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1. Trabalhar com diversas alternativas de financiamento ao projeto

Para efeito da realização de um Plano de Contingência, como recomendado neste item, o projeto foi subdivido em 4 fases. Essa é uma estratégia que permitirá a realização desta proposta em etapas relativamente independentes.

TAREFA FINANCIAMENTO

FASE 1

ENTREGA DO TERMO DE REFERÊNCIA AVALIAÇÃO DO TERMO DE REFERÊNCIA ELABORAÇÃO DO PROJETO FINAL APRESENTAÇAO DO PROJETO PARA APROVAÇÀO DAS INSTITUIÇOES ENVOLVIDAS

ESTA FASE ESTÁ SENDO FINANCIADA PELOS PROPONENTES DO PROJETO E PODERÁ SER REALIZADA SEM APORTES

EXTERNOS

FASE 2

CONFECÇÀO DE MATERIAL DE DIVULGAÇÀO LANÇAMENTO NA ESCOLA/ CONVITE AOS ALUNOS E DEMAIS ATORES

REALIZAÇÀO DO FÓRUM SOBRE O PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DA LAPA

CASO HAJA DIFICULDADES DE FINANCIAMENTO PARA TODO O PROJETO, A FASE 2 PODERÁ SER REALIZADA , CONFIGURANDO O APROVEITAMENTO PARCIAL DO

PROJETO

FASE 3

FORMATAR CURSO/MATERIAL DIDÁTICO DE CAPACITAÇÀO EM EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

O MATERIAL DIDÁTICO-PEDAGÓGICO PODERÁ SER CONFECCIONADO COM

RECURSOS PARCIAIS E RESERVADO PARA POSTERIOR UTILIZAÇÃO (TEM COMO PRÉ-REQUISITO, NO ENTANTO, A

FASE 2)

FASE 4

CONTRATAR PROFESSORES

CONTRATAR SALAS/EQUIPAMENTOS INICIAR CAPACITAÇÃO

PRIMEIRA AVALIAÇÃO DA CAPACITAÇÃO (ALUNOS)

VISITA TÉCNICA II

SEGUNDA AVALIAÇAO DA CAPACITAÇÃO (ALUNOS)

VISITA TÉCNICA III

AVALIAÇAO FINAL DA CAPACITAÇÃO (ALUNOS)

ESTA É A FASE DE CONCLUSÃO DO PROJETO QUE TEM COMO PRÉ-REQUISITO AS ETAPAS ANTERIORES, NÃO PODENDO SER

2. Incluir a divulgação inicial como etapa dialógica, caso não consiga o financiamento imediatamente. Evitam-se, com isso, eventuais atrasos no cronograma.

Entende-se que a fase inicial desta proposta foi elaborada a partir do curso de Mestrado da Fundação Getúlio Vargas que é custeado pelo proponente do projeto. A fase que inclui divulgação à comunidade da Lapa para a realização preliminar do fórum requer aporte de recursos de um possível patrocinador. Há, no entanto possibilidades de fracionamento do projeto em diversas etapas de realização e financiamento, melhor explicitadas na resposta da questão cinco.

3. Selecionar um número maior de alunos para a capacitação para eventuais ausências. Evita-se, com isso, o comprometimento da amostra.

A presente proposta não detalhou o número de educandos a serem capacitados, estima-se, no entanto, que o percentual seja, no mínimo, 10% do total de estudantes regularmente matriculados na escola. Atualmente, o Colégio Souza Aguiar tem 1200 alunos nesta condição.

4. Incluir alternativas à contratação de professores para o curso de capacitação, tais como: colaboradores; estagiários; colegas de mestrado etc. Isso pode ser importante para o caso de atraso no financiamento da pesquisa ou mesmo atraso no repasse de recursos pelos financiadores.

É possível considerar a contratação de monitores nas diversas disciplinas envolvidas na capacitação. Esses educadores poderão ser acadêmicos oriundos das universidades que possuam cursos de reconhecida credibilidade na área cultural e social.. Essa medida seria oportuna para a eventual redução de custos do projeto.

5. Incluir alternativas a todos os atores (Agentes) e Recursos apontados no item 8 do projeto – Orçamento/Recursos.

Contempla-se, neste item, a inclusão de um segundo patrocinador, bem como a possível substituição do INEPAC pelo IPHAN ou mesmo pela Subsecretaria Municipal de Patrimônio. É possível considerar a relevância da inclusão das Secretarias Municipais de Cultura e Turismo da Cidade do Rio de Janeiro. A substituição da Secretaria de Estado de Educação como parceira neste projeto, no entanto, descaracterizaria por completo sua proposta inicial, tendo em vista que são os alunos da escola pública de Ensino Médio o foco prioritário desta proposta.

