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4. BÖLÜM:

4.2. ÖĞRENCİLERİN EĞİTİM AMAÇLI BLOG KULLANIMINA YÖNELİK TUTUMLARI

Os Cerrados já ocupavam no Pleistoceno (era geológica compreendida entre 1.860.000 e 12.000 anos atrás) importantes extensões do Brasil Central, assim como dominavam a maior parte da área atual do domínio da Floresta Amazônica. Com o aumento da temperatura e da umidade, no final do Pleistoceno, o Cerrado avançou sobre a Caatinga, as florestas avançaram sobre o Cerrado, formando a Amazônia e sobre a Caatinga, formando a Mata Atlântica (SILVA, 2009).

O clima no cerrado na classificação de köppen é Aw (Cwa) com característica estacional, tropical chuvoso com verão quente e inverno seco. Caracterizado por um período chuvoso, que dura de outubro a março, e por um período seco, de abril a setembro, apresentando

15 Um cluster é uma concentração de empresas que se comunicam por possuírem características semelhantes e

pluviosidade média de 1300 a 1600 mm e temperaturas geralmente amenas ao longo do ano, entre 22 C e 27 C em média (KLINK & MACHADO, 2005; RIBEIRO & WALTER, 2008).

De acordo com o Cadastro Nacional de de Unidades de Conservação (CNUC) apenas 8,1% do bioma está protegido por Unidades de Conservação, sendo 3,1% em categorias de Proteção Integral16 e 5% em categorais de Uso Sustentável17 (MMA, 2011b). Conforme o CNUC, no Cerrado existem 186 Unidades de Conservação entre federais, estaduais e municipais. Dentre essas, 88 são de Uso Sustentável distribuídas em 5 categorias: 57 Áreas de Proteção Ambiental; 16 Áreas de Relevante Interesse Ecológico; 8 Florestas Nacionais; 6 Reservas Extrativistas, 1 Reserva de Desenvolvimento Sustentável (MMA, 2012).

O dominio dos cerrados, em sua regiao nuclear, ocupa predominantemente maciços planaltos de estrutura complexa, dotados de superfícies aplainadas de cimeira, e um conjunto significativo de planaltos sedimentares compartimentados, situados em niveis que variam entre 300 e 1.700 m de altitude. Climaticamente, comporta de 4 a 5 meses secos, opondo-se a 7 ou 8 meses muito chuvosos. A umidade do ar atinge niveis muito baixos no inverno seco (38%-40%) e muito elevados no verao chuvoso (95%-97%) (AB´SÁBER, 1983).

De acordo com a divisão hidrográfica nacional, o Cerrado está presente em oito das doze regiões hidrográficas brasileiras: Amazônica, Araguaia/Tocantins, Atlântico Norte/Nordeste, São Francisco, Atlântico Leste, Paraná/Paraguai, Uruguai, Atlântico Sul/Sudeste. O Cerrado, por estar presente em áreas mais altas das bacias hidrográficas, há diversas regiões de nascente ao longo do bioma (LIMA & SILVA, 2008).

O Cerrado se destaca como o segundo maior bioma brasileiro, com aproximadamente 2 milhões de km2, conforme dados da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA (1999); May et al.(2001) e EMBRAPA (2007). É uma das 25 áreas, no planeta, consideradas mais ricas e prioritárias para conservação, apresentando formações vegetais variando desde

16 De acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), essa categoria abrange:

Estação Ecológica, Reserva Biológica; Parque Nacional; Monumento Natural; Refúgio de Vida Silvestre. (Lei 9985 de 18.07.2000)

17 De acordo com o SNUC, essa categoria abrange: Área de Proteção Ambiental; Área de Relevante Interesse

Ecológico; Floresta Nacional; Reserva Extrativista; Reserva de Fauna;Reserva de Desenvolvimento Sustentável; e Reserva Particular do Patrimônio Natural. (Lei 9985 de 18.07.2000)

campos abertos até formações densas de florestas, que podem atingir 30m de altura (EMBRAPA, 2007).

