• Sonuç bulunamadı

2.2. ÇOKLU ORTAM

2.2.3. Çoklu Ortamda Öğrenmenin Kuramsal Temeli

Ensinem as suas crianças o que ensinamos às nossas, que a Terra é a nossa mãe. Tudo o que acontecer à Terra acontecerá aos filhos da Terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.

Isto sabemos: a Terra não pertence ao homem; o homem pertence a Terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.

O que ocorre com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não teceu o tecido da vida: ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido fará a si mesmo. (BRASIL,1998, p. 105)

Este é um trecho de uma carta escrita por um índio, em 1854, em Seattle, Estados Unidos, respondendo a uma tentativa do governo americano de comprar suas terras. O manifesto do chefe indígena escrito há mais de um século atrás, já expressava idéias que hoje estão na pauta das grandes conferências e discussões das questões ambientais. Esta carta virou uma espécie de bandeira ecológica, reproduzida nesses debates.

Há cinco milhões de anos os primeiros seres humanos tinham que saber relacionar-se com a natureza para sua sobrevivência. Era preciso conhecer o ambiente para se proteger e aproveitar suas riquezas. Enfrentavam desafios onde a natureza era mais poderosa que os homens. Saltando os anos, as relações do homem com o ambiente foram se transformando. A urbanização trouxe uma mudança de percepção das pessoas onde a natureza passou a ser vista como algo separado e inferior à sociedade humana.

Visualize uma criança que nasceu e sempre viveu em situação confortável, numa grande cidade. Para ela, o abrigo está nas casas; os alimentos e outros produtos vitais para a sobrevivência vêm das lojas; a água lhe chega, já tratada, pelas torneiras; o lixo deve ser recolhido para ser levado aonde os olhos não vêm; água

usada vira esgoto que se vai por um cano para dentro do solo, e a maior parte do solo foi recoberto por asfalto ou cimento, evitando a ‘sujeira’. (BRASIL, 1998, 98).

Além dessa visão da natureza como algo distante, nem todas as pessoas que vivem nas cidades desfrutam dessa situação confortável da criança descrita acima. Segundo DIAS (2003), o atual modelo de desenvolvimento econômico insustentável aumenta as dificuldades no meio rural, fazendo com que as famílias migrem para as cidades. As cidades não comportam esse concentrado cada vez maior de habitantes, ocorrendo uma sobrecarga dos serviços públicos nas áreas de segurança, lazer, educação, saúde e proteção ambiental. Disso, decorre a poluição, o desemprego, a violência, o aumento de doenças, o estresse, fazendo com que haja perda da qualidade de vida. O mesmo autor expõe ainda a idéia de que o homem tem usado a natureza como um grande “supermercado” gratuito, com reposição infinita de estoque. Os recursos naturais são utilizados sem critérios e a produção gerada precisa ser consumida. O consumo desse “supermercado” gera a degradação ambiental afetando toda a vida no planeta. Esse modelo econômico insustentável favorece a desigualdade, onde alguns consomem demais e outros são excluídos. O sistema econômico lucra ao financiar a produção e posteriormente ao financiar programas de recuperação ambiental. A mídia ganha primeiramente ao incentivar o consumo dessa super produção e depois ao divulgar os desastres sócio-ambientais, como se uma coisa não estivesse relacionada a outra.

Tal modelo de desenvolvimento foi iniciado a partir da Revolução Industrial no final do século XVIII, gerando um significativo aumento no processo de destruição da natureza. Esse processo provocou, mais recentemente, a organização de uma parcela da sociedade em torno da conservação da natureza, moldando o movimento ambientalista. Na década de 1970, houve um fortalecimento dos movimentos em defesa do meio ambiente em todo mundo, o que culminou com a realização de encontros internacionais, intergovernamentais e interinstitucionais.

