2. TEMEL BİLİMSEL SÜREÇ BECERİLERİNDEKİ BULGULAR
2.4. ÖLÇME BECERİSİ TEMASINDAKİ BULGULAR
Por um tempo, a história de Ourinhos ficou sujeita às narrativas do poder público e impressões literárias de memorialistas locais, de cronistas ou de famílias tradicionais da cidade. O início da produção de uma historiografia profissional sobre o município é muito recente. Só a partir da década de 1980 é que começaram a surgir trabalhos de teor especificamente histórico, como algumas dissertações acadêmicas, comprometidas com a análise crítica dos fatos, desapegadas do ufanismo e atentas ao uso da diversidade de fontes e
157 CORRÊA, Silvio Marcus de Souza. História Local e seu Devir Historiográfico. In: Revista
de História da Universidade de Caxias do Sul. Métis: História e Cultura / Universidade de
posturas teórico-metodológicas da ciência histórica. Antes disso, raramente se encontrará projetos bibliográficos de peso.
O trabalho desses memorialistas e historiadores profissionais que se ocuparam da história total ou parcial ourinhense, tem contribuído muito com o enriquecimento do acervo histórico/literário. No decorrer da década de 1980, dois historiadores ourinhenses, Dr. Paulo Alves (na época professor da UNESP – Assis/SP, e hoje professor da UEL - Londrina-PR) e Dr. Roberto Carlos Massei (na época estudante, hoje Doutor na UENP – Jacarezinho/PR) desenvolveram um levantamento histórico-documental importante a respeito de Ourinhos. Suas pesquisas resultaram em artigos e textos pioneiros.
Em 1990, a Prefeitura Municipal estabeleceu um convênio com a Universidade Estadual Paulista – UNESP, de Assis, para que mantivessem, em conjunto, o funcionamento de um Centro Documental de preservação da memória ourinhense. Com a mudança de prefeitos e variações políticas, o convênio acabou comprometido, o que deu fim ao projeto. Em 1994, Paulo Alves publicou “Ourinhos, uma perspectiva histórica”.158 Um trabalho em parceria com a Prefeitura Municipal. No ano de 2001, Roberto Carlos Massei defendeu na PUC/SP uma dissertação de mestrado159 em História, tratando das inovações tecnológicas e do trabalho dos oleiros em Ourinhos, fruto das pesquisas sobre a trajetória das olarias na cidade.
Em 1992, o jornalista Jefferson Del Rios, através de financiamento cedido pela Prefeitura Municipal, desenvolveu uma investigação a respeito de Ourinhos, resultando na publicação do livro “Ourinhos: memórias de uma cidade paulista”.160 O trabalho de Del Rios, apesar da linguagem jornalística, esbarrada em tom memorialista, mas ao mesmo tempo comprometida com a análise crítica dos fatos, apresenta um aporte documental considerável, e que o enquadra no rol dos pioneiros da produção histórica local. O jornalista
158 ALVES, Paulo. Ourinhos: uma perspectiva histórica (1905-1994). Ourinhos: Prefeitura Municipal / Departamento de Educação, 1994.
159 MASSEI, Roberto Carlos. As inovações tecnológicas e o caso dos oleiros: a mecanização das olarias em Ourinhos (1950-1990). Dissertação (Mestrado em História). São Paulo: PUC – Pontifícia Universidade Católica, 2001.
160 DEL RIOS, Jefferson. Ourinhos: memórias de uma cidade paulista. São Paulo: IMESP, 1992.
trabalhou com arquivos institucionais do Estado de São Paulo, depoimentos locais, documentos municipais e acervos particulares de famílias tradicionais. Seu livro tornou-se referência para outros estudos.
No início de 2003, um trabalho acadêmico desenvolvido na área de turismo e defendido por Séfara Mariani Molitor na UEPG/PR161, tratou da potencialidade turística e religiosa do Santuário de Nossa Senhora Aparecida do Vagão Queimado em Ourinhos, dialogando com aspectos históricos do município e sua religiosidade. O trabalho contribuiu para o engrossamento da literatura histórica ourinhense.
Em 2004 foram lançados mais dois importantes projetos a respeito da história da cidade. Um deles é trabalho de Oscar D’ambrósio, intitulado “Ourinhos: um século de história”162, e o outro, “Um espaço para lembranças de Ourinhos”163, é de autoria conjunta das professoras Antonia Fernanda S. Romero e Rosemary R. de Moraes, em convênio com a Prefeitura Municipal. Esses livros também são referência a pesquisadores posteriores.
