• Sonuç bulunamadı

1.2. KAMU YÖNETĠMĠNĠN ÖRGÜTLENMESĠ

1.2.1. Merkezi (Üniter) Örgütlenmeyi Esas Alan Yapı

1.2.1.2. Yerel Yönetim

Pedro estuda na EJA há nove meses; tem contato com computador, mesmo sem usá-lo, há 10 anos; porém, usa o computador há dois anos, mas foi na escola que passou a usá-lo mais efetivamente, como comenta: “lá em casa não tem, tem computador mais é na casa do meu pai, sabe? E contato real mesmo de uso, na

realidade, eu fui ter aqui. [...] Lá no meu pai sempre teve. [...] eu fui aprender, com o apoio, foi aqui mesmo”.

O uso e utilidade do computador que mais lhe desperta o interesse são “pesquisa, trabalho, mando e-mail, ver meus e-mails [...] estudo para concurso”. Pedro comentou que “Ah, eu sempre tô entrando em site de concurso, agora, né. Sempre eu dou uma estudada pra ver algum concurso público, e tudo. Sempre quero fazer o da Prefeitura”. Ele acha que as aulas de Informática na escola lhe ajudam nisso. Em relação à escola, Pedro diz: “no Inglês, mesmo, eu sempre vou no Google, lá, prá mim ver uma tradução”.

Ao ser perguntado se utilizava o computador antes das aulas de Informática na escola, Pedro responde “sim, bem pouco”; sente que ficou mais estimulado e encorajado a usar o computador depois das aulas de Informática na escola.

Pedro avalia que ficou “bem melhor” o uso do computador depois que teve aulas de Informática na escola, “eu acho que pelo aprendido,pelo aprendizado que eu tive aqui [...], eu tinha que deixar ele desligado, né. Pra mim é um avanço, lá. Agora, não. Com as aulas que já eu tive aqui, né, eu já me acho bem adiantado pra poder mexer”. Em relação à melhoria de emprego fala que acha que conseguirá estar “empregado numa coisa mais fácil, né... que antes eu nem imaginava que pudesse ser pra mim, antes né, todo um processo. Agora, não, eu vou rapidinho com um atalho mais fácil, eu chego”.

O entrevistado acha que passou a usar melhor outras tecnologias depois que teve aulas de Informática na escola, como a “máquina digital, é... pen drive142, essas coisas, né. [...] Eu levo o pen drive no computador pra colocar música”, porque “depois que eu ponho a máquina digital e conecto no computador e passo pro Orkut [...] eu nem imaginava que ia fazer isso”, inclusive se lembra de um fato que considera especial, como “colocar... é... foto no Orkut”.

Pedro considera que a aula de Informática trouxe algum impacto na sua vida, “principalmente profissional”, e se lembra com certo orgulho de um fato em relação a isso, que mudou em seu trabalho, que foi o seguinte:

Porque antes tinha, né, dois níveis de pessoas, dois níveis de funcionários, lá: aqueles que conseguem lidar com o computador, porque,

142

O pen drive é um dispositivo de armazenamento de dados fácil de ser transportado, devido ao seu pequeno tamanho, que pode ser conectado rapidamente como entrada ou saída de dados do computador e retirado depois.

né... precisa dentro da empresa, e aqueles que não... não conseguem. Eu já tava naquela parte lá. Como eu não tinha condição de pagar, né, um curso bom de computação e tudo, eu ficava por ali mesmo. Mas depois que eu comecei a aula aqui, aí a coisa começou a evoluir e eu já passei para a outra turma, entendeu? Eu já tô na parte [...] Eu cheguei a mudar de função por isso. [...] Eu mexo com... com portaria. [...] Portaria de condomínio, essas coisas, entendeu? Que hoje nada é na ponta da caneta mais. Hoje é tudo no computador. Entra e sai, portaria, é tudo no computador. Pelo menos o básico eu tenho que saber, porque senão você fica pra trás. Entendeu? [...] É, consegui uma colocação melhor

