• Sonuç bulunamadı

V.Çelebi’nin Asıl Tercümesi ile A. Gölpınarlı’nın Gözden Geçirdiği

2. MEVLÂNÂ’NIN ESERLERİ

2.6. MESNEVÎ’NİN GİRİŞ KISMI VE İLK HİKÂYESİNİN

2.6.1. V.Çelebi’nin Asıl Tercümesi ile A. Gölpınarlı’nın Gözden Geçirdiği

O surgimento das primeiras cooperativas no Brasil foi impulsionado pela equalização de interesses de grandes produtores agrícolas para obter vantagens coletivas. As primeiras cooperativas surgiram no final do século XIX e início do século XX, fundadas por fazendeiros e usineiros, que se associavam para facilitar a aquisição de insumos para a própria produção10.

Segundo Culti (2006, p.35), o cooperativismo brasileiro, em sua gênese

[...] surgiu na última década do século XIX como uma promoção das elites econômicas e políticas. Não foi, portanto, um movimento originado na classe trabalhadora, a exemplo das economias européias, mas imposto de cima, por meio da importação de formas cooperativas externas, as quais foram adequadas aos interesses das elites políticas e econômicas, em especial, a agrária. [...]. Não se tratava de um movimento social de conquista dos trabalhadores ou de construção de uma fórmula associativa, mas de uma política de controle social e de intervenção estatal.

A partir da década de 1930, com a necessidade de diversificação da produção agrícola após a crise da economia cafeeira, as experiências até então incipientes das cooperativas despertaram o interesse do governo do Estado Novo (1937-1949) pelo cooperativismo, que foi incluído na agenda da política agrícola de estímulo da policultura para abastecer um mercado interno em ascensão. Entretanto, conforme colocam Benetti (1985) e Duarte (1986), apesar de o governo fomentar o cooperativismo como instrumento de geração de renda e de manutenção de uma aparente harmonia social, em nenhum momento aventou-se o desmonte da estrutura latifundiária pela via da reforma agrária com a distribuição de terras aos trabalhadores do

10 Em 1887 foi fundada a Cooperativa de Consumo dos Empregados da Companhia Paulista, em Campinas-SP,

seguida pela fundação da Associação Cooperativa dos Empregados da Companhia Telefônica, em 1891, na cidade de Limeira-SP, e da Cooperativa de Consumo de Camaragibe, no estado de Pernambuco, em 1894. Em 1902 surgiram as primeiras experiências das caixas rurais, no Rio Grande do Sul e, em 1907, foram criadas as primeiras cooperativas agropecuárias em Minas Gerais. (CULTI, 2006).

33 campo, ou seja, o Estado utilizou o cooperativismo para viabilizar o novo padrão de acumulação de capital no setor primário. Para Cruzio (1994), a relação do Estado com as cooperativas seria uma relação marcada também pelo dualismo, alternando momentos de incentivo com momentos de abandono do movimento cooperativista, ora favorecendo os trabalhadores agrícolas, incentivando a maior participação dos associados, ora retirando totalmente o apoio, voltando a fomentar a produção primária para atender às metas da economia pré-definidas, com interferência operacional no funcionamento das cooperativas.

Ao longo das décadas de 1940 a 1980, as cooperativas se direcionaram para a modernização de suas atividades e elevação do valor agregado de sua produção, adentrando no setor de commodities voltadas para o mercado externo. Esta modernização exigia aportes financeiros, advindos do Banco Nacional de Crédito Cooperativo - BNCC 11- que direcionava

suas linhas de crédito para aquisição de maquinário especialmente pelas grandes cooperativas agrícolas, aumentando a dependência dos pequenos produtores junto às grandes cooperativas, ao Estado e às empresas multinacionais produtoras de implementos agrícolas (FLEURY, M.T.L. 1980; DUARTE, 1986).

