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Çin Azınlıklar Sosyolojisinin Sorunları

2. BÖLÜM

6.2. Çin Azınlıklar Sosyolojisinin Sorunları

Uma das questões mais desafiadoras com que a crítica da cultura se defronta é a que se refere aos laços entre as memórias geradas pelos grupos sociais subalternos e a construção da História. Embora nos dias de hoje se possa distinguir nas reflexões acadêmicas e nas intervenções culturais de órgãos estatais ou não uma preocupação em fomentar ações culturais que suscitem a construção de uma memória social não-autoritária, muitas questões permanecem em aberto, desafiando suas práticas sociais. Um primeiro problema refere-se aos laços entre memória e história, pressupondo a solução de um enigma muito complicado: se a memória é fruto da ação social e política de grupos e indivíduos que possuem vivências e experiências particulares, em que bases se poderia falar de uma história nacional? Seria a História Nacional com letra maiúscula a soma das histórias particulares e das memórias dos muitos grupos sociais? Caso afirmativo, quem as sintetiza, hierarquiza e lhes empresta organicidade? Seria o estado a arena de resolução e harmonização de conflitos, possibilitando, assim, que os diferentes grupos sociais vivenciem diferentes memórias e histórias? Se assim é, em nome de quem fala o estado? Seria o estado capaz de proporcionar uma arena neutra de encontro entre os diferentes grupos de interesses, com suas memórias, histórias e agendas políticas específicas? Se não, qual as conseqüências disto?

especialmente daquela realizada pelos grupos sociais despossuídos, se dá, sobretudo, no âmbito do cotidiano. No entanto, o que é cotidiano? Em certa acepção, cotidiano, que aparece vinculado ao tradicional, aos processos de permanência e às identidades sociais culturalmente estáveis ou puras, vem sendo entendido como sinônimo de estabilidade, não-mudança. Mas, como se poderia falar de permanência em um mundo em constante mudança a não ser engessando aquilo que é mutável e provisório aos cânones do estável, tradicional e daquilo que, portanto, está morto? Como falar em identidades sociais puras ou não conspurcadas sem, ao mesmo tempo, esvaziá-las de sua dinâmica histórica sempre provisória, escravizando-as às nossas expectativas idealizadas? Quais são os mecanismos de construção de identidades sociais, étnicas e agendas políticas dos grupos subalternos? Não seriam estas identidades construídas a partir daquilo que estes grupos consideram interessar aos detentores do poder? Por outro lado, os intelectuais vêm sendo desafiados a textualizar as narrativas geradas pelas ações sociais dos grupos subalternos. Um dos maiores desafios com que se defrontam atualmente os historiadores e outros pesquisadores da área das ciências humanas é o de achar os caminhos corretos para escrever a história dos chamados excluídos. Trata-se de estabelecer os parâmetros teóricos e metodológicos por meio dos quais as narrativas que dispomos acerca destes grupos, escritas ou orais, podem se tornar meios de acesso para a textualização de vivências, modos de vida, mentalidades, idéias políticas de grupos aparentemente desprovidos de importância social. Um dos principais problemas a ser enfrentado nesta tarefa refere-se ao fato de que estes grupos sociais, por serem socialmente despossuídos, ao invés de produzirem

versões próprias, foram e continuam sendo descritos e catalogados em documentos e narrativas produzidas por agentes socialmente comprometidos com a visão do estado, forjando versões viciadas por preconceitos, determinismos raciais e sociais. No entanto, a tarefa requer grande cuidado crítico para que em sua busca de estabelecer uma nova verdade social sobre estes grupos, o próprio intelectual ou agente cultural não se coloque no espaço de poder antes ocupado pelas forças da dominação social.

