YIL 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Amerika 3820 3740 4020 3820 4070 3760 3970 3970 3770 4550 4710
2- Organofilik organobentonitler: Uzun zincirli alkil gruplarına sahip organik katyon içeren organo bentonitlerdir (12 karbon ve üzerinde karbon içeren zincirler).
2.5.1 Solvent Bazlı Bentonit
A Memória funciona como um suporte para a busca de lembranças dos lugares, uma vez que tem como função movimentar o tempo e organizar o passado. A preocupação fundamental não é estabelecer cronologicamente esses dados, mas apresentá-los de forma que remetam à época em que existiam. A memória é um artefato cultural que registra a relação do homem com o mundo.
A palavra lembrar tem origem no francês se souvenir/sous-venir, significando vir à tona, o vir de baixo. O afloramento do passado (BOSI, 1994, p.46) viria combinar com o processo de percepção atual. Memória, por sua vez, derivaria de Mnemosine, a mãe das musas, na mitologia grega, vista como protetora das Artes e da História (KURY, 2009). Kessel (s/d) afirma que, entre os gregos, os registros escritos seriam mal vistos, pois, ao transferir para fora do corpo um saber, o sujeito enfraqueceria a sua memória. (GASTAL; POSSAMAI; NEGRINE, 2010, p. 90)
Falar de Memória é falar de um gênero cuja característica é o registro dos fatos e acontecimentos organizados segundo ordem cronológica flexível. Quando se discute Memória, está se referindo a um material que seria impossível de ser lembrado. Pode-se dizer que a Memória é um fenômeno infinitamente atual, um objeto que nos prende ao eterno presente. “O que chamamos memória é na verdade o gigantesco e espantoso depósito do
material que seria impossível para nos lembrar, um repertório ilimitado do que poderá ser necessário ser recordado.” (NORA, 1993, p. 9)
A Memória é constituída de fatos ou acontecimentos que, quando transmitidos, geralmente não obedecem a uma cronologia, é sim a um conjunto de registros fragmentados e selecionados consciente ou inconscientemente pela mente humana para armazenamento de acordo com percepções individuais, através de vivências ou experiências adquiridas. A memória está intimamente relacionada a estímulos externos provocados por pessoas próximas ou fatos ocorridos no presente, ambos interferem na qualidade da memória e remetem aos acontecimentos do passado. Porém, a força do momento presente é algo capaz de trazer o indivíduo de volta à realidade passada, tornando-o sensível às lembranças apenas mediante novo estímulo. Por isso, enfatiza-se que
a memória é sempre atual, pois a qualquer momento podemos evocá-la. É vivida no eterno presente: aberta à dialética da lembrança e do esquecimento; alimenta-se de lembranças vagas, telescópicas, globais e flutuantes; e cria sentimento de pertencimento e identidade, etc. (BATISTA, 2005, p. 29)
Para melhor iniciar o estudo, apresentam-se alguns tipos de Memória:
Memória Prótese – não é o saldo da memória vivida, mas o resultado voluntário e organizado de uma memória perdida que recupera o vivido e se desenvolve em função de seus registros.
Memória Hábito – é a produção de rotinas a serem repetidas; são os dados apreendidos mecanicamente e reproduzidos de maneira automática, portanto,
a memória-hábito adquire-se pelo esforço da atenção e pela repetição de gestos ou palavras. Ela é um processo que se dá pelas exigências da socialização. Trata-se de um exercício que retomado até a fixação, transforma-se em um hábito, em um serviço para a vida cotidiana [...] A memória-hábito faz parte de todo o nosso processo de adestramento cultural [...] A imagem-lembrança tem data certa [...] a memória-hábito já se incorporou às práticas do dia a dia. (BOSI, 2001, p.49).
Memória Coletiva – é a memória que retém do passado aquilo que ainda está vivo ou capaz de viver na consciência do grupo que mantém. Na memória coletiva, os limites são regulares e inscritos e ela se estende a todo o grupo em que está inserida. É formada por uma rede de significados e por construções simbólicas. É a memória do grupo que se sobrepõe à memória individual.
Memória Histórica – é a memória da história vivida e não a memória aprendida. São as noções que, representando um papel secundário, supõem a existência anterior de uma memória pessoal. Além dessas categorias, é possível distinguir a memória arquivo, porque
a memória não é apenas a recuperação que se dá no presente de informações que tiveram existência no passado [...] A memória que assim funciona é a memória-arquivo [...] Para dar conta da memória-arquivo foram criadas as instituições-memória – arquivos, bibliotecas, museus. (COSTA, 1997, p.35) Na verdade, a Memória pode ser entendida como o movimento do tempo e sua função é conhecer o passado que se organiza. E, se Memória é tempo, pode-se afirmar que a Memória é base do conhecimento. Para adquirir a consciência do tempo é preciso entender a oposição passado/presente. Para Nora (1993, p. 2-3), a memória pode ser entendida como a vida vivenciada por sociedades vivas e que permanece em constante evolução, aberta à dialética do lembrar e do esquecer, inconsciente a suas sucessivas deformações, vulneráveis a manipulações e sensíveis a longos repousos e periódicos renascimentos. E, para ampliar este conceito, assegura-se que “a memória faz parte do jogo do poder, autoriza manipulações conscientes ou inconscientes e obedece aos interesses individuais e coletivos” (LE GOFF, 2003, p. 32).