No final da década de 1960, o Estado sob regime militar elevou a intervenção junto às cooperativas com a criação, em 1969, da Organização das Cooperativas do Brasil – OCB - e com a promulgação da Lei 5.764 em dezembro de 1971, que normatiza a atividade cooperativa (BRASIL, 2006). A obrigatoriedade de filiação das cooperativas à OCB e a regulação legal esvaziaram a formação de cooperativa a partir da demanda pela base social, acarretando a diminuição das cooperativas autorizadas a funcionar12. A maior ingerência

sobre o funcionamento das cooperativas se refletiu na centralização ainda maior dos créditos e incentivos nas mãos das grandes cooperativas, inibindo a formação de empreendimentos oriundos de movimentos dos trabalhadores e pequenos produtores, que se viam obrigados a se associarem às grandes cooperativas para ter acesso ao crédito, tendo em contrapartida de transacionar com elas sua produção. Nas palavras de Duarte, (1986, p.61),

[...] o produtor, no momento em que se associa a uma cooperativa em que predominam os interesses empresariais e cujas atividades supõem a

11 A Lei nº 1.412, de 13 de agosto de 1951, transformou a Caixa de Crédito Cooperativo no Banco Nacional de Crédito Cooperativo, com objetivo de promover assistência e amparo às cooperativas. Em 21 de março de 1990, foi editado o Decreto nº 99.192, dissolvendo o banco e fazendo-o entrar no regime de liquidação. Em maio de 1994, os acionistas do BNCC deliberaram o encerramento da liquidação e a extinção da sociedade (PINHEIRO, 2006).

12 Em 1960, o número de cooperativas registradas era de 4627. Já em 1972, o número era de 2637 (INCRA, 1973)

34

especialização produtiva dos sócios, deixa de ter autonomia sobre o que e como produzir, semelhante ao que se dá a nível dos contratos estabelecidos entre empresas capitalistas e produtores.

Com a promulgação da Constituição de 1988, a fundação das cooperativas passou a independer da autorização oficial e a interferência do Estado em sua gestão se reduziu. A maior autonomia das cooperativas frente ao Estado resultou na perda dos incentivos gerais aos empreendimentos e a retirada da tutela oficial representou a necessidade de maior racionalização na gestão das cooperativas, que aderiram aos preceitos da eficiência econômica.

A partir de 1988, a postura das grandes cooperativas, tidas como tradicionais, apontou para a burocratização da administração e tecnicização da gestão da produção e do trabalho, aprofundando o distanciamento dos associados no tocante à gestão, decisão e utilização dos bens e serviços da cooperativa. O poder sobre o empreendimento se concentrou paulatinamente nas mãos dos grandes produtores individuais, que dominaram os conselhos deliberativos e a presidência das cooperativas, relegando aos sócios menos capitalizados poder residual e participação com certo grau de auto-exclusão. A democracia se enfraqueceu com a baixa assiduidade dos sócios nas Assembleias Gerais e com a prática do ‘assembleísmo’13. Verificou-se a tendência de o sistema confundir-se cada vez mais com a lógica e a racionalidade da empresa capitalista, levando o pequeno produtor associado à condição de mero cliente dos serviços da cooperativa (CRUZIO, 1994).

Em razão das mudanças na perspectiva de gestão das cooperativas no Brasil, após 1988 diversos projetos de lei foram propostos pelo Congresso Nacional com objetivo de alterar a Lei 5794/71, formatando outra arquitetura legal ou mesmo suprimindo uma legislação específica para as cooperativas, buscando com isso permitir que as cooperativas adquirissem maior autonomia para redesenhar sua estrutura, adequando-se à gestão das cooperativas de outros países e à dinâmica do mercado globalizado (ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS DO BRASIL, 2010).

13O assembleísmo se verifica quando uma parcela dos associados, munidos de pouca ou nenhuma informação

35

1.3 O cooperativismo contemporâneo: as Cooperativas Tradicionais e as Cooperativas