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Sentezlenen Organo-Bentonitlerin Filtrat Çözeltisindeki Azot Tayini Sonuçları

YIL 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Amerika 3820 3740 4020 3820 4070 3760 3970 3970 3770 4550 4710

4. DENEYSEL SONUÇLAR VE SONUÇLARIN DEĞERLENDĠRĠLMESĠ

4.6 Sentezlenen Organo-Bentonitlerin Filtrat Çözeltisindeki Azot Tayini Sonuçları

Patrimônio e Memória são dois conceitos que se relacionam, ou seja, ao se falar de patrimônio há uma ligação imediata com a memória que aquele monumento, igreja ou museu representa para a localidade. Dias (2006, p. 100) afirma que “o patrimônio é uma das partes mais visíveis da memória coletiva de uma sociedade, história materializada em objetos e em ações carregadas de significados [...]”. Para Fonseca (2005, p.51), “a questão do patrimônio se situa numa encruzilhada que envolve tanto o papel da memória e da tradição na construção de identidades coletivas, quanto os recursos a quem têm recorrido os Estados modernos na legitimação da ideia de nação”. Há duas categorias de patrimônio: o natural e o cultural.

O primeiro é constituído pelas riquezas que estão no solo e subsolo, como florestas e jazidas. Já o conceito de patrimônio cultural admite uma variedade de subtipos, como o patrimônio histórico, arqueológico, industrial e outros que foram surgindo à medida que o conceito de cultura foi se ampliando. (BARRETTO, 2007, p.110)

Nesse estudo, tratar-se-á apenas do conceito de patrimônio cultural. O patrimônio cultural é representado pelo conjunto de manifestações e representações de uma sociedade e está presente em todos os lugares, como ruas, casas, artes, museus, igrejas, entre outros. É formado por elementos tangíveis e intangíveis. Pode ser entendido como o conjunto de bens culturais com valor histórico, artístico, arquitetônico, arqueológico ou ambiental para uma determinada comunidade e que esta entende que deve ser preservado para as gerações seguintes.

Patrimônio cultural é uma noção muito ampla, pode-se dizer que é tudo o que se relaciona com a cultura, com a história, a memória, a identidade das pessoas ou grupo de pessoas [...]: são os lugares, as obras de arte, as edificações, as paisagens, as festas, as tradições, os modos de fazer, os sítios arqueológicos. (CONSELHO INTERNACIONAL DE MONUMENTOS E SÍTIOS, 2012, p. 1)

A ideia de patrimônio surge com a noção de monumento na Europa, no final do século XVIII a partir do fortalecimento dos estados nacionais. Sua disseminação maior acontece no século XX, principalmente com a descaracterização das cidades europeias após a segunda guerra. Hoje, este conceito está presente no mundo inteiro, transpondo os limites dos estados nacionais e se destinando à sociedade em geral. Segundo Martins (2006, p.40), “o conceito de patrimônio histórico e artístico usado desde o século XIX foi paulatinamente sendo substituído pelo conceito mais amplo de patrimônio cultural [...]”. Dessa forma, o conceito de patrimônio evoluiu ao longo dos séculos, como é possível ver no Quadro 1.

Quadro 1 - A evolução histórica do conceito de patrimônio

Época Concepção Ideias relacionadas

Idade Antiga

Patrimônio = coleção de riquezas, raridades e antiguidades de caráter extraordinário ou de grande valor material, indicadores de poder, de luxo e de prestígio.

Butins de guerra. Troféus. Tesouros. Oferendas religiosas. Propriedade privada. Desfrute individual. Inacessibilidade.

Grécia, Roma e Idade Média

Patrimônio = vestígios de uma civilização considerada superior, que, por isso, é imitada. Valorização estética e herança cultural de interesse pedagógico.

Escavações arqueológicas. Colecionismo seletivo. Tráfico de obras de arte. Cópias de modelos originais. Museus e câmaras de maravilhas. Relíquias. Exposição pública de alguns elementos com intenção de propaganda.

Renascimento e séculos XVI- XVIII

Patrimônio = objetos artísticos especialmente belos ou meritórios, também valorizados por sua dimensão histórica e rememorativa. A obra de arte pode ser um documento para conhecer o passado.

Cultura elitista de intenção pedagógica. Academicismo. Colecionismo artístico e científico. Primeiros estudos rigorosos de história da arte. Desfrute por grupos eruditos. Certo grau de acessibilidade.

