conserva no sistema, por diferentes períodos de tempo, depósitos de vários tipos de matéria-energia.

- O extravasor, que envia matéria-energia para fora do sistema sob a forma de produtos e resíduos.

- O motor, que move o sistema ou setores dele em relação a uma parte do ambiente ou todo ele ou move componentes relativamente um ao outro.

- O suportador, que mantém o correto relacionamento espacial entre os componentes do sistema, de modo que eles possam interagir sem vantagens uns sobre os outros ou sem interferências físicas.

- O transdutor de entrada, que traz marcadores com informações para o sistema, modificando-os para outras formas de matéria-energia adequadas para transmissão em seu interior.

- O transdutor interno, que recebe, de outros subsistemas ou componentes do sistema, marcadores com informações sobre alterações importantes nesses subsistemas ou componentes,

modificando-os para outras formas de matéria-energia que possam ser transmitidas em seu interior.

- O canal e a rede, que se compõem de uma única via no espaço físico ou de múltiplas vias interligadas, pelas quais os marcadores com informações são transmitidos para todas as partes do sistema.

- O decodificador, que modifica o código de entrada de informações para ele, por intermédio do transdutor de entrada ou do transdutor interno, em código privativo que pode ser utilizado internamente pelo sistema.

- O associador, que executa o primeiro estágio do processo de aprendizado, formando associações duráveis entre os itens de informação no sistema.

- A memória, que executa o segundo estágio do processo de aprendizado, armazenando diversos tipos de informações no sistema por diferentes períodos de tempo.

- O decididor, que recebe entradas de informações de todos os outros subsistemas e lhes transmite saídas de informações que controlam todo o sistema.

- O codificador, que modifica o código das entradas de informações para ele a partir de outros subsistemas de processamento de informações, de um código privativo de utilização interna do sistema para um código que possa ser interpretado por outros sistemas do ambiente.

- O transdutor de saída, que extrai do sistema marcadores com informações, modificando esses marcadores dentro do sistema em outras formas de matéria-energia que podem ser transmitidas pelos canais no ambiente do sistema.”

As células possuem diferentes estruturas orgânicas (organelas) com diferentes e importantes funções que requerem eficiência tais como: o núcleo, a mitocôndria, o ribossomo etc. Também as organizações empresariais possuem diferentes estruturas orgânicas internas com funcionalidades e papéis específicos tais como: pesquisa e desenvolvimento, marketing, produção, logística, compras e finanças que se somam para propiciar o funcionamento, o seu crescimento e o cumprimento da missão da organização (Fig 2).

O núcleo celular, responsável pela produção de DNA e RNA, que são as suas matrizes básicas com as informações responsáveis pelas atividades celulares e orgânicas poderia ser comparado à alta direção da organização empresarial, de onde saem as informações

estratégicas para o seu crescimento e diferenciação estratégica. Se houver uma falha na reprodução do DNA de uma célula, esta poderá comprometer a vida de todo o organismo. Também nas organizações, se as decisões estratégicas e seus direcionamentos forem enviados com falhas de definição ou comunicação, a organização como um todo poderá se dirigir à falência.

Figura 2. A organização empresarial como uma célula orgânica.

INFLUÊNCIAS