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2.2. TÜRKĠYE‟DE MERKEZĠYETÇĠ DEVLET ÖRGÜTLENMESĠ VE BUNA

2.2.1. Cumhuriyet Öncesi Ġdari Yapı

2.2.1.2. Tanzimat Sonrası Dönem: Katı Merkeziyetçilik

O poder de organizar o espaço se origina em um conjunto complexo de forças mobilizado por diversos agentes sociais. (HARVEY, 2005 pág. 173)

Os Planos Mineiros de Desenvolvimento Integrado e a estratégia neoliberal

Vimos no capítulo anterior que a Constituição Mineira de 1989 tornou possível a retomada do processo de planejamento no Estado. Essa retomada se refere à obrigatoriedade de elaboração permanente de planos mineiros e planos metropolitanos, fundados nas necessidades dos municípios e também na participação da sociedade civil. O interregno entre a dissolução do aparato de planejamento do Estado mineiro em meados da década de noventa e a publicação do primeiro PMDI em 2003 foi de profundas mudanças na escala nacional no campo do planejamento, principalmente porque neste período, como expusemos anteriormente, o Estado brasileiro promoveu a instauração e o desenvolvimento das determinações do Consenso de Washington, materializadas principalmente pela Reforma do Estado, pelo ajuste fiscal e pela política de privatizações. Neste período houve uma forte redução do aparato de planejamento regional, e continuaram paralisados os investimentos em infraestrutura, com a política de privatizações em curso, como apontamos no capítulo anterior.

Por outro lado, o Estatuto da Cidade (Lei Nº 10. 257 de 10 de julho de 2001) passa a ser ponto de inflexão no planejamento brasileiro a partir dos anos 2000. Como já amplamente discutido por diversos analistas, o Estatuto foi o resultado do movimento pela Reforma Urbana (Maricato, 1994, 1997, 2010; Costa, 1998; Cardoso, 1997; Fernandes, 2010), pleiteado pelos movimentos sociais que tiveram início nos anos 1960

e que voltaram à cena política nos anos 1980no Brasil. Paralelamente a esse movimento

houve também a introdução cada vez maior de experiências democráticas de gestão de municípios em todo o país. Em 2003, ocorreu ainda como resultado de uma

reivindicação dos movimentos sociais e após 40 anos de luta do movimento pela reforma urbana a criação do Ministério das Cidades. Em 2004 foi criado o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social para garantir repasses de recursos federais a Planos Habitacionais, Conselhos e Fundos estaduais e municipais.

Nesse cenário, o primeiro Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado 2000- 2003 (PMDI 2000-2003) intitulado, Uma Estratégia para o Desenvolvimento Sustentável, elaborado durante a gestão do governador Itamar Franco, apresentou-se como um diagnóstico amplo da realidade social do Estado, analisado sob cinco dimensões sistêmicas interligadas, a saber, socioeconômica, produtiva tecnológica, geoambiental, político institucional e cultural. Em cada uma das dimensões foram levantados e considerados os elementos de sustentabilidade e de insustentabilidade no cenário estadual.

O referido plano, elaborado pela Secretaria de Estado do Planejamento Geral e Coordenação Geral e pela Superintendência Central de Planejamento Econômico e Social, teceu fortes críticas ao modelo concebido pelo Consenso de Washington e materializado na política econômica do país naquele período, e atribuiu à referida política a estagnação da economia mineira durante os anos de 1990 e início de 2000. Por isso, o Estado buscou estabelecer através do plano um processo de desenvolvimento alternativo ao modelo neoliberal.

O PMDI 2000-2003 apontou também a forte crise vivenciada pelo planejamento na década de 1990 em Minas Gerais e a necessidade de centrar o planejamento na reinserção social, política, econômica e social. O plano ainda atentou para o fortalecimento do planejamento e para a necessidade de se estabelecer um processo de planejamento contínuo, envolvendo todas as regiões do Estado e com ampla participação da sociedade.

Além disso, observamos que o plano apresentou como fio condutor, o desenvolvimento sustentável. Procura-se inverter a prioridade e a centralidade do desenvolvimento econômico, colocado pelo plano como lugar comum do planejamento, e passa-se a destacar e tornar central, na exposição do texto, o desenvolvimento sustentável, entendido como a possibilidade de elevação da qualidade de vida e da equidade social. Dessa maneira, o PMDI 2000-2003 mostrou-se, reflexivo e atento não só à realidade e problemas das regiões do Estado, como também se propôs a ser um instrumento de inversão de prioridades ancoradas naquilo que definiu como

desenvolvimento sustentável, com vistas à correção das desigualdades sociais e disparidades regionais, com destaque para a implementação da participação da sociedade no processo de planejamento, e para a melhoria dos meios de informação das políticas estaduais colocadas à disposição da sociedade.