A opção de estudar a Memória acontece porque, diferentemente da história que se vincula a eventos, a memória diz respeito a lugares. A história é uma reconstrução, nem sempre completa, de algo que não existe mais. E, como diz Pomian (2000, p.57) “toda a
memória é em primeiro lugar uma faculdade de conservar os vestígios do que pertence já em si a uma época passada”. E, um dos objetivos da memória é fazer lembrar, refazer, reconstruir as experiências do passado a partir das ideias e imagens de hoje. Para Le Goff (2003), a matéria fundamental da história é o tempo, portanto a cronologia tem um papel essencial como fio condutor da história.
Para Santos (2003), a Memória
não é só pensamento, imaginação e construção social; ela é também uma determinada experiência de vida capaz de transformar outras experiências, a partir de resíduos deixados anteriormente. A memória, portanto, excede o escopo da mente humana, do corpo, do aparelho sensitivo e motor e do tempo físico, pois ela também é o resultado de si mesma; ela é objetivada em representações, rituais, textos e comemorações. (SANTOS, 2003, p. 25-26) Estruturas coletivas e processos interativos são características inerentes ao que se conhece como sociedade, e esta, por si só, produz uma construção simbólica do que representa os indivíduos que a constituem ou a constituíram. Memória e história se confundem e se completam através das imagens armazenadas que, mediante estímulos externos, são expostas e remontam a acontecimentos advindos do processo de interação social.
Santos (2003) declara que
a obra de Maurice Halbwachs é inegavelmente uma das que mais contribuíram para a compreensão do significado da memória coletiva numa época em que a memória era compreendida primordialmente enquanto fenômeno individual e subjetivo. (SANTOS, 2003, p. 35)
Halbwachs (2004) identificou a formação do indivíduo como fator determinante na consideração dos grupos sociais e a dinâmica que exerce sobre a memória coletiva. A lembrança individual é a reconstrução de uma vivência ou experiência coletiva do passado, vinculada à cultura e a ideologias de cada grupo. Bosi (2001, p. 55) diz que “Halbwachs amarra a memória da pessoa à memória do grupo; e esta última à esfera maior da tradição, que é a memória coletiva de cada sociedade”. Para Bartlett (1961), “a memória era um
atributo do indivíduo que se encontra em um grupo social [...]” (SANTOS, 2003, p. 54). Halbwachs (2004) ainda defende que a impressão de cada um não pode ser apoiada apenas na lembrança individual, mas também sobre a dos outros. Assim, o passado compreende dois tipos de elementos: aqueles que nos é possível lembrar quando queremos e aqueles que não respondem ao nosso chamado. Para Halbwachs (2004, p. 53), “os fatos e as noções que temos mais facilidade em lembrar são do domínio comum, pelo menos para um ou alguns meios”. Ou seja, o indivíduo não recorda sozinho, precisa da memória dos outros para confirmar suas recordações. E esse acontecimento só tomará lugar nas lembranças depois de algum tempo que se produziu.
Em seu trabalho sobre memória coletiva, Halbwachs faz uma comparação entre o tema e a história. Para ele, a memória se apoia na história vivida e não na história aprendida. Assim sendo,
a história não é todo o passado, mas também não é tudo aquilo que resta do passado. Ou, se o quisermos, ao lado de uma história escrita, há uma história viva que se perpetua ou se renova através do tempo e onde é possível encontrar um grande número dessas correntes antigas que haviam desaparecido somente na aparência. (HALBWACHS, 2004, p. 71)
A história vivida tem todos os elementos para a construção de um quadro em que um pensamento pode se apoiar, conservar e reencontrar a imagem do passado. Para reconstruir o passado, a lembrança utiliza dados existentes no presente, ou seja, o passado é na verdade um reflexo das imagens e conceitos que há no presente. Por isso, não é possível duas pessoas contarem o mesmo fato, algum tempo depois, de maneiras idênticas. Como destaca Halbwachs (2004),
[...] memória coletiva se distingue da história pelo menos sob dois aspectos. É uma corrente de pensamento contínuo, de uma continuidade que nada tem de artificial, já que retém do passado somente aquilo que ainda está vivo ou capaz de viver na consciência do grupo que a mantém. Por definição, ela não ultrapassa os limites desse grupo [...] A história divide a sequência dos séculos em períodos [...]. (HALBWACHS, 2004, p. 86)
Assim, a memória de uma sociedade tem a duração da memória dos grupos que a compõem. Enquanto houver lembranças, haverá memória; quando essas lembranças vão se apagando, é o momento de transportar a memória para o escrito.
