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Yeni Bir Toplumsal İletişim Alanı Olarak Sosyal Medya

BÖLÜM 1: YENİ İLETİŞİM MECRALARI VE SOSYAL MEDYA

1.4. Yeni Bir Toplumsal İletişim Alanı Olarak Sosyal Medya

A atuação dos comerciantes locais frente ao Projeto Nova Luz já era conhecida e divulgada pela mí- dia desde os debates para a aprovação da Lei de Concessão Urbanística no início de 2009, quando se organizaram contra as possíveis desapropriações e a perda de seus pontos comerciais e contra os princípios da Lei 14.917-09, que não apresenta quaisquer garantias de permanência a proprietários e inquilinos. Até então nada se ouvia sobre a população residente, seja inquilina ou proprietária. O que era publicado na grande imprensa sempre se relacionou à atividade comercial existente na região da Rua Santa Iigênia ou ao consumo do crack, que se tornou o estigma da área, através da denominação do distrito de Santa Iigênia e do perímetro do Projeto Nova Luz como cracolândia pela imprensa e pelo poder público.

Figuras 2.21 e 2.22: Pas- seata contra o Projeto Nova Luz em dia de Audi- ência Pública, composta majoritariamente por representantes do co- mércio de eletro-eletrô- nicos. Janeiro de 2011, Rua Santa Ifigênia e Av. Rio Branco, respectiva- mente

Crédito: Camila de Oliveira

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Em outubro de 2010 foi formada uma associação de moradores no perímetro do Projeto Nova Luz, a Associação de Moradores e Amigos da Santa Iigênia e da Luz, a AMOALUZ, que permitiu que o debate sobre a moradia local alcançasse a imprensa e a opinião pública, bem como a participação da população residente na pauta de negociações com a Prefeitura Municipal de São Paulo e com a equi- pe do Consórcio Nova Luz. O processo de formação da AMOLUZ foi caracterizado pela diiculdade de mobilização junto à população local que, pelo grau de vulnerabilidade social existente na região, se manifestava indiferente ao projeto urbanístico ou descrente de qualquer possibilidade de trans- formação do processo advindo da manifestação popular. Os inquilinos, responsáveis por 49,5% da população local14, eram os mais relutantes em atuar politicamente frente ao processo imposto pelo

poder público, à medida que se julgavam despossuídos de qualquer direito frente a sua moradia e a vida no bairro, mesmo muitos deles sendo residentes no mesmo local há décadas. E os comerciantes locais, embora engajados na luta contra a Concessão Urbanística, se recusavam a debater o projeto com a comunidade enquanto a legislação não fosse revista.

A AMOALUZ foi criada com o objetivo principal de introduzir um processo participativo junto ao Projeto Nova Luz, até então inexistente, e garantir a permanência da população residente nas inter- venções propostas. A Associação iniciou publicamente seu posicionamento crítico frente ao projeto com uma Carta Aberta (Anexo 2.1) endereçada ao então Secretário de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem, entregue na primeira Audiência Pública do projeto, realizada em janeiro de 2011. A carta reivindicava esclarecimentos dos possíveis impactos do Projeto Nova Luz na condição ha- bitacional da população de baixa renda e na atividade econômica de seus ocupantes, e a inclusão dos moradores e comerciantes locais no processo de discussão do projeto. Foi levantado o tema do processo de transformação da área já em curso provocado pelas expectativas geradas pelo poder pú- blico e pela imprensa, como o severo policiamento nas ruas coibindo as atividades informais, a venda de imóveis ocupados por inquilinos de baixa renda e o assédio aos imóveis alugados por pequenos comerciantes. Uma das principais solicitações da carta foi o cadastramento imediato dos moradores e dos comerciantes da área do projeto Nova Luz, a im de que a população de menor renda (sobre- tudo as famílias com renda inferior a 3 s.m.) e os pequenos comerciantes, fossem identiicados e priorizados no atendimento habitacional e na ocupação das áreas destinadas ao comércio, antes que o processo de gentriicação já em curso os deslocasse para áreas distantes. O documento pedia ainda que a aplicação do Programa de Cortiços da Sehab na área do Projeto Nova Luz e seus arredores fosse revista, em função do deslocamento da população de baixa renda para outras áreas da cidade que a implementação do programa estava provocando, já que os moradores locais deveriam ter garantida a prioridade de ocupar as habitações de interesse social produzidas na ZEIS 3 C 016 (Sé).

