• Sonuç bulunamadı

2.8. Yönlendirilmiş Kemik Rejenerasyonu

2.8.1. YKR’de Kullanılan Bariyerler

O ACNUR e o CONARE anunciaram a decisão de reassentar os palestinos no dia 20 de junho de 2007, data em que se comemora anualmente o Dia Mundial do Refugiado. O dia escolhido e o alarde na mídia52 era justificado pelo ineditismo e humanitarismo do programa de reassentamento.

As cidades e instituições escolhidas e contratadas pelo ACNUR, em 2007, para receber os refugiados palestinos, foram a Cáritas Brasileira53 em São Paulo e, respectivamente, Cáritas Regional em Mogi das Cruzes, e no Rio Grande do Sul a Associação Antônio Vieira (ASAV).

51 Duas teses de doutorado debatem sobre o aspecto político: Moreira (2012) e Silva (2013). 52 Identificamos mais de 40 matérias jornalísticas sobre a chegada dos Palestinos ao Brasil.

53 Tem uma questão aqui que eu gostaria de tratar: A Cáritas tem suas personalidades jurídicas em São Paulo: 1) a Cáritas

Arquidiocesana - que tradicionalmente trabalha com os solicitantes de refúgio e 2) a Cáritas Brasileira – que trabalha com refugiados reassentados. A organização alega que a separação foi necessária para evitar comparações e ressentimentos por parte dos solicitantes de refúgio. Se por um lado essa questão é operacional e também orçamentária, por outro, as comparações não cessaram por parte dos solicitantes de refúgio.

O grupo de 108 refugiados palestinos é reassentado no Brasil entre os meses de setembro e outubro de 2007, em quatro momentos distintos, a saber: 21/09, 05/10, 19/10 e 05/11 e o programa previa ser finalizado em dezembro de 2009 – portanto 2 anos - , numa atuação tripartite entre CONARE, ACNUR e ONGs – que escolheram os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul para o reassentamento. Para a divisão do grupo entre os estados, levou-se em consideração, sobretudo, o grau de parentesco, priorizando que estes ficassem no mesmo estado. Assim, 56 deles ficariam em São Paulo e os outros 52 no Rio Grande do Sul54.

Para entender um pouco do processo é necessário compreender a negociação feita a nível internacional para a retirada dos palestinos do campo de refugiados na Jordânia. Institucionalmente, a questão foi tratada estritamente como uma postura humanitária. Sobre isso, é preciso estar atento para a emergência da política em espaços a priori definidos como um não-lugar sociológico e político – o campo de refugiados – já que este é preenchido por relações de poder, seja aquelas que os refugiados estabelecem entre si, seja as que travam com as agências humanitárias (AGIER, 2006).

Portanto, a visão humanitária se sobressaiu no discurso midiático, mas como nos alerta Agier (2006), a questão política não está fora desse contexto, ou seja, a decisão de reassentar refugiados não pode ser entendida apenas a partir da ideia simplista do humanitarismo.

54 Esses são os números oficiais (56 e 52, totalizando 108) apresentados pelo ACNUR. Entretanto, algumas mídias,

pesquisas acadêmicas e instituições divergem sobre o número total de reassentados. Em especial o CONARE, que informa 104 palestinos. Uma explicação é que o ACNUR somou a esse número global os apátridas ou ainda o de regiões próximas como Iraque, Jordânia e Líbano.

A conjuntura no momento em que os palestinos foram reassentados no Brasil representou um importante capital político num contexto em que o país buscava se consolidar no cenário internacional55.

A reunião do CONARE, na qual se decidiu sobre a vinda dos palestinos, é tida como um marco histórico do refúgio no Brasil, sendo a decisão unânime (HAMID, 2012). Neste encontro, o representante do CONARE não só explicitou o pedido feito pelas Nações Unidas como também apresentou um vídeo de sensibilização. O Brasil recebeu os palestinos sem estabelecer seleção (Figura 1), os palestinos foram trazidos como estavam no campo, assim o grupo acolhido era heterogêneo e vivia há anos sob assistência humanitária. O programa de reassentamento para os palestinos previa:

- bolsa subsistência mensal no valor de R$ 350,00 (caso seja um núcleo familiar acrescer para cada membro, respectivamente: 75%; 50% e 25%);

- casas alugadas e mobiliadas;

- aulas de português;

- transportes e remédios (quando necessário); e

- auxílio no pagamento de contas de gás, energia e água (quando necessário).

A virtude do programa de reassentamento é o fato de ser um programa pré- definido, com orçamento, duração e alguma flexibilidade e sua fraqueza reside no

fato de não haver nenhuma transparência no processo. O programa está meramente focado na recepção dos refugiados e não na sua integração local56, que não cabe só a ONG, ao ACNUR, ao Estado ou ao Mercado. Essa é uma ação que precisa ser articulada, entre todos os atores, em suas diversas hierarquias e responsabilidades que, muitas vezes, são indelegáveis.