Importa destacar, que o referido plano enfatiza a importância da infraestrutura de transportes, ferroviário, hidroviário e rodoviário para o equilíbrio econômico de todas as regiões do Estado, principalmente para o escoamento da produção agrícola, industrial e siderúrgica, e, para alcançar um desenvolvimento regional equilibrado. Por outro lado, não houve qualquer menção ao sistema aeroportuário, o que poderia demonstrar a inexistência de qualquer política de planejamento em longo prazo para a extensa malha aeroportuária regional de Minas Gerais. No entanto, apesar de o PMDI 2000-2003 não mencionar, foi elaborado, através da Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas e do Departamento de Estradas e Rodagem de Minas Gerais, em parceria com o Comando da Aeronáutica, do Departamento de Aviação Civil e do Instituto de Aviação Civil o Plano Aeroviário de Minas Gerais (PAEMG), um documento de cerca de 500 páginas publicado em dezembro de 1999 que traça um perfil minucioso da hierarquia urbana mineira relacionada à aviação regional no Estado e que demonstra a grande importância do desenvolvimento da aviação para integração regional em um Estado de grande dimensão territorial como Minas Gerais.

O segundo Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado 2003-2020, e, o terceiro Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado 2007-2023, intitulado Estratégia de Desenvolvimento Estado para Resultados, refletem em grande medida a primeira e segunda plataforma de gestão do governador Aécio Neves. A primeira intitulada Choque de Gestão143, ocorreu entre 2003 e 2007. A segunda gestão denominada Estado para Resultados desenvolveu-se de 2007 a 2010, e tem o título similar ao PMDI 2007- 2023.

É possível afirmar que a parceria entre o governo estadual e organismos internacionais como o BIRD permitiu a introdução do ideário neoliberal estabelecido

143

Segundo o secretário de planejamento e investimentos estratégicos José Paulo Silveira da pasta de Bresser Pereira durante o Governo FHC, o Choque de Gestão tem como referência teórica os princípios da "Nova Gestão Pública", entendida como novas estratégias de gestão orientadas para resultados e planejamento estratégico que se iniciou no governo de Thatcher na década de 1980 e se afirmou no cenário internacional na década de 1990. Segundo o referido secretário, o Choque de Gestão também inspira-se na Reforma do Estado introduzida no Brasil por Bresser Pereira (GESTÃO MINAS, 2008, pág. 25). Atualmente José Paulo Silveira é diretor da Macroplan empresa especializada em planejamento, gestão e inovação que tem como cliente o Governo de Minas Gerais e a Prefeitura de Belo Horizonte dentre outros governos.

pelo Consenso Washington, e, juntamente com o segundo PMDI 2003-2020 instituem um novo discurso estatal, na medida em que se aproximam das novas maneiras de atuação estatal discutidas nos capítulos precedentes. O Estado modifica seu papel ao mesmo tempo em que pretende se inserir no novo contexto da internacionalização do capital. E assume um papel de articulador que trabalha ativamente para atrair investimentos e dotar o território de condições de atratividade do capital.

Os conceitos de inovação, empreendedorismo, aprimoramento tecnológico são incorporados ao discurso do Estado. Um conjunto de concepções tais como competitividade, governança, participação da sociedade, parcerias público-privadas, economia do conhecimento, capital social, sustentabilidade ambiental, qualidade da gestão estatal, passa a centralizar este discurso. Isso significa dizer o governo mineiro retomou o gerenciamento do planejamento estatal para que o território seja atrativo aos investimentos e torne-se competitivo no cenário, nacional e internacional. O PMDI 2003-2020 desenvolveu um diagnóstico do Estado e traçou cenários futuros com base em uma inserção competitiva de Minas a partir de condicionantes da escala mundial e nacional.

Dentre suas dimensões estratégicas destacam-se no PMDI 2003-2020 (Minas Gerais, 2003, pág. 52 - 55): capacidade de recuperação, modernização e expansão da infraestrutura e dos serviços de logística; volume e foco dos investimentos privados no Estado; evolução do sistema de ensino e sua articulação com as políticas de ciência e tecnologia e o setor produtivo; perfil do sistema produtivo mineiro em relação à competitividade escala e densidade tecnológica.