Século XIX e início do século XX

Patrimônio = conjunto de expressões materiais ou não materiais que explicam, historicamente, a identidade sociocultural de uma nação e, por sua condição de símbolos, devem ser conservadas e restauradas.

Nacionalismo. Investigações históricas, artísticas, arqueológicas e etnológicas. Importância do folclore. Educação popular. Legislação protetora. Conservação seletiva. Restauração monumental. Museus, arquivos e bibliotecas estatais a serviço público.

1945 – 1980

Patrimônio = elemento essencial para a emancipação intelectual, para o desenvolvimento cultural e para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Começa-se a considerar seu potencial socioeducativo e econômico, além de seu valor cultural.

Reconstrução do patrimônio destruído. Políticas de gestão educativa. Exposições e ciclos de atos culturais para que toda a população conheça o patrimônio. Difusão dos bens culturais. Consumo superficial. Turismo de massa.

Atualidade

Patrimônio = riqueza coletiva de importância crucial para a democracia cultural. Exige-se o compromisso ético e a cooperação de toda a população para garantir tanto sua conservação como sua exploração adequada

Legislação. Restauração. Plena acessibilidade e novos usos. Participação. Envolvimento da sociedade civil. Turismo sustentável. Cultura popular significativa. Criatividade. Descentralização. Didática do patrimônio.

Fonte: LLULL, José. Evolución del concepto u de la significación social del patrimonio cultural. Arte, Individuo y Sociedad, Madrid, v. 17, p.175-204, 2005, p.203. In: DIAS, 2006, 74-75.

A preocupação com a preservação do patrimônio evolui juntamente com a evolução do seu conceito, tendo como principais marcos: a Carta de Atenas (1931), cujo objetivo era

proteger bens de interesse histórico e artístico; a Carta de Veneza (1964), que introduz um novo conceito de monumento; e, a Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural, promulgada pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura – UNESCO, em 1972. A convenção da UNESCO, em seu artigo 1º, considera patrimônio cultural:

Os monumentos – obras arquitetônicas, de escultura ou de pintura monumentais, elementos de estruturas de caráter arqueológico, inscrições, grutas e grupos de elementos [...]

Os conjuntos – grupos de construções isoladas ou reunidos que, em virtude de sua arquitetura, unidade ou integração na paisagem [...]

Os locais de interesse – obras do homem, ou obras conjugadas do homem e da natureza, e as zonas, incluindo os locais de interesse arqueológico [...]. (UNESCO, 1972, p.2)

A partir da segunda metade do século XX, as políticas de patrimônio passam a se preocupar com um novo aspecto: adequação e utilização dos espaços por um consumo cultural de massa.

Para Dias (2006), a partir da evolução histórica do conceito e das políticas de preservação, podem-se identificar cinco dimensões para o patrimônio:

Dimensão científico-cultural – compreende a função educativa e tem como objetivo estudar o passado, as origens da sociedade; confunde-se com a dimensão artística e histórica do Renascimento;

Dimensão simbólica – relaciona-se à idealização promovida por atores e por grupos sociais, que transforma o patrimônio em símbolo de construção e de consolidação da identidade de comunidades reais ou imaginadas;

Dimensão política – compreende o papel do patrimônio na consolidação dos Estados nacionais, o que tende a crescer no estabelecimento e na consolidação de estruturas de poder locais;

Dimensão social – incorpora a noção de patrimônio como propriedade comum, em que está implícita a ideia de democratização daquele [...]; Dimensão econômica – particularmente relacionada a sua exploração econômica, concebe o patrimônio como um bem com valor econômico, que pode ser ofertado em um determinado mercado [...]. (DIAS, 2006, p.76)

Dias (2006) afirma, ainda, que a UNESCO contribuiu fortemente para a difusão de quatro noções sobre o patrimônio cultural:

é um recurso de toda a humanidade, não um bem nacional, concepção que predominava anteriormente [...];

é um recurso não renovável – a ideia de sustentabilidade foi incorporada definitivamente como um componente essencial da preservação e conservação dos bens tanto materiais quanto imateriais;

é um bem intocável [...];

envolve o ambiente natural [...]. (DIAS, 2006, p.107-108)