Hoje, num universo teórico em que os “povos sem-história” e as minorias foram trazidos à cena, e os grupos afro-descendentes, indígenas, mulheres e outros grupos sociais subalternos clamam pelo direito de fazer a própria história, os intelectuais se esforçam para achar o caminho, senão correto, menos danoso, para textualizar estas histórias, tarefa que nos torna vulneráveis a todos os perigos, e no qual nossas melhores intenções podem tornar-se nossas piores inimigas. ‘ Como notou Mary Pratt, em Os olhos do Império(1999) crítica literária combativa, seria necessário antes de tudo, estabelecer um contexto dialógico entre estas diferentes textualidades – a nossa, letrada e a deles, oral, dominada - num território no qual os intelectuais momentaneamente abrissem mão de seu lugar de autoridade. Ao mesmo tempo, este intelectual teria que se manter alerta para a intrusão de dimensões idealizadas, que colocam no discurso dos grupos socialmente iletrados ou desprovidos do controle dos registros escritos, uma exigência de pureza e originalidade, no fim das contas mostrando sua incapacidade de abdicar do controle sobre o outro.

universais se mostraram grandiosas ou autoritárias demais para dar conta dos desafios teóricos e expectativas sociais provenientes da ascensão de movimentos políticos fragmentados e suas agendas particularizadas, nos vemos obrigados a repensar na cultura a partir de enfoques menos abrangentes, em abordagens que incluam o não-normativo, o informal e o provisório e, sobretudo, nos conscientizarmos do caráter parcial, não-sintetizável e não-harmônico das ações culturais. Ao enfocar alguns dos desafios que hoje se defrontam intelectuais e agentes culturais que pretendem trabalhar com grupos populares, minha intervenção tem como objetivo enfatizar a importância da adoção de conceitos menos globais e plataformas de ação social menos idealizadas na construção de narrativas sociais híbridas e mais democráticas.

As produções narrativas contemporâneas indiciam, pelo seu caráter heterogêneo e pela apropriação de diferentes linguagens e elementos culturais, nossa inserção num momento histórico marcado pela multiplicidade, que se faz presente não apenas nas manifestações literárias, mas em todas as instituições culturais e sociais. Tal situação tem gerado o apagamento das fronteiras que limitavam os modelos literários canônicos, as linguagens e os referentes, os quais não podem mais ser considerados exclusivos de determinado campo, sendo necessário, para a abordagem dessas produções, o auxílio de categorias pertencentes a diferentes áreas de estudo.

Algumas dessas narrativas mantêm-se fiéis aos postulados modernos, outras se incutiram no nebuloso universo da pós-modernidade, pois já não respondem aos ideais de emancipação do homem por meio do conhecimento e não vislumbram o progresso como meio e fim da

ação humana. Junto a isso, tem-se observado que modelos tradicionalmente ficcionais são contaminados por recursos documentais, provocando uma série de indagações críticas sobre as possíveis motivações do emprego de dados históricos, políticos e sociais na construção da narrativa.

Blanka Vavakova (1988: 107) considera que essa nova situação, provocada pelas mudanças da suposta passagem da modernidade para a pós-modernidade, teria por conseqüência a emergência de narrativas provenientes de grupos subalternos, por meio das quais apresentam sua versão da história, “são as lutas de libertação nos países colonizados, os movimentos nacionalitários, os das mulheres e das minorias culturais que testemunharam, uns atrás dos outros, da existência das suas histórias particulares”.

Dentre essas narrativas, o gênero testimonio destaca-se, conforme Mabel Moraña (1995), pela comunicação de conteúdos e de problemáticas coletivas, fundamentalmente das classes subalternas, as quais sofrem constantemente com a exclusão cultural, social e histórica. Por ser uma forma narrativa de produção contemporânea, já estabelece indefinições sobre sua natureza, as quais são intensificadas no momento em que folheamos a primeira página do livro, e vislumbramos que o protocolo nos informa ser uma narrativa que tem a pretensão de apresentar fatos “reais”, partindo do olhar de um sujeito, muitas vezes, marginalizado.