O AITN: estratégia de inserção competitiva nos PDDIs

Para viabilizar seus objetivos estratégicos o PMDI 2003-2020 estabeleceu, dentre outras orientações estratégicas, o Fomento inovador ao desenvolvimento econômico, no qual elegeu desafios interdependentes para alcançar o desenvolvimento do Estado, dentre eles destacam-se: agregar valor à produção estadual; incrementar a capacidade exportadora através da melhoria logística. Para tanto, o plano enfatiza a importância do Aeroporto Internacional Tancredo Neves e do capital social para elevar a competitividade do Estado,

Um primeiro passo já foi dado com a instalação do Conselho de Comércio Exterior - CONCEX mineiro. A implantação de um

complexo industrial ancorado por plataformas logísticas, como a do aeroporto internacional de Confins, é outro

desafio que se apresenta para esse Governo. Além do esforço para aumentar o capital social, no que refere à segurança, educação, saúde, habitação e ao meio ambiente, e elevar os

investimento em infraestrutura e em ciência e tecnologia, as

demais contribuições do Governo para ampliar a

competitividade sistêmica do Estado dependerão da sua

capacidade de planejar, coordenar e implementar as ações do Setor Público Estadual em articulação com os programas, projetos e iniciativas do Governo Federal, Municípios, setor privado e terceiro setor. (MINAS GERAIS, 2003, pág. 95-96, grifo nosso)

Com vistas ao alcance dos desafios propostos para o desenvolvimento econômico no Estado o PMDI 2003-2020 ressalta a necessidade de superar os problemas de desemprego e desigualdades associados à metropolização e a concentração de um quarto da população do Estado na Região Metropolitana de Belo Horizonte através da exploração de suas potencialidades para a geração de emprego e renda. Para tanto, segundo o referido plano, ações destinadas a "reforçar a função da RMBH através da melhoria de sua infraestrutura, em especial a de comércio exterior, de articuladora das diversas regiões do Estado e de canal de ligação de Minas com o mundo, serão base essencial ao desenvolvimento sustentável" (MINAS GERAIS 2003, pág. 94).

Nesse sentido, o Aeroporto Internacional Tancredo Neves passa a se constituir como estratégia chave para alavancar o desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte através do incremento de sua capacidade exportadora com a implantação do Aeroporto Industrial de Confins, por meio do Conselho Estadual de Exportação (MINAS GERAIS 2003, pág. 114). Como coloca o PMDI 2003-2020,

O principal gargalo infraestrutural do Estado são as dramáticas condições de nossas rodovias, a ausência de uma maior integração intermodal e logística eficaz. Nesse grave contexto, torna-se inadiável a recuperação das principais rodovias do Estado e a pavimentação asfáltica das rodovias de acesso aos municípios não atendidos. De igual forma é oportuno o

desenvolvimento de plataformas logísticas, com especial atenção para a RMBH - aproveitando a capacidade ociosa do aeroporto de Confins, em função de sua localização estratégica. (MINAS GERAIS, 2003, pág. 28; 75, grifo nosso)

Em sintonia e como continuação do PMDI 2003-2020, o terceiro PMDI 2007- 2023 Estado para Resultados, expressou como objetivo a consolidação do Choque de Gestão, bem como apresenta uma proposta ancorada no planejamento estratégico para atingir alcançar seus objetivos no horizonte estipulado. As bases do Estado para Resultados estabelecidos pelo plano são a qualidade e inovação em gestão pública e a qualidade fiscal. Nesse sentido, o referido plano funda seis estratégias articuladas e integradas que se somam a estratégia maior do Estado para resultados. São elas: Perspectiva Integrada do Capital Humano, Investimento e Negócios, Integração Territorial Competitiva, Sustentabilidade Ambiental, Rede de Cidades, Equidade e Bem Estar Social. Dentro das estratégias traçadas, estão associadas às idéias de competitividade, ambiente favorável aos negócios, inovação, agregação de valor à produção, qualificação profissional da mão de obra e ambiente institucional.

Observa-se no PMDI 2007-2023 que as estratégias apresentadas acima reforçam como apontamos anteriormente, o discurso do novo papel articulador do Estado, voltado para inserção do território no cenário competitivo internacional, vinculada à financeirização da economia como revela a seguir o excerto do plano,

A intensificação da globalização trouxe um significativo

incremento do volume de capitais financeiros e produtivos

em circulação ao redor do mundo, em busca da maior lucratividade. Tem-se observado acirrada competição internacional por estes recursos, o que impõe ao Estado o

papel de atrair o investimento através da melhoria da competitividade sistêmica da economia local. (...) Nos

próximos anos, por meio das ações de um Estado articulador

e facilitador, Minas Gerais buscará a construção de um ambiente de negócios ágil, competitivo. (MINAS GERAIS,

2007, pág. 11; 12, grifo nosso)

