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Etkileşimci (İşe Yönelik Transactional) ve Dönüşümcü (Transformational) Liderlik

1.3. DÖNÜŞÜMCÜ LİDERLİK YAKLAŞIMI 43 

1.3.8. Etkileşimci (İşe Yönelik Transactional) ve Dönüşümcü (Transformational) Liderlik

É válido afirmar que são várias as transformações sociais que atravessam a família ao longo do processo civilizatório. Essas transformações possibilitaram o surgimento de novos modelos familiares no Brasil e no mundo.

É a partir dessa compreensão que apresentamos na análise dos desenhos das crianças os novos arranjos por elas representados. Discutimos, também, como estes podem ser vistos socialmente para um melhor entendimento das relações familiares na atualidade, buscando saber, no contexto da investigação, de quem é a responsabilidade, ou quem assume o papel de cuidar das crianças nessas relações.

Partindo dessa concepção, observamos que as crianças têm muito a dizer e, por isso, não podem ser descartadas do processo do conhecimento. Daí advém a questão norteadora desta parte do trabalho, que consiste em investigar como a relação do cuidar se configura nas experiências vividas pelas crianças no ambiente familiar.

A população do Estado do Rio Grande do Norte tem 3.228.198 habitantes, já a RMN estima uma população de 1.432.917. Desse total, 25,4% concentra-se na Capital do Estado.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, em relação à composição familiar, 49,4% dos lares são compostos por casal mais filhos, e 18,1% são por mãe mais filhos, enquanto a composição média da família brasileira é de 3,2% membros por domicílio. Estes dados nos mostram uma configuração de redução, e o que ainda predomina, apesar de múltiplos arranjos familiares, é o modelo surgido com a modernidade, isto é, composto por pai, mãe e filhos.

Entretanto, se compararmos os dados nacionais com os da cidade de Natal, das 24.921 famílias, destacam-se 52,65%, as quais são constituídas pela mulher e seus filhos, enquanto casal e filhos são 23,73%. Dessa forma, corrobora a realidade apresentada nos desenhos das crianças pesquisadas, onde se percebe que existe uma diferença entre a realidade mostrada nos dados do IBGE em nível nacional, e a incidência de famílias compostas de mães e filhos na cidade de Natal no ano de 2010. Essa realidade se mostra

maior nos desenhos das crianças investigadas, pois podemos perceber que as famílias representadas pelas 115 crianças apresentam os seguintes arranjos, conforme o Gráfico a seguir:

GRÁFICO 07 - Arranjos familiares representados pela criança.

Fonte: Pesquisa Violência Intrafamiliar e suas consequências para a aprendizagem das

crianças, financiada pelo CNPq, realizada de 2009 a 2013.

Como mostrado esquematicamente abaixo, os desenhos apresentam a existência de:

a) famílias relativamente estáveis, com a presença de pai, mãe e filhos com parentes consanguíneos ou não, em 34,5% do total;

b) famílias com a presença da mãe e dos filhos com parentes consanguíneos ou não em 48,2% do total;

c) famílias compostas por pai e filhos com parentes consanguíneos ou não em 13,6% do total.

Fonseca (2006) defende que hoje existe uma diversidade de formas familiares. Dessa maneira, não podemos nos focar em torno de um só modelo, pois isto nos levaria à estigmatização das várias formas de família que muitas vezes, são acusadas de desestruturação. Ainda segundo Fonseca (2006), devemos compreender a família como um grupo social cujo movimento de organização – desorganização – reorganização mantém uma estreita relação com o contexto sociocultural e econômico vigente.

Amora - Aluna do 5º ano Figura 01: Quem educa

João - Aluno do 1º ano Figura 02: Quem educa

Esses desenhos das Figuras 01 e 02 de quem educa mostram os arranjos das famílias das crianças. Aí, percebemos a diversidade de modelos, dentre eles, pais, filhos e outros parentes; e em outros, pais e filhos. Nas figuras pesquisadas, também encontramos famílias que são constituídas por pai, filhos e outros parentes, e outras com mãe, filhos e outros parentes.