RECURSO/

AGENTE FINANCEIRO HUMANO TECNOLÓGICO MATERIAL

FGV APOIO TÉCNICO METODOLÓGICO PATROCINADOR 1 PRÓ-LABORE DOS PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS. MATERIAL DE APOIO DIDÁTICO. TRANSPORTE

PATROCINADOR 2 AJUDA DE CUSTO PARA

OS ALUNOS. ALIMENTAÇÃO IPHAN TÉCNICO EM PATRIMÔNIO APOIO TÉCNICO METODOLÓGICO SMC TÉCNICO EM PATRIMÔNIO APOIO TÉCNICO METODOLÓGICO

SEE PROFESSORES APOIO TÉCNICO

SMT TÉCNICO EM TURISMO DADOS E INFORMAÇÕES PERTINENTES PRODUTOR CULTURAL COORDENADOR DO PROJETO CESA MONITOR DE

CONCLUSÃO

A presente pesquisa visou avaliar as relações dos alunos do Colégio Estadual Souza Aguiar com o espaço patrimonializado da Lapa. Na primeira parte deste trabalho, foi possível constatar as inúmeras transformações socioespaciais ocorridas na região. De meados

do século dezenove aos dias atuais, com o recente processo de “revalorização” de seu espaço

urbano, a área testemunhou parte significativa das transformações da própria Cidade do Rio de Janeiro.

De um passado aristocrático, herdou o casario de barões e proeminentes figuras públicas. Ruínas desse passado ainda estão presentes em diversos marcos ao longo de suas ruas e avenidas. Para o poder público, a Lapa parece reunir os atributos que lhe conferem as insígnias de patrimônio histórico. Desde a criação do Sphan em 1936, a área é alvo de políticas de preservação. Inúmeros tombamentos foram realizados. Contemporaneamente, políticas de preservação abrangem extensas áreas do local.

As transformações pelas quais passou seu espaço urbano refletiram-se também na dinâmica de sua população, alterando seu perfil e modos de vida. De barões a boêmios libertinos, a Lapa reconfigurou-se, abrigando artistas do modernismo e a contracultura dos

anos oitenta. Hoje assiste ao ressurgimento como espaço “enobrecido” da cultura carioca.

Não obstante a importância histórica que o poder público parece atribuir à área, bem o recente processo de requalificação que inúmeros investimentos da indústria cultural fazem transparecer, seu espaço público permanece imerso em abandono. Sofrendo ainda as mazelas comuns às periferias centrais degradadas das grandes cidades, a Lapa convive com problemas de saneamento, segurança pública e conservação de seu mobiliário urbano.

Reunindo uma diversificada população entre residentes e usuários, a região testemunha ainda os hábitos boêmios que a marcam desde o início do século vinte. Prostituição, entretenimento barato e população de rua estão presentes em meio a sofisticadas casas de shows. Espaço de contradições que representam as ambiguidades presentes na sociedade brasileira e que a Lapa parece espelhar com fidedignidade.

O Colégio Souza Aguiar, objeto deste estudo, está presente na Lapa há cento e dois anos, enfrenta as marcantes carências comuns às escolas públicas estaduais e seu o corpo docente revela desmotivação. A escola está apartada da região, não promove ação educativa mais concreta que reconheça as manifestações da cultura local. Não obstante possuir uma

animadora cultural, suas ações não contemplam o patrimônio e a história da região. A despeito da longevidade da instituição, seu corpo docente não reconhece como patrimônio as inúmeras memórias depositadas ao longo de mais de cem anos de história na educação.

Os jovens alunos do CESA parecem estabelecer com a Lapa uma relação próxima, marcada, porém, pela insegurança e degradação de seu ambiente urbano. Reconhecem o valor histórico do lugar, mas parecem afetados pela violência que limita a livre circulação e usufruto do espaço e, por conseguinte, de seu patrimônio.

Não foi constatado por parte dos alunos um conhecimento maior sobre a história do bairro e seu patrimônio. A linguagem patrimonial, contudo, não lhes é estranha, percebem

o significado de expressões como “tombamento” e sua importância na preservação de bens

históricos.

Para alguns jovens, especialmente os residentes, o lugar guarda certa memória afetiva. O patrimônio histórico, no entanto, não parece reunir os atributos que confirmem o espaço como lugar de memória para esses atores. Os jovens circulam nos espaços patrimonializados da Lapa sem se deterem nos discursos da autoridade patrimonial. Não se revelam, porém, passivos. Em suas práticas cotidianas valem-se dos lugares como pontos de encontro e traçam suas itinerâncias, criando trilhas próprias por entre as histórias e memórias oficiais.