Levando em conta os aspectos geopolíticos e sociais, professores e alunos do curso de graduação em Geografia, oferecido pela Universidade Estadual Paulista – UNESP, Campus Ourinhos, ultimamente vêm realizando importantes trabalhos de ordem científico-acadêmica, o que tem contribuído significativamente para o entendimento da dimensão geográfica e política do município. Vale destaque o trabalho desenvolvido por Renan A. Boscariol e Márcio R. Silveira164, o que resultou num artigo que discute a formação sócio- espacial ourinhense e sua expansão urbana. Uma referência.
No último triênio, a Secretaria Municipal de Cultura, através dos editais de fomento às atividades culturais, tem investido consideravelmente em projetos de preservação da memória local, custeando a publicação de
161 MOLITOR, Séfara Mariani. O Turismo Religioso no Santuário de Nossa Senhora
Aparecida do Vagão Queimado em Ourinhos-SP. Trabalho de Conclusão de Curso. Ponta
Grossa: UEPG – Universidade Estadual de Ponta Grossa, 2003.
162 D’AMBRÓSIO, Oscar (org.) Ourinhos: um século de história. São Pulo: Noovha América, 2004.
163 ROMERO, Antônia Fernanda Saraiva; MORAES, Rosemary Reginato de (orgs). Um
espaço para lembranças de Ourinhos. Ourinhos: Prefeitura Municipal de Ourinhos, 2004.
164 BOSCARIOL, Renan Amabile; SILVEIRA, Márcio Rogério. Formação Socioespacial e
Expansão Urbana na Cidade de Ourinhos/SP: Primeiras Respostas. II Simpósio Nacional
livros e auxiliando a exposição de monumentos históricos. O resultado desse investimento implicou na impressão de dois trabalhos literários. Em 2008, “Um olhar sobre a presença japonesa em Ourinhos”165. Em 2010, “Divina Comunhão, festa de todos os sons: 10 anos do Festival de Música de Ourinhos”166. Ambos de autoria de Neusa Fleury Moraes e Marco Aurélio Gomes. Ainda em 2008, Eitor Martins, um memorialista local, publicou o livro “Minha vida, meus amigos, minha cidade Ourinhos”167, que apesar da escrita saudosista, autobiográfica e comprometida com sua própria trajetória familiar na cidade, dialoga com acontecimentos políticos e culturais importantes.
No ano de 2009, o professor Norival Vieira Silva publicou seu livro em formato de crônicas, “Ourinhos em Crônicas”168, que apesar do predicado memorialista, ainda possui aporte documental denso. Norival Vieira é um dos professores mais antigos da cidade. Dedicou parte de sua vida estudando a história do município e construindo em sua residência um acervo particular de documentos e fotos antigas. Vieira é referência na história de Ourinhos. Suas memórias e literatura dizem muito desse aspecto.
Também em 2009, mais uma iniciativa de ordem acadêmica, esta da geógrafa Franciele Miranda Ferreira Dias, hoje mestranda na UEM – Universidade Estadual de Maringá; deu vez à publicação de “O processo de ocupação do espaço urbano do município de Ourinhos”169, apresentado em um congresso de Geografia na UNESP de Rio Claro. Em 2011, a geógrafa ainda escreveu mais dois artigos. Um com título: “O centro e as centralidades da cidade de Ourinhos”170; outro com: “Formação socioespacial de um bairro
165 MORAES, Neusa Fleury; GOMES, Marco Aurélio. Um olhar sobre a presença japonesa
em Ourinhos. Ourinhos: Secretaria Municipal de Cultura, 2008.
166 MORAES, Neusa Fleury; GOMES, Marco Aurélio. Divina Comunhão, festa de todos os
sons: 10 anos do Festival de Música de Ourinhos. Ourinhos: Secretaria Municipal de
Cultura, 2010.
167 MARTINS, Eitor. Minha Vida, Meus Amigos, Minha Cidade Ourinhos. Ourinhos: Edições Cristãs, 2008.
168 SILVA, Norival Vieira. Ourinhos em Crônicas. Ourinhos: Edições Cristãs, 2009.
169 FERREIRA DIAS, Franciele Miranda. O Processo de Ocupação do Espaço Urbano do
Município de Ourinhos. Anais do IX Seminário de Pós-Graduação em Geografia da Unesp
de Rio Claro – Teorias e Metodologias da Geografia: tendências e perspectivas. UNESP – Universidade Estadual Paulista. Rio Claro-SP, 2009
170FERREIRA DIAS, Franciele Miranda. O Centro e as Centralidades de Ourinhos. Anais
periférico: o caso da Vila Odilon na cidade de Ourinhos-SP”171. Ambos importantíssimos aos estudos históricos e geográficos da cidade.
