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BÖLÜM 2: ÖRGÜTSEL BAĞLILIK

2.7. Örgütsel Bağlılığın Göstergeleri

A tendência crítica concebe o ensino como uma atividade crítica e @ professor@ como um@ profissional reflexiv@ e crític@ que busca o desenvolvimento autônomo e emancipatório dos que participam do processo educativo.

Nesta perspectiva de formação denominada por Pérez Gómez (2000) de “Perspectiva de reflexão na prática para a reconstrução social” são apresentadas duas categorizações: enfoque “crítico” e enfoque da “pesquisa-ação”.

No “enfoque crítico”, a atenção é a vertente sócio-política de ensino e de formação de professor@s. Os programas de formação baseados neste enfoque visam à aquisição de uma bagagem cultural de clara orientação política e social.

@s professor@s devem desenvolver a capacidade de reflexão crítica para serem capazes de desmascarar as influências ocultas da ideologia dominante na prática cotidiana da aula e desenvolver atitudes de intelectuais transformador@s na sala de aula, na escola e no contexto social. Os autores mais representativos deste enfoque são Giroux (1997), Appel (1989) e Zeichner e Liston (1993), além do mestre Paulo Freire, em diversas obras de sua vida.

O “enfoque da pesquisa-ação” está centrado na promoção do modelo de professor@-pesquisador@, que vincula sua própria formação ao desenvolvimento do currículo nas aulas. Segundo este enfoque, a formação de professor@s é concebida como um processo de desenvolvimento profissional baseado na pesquisa-ação e na utilização dos resultados obtidos para a transformação da prática e das condições sociais que a limitam. De acordo com este enfoque, a investigação educativa e o desenvolvimento curricular são dimensões complementares de um mesmo processo em espiral, no qual se sucedem indefinidamente momentos de teorização, de experimentação e de observação, baseados no rigor, na relevância prática, na cooperação subjetiva e no compromisso ético e político. Alguns trabalhos difusores desta corrente são encontrados em Stenhouse (1984,1996), Elliot (1990), Sorrentino (1995), Sauvé (1997), Sato (1997), Pimenta (2000), Guerra (2001), Zakrzevski e Sato (2001, 2002).

Porlán e Rivero (1998) propõem o “modelo de professor pesquisador”, que incorpora a perspectiva ideológica crítica nos processos de formação. Segundo eles, @s professor@s, através da pesquisa, são capazes de:

- Tomar consciência do sistema de idéias próprio sobre os processos de ensino-aprendizagem e, especialmente, de aqueles em que está implicado (modelo didático pessoal).

- Observar criticamente a prática e reconhecer os problemas, dilemas e obstáculos que são significativos nela; problemas e dilemas não somente do ponto de vista técnico e funcional, mas também, de valorações éticas e ideológicas.

- Contrastar, através do estudo e da reflexão, as concepções e experiências próprias com as de outros profissionais (equipe de trabalho) e com as procedentes dos saberes organizados, como forma de fazer evoluir o sistema de idéias pessoais e de formular hipóteses de intervenção na aula mais potentes que as anteriores, que dêem conta dos problemas detectados.

- Pôr em prática tais hipóteses e estabelecer procedimentos para uma avaliação investigativa das mesmas.

- Contrastar os resultados da experiência com as hipóteses de partida e com o modelo didático pessoal, estabelecer conclusões, comunicá-las ao conjunto de professores, detectar novos problemas, ou novos aspectos de velhos problemas e reiniciar (p. 56-57).

Figura 5 - Tendência crítica de formação de professor@s

Nas perspectivas de formação de professor@s descritas, o conhecimento profissional é entendido de modo distinto. O conhecimento profissional dominante d@s professor@s tem sido “o resultado de justaposição de quatro tipos de saberes de natureza diferente, gerados em momentos e contextos nem sempre coincidentes, que se mantém relativamente isolados uns dos outros na memória dos sujeitos e que se manifestam em diferentes tipos de situações profissionais e pré-profissionais” (PORLÁN; RIVERO; MARTÍN DEL POZO, 1997, p. 158). Estes saberes são os “acadêmicos”, originados normalmente no período de formação inicial d@ professor@, são explícitos e quando organizados seguem uma lógica disciplinar, além dos “saberes baseados na experiência”, interpretados como se fossem idéias conscientes construídas ao longo do exercício da profissão sobre diversos aspectos do processo de ensino-aprendizagem. As “rotinas e guias de ação”, caracterizadas como um conjunto de esquemas implícitos que predizem o

Saberes Disciplinares Experiência Profissional Saberes Metadiscipli- nares Saberes das Ciências da Educação SABER PROFISSIONAL

curso dos acontecimentos em aula, ajudam a resolver atividades cotidianas, especialmente as rotineiras. São saberes próximos a condutas e resistentes à mudança. Paralelamente, temos as “teorias implícitas”, que não são teorizáveis de modo consciente pel@s professor@s, nem são aprendizagens acadêmicas. São saberes que atendem as dimensões epistemológicas e psicológicas, respectivamente organizadas em torno das dicotomias “racional-experiencial” (PIMENTA, 2000) e “explícito-implícito” (Tabela 6).

TABELA 6 – Dimensões e componentes do conhecimento profissional dominante

Nível explícito Nível implícito

Nível racional Saber acadêmico (enciclopédico)

Teorias implícitas

Nível

experiencial

Crenças e princípios de atuação (estereotipados)

Rotinas e guias de ação (mecânicos)

Fonte: Porlán, Rivero e Martín Del Pozo (1997).

As perspectivas de formação de professor@s apresentadas são originadas por uma particular combinação quantitativa e qualitativa destes diferentes saberes - acadêmico, baseado na experiência, rotinas e guias de ação e teorias implícitas.

Estes saberes que constituem o conhecimento profissional “de fato” apresentam algumas características epistemológicas marcantes:”tendência a fragmentação e dissociação entre a teoria e a ação e entre o explícito e o implícito (...) tendência a simplificação e ao reducionismo (...) tendência a conservação- adaptativa e desprezo a evolução-construtiva (...) tendência a uniformidade e desprezo a diversidade” (PORLÁN; RIVERO; MARTÍN DEL POZO, 1997, p. 160). Ele resulta do “processo de adaptação e socialização dos professores a cultura tradicional escolar, a estrutura do local de trabalho, a referência disciplinar do

currículo, aos modelos de formação inicial e permanente e, em definitivo, aos estereótipos sociais dominantes sobre a educação e sobre a escola” (Ibidem).

Embora o reducionismo seja criticado por estes autores, vale ressaltar que a fragmentação e a excessiva categorização do perfil dos profissionais da educação acabam se sintonizando com as especializações e tendências explicitadas. Talvez seja possível fazer emergir um diálogo entre as correntes, trazendo um horizonte comum, sem comparações fechadas entre si. A síntese resultante poderá não ser aquela idealizada conforme nossos desejos, mas será aquela possível “em função da nossa capacidade de articulação a partir das condições concretas” (GATTI, 1997, p.7). E que este diálogo possibilite que a formação de professor@s seja centrada na capacidade crítica de transformação cultural através da postura política, e que, sobremaneira, possa também ter a liberdade e a flexibilidade para utilizar-se dos conteúdos, da técnica, da prática ou da pesquisa sublinhadas nas diversas vertentes teóricas. Afinal, discutir modelos de dinâmicas grupais não fará de um@ professor@ crític@, alguém alienado de suas responsabilidades sociais.