A carta foi redigida quando a Associação ainda não se chamava AMOALUZ. Foi assinada pelo Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, UMM, Instituto Pólis, MNPR e Rede Nossa São Paulo, e mar- cou o início de um trabalho conjunto entre os movimentos de moradia atuantes na região central, que culminaria na formação do Conselho Gestor da ZEIS 3.

14 Matéria publicada no site da PMSP em outubro de 2007. Disponível em: <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/ secretarias/comunicacao/noticias/?p=132803>. Acessado em outubro de 2009.

Sobre a formação da AMOALUZ e o início de uma pesquisa participativa

Nada aparecia na imprensa sobre as pessoas que viviam no perímetro do PNL, mas nas minhas cami- nhadas e pesquisas de campo pelo bairro me deparava com dezenas de edifícios residenciais, varais pendurados nas janelas, crianças voltando da escola, comércio de bairro como padarias e sapatarias, cheiro de comida sendo preparada na hora do almoço... Ali tinha vida sim, ali vivia alguém. E não eram poucos.

Aquilo começou a me angustiar, pois o terreno estava sendo preparado para o início do que poderíamos chamar de um “processo de gentriicação”, e nada, nenhuma palavra dos moradores. Comecei então a frequentar reuniões de movimentos sociais do Centro em busca de alguma mobilização. Esbarrei nas discussões da Vila Itororó, que quase me desviaram do caminho tal a urgência que se encontravam as famílias ameaçadas de despejo. Eis que chego a uma reunião do Fórum Centro Vivo, quando ele ainda tentava se manter ativo perante as desarticulações que se sucediam, e questionando o grupo sobre a existência de algum movimento organizado por moradores na área da Nova Luz, uma arquiteta es- panhola, Judith, que estudava habitação social no Brasil, me falou sobre uma moradora do bairro que havia criado um blog sobre a possível desapropriação do seu prédio pelo Projeto Nova Luz. Foi o sinal de fumaça para o redirecionamento da minha posição como pesquisadora frente a um processo em curso altamente dinâmico. Eu deixaria de ser mera expectadora para participar ativamente de um longo e tumultuado processo de participação popular.

O nome da autora do blog intitulado Apropriação da Luz era Paula Ribas, jornalista, 36 anos, mora- dora de um prédio localizado na Rua Aurora, o Palacete Lellis, cadastrado no Programa de Cortiços da Sehab. Nosso primeiro encontro foi na casa onde ela morava, o apartamento da sua mãe, proprietária de imóveis subdivididos em cômodos locados para moradores de baixa renda. Conversamos durante horas. Ela falou sobre a história da família no bairro, me contou que ali nasceu, que sofreu bulling quan- do estudava no colégio Sagrado Coração de Jesus por morar em um bairro de prostitutas. Me contou sobre os medos dela e da família em relação ao Projeto Nova Luz. Seriam desapropriados, indenizados por valores não equivalentes ao valor dos imóveis, teriam que abandonar o lugar onde escolheram para Figuras 2.23 e 2.24: Fotos tiradas por uma caminhada no bairro em meados de 2009, no início da pesquisa Crédito: autora