Vale destacar mais um livro de notável peso teórico a respeito da trajetória histórica de Ourinhos, publicado no ano de 2011, intitulado “História e Devoção: a construção social do culto a Nossa Senhora do Vagão Queimado de Ourinhos-SP”172, do historiador ourinhense Maurício de Aquino (hoje professor na UENP - Jacarezinho-PR e doutorando pela UNESP - Assis-SP). O livro foi resultado de sua dissertação de mestrado, defendida na UNESP - Assis-SP. A publicação do trabalho foi auxiliada pela Secretaria Municipal da Cultura, que em 2011 investiu em projetos de manutenção da memória da cidade, e a proposta de Aquino foi aprovada. O livro é exemplar no que tange os modelos de uma pesquisa historiográfica profissional e de qualidade, pautada na pluralidade de fontes, olhar analítico e aprofundado dos fatos, dialogando com a conjuntura sociocultural local, e, além do mais, amparada por um referencial teórico-metodológico bastante coerente.
Em “História e Devoção”, Aquino vê cuidadosamente o processo de construção social da crença em Nossa Senhora do Vagão Queimado, conceituando o culto mariano ou marianismo no Brasil; e ao mesmo tempo mapeando a devoção à Santa na cidade. O início da construção da crença em NSAVQ tem seu marco em 31 de julho de 1954, dia em que ocorreu um grave acidente envolvendo um caminhão tanque, de combustível, e um trem misto, de carga e passageiros. A colisão provocou a morte de três pessoas: o maquinista, o foguista do trem e o motorista do caminhão. Em detrimento do incêndio causado pela queima do combustível, alguns dos vagões foram incinerados. Num dos vagões queimados, restou intacta, a imagem de uma
Nossa Senhora, Santa Maria. Aquino acompanha a trajetória dessa imagem.
Ambiental. FECILCAM – Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão. ISSN – 2236-4056, Campo Mourão-PR, 2011.
171FERREIRA DIAS, Franciele Miranda. Formação socioespacial de um bairro periférico:
o caso da Vila Odilon na cidade de Ourinhos-SP. Anais do I SEURB – Simpósio de Estudos Urbanos: Desenvolvimento Regional e Dinâmica Ambiental. FECILCAM – Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão. ISSN – 2236-4056, Campo Mourão-PR, 2011.
172 AQUINO, Maurício de. História e Devoção: a construção do culto a Nossa Senhora do Vagão Queimado de Ourinhos-SP (1954-2004). Bauru-SP: Edusc, 2011.
Ele busca investigar o motivo pelo qual o fato passou a ser interpretado como
milagre e em que ponto a devoção à santa, tornou-se uma prática efetiva e
institucionalmente legitimada pela Igreja Católica local.
Vale notar que o foco principal do livro de Maurício de Aquino se atém à questão da devoção a NSAVQ. Entretanto, o desenvolvimento de sua pesquisa traz consigo diversos aspectos da história ourinhense, destacando momentos políticos, econômicos, sociais e culturais já não encontrados nos trabalhos produzidos pelos memorialistas, jornalistas e historiadores locais, dos quais falamos, em especial, aquele de Séfara Mariani Molitor, que trata do potencial turístico do Santuário de NSAVQ, qual foi também citado pelo historiador. Destarte, Maurício de Aquino reserva um capítulo especial para tratar da história do município no livro. Contextualiza o acidente que envolveu a imagem da Santa, a trajetória da crença e a construção de um santuário, tudo ligado ao cenário social da época. Uma obra historiográfica exemplar.
Em nosso caso, embora também exista na presente pesquisa uma preocupação com a contextualização histórica local, relacionando a IASD e a comunidade ao cenário sociocultural ourinhense (o que dá sentido, aliás, ao presente tópico e ao anterior), o foco de nossa análise permanecerá centrado somente na prática religiosa da Igreja. Não queremos fazer uma história de
Ourinhos, mas sim uma história dos adventistas em Ourinhos, e ao mesmo
tempo, como fizeram vários pesquisadores (no exemplo de Aquino, Massei, Alves e Molitor, para citar apenas os acadêmicos), contribuir com a literatura histórica a respeito da diversidade cultural e religiosa local. Ademais, nossa análise é histórico-antropológica. O objetivo, grosso modo, é entender sob tal olhar, quem são os adventistas do sétimo dia em Ourinhos, o que fazem e
como pensam aquilo que fazem. Mas, voltemos ao foco da História Local e
vejamos com pouco mais de detalhes a trajetória do município.
