2.2 İlgili Araştırmalar
2.2.2 Yurt İçinde Yapılan Araştırmalar
A presença de mediadores humanos é uma realidade em praticamente todos os museus. Nota-se que, mesmo naqueles em que as exposições multimídias prevalecem, ainda é possível encontrar mediadores disponíveis. Quais são as características dos mediadores que os tornam, de certa forma, tão essenciais nos museus? Marandino (2008) aponta que essa presença é ainda mais evidente nos museus brasileiros e que possibilita aprendizagens mais efetivas. A expectativa é a de
que eles ensinem, mas pela experiência e prática, e não pela instrução didática. É obrigação deles, na medida do possível, explicar a ciência para aqueles que querem saber mais, mais, mais especificamente, eles devem desenvolver a capacidade de fazer a pergunta certa para aprofundar e enriquecer a experiência do visitante. (JOHNSON, 2007, p. 37).
Pode-se dizer, então, que o essencial da mediação humana é a possibilidade do diálogo, sendo este um fator importante para o aprendizado no museu. Para Schroeder (apud MORA, 2007), os mediadores se posicionam para que os visitantes sejam guiados e cheguem à sua própria interpretação dos equipamentos e objetos expostos.
O mesmo autor acredita que “a grande maioria dos visitantes não é capaz de captar a idéia transmitida pelo equipamento ou objeto, sobretudo se está apresentada numa linguagem pouco familiar como é a da ciência.” (SCHROEDER apud MORA, 2007, p. 21). Essa é uma afirmação, porém, que pode ir contra ao fato de que muitas vezes o que se vê nos museus de ciência é uma extensão do conteúdo dado em sala
de aula. É claro que pode haver um nível de explicação diferente ou mesmo um conteúdo novo, mas o que se pode concluir é que a forma de exposição é que deve dar conta de traduzir esses conteúdos. Ou seja, muitas vezes, o que é visto na escola aparece em um novo contexto no museu ou em uma nova forma de apresentação, e esta sim pode criar uma dificuldade no entendimento, sendo, então, essencial a presença do mediador.
Muito se fala da interatividade associada aos dispositivos mecânicos de mediação, entretanto, a instância máxima de interatividade que se pode tratar é a mediação entre humanos. Estes são interativos por natureza e permitem uma efetiva discussão, problematização em atividades que possibilitam que o visitante crie hipóteses, teorias e, sobretudo, promovem a compreensão dos fenômenos. Rodari e Merzagora (2007, p. 10) assumem que,
de fato, nenhuma exposição interativa ou ferramenta multimídia pode realmente ouvir os visitantes e responder às suas reações. Tais reações podem variar entre perguntas estritamente informativas, do tipo ‘como isso funciona?’, a comentários emocionais, como ‘isso me preocupa’. Mediadores podem adaptar suas apresentações e seus tipos de respostas não apenas a parâmetros gerais, como grupos de idade, mas também a aspectos mais sutis, o que caracteriza o desenvolvimento de uma boa conversa. Isso pode ser extremamente recompensador, mas também é uma tarefa muito difícil.
Para os autores, essa relação entre o mediador e o público é a única verdadeiramente bidirecional, característica essencial à mediação.
Enquanto isso, Pavão e Leitão (2007) apontam que a exposição se torna mais rica e estimulante socialmente por meio da mediação humana. Retoma-se, dessa forma, a noção de que o mediador não deve simplesmente
informar e fornecer respostas aos visitantes, mas promover diálogos que possibilitem a todos avançarem naquilo que já conhecem, sempre com a ajuda de alguém que conhece mais. Mediar é a ação do outro que ajuda a aprender, a dar um passo adiante naquilo que já se conhece. (MORAES et al., 2007, p. 56).
Em uma visita guiada, por exemplo, o mediador é quem orienta a dinâmica da visita e é capaz de identificar ao longo dela as oportunidades de se dialogar sobre a exposição, a partir do que se revela como conhecimento de cada visitante, sendo que é nesse sentido que ele irá atuar na esfera da educação não formal. O mediador bem capacitado e com experiência tem condições suficientes para adequar os diálogos e
modos de expressão, além de criar desafios que envolvem a construção do conhecimento dentro do museu. Para isso, é necessário identificar o potencial dos visitantes, daí a importância da prática e da capacitação.
Diante disso, Moraes et al. (2007) afirmam que o museu deve tratar o visitante como centro do processo, promovendo uma mediação que crie “interações cada vez mais complexas e com maior satisfação dos participantes, possibilitando superar limites naturais na interação direta dos visitantes com os materiais em exposição.” (p. 59). Esse posicionamento do visitante como elemento central deve ser resultado da própria estrutura institucional do museu. É importante que as instituições assumam a mediação como fundamental e a desenvolvam para que essa expectativa seja alcançada.
Um dos aspectos mais importantes a respeito dos mediadores nos museus é o tratamento dado à sua capacitação. O mediador “deve fugir da postura professoral, tão característica dos acadêmicos, mas inadequada para provocar o público visitante. O monitor deve buscar o diálogo e a estruturação do pensamento lógico, valorizando a vivência do visitante e suas conclusões.” (PAVÃO; LEITÃO, 2007, p. 41). Para que isso aconteça, a capacitação deve voltar-se para explicar os objetivos da exposição, sejam eles educacionais não formais ou de lazer e para gerar uma compreensão geral do museu; somente assim o mediador será capaz de elaborar suas ações em torno de cada objeto em exposição.
A capacitação do mediador interfere diretamente no processo de aprendizagem no museu. Marandino (2008) apresenta cinco modelos que podem ser utilizados. A capacitação por meio do modelo centrado no conteúdo específico é aquela na qual a formação dá ênfase ao conteúdo específico da exposição. Acredita-se que o domínio do conteúdo colabora para uma boa mediação. O modelo centrado na prática privilegia a formação do mediador a partir de sua experiência em serviço, isto é, na prática. O modelo centrado na relação aprendiz-mestre é descrito como o processo de formação a partir da observação e acompanhamento de antigos mediadores. Outro modelo apontado pela autora é aquele centrado na autoformação, que se assemelha ao da prática, porém, prevê experiências anteriores e leituras. Por fim, há o modelo centrado na educação e comunicação, que representa o entendimento do museu de que o mediador é também um educador/comunicador. Esse modelo vai priorizar os aspectos teóricos e práticos da educação, aprendizagem e comunicação nos museus.
Todos os modelos apresentados podem ser complementares e devem ser colocados em prática por equipes multidisciplinares para maior qualidade na aplicação.
Outro aspecto relevante da capacitação do mediador é promover a reflexão sobre a diversidade e particularidades do público. Um profissional bem treinado e entusiasmado será capaz de adaptar sua fala e induzir melhor os questionamentos dos visitantes independentemente da realidade a qual eles pertençam. Cada museu irá adotar uma estratégia diferenciada de capacitação de seus mediadores, mas deve- se considerar que essa é uma etapa fundamental para um bom exercício da mediação.
É evidente, a partir desses apontamentos, que diferentes formas e níveis de mediação podem coexistir nos museus, mas a sua prática deverá sempre guiar para um novo entendimento das funções do museu como instância de educação não formal. Para o visitante, mesmo em uma visita de lazer, é interessante aprender algo ou relacionar com aquilo que já se sabe. Deve-se prevalecer uma transformação em busca de novos saberes.