Essa representatividade corrobora as ideias de Sarti (2003) e de Fonseca (2006), que compreendem que as famílias das camadas pobres na sociedade brasileira contemporânea vivem uma pluralidade de modelos de organização, sendo bastante comum a existência de famílias monoparentais femininas e família conjugal reconstituída. (SARTI, 2003; FONSECA, 2006).

Ana - Aluna do 5º ano Figura 03: Quem educa

As famílias representadas pelas crianças se concentram no modelo monoparental feminino. Isto é, famílias que têm a mulher como responsável pelo lar, como podemos ver nas Figuras 03 e 04 quem educa:

Pedro - Aluno do 1º ano Figura 04: Quem educa

São várias as transformações ocorridas ao longo dos séculos, como por exemplo, o ingresso da mulher no mercado de trabalho e as movimentações em prol dos direitos das crianças, entre outras. No contexto contemporâneo, a família torna-se o alvo principal do olhar do Estado e de instituições não governamentais, que passam a atuar mais sobre ela. Em decorrência disso, a família se torna mais visível e, principalmente, a figura central dentro da família: a mulher/mãe.

Nesse contexto, a mulher/mãe é, então, vista como eixo da estrutura familiar, tendo o controle da criação e educação dos filhos, além do cuidado com a casa e com a saúde dos membros da família. Sendo assim, a expectativa que a sociedade brasileira e, em específico, a natalense tem dela, é a de cuidadora, como se ela nascesse com essa habilidade e capacidade a ser desenvolvida.

O bom desempenho feminino é cobrado o tempo todo pela sociedade. O amor materno não constitui um sentimento inerente à condição de mulher; ele não é algo determinado, mas algo que se adquire, e, tal como o

vemos hoje, é produto da evolução social. (BADINTER, 1985). Diante disso, podemos dizer que a responsabilidade educativa representada nos desenhos das crianças envolvem cuidados, principalmente, oferecidos por essa personagem no ambiente doméstico.

Nas representações das crianças sobre família, nos 115 desenhos registrados, encontramos apenas 27 com expressões alegres.

Di Leo (1985), ao analisar esse tipo de desenho, destacou que quando a criança descreve a família em uma cena prazerosa, as grandes figuras livres e as vestimentas coloridas, são expressões de uma vivência alegre. Logo, sentimentos saudáveis entre os membros das famílias, como exposto nos desenhos das Figuras quem educa a seguir:

Jean - Aluno do 5º ano Figura 05: Quem educa

Na Figura quem educa 05, Jean, um aluno de 10 anos, ao descrever sobre quem cuida desenhou toda a sua família. Observe-se que todos os personagens estão sorrindo e de mãos dadas. Para Cyrulnik (2007, p. 75),

“mundo inter-humano é tanto um mundo de sentidos quanto um mundo onde nossos sentidos ganham sentidos, um mundo onde nossa sensorialidade se impregna de história”. Assim, a referida Figura quem educa 05 expressa uma família feliz, bem colorida.

As representações de quem cuida possibilitaram, também, que os desenhos mostrassem os sentimentos das crianças, como nos desenhos da Figura a seguir:

Bruna - Aluna do 5º ano Figura 06: Quem educa

Na Figura 06, quando pedimos à aluna para que desenhasse quem a educa, ela desenhou a figura com os dentes à mostra, cuja expressão ocorreu em 9 desenhos. De acordo com Di Leo (1985, p. 189), “desenhos em que a figura humana mostra os dentes expressam agressividade, pois os dentes são considerados como simbólicos desse traço.” Desenhos como este foram representados por crianças na pesquisa, condizendo com os relatos de algumas professoras que observaram, em sala de aula, crianças que se mostravam agressivas.

Outros estudos citados anteriormente ressaltam que as crianças podem aprender modelos cognitivos e comportamentais a partir dos eventos diários, incluindo-se suas observações dos comportamentos dos seus pais.

Nesse caso, a família é responsável pela influência de agressividade nas crianças. (BANDURA, 1973; JAFFE, WOLFE & WILSON, 1990; GOMIDE, 2003 apud MALDONADO e WILLIAMS, 2005). Assim, podemos dizer que pais que se utilizam de punições físicas estão mostrando a seus filhos que a violência é um meio de resolução de conflitos e de se estabelecer relações com os outros.