Ourinhos é uma cidade do interior paulista, região Centro-Oeste, com população composta por 103.035 habitantes (IBGE / Censo 2010)173 e
173 O site do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística oferece uma infinidade de informações, gráficos e dados demográficos com respeito às Cidades e Estados do Brasil. No site, existe um link específico, que sustenta os dados referentes às cidades. A
área territorial de 296,269 km². Possui economia agroindustrial e atividade comercial regular, ocupando posição de médio destaque no cenário regional. A história de Ourinhos, bem como a de muitas cidades de sua proximidade, confunde-se com o tempo da construção da Estrada de Ferro Sorocabana, do ciclo do café, do cultivo do algodão e o fluxo de imigração na região.
De fato, a história de Ourinhos está umbilicalmente ligada ao avanço da Estrada de Ferro Sorocabana (EFS), no sudoeste do Estado de São Paulo [...] Ourinhos surgiu junto aos trilhos da Sorocabana. As origens da EFS remetem à Companhia Ituana de Estradas de Ferro, criada em 1870, com o objetivo de construir uma ferrovia ligando Itu a Jundiaí. Dissidentes desse consórcio queriam uma linha entre São Paulo e Ipanema via Sorocaba e por essa razão criaram, ainda em 1870, a Companhia Sorocabana. No ano seguinte foi constituída a EFS que até o final do século XIX teria como zona privilegiada toda a região que se prolongava de Botucatu em direção à margem direita do rio Paranapanema. O primeiro trecho foi inaugurado em 1875, ligando São Paulo a Ipanema. A EFS acompanhou o progresso da lavoura cafeeira no interior paulista e três anos depois do primeiro trecho já estendia suas linhas até Tietê, Tatuí, Itapetininga e Botucatu. Em 1892, a EFS uniu-se a Companhia Ituana dando Origem a Companhia União Sorocabana e Ituana formando a maior rede ferroviária do Estado. Entretanto, a fusão não obteve os resultados pretendidos. O projeto de extensão das linhas até as fronteiras do Paraná e o Mato Grosso onerou demasiadamente a Companhia que foi forçada a liquidar seus negócios. Entre 1904 e 1905, a Estrada foi arrendada pelos governos federal e paulista. Este último transferiu-a para um consórcio estrangeiro resultando na Sorocabana Railway
Company. Em 1919, ano da instalação do município de
Ourinhos, o governo paulista retomou a administração da ferrovia.174
As terras da região, de cor avermelhada pela formação basáltica, se apresentavam férteis e muito propícias ao cultivo do café. A extração da madeira, produto de base das primeiras casas edificadas no local, derivava da derrubada das árvores nativas. Aliás, no início da colonização, a principal tarefa dos pioneiros era abrir picadas nas matas fechadas e campos para o escolha deve ser feita de acordo com a unidade da Federação à qual a cidade pesquisada pertence. O link é o seguinte: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1
174 AQUINO, Maurício de. História e Devoção: a construção do culto a Nossa Senhora do Vagão Queimado de Ourinhos-SP (1954-2004). Bauru-SP: Edusc, 2011, pp. 25 e 26.
cultivo do café. Abundantes em água doce, os Rios Paranapanema, Turvo e o Pardo, mais o córrego do Jacu, banham Ourinhos e proximidades. Sobre o aspecto ambiental da região na época da colonização, notemos o que dizem os geógrafos da UNESP de Ourinhos, Boscariol e Silveira:
Antes da ocupação humana onde hoje é o município de Ourinhos, a vegetação predominante nesta área era similar a do cerrado. Campos dominavam as partes mais altas, com algumas árvores deste ambiente, com matas galerias seguindo os cursos dos três principais cursos d’água – o Rio Paranapanema, ao sudoeste, o Rio Turvo, ao nordeste, e o córrego do Jacu. O terreno possui um relevo suave, que não constitui grande barreira para a circulação de ventos, provenientes principalmente do sul e também não propicia problemas para a ocupação humana e expansão urbana, que vai se iniciar em 1908.175
Estratégica, a região é ponto de aproximação entre os Estados do Paraná, São Paulo e a Oeste, do Mato Grosso do Sul. O Rio Paranapanema, com foz no Rio Paraná, acabava servindo de meio de transporte aos colonos. A malha ferroviária, o transporte fluvial, a construção de estradas, de cidades e pequenas vilas beirando a linha férrea, marcaram o início do século XX no sudeste e centro-oeste do Estado de São Paulo.
