BÖLÜM V.................................................................................................................................. 65
5. BULGULAR
5.2. YEREL TOPLUMUN DENEYİMİNE İLİŞKİN BULGULAR
5.2.4. Yerel Toplum İle Gürcü Göçmenler Arasındaki İletişim
A construção dos princípios do poliamorismo leva em consideração o fato de o poliamor não ser apenas uma prática. Pelo contrário, ele é, para alguns, uma teoria sobre relacionamentos. A partir dessa premissa, pode-se falar em cinco princípios que informam o poliamor contemporâneo, com a finalidade de organizá-lo e explicá-lo (EMENS, 2003, p. 36). Esses princípios têm como origem o trabalho de Elizabeth Emens, professora da
Columbia Law School, que compilou uma série de comentários poliamorosos que apontam
certos elementos como centro de descrição – vez que são frutos da experiência adquirida em relações poliamorosas – e de aspiração – pois representam mecanismos voltados para se chegar ao êxito nessas relações, bem como configuram uma visão ética de como os relacionamentos devem ser conduzidos (EMENS, 2003, p. 36).
A professora, no entanto, destaca que, por não conhecer qualquer estudo sobre o conteúdo do poliamor contemporâneo e por motivos como a grande diversidade de relacionamentos poliamorosos, seu objetivo não é afirmar que as relações de poliamor que obtêm sucesso seguem esses princípios. Diversamente, o seu propósito é demonstar a seriedade com que o poliamor trata as questões éticas e práticas sobre como devem ser conduzidos os seus relacionamentos (EMENS, 2003, p. 37).
Com isso, Elizabeth Emens (2003, p. 37, tradução nossa), salientando que sua construção deriva do esforço em sintetizar o conteúdo de diferentes fontes de informação, preconiza que:
Os princípios são: autoconhecimento, honestidade radical, consenso, autocontrole e a ênfase no amor e no sexo. De um modo geral, esses princípios, evidentemente, não
são os únicos princípios do poliamor. É indiscutível, porém, que o privilégio do poliamor de mais experiências amorosas e sexuais em relação a outras atividades e emoções, como o ciúme, é, pelo menos, muito especial. Além disso, outros princípios têm alguma aplicação, significado e importância particular no contexto poliamoroso.
Dessa forma, são princípios de uma relação de poliamor: (i) o autoconhecimento; (ii) a honestidade extrema; (iii) o consentimento; (iv) o autocontrole e (v) a ênfase no amor e no sexo.
Quanto ao primeiro princípio, o autoconhecimento é entendido pelos poliamorosos não apenas como um valor, mas como uma necessidade, que se realiza em duas dimensões: no entendimento de sua própria orientação sexual – heterossexual, bissexual ou homossexual69 – e no autoconhecimento relativo à sua identidade sexual quando relacionada à monogamia (EMENS, 2003, p. 37).
Além disso, os praticantes do poliamor acreditam que o autoconhecimento é o principal fator estrutural de suas relações, bem como um mecanismo a ser exercido diariamente para a obtenção de relacionamentos saudáveis e bem sucedidos. Nesse cenário, levar em consideração os seus sentimentos é imprescindível (EMENS, 2003, p. 37).
O segundo princípio das relações de poliamor, a honestidade extrema, também se traduz em duas dimensões: trata-se tanto de uma orientação filosófica de caráter amplo, quanto de uma conduta de vida exercida diariamente (EMENS, 2003, p. 38).
Nesse contexto, muitos praticantes do poliamor acreditam que nenhum ser humano vive a monogamia plena, de modo que todos seriam, ao menos indiretamente, poliamorosos. Um dos argumentos mais recorrentes para justificar essa visão seria o fato de que muitas pessoas são poliamorosas na medida em que fingem praticar a monogamia enquanto, na verdade, têm um estilo de vida não-monogâmico, pois costumam manter relacionamentos secretos sem o conhecimento de seus companheiros. “[...] Eles mentem para seus parceiros e para o mundo [...]”(EMENS, 2003, p. 38, tradução nossa).
Assim, a honestidade extrema é um modelo de vida filosófico e prático que abrange a admissão e a adoção da não-monogamia. Vale ressaltar que, para alguns poliamorosos, a honestidade é tão fundamental que não seria possível conceber o poliamorismo independentemente de sua presença, de modo que ela configuraria um elemento decisivo para a caracterização do poliamor (EMENS, 2003, p. 38).
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Cumpre mencionar que o poliamor não tolera qualquer discriminação de sexo, reunindo a igualdade sexual e todas as orientações sexuais em direção a um contexto de intimidade conjugal e amor (THE POLYAMORY SOCIETY, 2013a).
Ademais, é certo que a honestidade não é um princípio a ser seguido apenas nas relações de poliamor. No entanto, a ênfase e o destaque especial na comunicação entre os seus integrantes são traços característicos do poliamorismo, assim como a abertura para a não- monogamia, que representa o fator que distingue a honestidade poliamorosa daquela ambientada em outros relacionamentos (EMENS, 2003, p. 40).
A honestidade, inclusive, tem papel de maior destaque justamente nas relações de poliamor, vez que confere fundamento ao consenso, o terceiro princípio dessas relações. Em tal cenário, a negociação é um dos principais desafios, de forma que cada acordo relembra que o consenso é elementar para o sucesso dessas relações (EMENS, 2003, p. 40).
Ter múltiplos envolvimentos sexuais enquanto mente para seu parceiro, ou tenta fingir que ele é seu único amor, reflete uma forma superficial, egoista e destrutiva de viver (ZELL-RAVENHEART, 1990), razão pela qual a honestidade extrema é imprescindível para qualquer relação poliamorosa.
Como afirma Morning Glory Zell-Ravenheart (1990, tradução nossa), “sem honestidade completa, especialmente acerca das questões sexuais, o relacionamento está condenado [...]”.
Cumpre destacar, ainda, que a ideia de consenso no poliamorismo decorre da sua ênfase na liberdade de escolha das normas do relacionamento e no destaque às expectativas acerca da relação que cada indivíduo – e não a sociedade – traz consigo (EMENS, 2003, p. 41).
Por sua vez, o princípio do autocontrole se coloca como um contraponto aos aspectos de poder e possessividade existentes na monogamia, no sentido de reforçar a autonomia dos relacionamentos poliamorosos, por intermédio da criação e do respeito às esferas individuais de seus integrantes (EMENS, 2003, p. 41).
Por fim, elemento crucial e característico do pensamento poliamoroso se refere a uma maior experiência e esclarecimento quanto a assuntos relacionados ao amor e ao sexo. Não obstante eles façam parte de todos os relacionamentos, a diferença é que nas relações de poliamor confere-se um destaque maior ao amor e ao sexo em desfavor de outras atividades e sentimentos (EMENS, 2003, p. 43-44), permitindo-se afirmar a existência do princípio da ênfase no amor e no sexo.
Em relação ao amor, é importante constatar que os poliamorosos têm uma tendência a priorizar a conversa e outras maneiras de se criar e desenvolver a intimidade, de modo que
um elemento marcante nas suas relações é justamente a preocupação em entender o sentimento de todos os seus integrantes (EMENS, 2003, p. 44).
Já quanto à dimensão sexual, nota-se, também, uma grande diferença das ideias de monogamia. Isso porque “[…] contrários à lei da monogamia pela qual o ciúme supera o desejo e as experiências sexuais, [...] os poliamorosos sentem que o ciúme deve ser superado, para dar espaços a maiores possibilidades sexuais e amorosas [...]” (EMENS, 2003, p. 44, tradução nossa).