por parte dos sujeitos periféricos, além de responder à situação favorável gerada pelas mudanças culturais, é resultado de muitas lutas e de reivindicações, pois, segundo Hugo Achugar, o espaço na escrita representa o poder de mostrar a sua versão da história e de questionar as imposições, a situação social, política e cultural, sendo, por isso,

un espacio discursivo donde se representa la lucha por el poder de aquellos sujetos sociales que cuestionan la hegemonía discursiva no de los letrados en si, sino de los sectores sociales e ideológicos dominantes y detentadores del poder económico, político, cultural y social que han controlado históricamente la ciudad letrada, (1992:41). É uma tentativa de recuperar, mostrar e denunciar episódios que marcaram a história e a vida dos sujeitos envolvidos, principalmente os subalternos, estruturados a partir de sua perspectiva, possibilitando o conhecimento da versão da história de quem não teve voz junto à oficial.

O declarado envolvimento do sujeito com a situação social, cultural e histórica, associado à preocupação com o aspecto documental da narrativa, resulta insuficiente para abordá-la apenas sob o aspecto literário, gerando a necessidade de incorporar categorias da história, sociologia, antropologia, psicanálise, convergindo, assim, diferentes áreas de estudo sobre um mesmo objeto, a fim de auxiliar na aproximação crítica , já que o testimonio literário parece ser produto da hibridez de elementos narrativos heterogêneos. Mabel Moraña, salienta esse aspecto, definindo o gênero como

entrecruzamiento de narrativa e historia, la alianza de ficción y realidad, la voluntad, en fin, de canalizar una denuncia, dar a conocer

o mantener viva la memoria de hechos significativos, protagonizados en general por actores sociales pertenecientes a sectores subalternos, (1995:488).

O referido entrecruzamento existente na narrativa testemunhal ocasiona confrontos críticos, principalmente quando se tenta definir o gênero, pois cada intelectual parece ressaltar um determinado aspecto como fundamental para o testimonio. Marc Zimmerman (2004), reforça o aspecto da verdade dos eventos históricos, contudo, não espera que o testemunhante apresente os fatos tal qual como ocorreram, mas uma das várias versões referentes àquele evento. Conforme Zimmerman, “ellos son siempre imparciales; ellos nos dan ciertas dimensiones de la verdad, siempre a expensas de otros. Cada suceso historico envuelve múltiples perspectivas, múltiples posiciones supeditadas”. Muitos críticos, assim como Zimmerman, consideram que a possível infidelidade à “verdade” não interfere na manutenção do compromisso documental, já que o testemunho se caracteriza pela possibilidade de conhecer uma versão, e não uma verdade definitiva.

Com o fim de poder defini-lo e compreender a origem de suas problemáticas, faz-se necessário traçar a trajetória do gênero, o que vai se dar num contexto turbulento, marcado pela emergência de ações revolucionárias, movimentos políticos e sociais. Parte daí o sentido de o gênero aparentemente visar a representação de lutas protagonizadas geralmente por sujeitos das classes médias e populares e da necessidade destes posicionarem-se contra a situação vivida. Desenvolveu-se primeiramente em Cuba devido ao triunfo da Revolução Cubana, quando começam a emergir narrativas relacionadas ao envolvimento de sujeitos

subalternos nesse movimento. Sua consolidação enquanto gênero literário independente ocorre em 1970, quando a instituição cubana Casa de las Américas inclui essa categoria no concurso literário promovido com o fim de premiar categorias canonizadas como o romance, conto, biografia, incentivando a produção do testimonio.

No mundo hispano-americano, portanto, o testimonio encontrou terreno fértil para seu desenvolvimento, o que não ocorreu de igual maneira no contexto brasileiro, no qual foi incorporado só recentemente sob o termo testemunho, sem que ainda exista uma visão muito clara de quais obras o concretizariam e como poderia ser definido criticamente. Destacam-se principalmente os estudos de Márcio Seligmann-Silva, cuja abordagem parte da perspectiva do testemunho europeu, sobretudo o que está ligado aos relatos dos terrores dos campos de concentração. A fim de justificar seu posicionamento, ele estabelece algumas diferenças entre as particularidades do testemunho latino-americano e do europeu.