Enfatizamos ainda que o PMDI 2007-2023 apresenta como objetivo Estratégico: “promover a inserção territorial competitiva da rede de cidades mineiras nos espaços geoeconômicos nacionais”. Nesse sentido, a RMBH toma um lugar importante na discussão, pois concentra cerca de 45% do PIB mineiro. O referido plano traz toda a estratégia e discurso descrito a seguir para inserir a RMBH e o AITN dentro das "novas" ou "atualizadas" condições gerais de produção, de inspiração "schumpteriana", ou pós-fordista, baseadas na gestão voltada para o provimento da infraestrutura necessária aos mercados, como mencionamos anteriormente, inserção competitiva,

inovação tecnológica e empreendedorismo urbano. Assim, evidenciamos que o grande projeto Aerotrópole Belo Horizonte assume a centralidade do redesenvolvimento econômico da Região Metropolitana de Belo Horizonte, com base nos critérios anteriormente mencionados pelo referido plano,

Já a integração competitiva da economia estadual ao mercado internacional requer a atração e promoção de investimentos (...) em setores de maior conteúdo tecnológico. Adicionalmente, mostra-se de suma relevância a adequação e modernização

da logística de alta capacidade para exportação (incluindo o Aeroporto Industrial), (...) o aumento da inovação tecnológica no processo produtivo, a expansão dos programas de formação profissional orientados pela demanda

e o desenvolvimento dos setores de silvicultura, biocombustíveis e turismo. A estratégia para integração espacial competitiva das regiões de baixo dinamismo é orientada pela necessidade de incorporação das mesmas à lógica de mercado. Isto requer o desenvolvimento da infraestrutura, visando o acesso a mercados; a busca ativa de empresas âncoras; a promoção do empreendedorismo. (MINAS GERAIS, 2007, pág. 14, grifo nosso)

O quarto Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado 2011-2030, intitulado Gestão para a cidadania, e que coincide com a plataforma de gestão do governador Antônio Anastasia, atualiza e consolidam os dois planos anteriores. O plano recebeu contribuições e foi aprovado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, sob a forma da Lei Estadual nº 20.008 de 04 de janeiro de 2012.

Inicialmente foi traçada no PMDI 2011-2030 a evolução da inserção mineira na conjuntura nacional e internacional nos últimos anos, em seguida ressaltou-se a posição do Estado frente a escala nacional e mundial. Com base no cenário atual foram traçados, os objetivos estratégicos, meta síntese das redes, os indicadores para obtenção dos resultados almejados. O plano apresenta uma regionalização das estratégias, com a

caracterização econômica e social das dez regiões de planejamento144 do Estado, o

delineamento do modelo de governança para viabilização da gestão regionalizada e participativa e os indicadores e metas regionalizadas nas áreas da saúde, educação e segurança.

A retórica presente no plano pauta-se na concepção de um "Estado Aberto" e que estabelece parcerias com todas as esferas da sociedade, sem abrir mão do papel de

144 As dez regiões de planejamento do Estado são: Noroeste, Norte, Rio Doce, Mata, Sul, Triângulo, Alto

Paranaíba, Centro-Oeste, Jequitinhonha/Mucuri e Central.

regulador e articulador da vida social e das atividades econômicas (Minas Gerais, 2013, pág. 58). A ênfase maior do plano se dá em torno do discurso sobre a governança através do aprimoramento do processo de gestão pela formação de redes. A noção de rede foi estabelecida com a intenção de superar os maiores problemas relacionados a governança, que são segundo o PMDI 2011-2030 (Minas Gerais, 2013, pág. 62), “a setorialização (fragmentação) e a ineficiência na obtenção de resultados. Sua superação pressupõe a integração de perspectivas heterogêneas, em arranjos que otimizem esforços para fins comuns”.

Por último, o PMDI 2011-2030 (Minas Gerais, 2013, pág. 33), apresenta de maneira enfática a carência da infraestrutura de transporte e logística como fatores determinantes para a redução da competitividade do Estado e de sua posição considerada pelo plano "pouco confortável" frente ao “acirramento da competição” com os demais entes da federação. Por isso, atribui ao gargalo logístico sua posição desfavorável,

Não obstante às realizações dos últimos anos, há precariedade

nas rodovias e insuficiência dos modais ferroviário e aéreo.

Os portos, responsáveis pelo escoamento da produção estadual, também são um gargalo logístico e se constituem em importante inibidor da base industrial mineira. (MINAS GERAIS, 2013, pág.110, grifo nosso).

