2.6. Ġlgili AraĢtırmalar
2.6.2. YurtdıĢında Yapılan AraĢtırmalar
A formação profissional do assistente social nos anos 1990 é marcada por profundas transformações, tendo em vista as novas exigências contemporâneas à profissão. Houve a necessidade de uma reestruturação na proposta curricular do curso em 1996, sendo esta uma possibilidade para que se supere a formação e atuação profissional, pautadas no conservadorismo e positivismo ainda muito presente na prática do assistente social. Foi utilizado o pensamento crítico inspirado na teoria marxiana, que entende o conhecimento como um conjunto de idéias expressivas de determinada visão de mundo.
A categoria então assume o projeto profissional reafirmando o compromisso com os interesses e ideologias subjacentes a classe trabalhadora.
Neste sentido, em 1996 foi aprovada pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS) as novas Diretrizes Curriculares para o curso de Serviço Social que estão organizadas em princípios, eixos e núcleos que expressam uma nova relação de formação com a realidade social, ganhando destaque nesta proposta as atividades ligadas à extensão, à pesquisa, ao estágio e aquelas que se materializam em novas práticas pedagógicas.
Entre os anos de 1994 a 1996 foram realizadas aproximadamente 200 (duzentas) oficinas, de níveis regionais e nacional, contando com o apoio dos profissionais através do órgão representativo Conselho Federal de Serviço Social
(CFESS) e dos estudantes, junto ao órgão representativo daExecutiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social (ENESSO).
As expressivas mudanças na produção e reprodução da vida social, ocasionadas pela reforma do Estado, pela alteração das relações públicas e privadas, pela nova forma de enfrentamento das expressões da questão social, requer na atualidade uma nova formação profissional. É fato que o a (a) assistente social também é afetado pelas repercussões destas transformações no cenário mundial.
Desta forma, a reestruturação das Diretrizes Curriculares para o Curso de Serviço Social veio no sentido de eliminar a “pseudo-dicotomia” existente entre teoria e prática, visando agregar à formação matrizes curriculares que dê condições aos futuros profissionais darem respostas as demandas postas a atuação, buscando a efetivação e consolidação do projeto ético-político. Nota-se como conseqüência deste distanciamento a formação e o exercício profissional pautados em métodos teoricistas, tecnicistas e politicistas, identificados na história da profissão.
O projeto de formação profissional além dos pressupostos norteadores e dos princípios que fundamentam a formação e as diretrizes da proposta básica do Curso de Serviço Social contêm três núcleos de fundamentação que são:
1 – Teórico-metodológicos da vida social;
2 – da formação sócio-histórica da sociedade brasileira; 3 – do trabalho profissional.
É importante salientar que o primeiro núcleo, responsável pelo tratamento do ser social, enquanto totalidade histórica analisa os componentes fundamentais da vida social, que serão particularizados nos dois outros núcleos de fundamentação, o da formação sócio-histórica da sociedade brasileira e do trabalho profissional. Portanto, a formação profissional constitui-se de uma totalidade de conhecimentos que estão expressos nestes três núcleos, contextualizados historicamente e manifestos em suas particularidades. (ABESS. CEDEPSS, 1997, p. 63).
Os três núcleos citados supõem a superação da fragmentação do processo de ensino e aprendizagem, sendo necessário na concepção de Oliveira (2004b, p. 12, grifo nosso), “[...] que permeia todo processo de formação profissional envolvendo ensino, pesquisa e extensão, possibilitando maior convivência acadêmica, entre diferentes sujeitos: professores, alunos e comunidade.” Dentro desta nova proposta
curricular crítica, que busca inovação das ações profissionais, o estágio é tido como uma atividade integrante do currículo.
Com a implantação dos núcleos temáticos há uma intencionalidade de aproximação entre trabalho intelectual, de cunho teórico-metodológico e o exercício profissional, é o que elucida Iamamoto (2007). Com a articulação das matérias existentes nestes núcleos, espera-se que o profissional tenha melhor compreensão da intervenção da realidade, que tenha condições de saber dar respostas as demandas cotidianas.
Os núcleos reúnem um conjunto de conhecimentos que permitem a compreensão da origem, manifestação e enfrentamento da questão social, sendo este o elemento que dá concretude à profissão, ou seja, ela é a base de fundação histórico-social na realidade, constituindo o eixo ordenador das diretrizes.
As diretrizes aprovadas pela ABEPSS constituem referências políticas e teóricas para elaboração dos currículos plenos das unidades de ensino. A proposta foi encaminhada para o Ministério de Educação e Cultura (MEC), porém, este órgão aprovou de forma restrita alguns indicativos curriculares, mas permaneceram os princípios básicos defendidos pela ABEPSS.