São descritos 11 tipos fitofisionômicos para o Cerrado, divididos em três formações: florestais - mata ciliar, mata de galeria, mata seca e cerradão; savânicas - cerrado senso restrito, parque de cerrado, palmeiral e vereda; campestres - campo sujo, campo rupestre e campo limpo. Considerando-se os subtipos somariam 25 fitofisionomias reconhecidas (RIBEIRO & WALTER, 2008).

O cerrado se constitui em um mistério para os cientistas devido à sua vegetação com folhas largas - em geral, maiores que as da floresta úmida, espessas e rígidas, lisas e cerosas ou ásperas e pilosas, características de ambientes áridos. A hipótese mais aceita para justificar esse perfil da vegetação está pautada em três fatores os quais teriam contribuído para isso: a redução da água disponível na estação seca; a incidência do fogo; e a baixa fertilidade do solo. A vegetação do cerrado estaria assim adaptada para sobreviver e reproduzir em tais condições, se distribuindo de forma diferenciada seja no tempo - em diferentes ciclos de vida durante as estações do ano, seja no espaço – em diferentes ambientes dentro do bioma (RIBEIRO, 2005).

O bioma se caracteriza por ser a maior região de savana tropical da América do Sul, incluindo grande parte do Brasil Central e parte do nordeste do Paraguai e leste da Bolívia (Figura 3.2). Faz limite com 4 quatro biomas brasileiros: ao norte, encontra-se com a Floresta Amazônica, a leste e a nordeste com a Caatinga, a leste e a sudeste com a Mata Atlântica e a sudoeste, com o Pantanal. Nas áreas de contato entre os biomas, estão as faixas de transição ou ecótonos. Nenhum outro bioma sul-americano possui tantas zonas de contatos biogeográficos tão distintos, com aspectos ecológicos únicos e alta biodiversidade (MMA, 2010).

Fonte: Ministério do Meio Ambiente (2010)

Figura 3.2 - Distribuição do Bioma Cerrado no Brasil

Ainda assim, há uma impressão errônea de que o Cerrado é um bioma biologicamente pobre. Calcula-se que mais de 40% das espécies de plantas lenhosas e 50% das espécies de abelhas sejam endêmicas do bioma (SBF/MMA, 1999). Em levantamento de flora do cerrado brasileiro, realizado pela equipe do IBGE, Departamento de Engenharia Florestal da UnB e EMBRAPA, foram compiladas 6.429 espécies, que incluem 451 variedades e/ou subespécies, dessas, 267 são pteridófitas, duas gimnospermas e 6.060 angiospermas.

Esses dados ressaltam a importância em escala nacional e mundial do cerrado, que deve ter priorizada a sua conservação e manejo racional. O bioma tem se mostrado muito mais rico do que se previa e muitas das suas tipologias são endêmicas da América do Sul, e do Brasil (MENDONÇA et al., 1997).

Dados do IBGE mostram que aproximadamente 25% do total de área do país pertence a este bioma, estendendo-se desde o litoral maranhense até o Centro-Oeste, além de ocupar a totalidade do Distrito Federal, a quase totalidade dos estados de Goiás (97%) e Tocantins (92%), mais da metade do Maranhão (65%), Mato Grosso do Sul (61%) e Minas Gerais (57%) e parte do Mato Grosso (40%), Piauí (37%), São Paulo (33%), Bahia (27%) e Paraná (2%) (MMA, 2010).

O bioma apresenta quase 12 mil espécies de plantas registradas, sendo que pelo menos 200 possuem algum potencial econômico. Experiências de manejo florestal e agroflorestal, embora recentes, têm apresentado resultados bem promissores. Sob o ponto de vista do agroextrativismo, destacam-se espécies como pequi, baru, mangaba, cagaita, buriti, jatobá, cajuí, arnica, mama-cadela, faveira, gueroba, murici, dentre outras. Os frutos “in natura”, e produtos industrializados, como geléias, licores, sucos, compotas, doces, palmito e pequi em conserva, medicamentos, óleos e ornamentos, são comercializados na Região Centro Oeste (EMBRAPA, 2007).

