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DERSĠ ÖRNEĞĠ

VĠZE 1. Tarih öncesinden Ġran Uygarlığına kadar geçen süreçteki kentlerin geliĢimi hakkında

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33 Este panorama histórico nos permite avançar em nossa reflexão, para caracterizar, a seguir, as poéticas e as práticas de escritura dominantes na atual literatura hispano-canadense.

Elena Palmero González vem sistematizando estudos em torno do tema, no intuito de caracterizar essa práxis escritural, mas também no interesse de definir uma poética do deslocamento a partir desse corpus literário específico. Palmero González (2001) estuda o tema de uma topografia imaginária na obra de escritores hispano- canadenses, como um dos traços que caracterizariam essa poética. A autora observa na obra desses escritores uma marcada presença de uma cronotopia imaginária, que entrecruza tempos e espaços diversos. Nessa cronotopia imaginada pode-se ver a terra de origem e a terra de acolhida; a memória e o esquecimento; o passado e o presente se interceptando; com a presença constante dos tópicos da viagem, do regresso e dos sonhos. Assim, podemos encontrar textos que circulam pelos arquetípicos tópicos da viagem, do regresso, ou dos sonhos, isto através de imagens que reconstroem um paraíso perdido, em referência talvez mais imediata a uma origem; textos que atestam tempos e espaços contemporâneos de trânsito como, por exemplo, aeroportos, chamadas telefônicas, salas on-line de redes sociais; também textos que toda referência a uma origem é totalmente apagada. Nestes últimos, segundo Palmero González, os cronotopos do corpo e da própria escrita ocupam um lugar central.

As reescritas míticas da terra de origem ou a criação utópica de cidades imaginárias se desenvolvem no contexto de uma literatura centrada no retorno à terra natal. Dessa maneira, para Palmero González, é possível verificar assim uma Plata mítica nos textos de Nela Rio ou uma selva ilusória no romance Silver (1993), de Pablo Urbanyi. Também a reinvenção da viagem como espaço habitável pode ser vista na experiência poética de Yvonne Truque, em Recorriendo la distancia/Franchir la distance (2007), onde o motivo de habitar a distância nos conecta com um sujeito assumidamente híbrido, protagonista de uma viagem transcultural, sem início nem fim, viagem em si mesmo (Palmero González, 2011, p.72).

Segundo Palmero González, o exame do regresso alcança vôo poético nas obras El exilio y las ruinas (2000) de Luis Torres, ao tematizar a volta à terra natal e os contraditórios modos de ser estrangeiro na própria terra, voltando à pergunta de todo

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emigrado: a que lugar realmente retornamos? Palmero destaca o poema “Las preguntas”: “¿Encontrará su forma el cuerpo?/ ¿Será otra vez lo que ya fuera?/ Exiliado de sí mismo, cuerpo en ruinas, / ¿entrará su cuerpo en otro cuerpo al volver?” (apud Palmero, 2011 p.73)

Para a ensaísta, o tópico auto-reflexivo do corpo, isto é, um corpo assumido como lugar de reconciliação e reconhecimento identitário; não como expulsão e exílio, toma consistência poética nesta cronotopia imaginária. Nesse sentido, estuda o universo poético da escritora Nela Rio. No ensaio El Cuerpo torturado, mutilado en la obra poética de Nela Rio (2006), Palmero explica que o corpo torturado, mutilado, envelhecido, mas amado e dotado de poder, se instaura no sistema poético de Nela Rio. Este se revela como um lugar de enunciação privilegiado por onde decorrera um autêntico discurso da identidade.

Também a própria escritura, insistentemente metaforizada como espaço de liberação, de resistência e de vida, é motivo recorrente na obra de Nela Rio. Através da leitura de dois livros de Nela rio [(Tunel de proa verde/Tunnel of the green prow (1998) e Cuerpo Amado/ Beloved Body (2002)] Palmero tenta alcançar o sistema metapoético e auto-reflexivo da autora. Em seu estudo Desplazamiento cultural y procesos literarios en las letras hispanoamericanas contemporáneas: la literatura hispano-canadense (2011), Palmero González completa o ensaio anterior e afirma que a escrita, como tema e matéria poética, ocupa um lugar dominante na práxis literária hispano-canadense, verificando a recorrência nesse corpus das invenções de autor, dos travestismos literários, dos palimpsestos, das reescritas.

Em Los espejos hacen preguntas (1999) de Nela Rio, Palmero destaca que a obra se apresenta como um excelente exercício palimpsesto e travestismo literário. Nesta obra, Nela Rio, explicitamente toma o lugar, as vestes e o discurso de Sor Leonor de Ovando, nossa primeira poeta em terras americanas, e desenvolve um livro especular, onde aparecem ecos de Santa Teresa de Jesus “tan grande tu amor por ella/ que por ella sola murieras/ y por marte ella tanto/ al divino fuego abrazara/ y contigo

ella muriera”, (apud Palmero, 211, p. 74) ou San Juan de la Cruz : Cuando, todavía

oscuro/ el horizonte aludía a la mañana/ iba a tu encuentro alborozada, (apud Palmero, 2011, p. 74). Assim notamos que o jogo de reescrita revela a natureza palimpsestuosa de

35 todo ato escritural. Segundo Palmero, a escritora cria um lugar habitável em sua própria genealogia poética nessas transmigrações literárias. Palmero acredita que as narrativas autobiográficas, as metalepses de autor ganham espaço nessa práxis, mostrando um sujeito de múltiplos centros, transitando entre a realidade e a ficção. Aqui Palmero faz referência aos romances Cobro revertido (2003) e Las memorias del Baruni (2009), de José Leandro Urbina

Segundo Palmero, a imersão na prática da auto-reflexividade transforma a própria língua em um lugar instável e fluído, onde os efeitos da negociação cultural são mais evidentes. No livro, Extraterritorial (2002), o autor George Steiner cunhou o termo para se referir ao paradigma estético que se cria em condiçoes de deslocamento linguístico. Segundo Steiner, escritores plurilíngues instauram uma nova poética escritural quando escrevem em outros idiomas, e abandonam o materno. Nesse sentido, o Extraterritorial pode ser visto como uma poética da criação, e não somente como uma realidade cultural e linguística. Por outro lado, Steven Kellamn (2010) estuda a imaginação translinguística em escritores que se movem por vários universos linguísticos, considerando que essas posições entre línguas lhes permite desafiar os próprios limites da literatura, criando uma mobilidade na mesma.

Segundo Palmero, uma vez que a extraterritorialidade e o translinguismos são assumidos como poéticas, abre-se espaço para a legitimação estética do spanglish em artistas hispano-canadenses que, ponderando a poeticidade da linguagem, não fazem mais do que expressar o deslocamento como realidade vivida que precisa ser discursivizada. Assim cita a obra de David Rozoto ou a escrita translingual de Alejandro Saraiva.

Palmero ainda faz referência ao caminho inverso do escritor quebequense de origem chilena Mauricio Segura. Em seu romance Cote-des-negres (1998), ele faz do espanhol e do creole dois universos linguísticos que deslizam sobre o francês quebequense.

1.4. A OBRA DE JOSÉ LEANDRO URBINA NO CONTEXTO HISPANO-