A dissonância estaria presente já no uso dos termos: o testimonio refere-se ao relato latino- americano e zeugnis ao alemão. Segundo ele, em razão da carga semântica que possuem, o testimonio parte de experiências históricas de ditadura, exploração, repressão, procurando destacar o aspecto exemplar dessas vidas, a fim de mostrar a contra-história, um ponto de vista divergente, apresentado por um sujeito que representaria um grupo social. Seligmann- Silva (2002) salienta que o testimonio acaba tornando-se anti-estetizante por sua preocupação excessiva com o valor documental. E, ainda, assinala como principais elementos de sua natureza a presença, em alguns casos, de um mediador letrado, de marcas da oralidade, do

caráter exemplar, não-fictício, elementos que reivindicam a autenticidade e veracidade daquele discurso.

O termo zeugnis, por sua vez, é atribuído ao relato que parte das questões da memória , apoiando-se, para isso, em estudos de psicanálise, teoria da história e da memória . Destaca-se a questão das marcas profundas deixadas pela catástrofe e o forte trauma sofrido por um sujeito que testemunha situações singulares. Nesse discurso perpassa a literalização e a fragmentação, sendo que o depoimento teria a intenção de reunir os fragmentos para dar-lhes nexos, enfatizando a subjetividade do depoente.

Seligmann-Silva, em Zeugnis e Testimonio(2001) estabelece diferenças entre os dois tipos de relato, entretanto, a questão parece ser, na verdade, uma diferença de perspectivas e referenciais teóricos a partir dos quais se realizam suas respectivas abordagens. Ambos necessitam da ativação da memória, porque remetem a um momento histórico determinado, vivido por um sujeito empírico que reconstitui o passado a fim de apresentar sua versão, procurando conferir um caráter documental à narrativa.

A aproximação partirá de questões relacionadas ao fato de ser um gênero narrativo que carrega em si o caráter de um outro olhar sobre um fato histórico: o do subalterno . É, assim, um espaço para a voz de grupos que viveram e presenciaram acontecimentos na posição de vencidos/ vítimas e que, dessa maneira, estabelecem uma conflituosa relação com o mundo hegemônico.

apresenta, resulta imprescindível fazer um levantamento dos principais aspectos que estimulam as discussões entre os críticos, a começar pelo processo de produção. Neste caso, deve-se considerar o lugar subalterno que, em muitos casos, o depoente ocupa na sociedade, portanto, distante da cultura hegemônica, alicerçada principalmente no domínio da escrita. Então, como esse sujeito apodera-se dessa ferramenta que não faz parte da cultura de seu grupo? Para se chegar a alguma resposta é necessário considerar cada produção testemunhal a partir de suas particularidades. Algumas apresentam a figura de um mediador letrado, o qual orienta a elaboração do relato e, por pertencer a outra esfera cultural, serve como instrumento de validação da obra. Mas também há testemunhos sem o mediador, nos quais esse sujeito tem um certo domínio da escrita e, portanto, tem autonomia para circular, mesmo que timidamente, pelos espaços hegemônicos, passou a ter condições de responder pela sua escrita.

A mediação de um letrado, quando presente, parece servir como processo que possibilita a regularização do testemunho literário para sua circulação como narrativa subalterna normatizada pelo registro escrito, já que este supostamente domina o código hegemônico da escrita, fazendo com que, dessa maneira, a obra assuma outra posição diante do cenário intelectual, pois conforme Roxanne Rimstead (2000), a escrita faz parte de um universo privilegiado, o hegemônico. Mesmo em testemunhos sem mediador, é comum alguma nota ou introdução realizada por uma autoridade letrada, o que reforça a validade daquele discurso frente ao leitor habituado com a produção literária considerada hegemônica.

Por suas condições, o processo de mediação coloca várias indagações, dentre elas a que diz respeito ao tipo de relação estabelecida entre o letrado, pertencente ao campo hegemônico, e o testemunhante, ou subalterno. De que forma isso se apresenta no testemunho e qual seria o interesse em narrativas provenientes da periferia? O que representa a mediação de um relato de origem subalterna realizada por um sujeito pertencente à esfera letrada? Um possível viés de resposta nos coloca diante da relação entre as categorias de hegemonia e subalternidade formuladas por Gramsci. Rimstead refere-se ao ato de um letrado transcrever uma história oral para o domínio da escrita como indício de uma relação que pode estar permeada por um acordo político e social.