A proposta das Diretrizes Curriculares é formar profissionais que estejam articulados aos elementos teórico-metodológicos, ético-políticos e técnico- operativos. Destaca-se que o Curso de Serviço Social tem uma duração de 4 (quatro) anos, sendo a carga horária mínima de 3000 (três mil) horas e o estágio dentro da nova proposta curricular possui carga horária de 15% (quinze por cento), totalizando 450 (quatrocentos e cinqüenta) horas.
Neste novo currículo, o estágio ganha lugar de destaque, uma vez que o mesmo é visto como essencial para o processo de formação profissional do assistente social. Apresenta como um dos seus princípios a indissociabilidade entre estágio e supervisão acadêmica e profissional. Deve ser analisado dentro do contexto do ensino aprendizagem visando uma articulação sistematizada entre as unidades de formação acadêmicas e prática do cotidiano da ação profissional.
As diretrizes curriculares de 1996 (ABEPSS, 1996) para a formação do profissional destacam as mediações que historicamente incidem sobre o perfil profissional e as novas demandas e respostas que a profissão “é instigada a construir”, e que implicam a capacitação teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa para:
1. apreensão crítica do processo histórico como totalidade;
2. investigação sobre a formação histórica e os processos sociais contemporâneos que conformam a sociedade brasileira, no sentido de apreender as particularidades da constituição e desenvolvimento do capitalismo e do Serviço Social no País;
3. apreensão do significado social da profissão desvelando as possibilidades de ação contidas na realidade;
4. apreensão das demandas – consolidadas e emergentes – postas ao Serviço Social via mercado de trabalho, visando a formular respostas profissionais que potenciem o enfrentamento da questão social, considerando as novas articulações entre público e privado;
5. exercício profissional cumprindo as competências e atribuições previstas na legislação profissional em vigor. (ABEPSS, 1996, p. 62).
As diretrizes curriculares da ABEPSS de 1996 ressaltam a necessidade de reelaboração dos projetos pedagógicos dos cursos, tendo entre seus princípios, além da “[...] indissociabilidade nas dimensões de ensino, pesquisa e extensão a indissociabilidade entre estágio e supervisão acadêmica e profissional.” (ABEPSS, 1996, p. 61-62).
Neste contexto, o maior desafio é “abandonar” a concepção de estágio voltada somente para a informação técnica e a prestação de serviços através do exercício profissional, e centrar-se na compreensão dos elementos históricos e conceituais do Serviço Social, numa transversalidade de conteúdos (OLIVEIRA, 2004 b).
Apesar de todos os esforços voltados para uma formação profissional qualificada e competente, o que se observa é que o projeto profissional do Serviço Social se consolidou no país nos anos 1990, ao mesmo tempo em que a ofensiva neoliberal adentrava na sociedade brasileira (KOIKE, 2009). A categoria é motivada a redimensionar o projeto profissional, chamado de projeto ético-político para ir de encontro as alterações no mundo do trabalho, nas manifestações da questão social, nas práticas do Estado e suas relações com as classes sociais.
Ainda de acordo com Koike (2009), objetiva-se uma formação profissional com um novo perfil crítico, fundado em rigorosa capacidade teórica, ético-política e técnico prática voltada ao conhecimento e transformação da realidade.
O projeto político profissional se materializou no Código de Ética Profissional do Assistente Social e na Lei de Regulamentação da profissão, ambos de 1993, assim, como a nova proposta das diretrizes para o curso de Serviço Social, redimensionando a formação profissional frente às novas transformações históricas.
Para o assistente social consolidar e reforçar o projeto político-profissional requer primeiramente adequá-lo aos desafios da conjuntura e dos processos sociais,
de modo que qualifique o exercício e a formação profissional do mesmo, bem como compreender as determinações e as múltiplas expressões da questão social, a ampliação da precarização das relações de trabalho e criar processo de uma nova cidadania, que atenda aos direitos sociais (CARMO; RODRIGUES, 2010).
O projeto profissional ainda encontra-se em construção e é tema de debates e investigação nas unidades acadêmicas, nos espaços profissionais e nos eventos da categoria. Se faz “urgente” a mobilização da vontade coletiva dos sujeitos da profissão no sentido de intensificar a programática defensiva do patrimônio profissional (KOIKE, 2009).
Desafios, ofensivas e tensões serão constantes para aqueles que lutam contra o capitalismo que é tido como modo de vida social e rebate diretamente na formação profissional do assistente social.