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ÖDÜNÇ ALAN AÇISINDAN

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FONTE: O Auto da Compadecida. Dir. Guel Arraes. Globo Filmes. Brasil, 2000. Quadro 07 – Análise semiológica do figurino de Rosinha

A língua do figurino de Rosinha A fala do figurino de Rosinha Vestido de manga comprida, decote

quadrado, com babados na saia.

Mulher romântica e delicada.

Significante do figurino de Rosinha Significado do figurino de Rosinha

Vestido com detalhes de renda, saia longa de tecido fluido, na cor branca. Detalhe na cabeça rendada com bordados de pérolas e véu. Jóias delicadas.

Mulher que segue as tradições sociais. Casa na igreja com traje de noiva formal.

Fotograma 17– Rosinha, Chicó e João Grilo caminhando sem rumo

FONTE: O Auto da Compadecida. Dir. Guel Arraes. Globo Filmes. Brasil, 2000. Fotograma 18 – Rosinha e Chicó dançando com a música de João Grilo

FONTE: O Auto da Compadecida. Dir. Guel Arraes. Globo Filmes. Brasil, 2000.

No quadro 07, a análise semiológica do figurino de Rosinha no dia do casamento mostra que a língua do figurino corresponde a um vestido de manga comprida com babados na saia. A fala deste figurino expressa que Rosinha é uma noiva romântica e delicada. O significante do figurino representa os tecidos rendados e fluídos do vestido, na cor branca, o detalhe da cabeça com bordados de pérolas e véu longo. O significado expressa que o vestido de noiva de Rosinha é tradicional, ela segue as normas da sociedade e se casa com a vestimenta apropriada na igreja.

O sistema do figurino de Rosinha corresponde a todas as blusas estilo princesa rendadas, saias e joias delicadas. E o sintagma do figurino, corresponde à escolha do vestido de noiva que representou todo o romantismo de Rosinha, fiel à tradição do casamento na igreja.

O figurino de Chicó no dia do seu casamento foi o terno terroso já analisado no quadro 06. Devido ao evento formal, Chicó fechou todos os botões da camisa e não está usando o chapéu.

Para complementar a análise semiológica do figurino de Rosinha e Chicó, vamos acrescentar um breve estudo sobre as cores e a história da indumentária dos personagens, além da contextualização sociocultural.

É importante relembrar que O Auto da Compadecida é uma adaptação da peça homônima de Ariano Suassuna, grande defensor da identidade cultural do povo do sertão nordestino, criador do movimento Armorial e com uma extensa e elogiada obra literária. Apresenta nas suas obras, inclusive na peça Auto da Compadecida, características que privilegiam a aproximação do nordeste do Brasil a península Ibérica.

Lima 21( 2014 ) nos diz que é visível no texto dramatúrgico de Ariano as influências da cultura ibérica e do cristianismo, especificadamente a Igreja católica. As suas fontes estão nos autos da Idade Média, no humanismo do teatro de Gil Vicente, no século XVII, no teatro barroco de Calderón de La Barca. Queiroz 22( 1998 ) confirma, ao citar que no prefácio do Auto são explicitados os chamados milagres de Nossa Senhora do século XIV, o teatro de Gil Vicente, o teatro espanhol do século XVII e a commedia dell’arte.

Logo o diretor Guel Arraes buscou a mesma inspiração de Ariano Suassuna na transposição da peça. “O fato de recorrer ao arcaico e situar o nordeste como palco da herança ibérica medieval orientou toda a concepção e a direção de arte da minissérie realizada pela Rede Globo: a estética da Idade Média.” (OROFINO, 2006, p.31). Essa inspiração é confirmada principalmente no figurino da personagem Rosinha. É importante informar que a inspiração da Idade Média na concepção da peça armorial não esta centrada em um único período da época medieval, logo as referências a indumentária não se prendem a um século específico, ver figura 07, um vestido do século XII que lembra a silhueta da indumentária de Rosinha, justo no corpete e com uma saia mais volumosa.