140 141 viver e construíram seus laços sociais. Eu falei sobre a minha pesquisa, expliquei o que era gentriicação,

dei exemplos de casos emblemáticos de intervenções urbanas que tinham como resultado a valorização das áreas e a expulsão da população residente. Falei sobre o direito à moradia, sobre a condição dos locatários como maiores vítimas deste processo, sobre a existência de uma ZEIS (e seu signiicado) no perímetro de intervenção e sobre a importância da mobilização social. No inal de uma longa conversa me coloquei a disposição para ajudar na formação de uma associação de moradores, tão urgente e ne- cessária para enfrentar o que estava por vir, já que mobilização dos moradores seria fundamental para a formação do Conselho Gestor da ZEIS. E assim começamos. Criamos a Associação na semana seguinte, em outubro de 2010, oicializada em fevereiro de 2011. Uma caminhada que consumiria todo nosso tempo livre, e o não livre também, durante mais de dois anos.

Antes de me encontrar com a tal “moradora da Rua Aurora”, imaginava que me depararia com o per- il proprietário”: dona de imóveis, preocupada com o valor das indenizações, mas ao mesmo tempo feliz com a possibilidade de valorização da região. Tinha o agravante ainda por se tratar de ilha de proprietária de cortiços, onde a renda da família é oriunda dos aluguéis de cômodos (proporcio- nalmente caros) para famílias e indivíduos pobres, cuja mudança destes para condições melhores de moradia, proporcionada por um Plano de Urbanização de ZEIS, poderia acarretar na desestabi- lização da renda familiar. E então que me deparo com uma mulher altamente sensibilizada com as condições sub-humanas de moradia e de trabalho, que chora e ri com igual intensidade, que abraçou a minha causa anti-getriicação com mais braços do que ela mesma poderia ter.

No início eram duas mulheres sozinhas tentando arrecadar seguidores em uma multidão. Multidão composta na sua maioria por imigrantes ilegais, trabalhadores informais, mães solteiras, idosos. Indi- víduos moradores de cômodos alugados, os tais cortiços, onde o quarto da família é também cozinha e sala de estar, onde o banheiro é compartilhado por todos e a área de lazer é a soleira da porta. No entanto, grande parte dessa multidão não nos seguia se sentiam a parte de qualquer tipo de direitos, estavam ali “por acaso”, poderiam ir do dia pra noite para outro lugar qualquer assim como chegaram lá, era assim que pensavam. No entanto, era o tal “peril proprietário” que mais se aproximava, aqueles com algum grau de instrução, que queriam batalhar para defender sua propriedade ou seu comércio. Conseguimos atingir um grande número de moradores e comerciantes quando, na busca por uma forma de contato com a população, Paula e sua companheira Camila de Oliveira, a fotógrafa que nos acompanhou em tempo integral e tirou as fotos usadas neste trabalho, idealizaram o “Papo com Megafone”. O ponto de ataque era a feira livre da Rua dos Andradas aos domingos. Paula andava pela rua entre feirantes e moradores e chamava a população para as Audiências Públicas do projeto e para as nossas reuniões. Conforme ela passava e entregava os folhetos, janelas das casas iam se abrindo. Muitos não sabiam do que se tratava, outros tinham ouvido falar, mas não acreditavam que o tal projeto iria pra frente.

Foi assim que reunimos, no dia 25 de janeiro de 2011, cerca de 70 pessoas para nossa primeira reu- nião aberta no bairro em um galpão cedido por um comerciante local. Neste momento a AMOALUZ, Associação de Moradores e Amigos da Santa Iigênia e da Luz, já agregava simpatizantes e colabora- dores, que vieram se aliar à causa depois de entrar em contato com o blog da Paula ou por convite de conhecidos. Neste primeiro encontro aberto à população apresentei uma leitura crítica do projeto aos moradores, que tiveram a oportunidade de se deparar com a proposta da prefeitura pela primeira vez. Foi um momento também marcado pelo início do conlito entre comerciantes e moradores, que viria acompanhar todo o debate em torno do Projeto Nova Luz. Ao inalizar a apresentação para os moradores, fui chamada de “mocinha da prefeitura” pelo presidente da Associação de Comerciantes da Santa Iigênia (A.C.S.I), Paulo Garcia. Na visão dele, o projeto não deveria entrar em pauta pois

Acima, Figura 2.25: Paula Ribas em uma das passeatas rumo à Audiência Pública do Projeto Nova Luz, quando a AMOALUZ ainda se chamava “Associação dos Moradores da Luz”. Abaixo, Figura 2.26: Paula Ribas e o “Papo com Megafone” realizado em um domingo do ano de 2010 no perímetro do Projeto Nova Luz.