Os alunos redesenham os locais do patrimônio com seus gestos e movimentos,

como o jovem no Saara que grita “olha o pesado” para ludibriar o lugar com suas astúcias, e

assim acrescentar-lhe a sua própria história móvel, memória de passante que parece impregnar as memórias oficiais.

Usos e práticas dos alunos nos lugares patrimonializados demonstram que esses atores participam da construção dinâmica de uma memória viva da Lapa. Através de seus

gestos e “artes de fazer”, preenchem de sentidos diversos o que lhes é oferecido pela

oficialidade, ou, atualmente, pelo mercado cultural. Caminhantes de uma Lapa cheia de contradições, a começar pelo convívio entre bens tombados e sobrados em ruínas, onde sua população parece viver à revelia dos movimentos e das modas em qualquer tempo, os alunos do CESA ainda mantêm-se nos bastidores desse grande cenário.

Suas trajetórias nestes lugares foram a principal causa desse estudo. Embora se considere que os discursos da oficialidade do patrimônio constituam lugares de poder, este trabalho não sugere a necessidade de anularem-se tais espaços. O que parece necessário é a ampliação dos fóruns de participação e cidadania, levando a esses atores a possibilidade de

também protagonizar a cena do patrimônio. Não mais só nos bastidores (making of) os jovens do CESA e a comunidade em geral podem participar da “cena” principal do grande espetáculo que parece se prenunciar com a revalorização de um espaço de real importância histórica e cultural para a cidade.

Diante do exposto, o presente trabalho formula um plano de ação de educação patrimonial que permita aos jovens estudantes do CESA a interação com a história da Lapa e seu patrimônio, a partir da construção de um espaço participativo de aprendizagem, onde se propõe a afirmação dos usuários e residentes como co-autores de uma concepção renovada de patrimônio, mais inclusiva e democrática.

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FIGURAS

Figura 1 - Área de abrangência do projeto Corredor Cultural / RJ 68

68

Disponível em: http://www.fau.ufrj.br/prolugar/arq_pdf/diversos/nutau2006_percursos_deriva_safe.pdf Acesso em 15/02/2011

Figura 2 - Área do Distrito Cultural da Lapa 69

69

Adaptação do levantamento aerofotogramétrico da Prefeitura do Rio de Janeiro/IPP - Instituto Pereira Passos (adaptado pelo autor)

Figura 3 - Localização do Colégio Estadual Souza Aguiar por meio de ferramenta eletrônica / Google Maps 2010

Figura 4 - Levantamento aerofotogramétrico da Prefeitura do Rio de Janeiro/IPP - Instituto Pereira Passos

ROTEIRO DE ENTREVISTA

Tema: Os usos e as práticas no espaço da Lapa e a relação dos estudantes com os bens tombados no entorno do Colégio Souza Aguiar.

Datas: 14 de novembo e 26 de dezembro de 2010

Parte I – Perfil do entrevistado

1. Qual a sua idade? 2. Em que série você está?

3. Onde você mora? Há quanto tempo? 4. Você mora com quem?

5. Você pretende fazer vestibular? Para quê?

6. Você tem irmão/irmã? Estuda no Colégio Souza Aguiar? 7. Seu pai/mãe/irmão estuda? O quê? Onde?

8. Seu pai/mãe/irmão trabalha? Em quê?

Parte II – Os usos e as práticas no espaço da Lapa

1. Como é o seu dia-a-dia? Você poderia contar como é a sua rotina quando tem que vir ao colégio durante a semana?

2. E nos finais de semana, que lugares você gosta de ir? Por quê?

3. Você costuma ficar ou passear na rua depois da aula? O que gosta de fazer neste momento?

4. Há algum lugar especial entre o colégio e a sua casa que você goste de ir? Onde fica? Com que freqüência? Quanto tempo fica? O que faz neste lugar? Por que se interessa por este lugar?

5. Quais são os seus lugares preferidos aqui na Lapa? Por quê?

6. Há algum lugar na Lapa por onde você não gosta de passar? Por quê? 7. Você gosta da Lapa? Por quê?

8. O que acha mais interessante no bairro? 9. O que acha ruim na Lapa?

10. Você gostaria de estudar ou morar em outro bairro? Por quê?

Parte III - A Lapa, os lugares de memória e os bens tombados.