Figura 4 – Mapa: Em destaque (no ponto “A”) a localização geográfica de Ourinhos no Estado de São Paulo. Fonte: Google Maps. (Disponível em http://maps.google.com.br/)
175 BOSCARIOL, Renan Amabile; SILVEIRA, Márcio Rogério. Formação Socioespacial e
Expansão Urbana na Cidade de Ourinhos/SP: Primeiras Respostas. II Simpósio Nacional
sobre Cidades Médias. Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia-MG, Nov. 2006, p. 4.
Dessa forma, o desenvolvimento econômico e demográfico da época fez com que uma pequena vila, a “Ourinho”, surgisse no perímetro das
Águas de Ourinho, como assim chamavam o espaço que hoje corresponde
às cidades de Jacarezinho-PR e Ourinhos-SP. Aliás, o nome “Ourinhos” é objeto de um velho debate entre historiadores e memorialistas locais. Quanto à origem desse nome, Del Rios escreveu:
Um velho mapa de 1908 mostra a cidade de Ourinho (no singular), no Paraná, no lugar da atual Jacarezinho. Não é obra anônima ou de amador. Editado pela seção cartográfica do Estabelecimento Gráphio Weiszflog Irmãos, de São Paulo, foi incluído como Mappa da Viação Férrea de São Paulo mostrando a zona tributária da Sorocabana Railway Company no relatório de ferrovia. O mapa ainda não registra a existência de Ourinhos. Existe apenas o pontilhado vermelho indicando o trecho da estrada de ferro em construção entre Ipauçu e Salto Grande. O começo de nosso começo. Apesar do trabalho detalhado dos irmãos wiszflog, há um falso mistério e algumas polêmicas entre historiadores municipais em torno desses nomes. Na realidade, a Ourinho paranaense foi também Nova Alcântara, por escolha do seu fundador, o mineiro Antônio Alcântara Fonseca, que se fixou naquelas terras em 1888. Jacarezinho era um distrito policial do município de Tomazina. Todas elas, pequenas e perdidas povoações. Jacarezinho é, originalmente, o nome de um rio e Ourinho, o de um riacho que vai dar no ribeirão Fartura, afluente do Paranapanema. Movia então a roda d’água da serraria de João Frutuoso de Melo Coelho, por volta de 1896. Em 1926 foi represado para servir de piscina pública. Hoje está canalizado na parte central da cidade. Entre tantas denominações, o patrimônio de Nova Alcântara, ou Ourinho, correu o risco de se chamar Costina, em homenagem ao fazendeiro e político Antônio José da Costa Junior, que recusou a discutível honraria. Sua fazenda, aliás, chamava-se
Ourinhos e, atravessando o Paranapanema, chegava até o
lugar conhecido como Água do Jacu, atual bairro rural ourinhense. Nunca se estudou o fato, mas há a possibilidade de a fazenda ter ajudado a determinar o nome da cidade de Ourinhos. Finalmente, a Lei estadual 352, de 2 de abril de 1900, estabeleceu que Nova Alcântara (ou Ourinho) e o distrito policial de Jacarezinho fossem levados a termo (criação do judiciário) de Jacarezinho, nomeado juiz e adjunto de promotor. Deixava de existir a Ourinho paranaense, ainda que os mapas seguissem por algum tempo a antiga denominação. Os trilhos da Sorocabana Oficializaram por sua vez a Ourinhos Paulista, que herdou o nome por tradição oral.
Estava no caminho daquela outra, a do Paraná, e da fazenda de Costa Junior. É a hipótese mais viável.176
Na década de 1910, onde surgiu a “Ourinhos Paulista”, havia três grandes fazendas: a) Fazenda das Furnas, que pertencia a uma viúva de 50 anos chamada Escolástica Melchert da Fonseca; b) Fazenda Lageadinho, de Antônio de Almeida Leite, na época conhecido como Coronel Tonico Leite; e c) Fazenda do Jacu ou Fazenda Ourinho, da família Costa Júnior. Hoje, a cidade de Ourinhos abarca com seus bairros, grande parte das glebas que constituíam essas fazendas. Mas uma delas, em especial, foi o ponto exato do nascimento da cidade. A Fazenda das Furnas, de Melchert da Fonseca.
No dia 11 de fevereiro do ano de 1910, Jacinto Ferreira de Sá, um imigrante mineiro que residia na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, 25 km distante da atual Ourinhos, viajou para a cidade de São Paulo, Capital, na qual morava Escolástica M. Fonseca, de modo a tomar posse da escritura de
compra e venda de imóvel, que lhe dava direito sobre a Fazenda das Furnas.
Jacinto Sá era homem influente na política da região e do Estado de São Paulo. Em 1908, anos antes de tomar posse da Fazenda das Furnas, ao ver