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Geraldo Lima (escritor,dramaturgo, roteirista)

Ensaio: A força inesgotável do teatro de Ariano Suassuna

Disponível em: www.jornalopcao.com.br|opcao-cultural|forca-inesgotavel-teatro-de-Ariano-Suassuna-13338|

Acesso em: 13|07|2015 22

Mimetismo e Recriação do Imaginário Medieval em Auto da Compadecida de Ariano Suassuna e em La Diestra de Dios Padre de Enrique Buenaventura

Disponível em: www.scielo.br|scielo.php?pid=SO102-01881998000100004&script=sci_arttext

Figura 07: Vestido do século XII

Fonte: KÖHLER, Carl.História do vestuário.São Paulo: Martins Fontes,2005.

No século XII, por exemplo, a justeza estava localizada no corpete do vestido, ficando próximo ao corpo, e as saias, mais amplas, com panejamento mais volumoso até os pés. A silhueta predominante foi a magra e verticalizada, um eco à estética arquitetônica do período. (BRAGA, 2007, p.39)

Köhler (2005) acrescenta que, na França, a indumentária feminina utilizada na idade média, precisamente em meados do século XIV, se caracterizava pela divisão do traje em duas partes, sendo um corpete e uma saia, de cores diferentes e a saia franzida e costurada ao corpete. As mulheres solteiras exibiam os cabelos soltos e as casadas prendiam os cabelos em tranças enroladas ao redor da cabeça.

Em relação ao uso das cores, o filme O Auto da Compadecida privilegiou as mesmas cores que os artistas do movimento Armorial usam nas imagens do “sertão medieval”, principalmente a cor da terra avermelhada. O figurino de Rosinha conta com peças nas cores brancas e em tons terrosos, enquanto que o de Chicó é restrito apenas aos tons de terra.

Buscamos os ensinamentos de Guimarães (2004) para compreender a cor na dimensão da cultura, especificadamente a brasileira. Os tons de terra vermelha e terra amarela (ocre) datam do período Paleolítico, o homem começou a representar as figuras nas cavernas com essas duas cores, tempos depois o homem utilizou apenas o preto e o vermelho para contornar alguns animais, diferenciando os sexos entre os animais. O sexo masculino é pintado de preto e o feminino de vermelho. Apesar da relevância da combinação de preto e vermelho, o homem pintou com seis diferentes cores (branco, preto, terra-ocre, terra-marrom, terra- vermelha e terra violeta) os animais em algumas cavernas.

A cor é carregada de simbolismo, tem sua linguagem específica, e vínculos de ligação entre a unidade biológica e a diversidade cultural do homem. Guimarães (2004) estudou os

códigos terciários da comunicação das cores, que são os códigos culturais para interpretar a cor como fonte de informação cultural.

A possibilidade de admitir muitas interpretações, ou seja, a polissemia é uma característica fundamental da arte, que até certo ponto podemos atribuir também à cor. Entretanto, é possível obter-se uma significação precisa para determinada cor em determinado texto cultural. Para conseguir tal invariante, a aplicação da informação cromática deverá estar combinada com outros elementos sígnicos além da própria cor, que possam no texto cultural apresentado, indicar a leitura correta. Um desses elementos pode ser a presença simultânea da cor simbolicamente oposta. (GUIMARÃES, 2004, p.97-98).

Diante disso, podemos interpretar que o uso dos tons terrosos na indumentária de Rosinha e Chicó pode ser atribuído primeiramente como uma das características da estética do movimento Armorial que privilegia essa cor nas suas obras plásticas. Como também, seguindo a premissa de que o Armorial valoriza as raízes culturais do sertão nordestino, nada mais simbólico que o tom de terra presente no seu cenário natural para dar cor às indumentárias dos personagens; é a terra como elemento de força e resistência do povo sertanejo. O homem diante do primeiro plano, a paisagem, conforme fotograma 19.

Belgede Ödünç iş ilişkisi (sayfa 104-116)

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