Nessa relação, cabe ao mediador formalizar a obra, procurando preservar o discurso para que não perca as marcas lingüísticas que identificam o enunciador, podendo, ainda, intervir em vários momentos do testemunho, como na transcrição, seleção, ordem e no direcionamento dos depoimentos. Há, ainda, a exigência de o subalterno obedecer à lógica imposta pela cultura hegemônica, que de certa forma interfere na estratégia discursiva, já que para esse discurso circular e ser aceito no espaço hegemônico é necessário que se adapte as suas normas e convenções.

Por outro lado, a transformação do discurso oral em escrito evidencia a tentativa de adequação ao discurso hegemônico. Por meio da escrita o subalterno procura integrar-se ao espaço que historicamente não lhe pertence, utilizando, para isso, os recursos do meio no qual procura inserir-se. Posiciona-se, a partir de então, reforçando sua relutância à condição de

excluído, ignorado, demarcando sua identidade frente à cultura dominante. Entretanto, mesmo com a aceitação do depoimento, este não têm poder para mudar sua condição histórico- político-social de subalterno, nem é capaz de apagar as injustiças e violências sociais que sofre/ sofreu. Frente à história, sua posição permanece a mesma.

Além disso, a mediação, quando presente, pode produzir um efeito de ambigüidade autoral, pois se trata de um elemento diferencial, porque nesta modalidade narrativa parece não haver um autor propriamente dito, como ocorre nas obras canônicas. Isso gera ambigüidade, tendo por resultado uma certa dúvida sobre qual seria a entidade de maior autoridade no livro. A partir do momento em que o letrado interfere no discurso do subalterno, o discurso permanece sendo considerado de autoria deste, ou passa a ser do outro? Trata-se de um dos problemas mais discutidos pela crítica.

Ao subalterno é atribuído o papel de fonte da matéria narrada, que o mediador organiza de acordo com as exigências da escrita, apoderando-se do discurso alheio para fazê-lo circular como literatura de sua autoria, o que fica evidente quando se verificam os dados bibliográficos de certos testemunhos, nos quais o nome do mediador consta como se este fosse o autor. Já no caso de o mediador não estar presente, a autoria fica a cargo do testemunhante: autor e narrador do relato. Essa condição parece dar maior liberdade na seleção e elaboração da narrativa, o que também pode gerar, por sua vez, uma maior distorção dos fatos, pois não há quem oriente no processo de formulação do relato.

hegemonia e subalternidade, fundamental para a compreensão do processo de produção e circulação do testemunho. Ao centrarmos nossa aproximação na elaboração do relato, confrontamo-nos com outro problema referente à memória que, associada à subjetividade, é assinalada como um dos principais fatores responsáveis pela ficcionalização dos acontecimentos por parte do narrador.

A ficcionalização responderia aparentemente a duas motivações: por um lado, à tentativa de o depoente interceder pelo grupo do qual fez/faz parte, o que teria como conseqüência a construção de uma imagem por vezes idealizada ou distorcida do que se relata, e por outro, à carga subjetiva com que esse gênero trabalha, pois o depoente, quase sempre, além de ter vivido aqueles episódios, sofreu diretamente suas conseqüências. Logo, em ambas situações há um intenso envolvimento emocional que torna o relato mais pessoal, e dramático, em oposição às intenções da história, que tenta distanciar-se para ter uma versão próxima à imparcialidade ou uma que esteja de acordo com as ideologias e interesses dos grupos hegemônicos.

Parece inviável ao testemunhante expressar e organizar fielmente numa narrativa os eventos que viveu, levando-se em conta que a emoção e o abalo são fatores de interferência e que talvez bloqueiem ou alterem a rememoração. Além disso, a memória é o dispositivo