Maldonado e Williams (2005) argumentam que seria por meio dessa aprendizagem que a criança adicionaria táticas de agressão, e que ela pode aprender a manipular, persuadir, coagir e mostrar, desde pequena, comportamentos antissociais, podendo, ainda, exibi-los em interações sociais com outros, fora do ambiente familiar.

Em conversa informal entre os alunos do 1º ano do ensino fundamental de uma das escolas estudadas, percebemos que uma criança usa esse tipo de estratégia quando se desagrada de algo feito por algum colega de sala. O pai dessa criança é um “homem procurado pela polícia”, e sempre que a criança não gosta de algo, fala: “Vou contar para meu pai”. A reação das outras crianças é de insegurança e medo. Nesse sentido, é evidente que ela reconhece sua “vantagem” e que sabe utilizá-la a seu favor, sempre que sente necessidade.

Outro desenho que nos chamou a atenção foi o de Lucas, aluno do 3º ano, que, ao desenhar sua família, destacou o seu irmão mais velho:

Lucas - Aluno do 3º ano Figura 07: Quem educa

Esta Figura quem educa 07 talvez represente a pessoa com quem Lucas mais se relaciona. Como diz Gândara (1991), as crianças tendem a desenhar pessoas que conheçam melhor e exprimem sentimentos intensos, valendo observar se a figura representada nos enfatiza força, poder. Essa constatação corrobora o pensamento de Maldonado e Williams (2005), que enfatiza que crianças que vivem em contextos de violência são mais facilmente

acompanhadas de comportamentos infratores, principalmente em

adolescentes.

Logo, podemos argumentar que essa admiração da criança pelo seu irmão seja já uma demonstração de comportamento agressivo. Os resultados, de acordo com as autoras, distinguem que experiências de maus-tratos na infância podem influenciar de forma mais efetiva o engajamento dos sujeitos em comportamentos de risco.

Essa representação da Figura 07 mostra essa configuração, já que, em conformidade com o pensamento das autoras, nesses casos, as crianças são mais suscetíveis de apresentar maior internalização e externalização de

comportamentos-problema, tais como ansiedade, depressão, agressão e delinquência.

Júlia - Aluna do 5º ano Figura 08: Quem educa

Já na Figura quem educa 08, Júlia desenhou-se bem menor do que sua mãe. Nesse desenho, podemos interpretar que ela pode estar expressando medo. Di Leo (1985) argumenta que crianças tendem a desenhar figuras pequenas, evidenciando insegurança e baixa autoestima.

Isso nos remete, também, ao realismo visual defendido por Luquet (1979), quando afirma que a infância representa todo o conhecimento que a criança possui sobre sua realidade, logo, como ela se sente diante de seu responsável no contexto familiar.

Di Leo (1985) também chama a atenção para representações que separam as pessoas por compartimentos, como nos desenhos da Figura quem educa a seguir:

David - Aluno do 5º ano Figura 09: Quem educa

A necessidade de grande separação espacial foi percebida em 4 desenhos e pode ser interpretada como indicadora de insegurança e baixa autoconfiança. (DI LEO, 1985).

Desse modo, podemos dizer que os desenhos das Figuras quem educa 09 e 10 das crianças pesquisadas representam essa separação. Este seria um indicativo de que essas crianças se sentem inseguras, o que talvez seja fruto de uma educação punitiva.

Paulo - Aluno do 4º ano Figura 10: Quem educa

Corroborando as ideias de Rosas e Cionek (2006), que discutem as implicações da violência intrafamiliar para o desenvolvimento das crianças, observamos que estas práticas prejudicam-nas em vários estágios de sua vida, podendo afetar, inclusive, sua aprendizagem escolar.

As escolas pesquisadas perceberam manifestações dessa natureza e suas consequências no desenvolvimento das habilidades dos alunos, expressadas por meio de comportamentos agressivos e baixa autoestima, conforme enfatizado pelas educadoras que participaram da pesquisa.

A realidade percebida nesta pesquisa evidencia a importância de avaliarmos as práticas educativas, bem como o papel da escola diante da violência que invade seus espaços. Assim, ao pensar a escola como construtora de relações de saberes, não seria o momento de pensarmos a transformação da educação com princípios éticos que envolvam afeto, atenção

e respeito, elementos tão importantes para o desenvolvimento dos indivíduos em formação – as crianças.

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