Uma investigação realizada por Ana Carolina Coutinho (s/d) com trabalhadores de portarias de prédios residenciais de um bairro de Maceió, a respeito das práticas e eventos de o letramento dos sujeitos que estão, ou não, fora de sala de aula e que utilizam a leitura e a escrita em seu ambiente de trabalho, verificou que as exigências trabalhistas para a contratação de porteiros estão cada vez mais aprimoradas, o que acaba por influenciar as pessoas a procurarem obter uma formação mais adequada para que consigam se inserir nas novas requisições do mundo do trabalho. Dos trabalhadores de portaria pesquisados, 63,63% informaram que pararam de estudar por que o horário de trabalho não permitia acompanhar uma sala de aula. A pesquisa foi realizada com 20 porteiros e, ao serem perguntados se fizeram algum curso no último ano, três declararam que participaram de cursos relacionados ao trabalho, por iniciativa dos empregadores, e outros dois fizeram cursos na área de informática em busca de um emprego melhor. Esses sujeitos estavam fora da escola e foi constatado que apenas três entrevistados costumam frequentar bibliotecas, para ler e consultar livros, sendo que um deles possui a 4ª série do Ensino Fundamental, outro tem o Ensino Fundamental completo e o terceiro tem Ensino Médio completo.

Como Pedro narrou em sua entrevista, há diferentes níveis formação de porteiros. Contudo, a seleção onde um ou outro vai exercer sua profissão está diretamente ligada ao seu nível de conhecimento, letramento e interação com as TIC. De acordo com Coutinho (s/d), “essa ocupação está longe de ser extinta, mesmo com a inovação tecnológica, pois se faz sempre necessário a presença física de um trabalhador para lidar com determinadas situações do cotidiano” (COUTINHO, s/d, p. 5). Quando os educandos da EJA retornam aos estudos, em uma dimensão pessoal, eles vislumbram uma possibilidade de recuperação de sua identidade humana e cultural, restabelecendo uma autoestima oculta que favorece a sua assunção como sujeitos de suas ações. Tal dimensão

“contribui para a categoria do trabalho, de modo que o sujeito passa a

perceber a necessidade de acompanhar o advento da tecnologia, buscando adequar-se a ela, favorecendo a ampliação da visão de mundo e uma conscientização da realidade, fundamentando-se no ideal da valorização do trabalho.” (COUTINHO, s/d, p. 9).

Sobre sua experiência com o computador antes e depois da escola, Pedro relata:

”Antes da escola é quase nenhuma. Né... porque... o computador que eu mexia lá era... quase nada, porque... na casa do meu pai tem é um note book, o meu pai viaja, ele trabalha na... na Vale do Rio Doce e ele só para o final de semana. Tinha vez que chegava lá, sentava lá, e fazia o serviço no computador, então não tinha tempo nenhum. E depois da escola aqui eu comprei um. Aí, né... eu comprei, fui mexer mais.”

Perguntei, então se ele já tinha o dele e ele falou: “Antes eu não comprei porque eu não sabia mexer, né. Então, o micro tá lá... eu uso sempre alguns minutos, no caso. E agora, não, agora eu já ganhei intimidade”. Pedro também falou que usa o que aprende na escola em sua casa: “aprendendo melhor no computador, o que eu aprendo aqui e chego lá em casa à noite e pratico aquilo ali que é pra não esquecer”.

Ao final, perguntei a ele se havia algo que eu não havia perguntado e ele gostaria de falar a respeito. Então, Pedro ressalta:

“É claro que... é... o computador na escola, eu acho que isso é bem... sabe... interessante, assim... geral, né... porque, eu acho que, com ele... acho que muitas pessoas não têm... não acessam o computador em casa, nem pra mexer e tudo, nem é todo mundo. Né... então eu acho que é bem interessante... eu acho que ajuda muita gente... ou... mesmo que seja uma aula por semana e tudo, mas... assim bem... bem aproveitado”.

Moran (2006) avalia que há sérias dificuldades pela aceitação da educação online e uma delas é o peso que tem a sala de aula, pela associação feita entre a aprendizagem e esse local da instituição escolar, que tem grande peso devido ao modelo convencional de ensinar e aprender da escola. Ele fala do papel assumido pelos professores de serem responsáveis por determinada área do conhecimento e critica o método expositivo de pouca interação nesse ambiente, enquanto os estudantes ficam passivos pelo costume de receberem as informações prontas. Contudo, o pode ser verificado na escola investigada, que lá se utiliza o Laboratório

de Informática como uma sala de aula, com uma participação efetiva dos educandos, sem que alguma área do conhecimento fosse escolhida ou preterida, nem estavam de forma passiva. Seria a combinação da educação online com a sala de aula uma alternativa ao modelo de educação transmissiva? o que seria preciso fazer para dinamizar a sala de aula e fazer com que a relação entre educador, educando e objeto de estudo seja mais dialógica? qual seria o papel das TIC na sala de aula?