2.POSTMODERNİZM ÖNCESİ SANAT VE BAĞLAMINDA HEYKEL
4. POSTMODERN HEYKEL SANATINDA MEKÂN VE MALZEME ANLAYIŞ
4.1 Mekanın Tanımı
4.1.2 Çağdaş Sanat ve Boşluk Kavramı
Além dos parâmetros mais objetivos para identificação do significado e das expectativas de moradia presentes nos beneficiários até aqui abordados, outros elementos também foram tomados para análise. Como por exemplo, o lugar onde foi/ será construída a casa. A relevância dessa questão pode ser observada nos dizeres de Camargo (2010, p.55):
Seja uma ou outra a forma como olhemos para a casa como localidade física inserida no mundo em que habitamos, ela tanto deverá ser o refúgio de que precisamos para viver nossa vida física e interior em paz e segurança, como também o lugar através do qual estabelecemos vínculos e meios de atuarmos nesse mundo.
Da mesma forma, esta localidade física, que é a casa, também se encontra inserida num município, num bairro ou em qualquer outra região. Ao mesmo tempo em que atua como refúgio, abre possibilidades para a firmação de vínculos que somente ocorrem em um ambiente de harmonização entre os moradores.
Esta firmação de vínculos possibilita a caracterização do “lugar” que
(...) constitui-se como uma paisagem cultural, campo da materialização das experiências vividas que ligam o homem ao mundo e às pessoas, e que despertam os sentimentos de identidade e de pertencimento no indivíduo. É, portanto, fruto da construção de um elo afetivo entre o sujeito e o ambiente em que vive. (MOREIRA,2008)
Ao serem questionados acerca do lugar onde foi/será construída a casa, 100% dos beneficiários disseram já conhecer e habitar o lugar há muito tempo. Portanto, já existia um sentimento de identidade com este local, conforme revelam as falas que seguem:
Ah muitos anos...desde que eu casei uai...eu to morando aqui neste lugar...e tem muitos anos, sabe que eu nem sei a idade que tem...pela idade do filho mais velho meu...é a idade dele mesmo...uns 57 por aí a fora né...éh, 57 anos...ih nunca saí daqui não. (Entrevista 7, Guiricema)
Desde quando eu casei que eu vim pra cá, tem 31 anos... (Entrevista 11, Guiricema)
Moro aqui desde que nasci. (Entrevista 9, São Miguel do Anta)
O significado de lugar para essas famílias ficou mais explícito ao se verificar qual o responsável pela propriedade: 41,8% responderam que o local onde foi/será
construída a casa, é propriedade própria, enquanto 27,3% responderam que é propriedade dos pais (Tabela 11).
TABELA 11 – Propriedade onde foi/será construída a casa. Guiricema e São Miguel do
Anta, 2013.
Proprietário %
Do entrevistado 41,8
Do sogro do entrevistado 9,1
Dos pais do entrevistado 27,3
Do marido da entrevistada 5,5
Do rapaz que fez a doação do terreno para a família 1,8
Dos avós do entrevistado 1,8
Não respondeu 12,7
Fonte: Dados da Pesquisa.
As falas abaixo especificadas mostram essa identidade com o lugar, onde foi/ será construída a Unidade Habitacional:
É aqui nesse terreno aqui óh, é terrreno meu. (Entrevista 30, São Miguel do Anta)
Conheço. É um pouco alí na frente. É propriedade do meu pai...é aqui perto, no terreiro da sala alí...2 metros...é aqui dentro. (Entrevista 16, São Miguel do Anta)
Outra questão que favoreceu o diagnóstico da satisfação do beneficiário foi buscar compreender se este pretende que aquele ambiente seja permanente ou provisório. Ao serem questionados sobre esta questão, as respostas foram unânimes: 100% responderam que pretendem permanecer na casa definitivamente, conforme indicam as falas seguintes:
Eu pretendo sim, porque eu num quero criar meu filho em cidade grande sabe?! Eu quero criar meu filho na roça.(Entrevista 4, São Miguel do Anta) Agora pensamento de ir embora eu num tenho não né, já acostumei na roça, aí num tem jeito de sair. (Entrevista 13, São Miguel do Anta)
Ah permaneço...num quero ir pra cidade não, num volto pra cidade não..vai ser o fim da minha vida em nome de Jesus. Vou descansar, eu quero a casinha limpinha, que eu já sou de mais idade, pra mim limpar né...ter mais conforto pros meus irmãos...(...) (Entrevista 21, São Miguel do Anta)
Nunca saí daqui...fazer o quê? vou ficar aqui mesmo né,rs... (Entrevista 14, Guiricema)
Nas falas é possível perceber que, além da casa, o “lugar” tem total influência na decisão de permanecer ou não na morada. O fato dos entrevistados optarem por continuar no meio rural indica que neste ambiente encontram uma identidade cultural, ou seja, um sentimento de re-conhecimento e pertencimento aos processos culturais locais.
Cândido (1982) diria que essa identidade cultural está associada à sociabilidade caipira, que se estrutura fundamentalmente pelo “(...) agrupamento de algumas ou muitas famílias, mais ou menos vinculadas pelo sentimento de localidade, pela convivência, pelas práticas de auxílio mútuo e pelas atividades lúdico- religiosas”(CÂNDIDO, 1982, p.62).
Com relação à proximidade de parentes à casa do beneficiário, foi verificado que 89% possuem parentes na região. Essa relação de parentesco é tão necessária, que Camargo (2010, p. 162) declara que “(...)muitas vezes o lugar são as próprias pessoas com quem convivemos”; e, assim, o lugar e as coisas perdem seu significado, sem a presença de determinadas pessoas. Ao serem questionados se tinham parentes próximos à casa, alguns entrevistados responderam:
Tem meus irmãos...sobrinhos né..e meus pais estão aqui, por isso que eu vou fazer alí porque é perto deles né...se eu for fazer uma casa na rua fica longe pra cuidar deles né...(...) (Entrevista 21, São Miguel do Anta)
Tem, tem uma irmã minha que mora alí...e aqueles alí são meus parentes, primos, tios. (Entrevista 22, Guiricema)
Foi observada durante o trabalho de campo, uma relação de solidariedade de parentesco, fortalecida pelas visitas de lazer e pela prática do auxílio mútuo.
Já ao serem questionados se possuem amigos próximos, 100% dos entrevistados responderam que sim. Assim, adentra-se neste universo: o da amizade, uma relação de reciprocidade que se afirma fora da família e implica um espaço de liberdade (AYMARD, 1991).
Tenho, meus vizinhos tudo são meus amigos, eu gosto muito dos meus vizinhos, graças à Deus. (Entrevista 21, São Miguel do Anta)
Demais,rs...o que mais tenho,rs.(Entrevista 14, Guiricema)
Essa amizade possibilita a formação de uma teia de relações pessoais que sustenta a esperança nos encontros onde se pode celebrar a relação pela relação (DAMATTA, 1997). Um exemplo dessa relação pela relação é a necessidade de ajuda que surge em meio às diversas atividades agrícolas, determina “(...) a formação de uma
rede de relações, ligando uns aos outros os habitantes do grupo de vizinhança e contribuindo para a sua unidade estrutural e funcional” (CÂNDIDO, 1982, p.68).