Segundo dados dos Anuários Estatísticos do IBGE, os não madeireiros de ocorrência no Cerrado, com maior produção, são: a amêndoa de babaçu, o óleo de copaíba, a fibra de buriti, a folha de jaborandi, a casca de barbatimão, a casca de angico, o fruto da mangaba e a amêndoa de pequi (AFONSO, 2008).

Contudo, a velocidade de conversão de áreas nativas de Cerrado em áreas antropizadas causou a perda de, pelo menos, 55% de sua paisagem original (SBF/MMA, 1999; EMBRAPA, 2007). Entre o período de 1985 a 2002, a taxa média de desmatamento do Cerrado foi de aproximadamente 1,1% ao ano, um número que representa uma perda anual de 2,2 milhões de hectares para o Cerrado. Dentro dessa perspectiva, seria de se esperar que o Cerrado desaparecesse no ano de 2030 (MACHADO et al., 2004).

Dados do Ministério do Meio Ambiente apontam, porém, uma redução na taxa anual de desmatamento do cerrado para o período de 2002 a 2009. Segundo as análises, o cerrado teve sua cobertura vegetal suprimida, entre 2002 e 2008, em 85.074,87 km2, o que representa uma taxa anual naquele período de aproximadamente 14.179 km2/ano, ou seja, uma taxa média de 0,69% ao ano. Entre 2008 e 2009, reduziu para 7.637 km2, equivalente a 0,37% ao ano. Os remanescentes de vegetação do Cerrado passaram de 55,73%, em 2002, para 51,54%, em 2008, e para 51,1%, em 2009, tendo como base a área total do bioma em 2.039.386 km2. Em números absolutos, o Cerrado teve sua cobertura vegetal original e secundária reduzida de 1.136.521 km2 para 1.043.809 km2 (MMA, 2009; MMA 2011).

A dispersão de espécies exóticas em áreas de Cerrado vem provocando erosão hídrica e eólica dos solos, degradação dos diversos tipos de vegetação, perda de biodiversidade e invasão biológica (EMBRAPA, 2007). O modelo de desenvolvimento implantado no Cerrado reflete uma política de economia agrária de objetivo comercial exportador, acarretando na redução da variabilidade genética das espécies nativas e transformando consideravelmente o perfil da região, bem como a relação entre as populações ali adaptadas e o meio ambiente (DUARTE, 2002; OLIVEIRA, 2006; SAWYER, 2009).

O Cerrado possui uma rica sociodiversidade constituída por grupos indígenas, geraizeiros18, vazanteiros, ribeirinhos, quilombolas, sertanejos, caipiras e roceiros. Apresenta, assim, comunidades rurais tradicionais e de migrantes, os quais estão reduzindo (SAWYER, 2009).

Entretanto, apesar da devastação ocorrida nas últimas três décadas, a combinação entre atividades agropecuárias e o extrativismo no Cerrado ainda é uma realidade nos dias de hoje. Desta forma, a coleta de não madeireiros do Cerrado cumpre um papel fundamental na alimentação e na produção de suas populações, complementando-se com a atividade agropecuária (RIBEIRO, 2000).

18 Geraizeiros são chamados os camponeses da porção de Cerrado no Norte de Minas Gerais – bem como

noutras localidades, sobre as quais se estendem os Gerais, destacadamente o Noroeste do estado de Minas e o Oeste da Bahia, aonde essa denominação é corriqueiramente utilizada. Reivindicam o território por eles chamado de Gerais, entendido no Norte de Minas Gerais pelos topos de serra, planaltos, encostas e vales dominados por Cerrado (NOGUEIRA, 2009).

Ressalta-se ainda que o Cerrado estoca um considerável volume de carbono, embora menor do que o as florestas tropicais, apresenta extensa área e raízes profundas, que acumulam dois terços da densidade (toneladas por hectare) produzida no bioma. Assim, o desmatamento do Cerrado contribui para a mudança climática global (SAWYER, 2009).