A recepção dos palestinos no programa de reassentamento brasileiro passou a ser vista a partir da ideia de dádiva (MAUSS, 2003). Essa ideia nos permite compreender as expectativas e os comportamentos dos refugiados.

Porque o reassentamento é uma política que não deve ser dada continuidade? O argumento mais comum na mídia para as críticas do reassentamento brasileiro residem no fato do Brasil ser um país de contrastes, apresentando desigualdades. Visto por esse lado, o argumento cai numa armadilha: porque ajudar o estrangeiro se o nacional também precisa de ajuda? Aqui o discurso da xenofobia57é dominante.

Então, é viável e desejável expandir o Programa de Reassentamento Solidário? Para Moreira (2012) do ponto de vista da política internacional brasileira, a resposta é positiva. Da perspectiva do cenário interno, a sustentação e a eficácia mínima dessa expansão estariam condicionadas a alguns elementos essenciais vinculados à cooperação entre a União, os Estados e Municípios, à oferta e ao acesso de políticas públicas sociais e à expansão e melhor coesão do papel da sociedade civil.

56 Sobre essa temática, ver o capítulo 3.

57 Segundo Rocha-Trindade(1995:p.381), xenofobia é o "[...] conceito que descreve a predisposição de um indivíduo ou de

um grupo para a aversão ou a rejeição dos indivíduos cujos padrões de cultura e práticas sociais considera diferentes dos seus, sendo por isso encarados como estranhos e indesejáveis"

Moreira (2012) identifica três variáveis que, conjugadas, indicariam a necessidade/interesse em se expandir o reassentamento solidário como parte da política internacional brasileira. Uma variável é o interesse do governo brasileiro em valer-se desse programa para ampliar sua ação e sua boa imagem no cenário internacional humanitário, fortalecendo sua atuação como ator global, como candidato a uma vaga permanente no Conselho de Segurança e como medida

soft para implantar a responsabilidade de proteger; outra variável seria o interesse da comunidade internacional, representada pelo Acnur e pelo sistema da ONU, que incentivaria o Brasil a ampliar o seu programa visando aumentar as opções do programa em nível global – e considerando a queda nos índices de repatriação apontadas pelo Relatório do Acnur de 2009); e a variável dos países envolvidos com o primeiro acolhimento, por exemplo, Equador e Venezuela, que teriam interesse em diminuir a pressão de um grande contingente de refugiados colombianos sobre a sua realidade local.

Em minha análise, no plano da política interna pode-se identificar também algumas variáveis que, conjugadas indicariam a necessidade/interesse em se expandir o reassentamento solidário como parte de uma política nacional brasileira. Uma variável econômica que é o interesse do governo brasileiro pela mão de obra migrante, cuja necessidade se dá em praticamente todos os setores econômicos. Outra variável política seria o interesse em aprovar uma nova lei das migrações, para sobrepor uma lei autoritária dos tempos da ditadura militar no país e também a criação de uma Agência Migratória que está em discussão; a variável social que seria o crescente interesse das ONGs em acolher refugiados;

e a variável solidária que dá nome ao programa que reflete o interesse do país em questões humanitárias.

O que alicerça o acolhimento de refugiados pelos Estados gira em torno da fronteira erguida entre inclusão e exclusão, admissão e rejeição, desejáveis e indesejáveis; ao mesmo tempo, enseja vulnerabilidade, indefinição e incerteza a esses migrantes internacionais forçados. Tal fronteira separa aqueles que serão inseridos na ordem social, cultural, econômica e política estatal, aqueles que terão direito a ter direitos dos que não serão contemplados (ESSED, WESENBEEK, 2004; NYERS, 2005; MARFLEET, 2006; PAPASTERGIADIS, 2000; HURRELL, 2010; ARENDT, 1989; MOREIRA, 2012).

Adicionalmente, o reassentamento é uma política que deve ser dada continuidade pelo fato de ser um movimento planejado que permite um maior controle e gerenciamento58 de todos os atores envolvidos no processo. E o Brasil tem demonstrado um conjunto de ações na direção de uma política migratória planificada. Ademais, é perfeitamente possível mudar as atitudes para reassentamento, particularmente a luz da experiência Palestina. Especialmente se nos ocuparmos do fortalecimento da capacidade de gerenciamento mais estratégico e proativo, aumentar as parcerias no processo de reassentamento e estabelecer uma política padrão de reassentamento.

58 Melhorar o nível das informações disponíveis é uma preocupação para uma melhor gestão migratória. A OIM por

exemplo, só ingressará no Brasil em 2013, através do Decreto Nº 8.101, de 6 de Setembro de 2013, Casa Civil, onde Promulga a Resolução nº1.105, de 30 de novembro de 2004, que aprova a Constituição da Organização Internacional para as Migrações - OIM e o ingresso da República Federativa do Brasil na OIM. O Brasil, irá contribuir para a Parte Administrativa do Orçamento fixada em 1,702 %.O recém ingresso da OIM no Brasil, demonstra o esforço recente de uma política migratória mais consistente.

Benzer Belgeler