o aparecimento da escrita está ligado a uma profunda transformação da memória coletiva [...] A escrita permite à memória coletiva um duplo progresso, o desenvolvimento de duas formas de memória. A primeira é a comemoração [...] A outra forma de memória ligada à escrita é o documento escrito num suporte especialmente destinado à escrita [...]. (LE GOFF, 2003, p. 427-428)
Monastirsky (2009) acredita que História e Memória possuem significados diferentes. Enquanto a História permite sistematizar o passado, a Memória permite uma compreensão ora complementar ora diferenciada à história. Defende ainda que
a memória se enraíza no concreto, no espaço, no gesto, na imagem, no objeto [...] A memória é um fenômeno sempre atual, um elo vivido no eterno presente [...] A memória instala a lembrança no sagrado [...] A memória é um absoluto [...] A memória perdura-se em lugares, e a história, em acontecimentos. (MONASTIRSKY, 2009, p. 326)
Por sua vez Durkheim e Halbwachs (apud SANTOS, 2003, p. 42) assinalam que “preços, valores econômicos, práticas de consumo, rituais religiosos, crenças políticas e construções de consumo sobre o passado seriam aspectos a serem estudados enquanto fatos sociais imbuídos de significados”. Já Bergson (apud SANTOS, 2003) considerou os limites da memória enquanto atributo exclusivamente da consciência humana.
Em contrapartida, para Bartlett (SANTOS, 2003, p. 54),
a memória nem era uma função que pudesse ser atribuída apenas a aparatos biológicos do indivíduo, nem era uma condição estreitamente mental, como queira Bergson, nem social, como Halbwachs. E sim um atributo do indivíduo que se encontrava em um grupo social e associava-se à percepção, à imaginação e ao pensamento construtivo.
A história do passado que fora contada no presente certamente será bem diferente da história do presente que será contada no futuro. O passado não sobrevive tal e qual como foi; o tempo transforma as pessoas em suas percepções e ideias.
Acredita-se que a memória é constituída por duas partes: objetiva e subjetiva. A primeira acumula fatos vividos e pode estar tanto em nós quanto fora de nós. E, a segunda, envolve as práticas de recordação e se observa nos indivíduos e suas relações quando inseridos no mesmo contexto. “A parte objetiva da memória apenas reteria a informação, ela seria passiva, enquanto a subjetiva seria ativa, ela construiria ou re-construiria experiências anteriormente vivenciadas.” (SANTOS, 2003, p. 72)
Bergson descreveu dois tipos de memória: a presente nas ações e atividades do dia a dia; e a que recupera as imagens à semelhança do passado. O primeiro diz respeito à habilidade de reproduzir o que foi aprendido ao longo da vida e o segundo, à recordação de um evento do passado que, colocado no tempo-espaço, não se repete. A memória está presente nas construções do passado e não recordamos de forma igual a como aconteceu, pois construímos o passado ao mesmo tempo em que ele nos constrói. (SANTOS, 2003)
Ainda, é possível identificar outras duas formas de memória: voluntária e involuntária. A memória voluntária é a que se coloca a serviço do intelecto e é responsável pela reconstrução do passado em um momento pontual do presente de forma intencional. A involuntária é responsável pelo surgimento das experiências vivenciadas no passado de forma não intencional e pela transmissão dessas experiências através das gerações. (SANTOS, 2003) Na configuração e delimitação da memória, há o problema da escolha: entre tantos estímulos que chegam, alguns se tornarão traços da memória, outros serão descartados e esquecidos (GONDAR, 2000). E, mesmo o discurso da memória parecendo global, ele ainda permanece ligado à história local. A memória é sempre transitória e passível de esquecimento: é humana e social (HUYSSEN, 2004).
Bosi (2001) defende que
hoje a função da memória é o conhecimento do passado que se organiza, ordena o tempo, localiza cronologicamente. Na aurora da civilização grega, ela era vidência e êxtase. O passado revelado desse modo não é o antecedente do presente, é a sua fonte. (BOSI, 2001, p. 89)
Tradicionalmente, a memória era um processo interno do ser humano, mas hoje a tecnologia permite que ela possa ser reunida em suportes externos. O livro, a fotografia, o cinema e a internet contribuem de forma fundamental para a desconstrução da ordem lógica do tempo, ou seja, passado, presente e futuro. As mídias tornaram o tempo homogêneo. Essa relação temporal fez com que as pessoas buscassem as materializações concretas de memória.
Memória e turismo estão intrinsecamente relacionados de várias formas. Gastal et al. (2010, p.93) afirma que “[...] os produtos memorialísticos são muito relevantes para o turismo” e defende que essa relação muitas vezes está na contramão dos novos segmentos de consumidores de viagens por conta da “[...] certa obviedade nos elementos de memória utilizados [...] levando a repetições e mesmices” (GASTAL et al., 2010, p. 93). A atividade turística pode contribuir para fazer durar a memória da população junto aos locais de interesse turístico (atrativos).
Após conhecer alguns conceitos-chave sobre memória, faz-se necessária uma explanação sobre Lugar de Memória para que seja possível, em outro momento do estudo, estabelecer a ligação entre esses assuntos e os atrativos turísticos, em especial as igrejas e os museus.