No Brasil, a evolução do conceito de patrimônio cultural confunde-se com vários acontecimentos políticos e culturais da história do país. Três fatos são fundamentais no entendimento das mudanças desse conceito: a Semana de Arte Moderna (1922), o Estado Novo e a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). Em 1937, é promulgado o Decreto-Lei nº 25 que apresenta a visão da época sobre patrimônio cultural, formado principalmente por bens móveis e imóveis. Essa fase inicial, chamada de heroica, foi marcada pelo tombamento de bens em virtude muito mais do valor estético que do valor histórico. A fase seguinte é marcada pelo fim do Estado Novo e pela politização da cultura, a partir do governo de Juscelino Kubitscheck; esse período se confunde com o próprio SPHAN. O profissionalismo se faz presente na condução das políticas de patrimônio a partir do final da década de 1930. A instalação da Assembleia Constituinte e promulgação da nova Constituição Federal, em 1988, é um marco na construção do conceito de patrimônio cultural no país. A expressão patrimônio cultural brasileiro consagra o sentido de universalidade de patrimônio. (RODRIGUES, 2006, p.2-12). Assim, no Brasil, o patrimônio cultural está definido no artigo 216 da Constituição Federal de 1998.

Art.216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:

I – as formas de expressão;

II – os modos de criar, fazer e viver;

III – as criações científicas, artísticas e tecnológicas;

IV – as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais;

V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico [...] (BRASIL, 2012, p.43-44)

Durante muito tempo, as políticas governamentais de preservação focaram o patrimônio material ou tangível, principalmente o edificado. Esse patrimônio material é composto por construções antigas, ferramentas, objetos pessoais, museus, cidades históricas, edifícios militares e religiosos, monumentos, documentos, entre outros. Tudo aquilo que demonstra a capacidade de o ser humano se adaptar a seu ambiente ou a forma de organização da vida social, política e cultural da localidade.

O Brasil é um país que apresenta uma gama completa de patrimônio, da pré-história a Brasília. De acordo com dados da UNESCO (2004), o país possuía, entre os anos de 1980 e 2001, 18 sítios, naturais e culturais, inscritos na lista do Patrimônio Mundial; entre eles pode- se destacar os seguintes bens culturais: Cidade Histórica de Ouro Preto (MG); Cidade Histórica de Olinda (PE); Missões Jesuíticas dos Guaranis: Ruínas de São Miguel das Missões (RS); Centro Histórico de Salvador (BA); Santuário de Bom Jesus de Matosinhos (MG); Brasília (DF); Centro Histórico de São Luís (MA); Centro Histórico de Diamantina (MG); e, Centro Histórico da Cidade de Goiás (GO). E, em 2012, o Rio de Janeiro (RJ) é a primeira cidade no mundo a receber o título de Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural Urbana.

Em 1973, é criada em Pernambuco a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco – FUNDARPE, destinada à preservação e manutenção dos bens tombados na esfera estadual. Hoje, a fundação está vinculada à Secretaria Estadual de Cultura. No âmbito federal, de acordo com dados do IPHAN, o estado tem 80 bens tombados. Para Silva (2010, p.70), “o acervo histórico, religioso e cultural de Pernambuco é rico por sua diversidade, que atrai turistas de toda a parte do mundo para conhecer a dança, a culinária, os ritmos, a crença – os costumes de modo geral”. Na cidade do Recife, as políticas sobre patrimônio são coordenadas pela Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural – DPPC, vinculada à Secretaria de Cultura do município.

Segundo Silva (2002), a cidade do Recife possui 38 bens tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), entre eles: Bairro do Recife, Igreja da Madre de Deus, Concatedral de São Pedro dos Clérigos, Convento e Basílica de Nossa Senhora do Carmo, Igreja de Santa Tereza da Ordem Terceira do Carmo, Convento Franciscano de Santo Antônio, Capela Dourada da Ordem Terceira de São Francisco do Recife, Casa de Gilberto Freyre, Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares, Fortaleza de São Tiago das Cinco Pontas, Sinagoga Kahal Kadosh Zur Israel, Acervo do Museu do Estado de Pernambuco, Fortaleza do Brum, Marco Divisório da Capitania de Itamaracá e Coleções do Instituto Arqueológico, Mercado de São José, Palácio da Soledade, Academia Pernambucana de Letras, Sobrado Grande da Madalena (Museu da Abolição), Teatro de Santa Isabel e Faculdade de Direito do Recife.