Desde meados do século XX os desastres ambientais vieram se tornando alarmantes, alvos de uma preocupação internacional. Um dos desastres de maior impacto ocorreu na Inglaterra, em 1952, em que a morte de 1.600 pessoas foi provocada pelo ar densamente poluído de Londres, desencadeando o processo de sensibilização sobre a qualidade ambiental do país. Outra grande catástrofe ocorreu em 1953, em que a cidade de Minamata, Japão, sofreu com as conseqüências da poluição industrial por mercúrio, onde milhares de pessoas tiveram problemas neurológicos e de mutações genéticas. Tais desastres provocaram discussões sobre as questões ambientais em vários países, fortalecendo o movimento

ambientalista nos Estados Unidos a partir da década de 1960. Neste país foi feita uma reforma do ensino de ciências, que introduziu a temática ambiental nas escolas, ainda que de forma reduzida à ecologia, sem relacionar às questões sociais, econômicas, culturais e políticas.

Nos decorrer da Guerra Fria os países líderes aumentavam a produção bélica, inclusive o armamento nuclear. Além disso, na busca por avanços tecnológicos as empresas readaptaram descobertas da Guerra para o uso civil, como por exemplo, o veneno DDT, que se mostrava, a priori, útil na agricultura. O uso do DDT contaminou os Grandes Lagos dos Estados Unidos, prejudicando a vida aquática e matando as aves que se alimentavam dos peixes que ali viviam. Provocou também a mutação dos insetos, que se tornaram resistentes ao produto, obrigando os agricultores a intensificar a aplicação. Este veneno teria efeito cumulativo no organismo dos animais, concentrando seu poder mortal. O DDT permanece ativo por muitas décadas no solo, com risco de contaminação de alimentos produzidos para a população humana. Atualmente, sua utilização está proibida.

Nesta época a mídia divulgava reportagens dramáticas a respeito dos crescentes níveis de poluição atmosférica, rios envenenados por despejos industriais, perda de cobertura vegetal da Terra ocasionando erosão, perda de fertilidade do solo, assoreamento dos rios, inundações e pressões crescentes sobre a biodiversidade. Em 1962, a jornalista americana Rachel Carson publicou o livro Primavera Silenciosa, que descrevia o imenso descuido e irresponsabilidade com que o setor produtivo degradava a natureza sem se preocupar com as conseqüências de suas ações. Este livro teve uma grande repercussão e provocou uma inquietação internacional.

Em 1968 foi criado o Clube de Roma, por um grupo de trinta especialistas de diversas áreas que tinha como objetivo promover a discussão atual e futura da crise ambiental, caso não houvesse modificações nos modelos de desenvolvimento adotados. Este grupo publicou em 1972, o relatório Os limites do crescimento que iniciava a busca de modelos de análise ambiental global e alertava a humanidade sobre a questão.

Um recente e importante acontecimento sobre as questões ambientais foi a realização do Protocolo de Kyoto. Tal tratado foi conseqüência de uma série de eventos que culminou com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança climática - CQNUMC, em 1992, Rio de Janeiro, Brasil. O acordo foi negociado em Kyoto, Japão, em 1997, aberto para assinaturas em março de 1998 e ratificado em 2005. O protocolo é um tratado internacional que objetiva combater a emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global. Nele está previsto que os países membros reduzam suas emissões de gases causadores do efeito estufa até 5% abaixo do nível registrado em 1990, no período de 2008 a 2012.

No total foram 172 países que assinaram e ratificaram o protocolo. Apenas 23 países não assinaram, entre eles se encontra os EUA, alegando que os compromissos exigidos pelo tratado afetariam a economia americana. Vale destacar que na década de 1990 os EUA eram responsáveis por 36,1% das emissões globais desses gases-estufa.

A partir de todo esse contexto que engloba desastres ecológicos e movimentos em defesa do meio ambiente, diversos eventos foram e estão sendo realizados no mundo todo para discutir as questões ambientais, como por exemplo, as conferências promovidas pela Organização das Nações Unidas - ONU.