YIL 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Amerika 3820 3740 4020 3820 4070 3760 3970 3970 3770 4550 4710
4. DENEYSEL SONUÇLAR VE SONUÇLARIN DEĞERLENDĠRĠLMESĠ
4.3 ZenginleĢtirilmiĢ Bentonit Numunesinin Tane Boyut Dağılımı
Lugar de Memória é entendido como o lugar onde a memória se cristaliza e se esconde. O tema foi criado pelo historiador francês Pierre Nora em sua obra “Les Lieux de Mémoire”, publicada pela primeira vez em 1984.
Nosso interesse nos lieux de mémoire [...] ocorreu num momento histórico determinado, um momento de mudança onde a consciência de uma ruptura com o passado está ligada ao sentimento de que a memória sofreu uma torção, de modo a expor o problema da corporificação da memória em certos locais onde um sentido de continuidade histórica permanece. Há lieux de mémoire, lugares de memória, porque não há mais milieux de mémoire, contextos reais da memória. (NORA, 1993, p.1, grifo do autor)
Segundo Nora (1993), não haveria a necessidade de lugares de memória se o indivíduo fosse capaz de viver na memória, porque com o surgimento do vestígio, da mediação e da distância esse indivíduo está no curso da história e não mais na verdadeira memória. Esta é a vida, vivenciada pelas sociedades vivas e está sempre em evolução, vulnerável a manipulações. Ainda segundo Nora (1993, p. 3), “a história é a reconstrução, sempre problemática e incompleta, daquilo que não existe mais”.
Os lugares de memória são vestígios do passado que aparecem em consequência da desritualização do mundo. “Eles se originam da ideia de que não há mais memória espontânea [...] as atividades não ocorrem mais naturalmente” (NORA, 1993, p.7). O que produz os lugares de memória são os momentos da história retirados do movimento da história. A memória, hoje, é principalmente arquivística, pois se encontra nos vestígios, na rapidez do registro, na imagem visível. Portanto,
mesmo que a memória tradicional tenha desaparecido, nos sentimos obrigados a assiduamente coletar lembranças, testemunhos, documentos, imagens, discursos, quaisquer sinais visíveis do que aconteceu [...] Torna-se impossível prever o que deverá ser lembrado – e, portanto a tendência a evitar destruir qualquer coisa leva ao esforço correspondente de todas as instituições de memória. (NORA, 1993, p. 9)
Em alguns momentos, surgem as pessoas que tomam para si a responsabilidade de recapturar a memória, por meios individuais, quando ela não estiver mais presente em todo lugar. São os chamados indivíduos-memória.
Os lieux de mémoire são simples e ambíguos, naturais e artificiais, de uma só vez imediatamente disponíveis à experiência sensual concreta e suscetíveis a mais abstrata elaboração. Sem dúvida, eles são lieux nos três sentidos da palavra – material, simbólica e funcional [...] Os lieux de mémoire são criados por um jogo de memória e história, uma interação de dois fatores que resulta em sua recíproca sobredeterminação. Para começar, tem que haver uma vontade de lembrar. Se abandonamos este critério, rapidamente seríamos levados a admitir que virtualmente tudo vale a pena de ser lembrado. (NORA, 1993, p.15-16)
Os lugares são híbridos, mistos, unidos à morte, à vida, ao tempo e à eternidade. Os lugares de memória existem por conta da capacidade de metamorfose, de uma mudança do
significado e uma proliferação das ramificações. Para Santos (2003, p.91), “podemos compreender que lugares de memória, como monumentos e construções arquitetônicas, são representações coletivas que influem e determinam ações coletivas”.
Os quarteirões e as casas, nas cidades, têm um lugar fixo e o grupo urbano não percebe mudanças enquanto o aspecto de ruas e edifícios continua igual. As obras públicas e os novos traçados das ruas transformam a paisagem e acarretam um deslocamento do centro urbano, do centro de vivência do indivíduo. Dessa forma, se explica que, de prédios demolidos e de antigos traçados, restam alguns vestígios materiais, nem que seja uma tabuleta, o nome da rua ou lugar (HALBWACHS, 2004).
Segundo Gastal (2002, p.75), “o lugar é dinâmico, receptáculo de construção/destruição na tensão entre o regional e o globalizado, mas, principalmente, surge na ação humana e na acumulação de memórias”. Para a autora, há quatro referenciais para os lugares de memória: valores cognitivos, valores formais, valores afetivos e valores pragmáticos. O valor cognitivo diz respeito ao acúmulo concreto de informação sobre os saberes da comunidade e esse acúmulo pode não possuir registros formais. O valor formal são as propriedades materiais que colaboram na construção do valor estético. Os valores afetivos favorecem a consolidação do sentimento de pertencimento; é o gostar de ver, estar, conviver. O valor pragmático, também chamado valor de uso, é o lugar de memória sendo utilizado (GASTAL, 2002).
Monastirsky (2009) entende que
para determinação de um lugar de memória, Nora (1993) aponta para a necessidade de se manter a intenção de que o lugar seja um lugar de memória. A razão fundamental de ser de um lugar de memória é poder parar o tempo, bloquear o trabalho do esquecimento, fixar um estado de coisas, imortalizar a morte, materializar o material, prender o máximo de sentido num mínimo de sinais [...] O lugar de memória possui uma representatividade própria, identidade única. É fechado em si mesmo, mas aberto às descobertas de suas significações. (MONASTIRSKY, 2009, p.329)
O Lugar de Memória, por possuir características próprias, pode ser um bom argumento para a definição de alguns atrativos e contribuir para o desenvolvimento do turismo de uma localidade. Levando-se em consideração os quatro valores (cognitivos, formais, afetivos e pragmáticos) e o fato de o Lugar de Memória estar presente em vestígios do passado, podem- se pensar os museus e igrejas, enquanto edificações e espaços de convivência, como um local onde a memória estará presente.
Para um melhor entendimento dessas relações adiante, faz-se necessária uma explanação sobre patrimônio, conceito intrínseco ao estudo do turismo e também da memória, e também uma breve apresentação sobre museus e igrejas, corpus da pesquisa desse trabalho.