Nesse contexto, identificamos que na matriz discursiva do PMDI 2011-2030, a atuação estatal se pauta nas novas atribuições do “Estado Schumpteriano” pós-fordista, associadas à inovação, competitividade, capital social como vimos no capítulo 1 e 2 desta pesquisa, e também associa todos esses elementos a “conectividade logística”, que como vimos, faz parte da lógica do modelo Aerotrópole. Como revela o referido plano,

Diante do aumento significativo da importância da capacidade de inovação e da qualificação técnica e científica para a competitividade das empresas e da multiplicação de oportunidades de novos negócios neste campo, Minas Gerais

deve garantir uma alta capacidade de conectividade e de logística para dar suporte às atividades econômicas neste

campo, assim como aprimorar a infraestrutura das cidades que concentram essas atividades (MINAS GERAIS, 2013, pág. 45, grifo nosso)

Com este discurso o referido plano tem como Meta Síntese, a "Infraestrutura adequada, proporcionando mais competitividade e qualidade de vida". As estratégias relacionadas à Rede de Infraestrutura no PMDI 2011-2030 (Minas Gerais, 2013, pág.112) também seguiram o mesmo fio condutor da integração e inserção competitiva do Estado. Como "Estratégias Prioritárias" o PMDI 2011-2030 (pág.113) colocou

Implantar o hub logístico no entorno do Aeroporto Internacional Tancredo Neves (AITN), e especificamente sobre o Aeroporto Internacional Tancredo Neves o PMDI

2011-2030 ressalta,

No que se refere ao modal aeroviário, dados do BNDES apontam que, em 2009, o Aeroporto Internacional Tancredo Neves operava acima de sua capacidade de trafego de passageiros, ocupando o sexto lugar no ranking nacional. A estimativa é de que a demanda para os aeroportos mineiros, incluindo o Aeroporto da Pampulha, tende a aumentar em 27% até 2014 e em 195% até 2030, enquanto a demanda para os aeroportos de São Paulo tende aumentar 20,5% até 2014 e 133% até 2030. O enfrentamento a esses gargalos tem o potencial de alçar Minas Gerais à condição de “Estado Logístico do Brasil”, em função de seu posicionamento geográfico estratégico em âmbito nacional e sul-americano. (MINAS GERAIS, 2013, pág. 111)

Até aqui expusemos que os Planos Mineiros modificaram o discurso do planejamento a partir dos anos de 2000. No âmbito do discurso apontaram também novas formas de gestão que se associam fortemente com o novo papel articulador e regulador do Estado, os quais direcionam-se através da implementação do planejamento considerado estratégico que põe em relevo a governança, o empreendedorismo, e a inovação como forma de inserção competitiva do Estado nas escalas nacional e internacional, ancoradas nas idéias neoliberais e pós-fordistas sobre as quais refletimos no capítulo 2.

Entendemos também que como vimos no início desta tese, no caso específico do Estado de Minas Gerais, a atuação governamental foi decisiva para a instauração e consolidação do processo de industrialização, e urbanização. Esta atuação se deu de maneira ora antecipada e ora articulada ao planejamento das escalas nacionais. O Estado sempre procurou estabelecer uma articulação direta com os setores do capital privado, considerados estratégicos, na produção das infraestruturas necessárias ao desenvolvimento das condições gerais de produção, com vistas ao posicionamento competitivo e ao mesmo tempo complementar da economia mineira frente aos demais entes da federação principalmente, São Paulo e Rio de Janeiro.

Assim, o planejamento estatal exerceu em Minas um papel fundamental no ordenamento do território. Embora tenha sido construído fundamentalmente sob bases tecnocráticas. As potencialidades e os recursos naturais presentes no território do Estado foram desde os anos de 1920, associados à produção de infraestruturas de transporte e institucionais, estrategicamente direcionados pelo Estado para alcançar a inserção do Estado na economia capitalista através da industrialização amparada no modelo Keynesiano e posteriormente fordista de produção, e, para posicionar economicamente o Estado frente aos demais Estados brasileiros.

Voltamos à questão da Região Metropolitana, para afirmar que os PMDIs aqui analisados, privilegiam o Aeroporto de Confins Internacional Tancredo Neves (AITN- CNF), como o principal projeto estruturante, do ponto de vista econômico, para uma região deprimida economicamente da Região Metropolitana de Belo Horizonte, o Vetor Norte. Observamos que o AITN é visto a partir do segundo PMDI 2003-2020 como potencialmente responsável por uma reinserção estratégica da metrópole o que instaura o processo de reestruturação pós-fordista da metrópole.

Dentro do contexto do reconhecimento a partir da Constituição Mineira de 1989 da necessidade do planejamento metropolitano, a importância da retomada do