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3.GEREÇ VE YÖNTEM

(P) Kemik Hacmi

4.3. Dekalsifiye Edilerek Hazırlanan Kesitlerin Histolojik Analizi

De acordo com Silva e Rodrigues:

O problema da existência de refugiados palestinos que se arrasta há mais de cinquenta anos não é outro, senão o da formação do Estado moderno, o da guerra e do deslocamento forçado, no contexto de duas visões de mundo coletivas antagônicas a respeito do território palestino e de sua ocupação, produzindo conflitos armados intermitentes (2011, p. 23).

Conflitos estes que surgem de forma sistêmica com o nascimento do Estado de Israel em 1948, logo após o final da Segunda Guerra Mundial, e a consequente reação militar, primeiramente, dos estados árabes vizinhos e de modo posterior, dos próprios palestinos, organizados política e militarmente. Desde então se mantém uma relação permanente de tensão contra o Estado Judeu sem nenhum tipo de acordo consistente e duradouro que remeta a um processo de paz estável e contínuo, apesar das muitas tentativas66 (SILVA; RODRIGUES, 2011).

66 Uma exceção a regra é o primeiro Acordo de Camp David, assinado em 1978 entre o presidente egípcio Anwar Sadat e

o primeiro-ministro de Israel Menachem Begin, neste, ambos líderes estabeleceram algumas medidas a serem seguidas como: um reconhecimento político mútuo, desocupação da Península do Sinai por Israel, limitações militares na fronteira comum, solução pacífica de controvérsias, extinção de boicotes econômicos, direitos de passagem, etc. Tal acordo demonstrou ao mundo que árabes e israelenses eram capazes de dialogar de maneira positiva, apesar de, para o Egito a paz com os israelenses ter significado o isolamento do país frente a comunidade árabe e muçulmana (inclusive a

No entanto, ao contrário do que muitos analistas defendem, a responsabilidade pela migração em massa de árabes palestinos que surgiu com as guerras contra Israel e, consequentemente, o surgimento dos refugiados, não é uma questão simples de resolver, e muito menos apenas de responsabilidade do Estado judeu.

Os impasses e os problemas históricos giram em torno da ferrenha oposição do nacionalismo judeu e árabe que perpassa toda aquela região do mundo tendo como pano de fundo o conflito milenar entre ocidente e oriente, e desta forma, os refugiados palestinos como um reflexo deste problema histórico e político. Nessa perspectiva, este conflito advém de uma conjunção entre a falta de um desfecho autônomo do colonialismo, somada à implantação de um Estado moderno adverso na região (SILVA; RODRIGUES, 2011).

Por isso, partindo dos quatro pontos fundamentais para análise da perspectiva nacionalista destacados por Manuel Castells em sua obra “O Poder da Identidade – Volume II” de 1999, podemos observar que este é o problema chave norteador do embate israelo-palestino, salvo alguns pontos de discordância. Para Castells (1999), primeiramente, o nacionalismo pode ou não estar voltado para à construção de um Estado67 soberano, iniciativa que no caso estudado se encaixa muito mais como a busca por manter a autonomia e os direitos históricos constituídos pelos palestinos em seu território do que construir o já construído, estabelecido e que foi subjugado pela decisão de terceiros, em grande medida, sem o consentimento ou consulta prévia nacional. Em segundo plano, nota-se

suspensão do país da Liga Árabe), que perdurou até o fim da década de 1980, bem como o assassinato de Anwar Sadat anos mais tarde por um radical islâmico.

67 “Segundo a compreensão moderna, Estado é um conceito definido juridicamente: do ponto de vista objetivo, refere-se a

um poder estatal soberano, tanto interna quanto externamente; quanto ao espaço, refere-se a uma área claramente delimitada, o território do Estado; e socialmente refere-se ao conjunto de seus integrantes, o povo do Estado. O domínio estatal constitui-se nas formas do direito positive, e o povo de um Estado é portador da ordem jurídica limitada à região de validade do território desse mesmo Estado.” (HABERMAS, 2002, p. 123-124).

uma confusão conceitual causada pelo eurocentrismo acadêmico ainda existente e sua tentativa de homogeneizar as realidades culturais e, até mesmo, intelectuais, sobrepujando grupos e identidades sejam de povos, sejam de nações68 que não se limitam ao Estado. Nesta conjuntura, o viés árabe, que

transcende o orientalismo e as fronteiras instituídas, é uma prova desta incoerência existente, tanto que foram os povos árabes que se uniram inicialmente para lutar em defesa dos palestinos nos primeiros e principais conflitos contra os judeus pela manutenção do território anterior as determinações da ONU.

Terceiro, “[...] o nacionalismo não é necessariamente um fenômeno das elites, não raro refletindo até mesmo uma reação contra as elites mundiais.” (CASTELLS, 1999, p. 47). Tal nota mostra o desenrolar dos atos palestinos e, consequentemente, árabes, numa associação contrária as determinações externas e tentativas de influência e desrespeito as características nacionais e identitárias de povos que não seguem as mesmas premissas ocidentais, estas se qualificando enquanto elitizadas, superiores e ideais para a vida globalizada atual. Por fim, o autor nos remete a noção de que o nacionalismo contemporâneo é mais “[...] cultural do que político, e, portanto, mais dirigido à defesa de uma cultura já institucionalizada do que à construção ou defesa de um Estado”. O que aqui não se encaixa, tendo em vista a equivalência destes conceitos na construção das reivindicações palestinas, sejam enquanto manutenção de seu território, sejam enquanto reconhecimento como grupo nacional autônomo.

68 “No uso político da linguagem, os conceitos de ‘nação’ e ‘povo’ têm a mesma extensão. Para além da fixação jurídica, no

entanto, ‘nação’ também tem o significado de uma comunidade política marcada por uma ascendência comum, ao menos por uma língua, cultura e história em comum. Um povo transforma-se em ‘nação’ nesse sentido histórico apenas sob a forma concreta de uma forma de vida em especial. Os dois componentes, que estão enleados em conceitos como ‘Estado Nacional’ ou ‘nação de cidadãos de um mesmo Estado’, remetem-se a dois processos que de modo algum decorreram paralelamente na história – à formação de Estados, por um lado, e de nações, por outro.” (HABERMAS, 2002, p. 124).

2.2 A QUESTÃO DO ESTADO SOB A ÓTICA SÓCIO-POLÍTICA:

Benzer Belgeler