Além da relação intrínseca com a memória, o patrimônio possui uma ligação essencial com o turismo. Para Dias (2006, p. 36), “o patrimônio cultural, como recurso turístico, atende a um interesse crescente pela cultura que se traduz em um aumento significativo de viajantes que praticam o turismo cultural”. O mesmo autor, citando Prats (1997), classifica o patrimônio como recurso turístico da seguinte forma:

como um produto turístico capaz de integrar, junto com a oferta hoteleira, um motivo de compra autônomo;

como um produto turístico integrado, em que se combina com outros atrativos;

como um valor agregado aos destinos turísticos que não têm o patrimônio como motivo de compra básico. (DIAS, 2006, p.101)

No Brasil, essa relação, patrimônio e turismo, existe desde a década de 1930, com o início das políticas de proteção e preservação do primeiro. Para Murta e Goodey (2005, p.13), “nas últimas décadas, o aumento do número de visitantes a sítios históricos tem levado governos, empresários e comunidades a gerenciar e promover seu patrimônio como recursos educacional e de desenvolvimento turístico”. Complementando essa ideia, Cardoso (2006, p.69) afirma que “[...] o turismo como atividade econômica incorporou os patrimônios

históricos e culturais às suas necessidades de reprodução”.

Vale ressaltar que os bens patrimoniais não têm o mesmo grau de atração. Camargo (2005) os segmenta em alta, média e baixa atratividade. Para um melhor entendimento, consideram-se de alta atratividade aqueles bens que sozinhos são capazes de atrair o interesse do visitante para uma localidade; os de média fazem parte de um conjunto mais amplo de atrações; e, os de baixa atratividade são aqueles que, muitas vezes, orbitam em torno de outros bens. Em função desse grau de atratividade, Camargo (2005) aponta a possibilidade de agrupamento desses conjuntos em função da proximidade para facilitar o fluxo de visitantes.

Entre os vários bens patrimoniais existentes, destacam-se os museus e as igrejas. Os primeiros são considerados locais de disseminação do conhecimento e de guarda da história e memória da localidade onde está inserido. As igrejas são os principais exemplares dos bens tombados, uma vez que a arquitetura religiosa, principalmente a Católica, está presente no Brasil desde o seu descobrimento.

2.3.2 Museus

Os museus, de uma forma geral, junto com os sítios arquitetônicos tombados podem ser considerados os principais atrativos para o chamado turismo cultural. Segundo Amaral (2006, p. 51), “isso é evidente onde existe uma cultura sedimentada de visita aos museus”. Eles são responsáveis por grande parte da atratividade que uma localidade possui. É possível afirmar que o museu nasce do hábito do ser humano colecionar objetos de valor cultural, afetivo ou material.

A origem do termo museu remonta à palavra grega mouseion, ou casa das musas, que na Antiguidade clássica era o local dedicado, sobretudo ao saber e ao deleite da filosofia. [...] Vemos, então, que na própria origem do termo, o museu já trazia implícita uma forte relação entre as questões inerentes ao poder e à memória [...]. (VASCONCELLOS, 2006, p.13-14, grifo do autor)

Os museus modernos surgem a partir do século XVII na Europa. Os museus de belas artes são oriundos das galerias de arte existentes nas residências dos monarcas e papas. Dos gabinetes de curiosidades, surgiram os museus de história natural e os museus arqueológicos se originam dos chamados gabinetes de antiguidades. Após a Revolução Francesa (1789), é permitido definitivamente o acesso às grandes coleções, agora tornadas públicas, e é incorporado o conceito de patrimônio ao universo museal. O primeiro museu público com coleções acessíveis a todos foi o Museu do Louvre, inaugurado em 1793. Vasconcellos (2006, p.21) afirma que “[...] nos Estados Unidos, os primeiros museus foram constituídos de maneira diferenciada dos europeus, pois já nasceram como instituições voltadas para o público [...]”.

No Brasil, os primeiros foram o Museu da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, fundado em 1815, e o Museu Nacional do Rio de Janeiro, em 1818. E, aqui se percebe a grande influência dos europeus. Em Pernambuco, o primeiro estabelecimento museológico foi o Museu do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, inaugurado em 1862. Apesar de alguns museus surgidos no século XIX, é importante frisar que os museus brasileiros aumentam sua presença no cenário nacional no século XX, principalmente a partir da década de 1930.

O Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) (2012) define museus como

casas que guardam e apresentam sonhos, sentimentos, pensamentos e intuições que ganham corpo através de imagens, cores, sons e formas. Os museus são pontes, portas e janelas que ligam e desligam mundos, tempos, culturas e pessoas diferentes. Os museus são conceitos e práticas em metamorfose. (IBRAM, 2012, p.1)

O Departamento de Museus e Centros Culturais do IPHAN, em 2005, definiu museu como

uma instituição com personalidade jurídica própria ou vinculada a outra instituição com personalidade jurídica, aberta ao público, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento e que apresenta as seguintes características:

I – o trabalho permanente com o patrimônio cultural, em suas diversas manifestações;

II – a presença de acervos e exposições colocados a serviço da sociedade com o objetivo de propiciar a ampliação do campo de possibilidades de construção identitária, a percepção crítica da realidade, a produção de conhecimentos e oportunidades de lazer;

III – a utilização do patrimônio cultural como recurso educacional, turístico e de inclusão social;

IV – a vocação para a comunicação, a exposição, a documentação, a investigação, a interpretação e a preservação de bens culturais em suas diversas manifestações;

V – a democratização do acesso, uso e produção de bens culturais para a promoção da dignidade da pessoa humana;

VI – a constituição de espaços democráticos e diversificados de relação e mediação cultural, sejam eles físicos ou virtuais.

Sendo assim, são considerados museus, independentemente de sua

denominação, as instituições ou processos museológicos que apresentem as características acima indicadas e cumpram as funções museológicas. (IBRAM, 2012, p.2)

Para o Conselho Internacional de Museus – ICOM (2001), o museu é “uma instituição permanente sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e de seu envolvimento e de seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquiriu, conserva, pesquisa, comunica e expõe testemunhos materiais do homem e de seu meio, para fins de estudo, educação e lazer”. (VASCONCELLOS, 2006, p. 34-35).

Museus tradicionais são os que desenvolvem seu trabalho a partir de um acervo constituído historicamente e a maioria dos museus contemporâneos se classifica dessa maneira. Ele teria três funções: guardar documentos, pesquisar para construir conhecimento e divulgar acervo e as pesquisas realizadas. Para esse tipo de museu, uma escultura ou pintura é considerada documento. Os museus mais visitados dispõem de exposições renovadas frequentemente e mão de obra especializada, ocupam espaços destacados e inseridos nas paisagens urbanas, oferecem bibliotecas, livrarias, lojas, restaurantes, entre outros, que contribuem para o aumento de visitantes. Para Amaral (2006, p.56), “ser o espaço das

diversas experiências temporais, contrapondo visões de mundo e da sociedade, e incentivar a reflexão no tempo e sobre o tempo são algumas das vocações dos museus”. Amaral (2006, p.61) também defende a construção de uma visão estratégica na gestão de museus para valorizá-lo como equipamento urbano e assim revitalizar o fluxo de interesse turístico.

É preciso que o museu adote uma postura consistente a fim de manter o fluxo de visitas e fortalecer a instituição como parte integrante dos roteiros culturais da cidade. Para isso, o museu deve se tornar um elemento de diálogo com a sociedade e formar visitantes. Segundo Gastal (2010, p. 87), “o museu e seu papel social estariam intrinsecamente associados, em primeiro lugar, à percepção em relação ao tempo e, em segundo e como decorrência, à percepção e ao papel social da memória em diferentes momentos”. A partir da década de 1980, o museu se afasta de seu caráter depositário de memória coletiva associada a um território e se torna um espaço cultural com loja, cafés e souvenirs. Menos um espaço de acervo de memória coletiva, espaço de pesquisa e conhecimento, e mais um local de distração, entretenimento e espetáculo. E, como afirma Cury (2005, p.42), “o museu monólogo cederá lugar ao museu diálogo [...]”.

Além dos museus, as igrejas também são atrações do chamado turismo cultural e são as maiores representantes dos bens patrimoniais tombados pelos órgãos de regulação, preservação e conservação dos patrimônios culturais.

2.3.3 Igrejas

A Igreja Católica está presente no Brasil desde a chegada dos portugueses em 1500, quando, em 26 de abril, é celebrada a primeira missa pelo frade franciscano Henrique Soares de Coimbra. Os primeiros religiosos a desembarcarem em terras brasileiras foram os frades franciscanos e capuchinhos. Após 40 anos, em 1549, chegam os padres jesuítas da Companhia de Jesus e iniciam as missões indígenas. Depois várias outras ordens e congregações se