1. A Lapa é um dos lugares mais antigos no Rio de Janeiro, o que você sabe sobre a história deste lugar?

2. Seus pais ou avós contam histórias da Lapa para você? O que dizem?

3. Há algum lugar, rua ou casa da qual você gostaria de saber a história: Quem morou, quando etc.?

4. Há algum lugar que faça você lembrar-se de algo que ocorreu com você, seus amigos/família ou mesmo com desconhecidos? O que aconteceu?

5. Para você a Lapa é um lugar diferente de outros bairros da cidade? Por quê? 6. Você sabe o que é um bem tombado?

7. Que lugares na Lapa você gostaria que fossem preservados? Por quê?

ANEXO

1. Transcrição de encontro/grupo focal realizado no Colégio Estadual Souza Aguiar - CESA. Rio de Janeiro, 14 e 26 de dezembro de 2010.

Realizadores - Evandro (E) e Professora (P) Grupo de alunas: (T), (MP), (I), (Ali), (Van) e (D). Grupo de alunos: (J), (Vit), (Ale), (F),

legenda: ______ - dúvida na identificação da palavra. ______ - incompreensível.

INÍCIO PARTE I / APRESENTAÇÃO

T - Meu nome é T, tenho 17 anos, moro na Gamboa com meus avós e dois primos pequenos, filhos dos meus dois tios. Mais alguma coisa?

E - Você tem irmãs ou irmão?

T - Eu tenho duas irmãs, que moram com a minha mãe, e tenho mais três irmãos, que moram com meu pai. Só que eu moro com os meus avós.

E - E todos moram por aqui pelo centro?

T - As minhas irmãs moram com a minha mãe em Quintino, e os meus irmãos moram com meu pai, na Gamboa também. São os mais próximos assim.

MP - Meu nome é MP, tenho 17 anos, moro na Tijuca e moro só com meu pai e minha mãe. E - Você é filha única?

MP - Sim.

E - Você sempre estudou aqui no colégio?

E - E você está aqui desde quando?

MP - Eu estou aqui desde 2008. Eu repeti o primeiro ano, fiz o primeiro de novo e estou fazendo o segundo esse ano.

I - Meu nome é I, tenho 16 anos, moro no Rocha com meu pai, com minha mãe e minha irmã. E - Você está aqui no colégio desde quando?

I - Desde o ano passado. Primeiro e segundo ano, esse ano. E - Você está fazendo o primeiro, o ensino médio? I - Isso, estou no segundo ano.

J - Meu nome é J, moro em Santa Teresa com meu pai, minha mãe e duas irmãs. Estudo aqui no Souza Aguiar há dois anos. Estou fazendo o segundo ano.

Ale - Meu nome é Ale, moro em Santa Teresa, tenho 16 anos. Eu moro com meu pai, minha mãe, minha irmã mais velha e meu irmão mais novo. Estou no CESA há dois anos, cursando o segundo.

Van - Meu nome é Van, tenho 18 anos, moro aqui no Centro. Estou no terceiro ano, moro com minha mãe e minha irmã. Eu tenho um irmão, só que ele mora com meu pai em Santa Teresa. D - Meu nome é D, tenho 17 anos, moro no centro com meu pai, minha mãe e minha irmã e estou no CESA desde 2008. Há três anos já.

Vit - Meu nome é Vit, tenho 18 anos, faço o segundo ano e estudo aqui no Souza Aguiar há um ano. Eu moro com minha mãe, com meu padrasto, com minha irmã e meu irmão. Só. P - Você mora onde, Vit?

Vit - Eu moro na Maré.

Ale - Meu nome é Ale, tenho 17 anos, moro sozinho. Meus pais moram em São Paulo na cidade de Itupeva. Lá moram meu pai, minha mãe, minha irmã e meu sobrinho. Eu estudo aqui no colégio desde o ano passado, desde 2009, e moro aqui na Lapa, na Cruz Vermelha. E - Legal. Vamos continuar então com o Ale, que, agora sim, eu queria fazer umas perguntinhas, que vocês podem interferir também, Ale, como é o seu dia dia no trânsito que você faz aqui na Lapa? Você vem da Cruz Vermelha, não é?

Ale - Isso.

E - Você vem a pé? Ale - A pé.

Ale - Normalmente eu saio de casa às 6 e 50, que é perto, em cinco minutos eu já chego, de manhã; à tarde, a minha parcela de andanças aqui na Lapa é ao meio-dia, às 5 da tarde - entre às 5 da tarde e 6 horas - e à noite, quando eu volto das minhas atividades.

E - Tem algum lugar específico aqui na Lapa que você acha particularmente bacana desse seu trajeto por aqui?

Ale - Ah, eu gosto de muitas coisas aqui. Como eu participo bastante de atividades artísticas, eu frequento bastante o Museu da Imagem e do Som, ali perto da academia da Maria