142 143 Figura 2.28: Reunião entre a AMOALUZ e os movimentos de moradia com a atuação na área central, Ocupação

Mauá, 2011

Crédito: Camila de Oliveira

Figuras 2.27: Paula Ribas e o “Papo com Megafone” realizado em um domingo do ano de 2010 no perímetro do Projeto Nova Luz.

Crédito: Camila de Oliveira

o que deveria ser discutido era a anulação da Lei da Concessão Urbanística, e qualquer discussão sobre o projeto seria uma legitimação da legislação aprovada. A população deveria se posicionar contra, somente. Já nós, tentamos desde o início trabalhar a informação e a emancipação dos atores envolvidos. Considerávamos imprescindível que todas as etapas que envolvesse a intervenção fossem apresentadas à população, através de uma leitura crítica que apontasse todos os problemas e os riscos do processo, mas que permitisse a formulação de opiniões e o empoderamento dos atores envolvidos. Essa visão atraiu um grupo heterogêneo, composto não somente por moradores e simpatizantes, mas também por comerciantes que queriam debater melhorias para o bairro e não se sentiam representa- dos pelas associações de comerciantes. O grupo crescia, era um bom sinal. Fazíamos reuniões com o Consórcio Nova Luz e com a SMDU, pressionávamos a prefeitura para a formação do Conselho Ges- tor da ZEIS, insistentemente, e levávamos as respostas para as reuniões da associação. Enquanto eu preparava documentos com propostas, solicitações, pautas e críticas, Paula liderava a comunicação no “Papo com Megafone” e cedia entrevistas à imprensa, que já havia identiicado a mobilização dos moradores através das nossas manifestações nas Audiências Públicas. Contudo, ainda não tínhamos conseguido atingir o alvo mais importante, o morador de cortiço e o trabalhador informal, ou seja, os que seriam as maiores vítimas de um processo de gentriicação.

Foi então que demos o primeiro passo para alcançar esta meta: começamos a frequentar as Pré-jor- nadas da Moradia, organizadas pelo Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos. Levamos nossa pauta, nos inserimos a um diálogo já existente sobre o Projeto Nova Luz e nos aproximamos dos movimentos sociais de moradia. Embora já tivéssemos, timidamente, o apoio de algumas destas entidades (quando solicitamos assinatura para uma carta aberta entregue ao então secretário Miguel Bucalem na Audiência Pública realizada em janeiro de 2014), ainda não havíamos iniciado um tra- balho conjunto de fato. Começamos então a fazer reuniões periódicas, sediadas na Ocupação Mauá, visando à formação do Conselho Gestor da ZEIS. A escolha da Mauá como sede das reuniões se deu devido à emblemática posição que a ocupação ocupava no contexto do projeto, que previa sua demolição para a construção de um centro de entretenimentos, sem prever a inserção da população residente na produção de interesse social. O fato das reuniões pré-formação do Conselho Gestor de ZEIS acontecerem na Mauá provocou o desligamento de muitos membros da associação, que não concordavam com a defesa da pauta dos ocupantes de moradia. A AMOALUZ se assumia neste mo- mento, não como uma associação de bairro tradicional, disposta a defender os interesses do bairro e de seus membros, mas construída para atuar em uma dimensão mais ampla, de abrangência social junto aos movimentos de moradia, focada nas questões vinculadas à produção de habitação de inte- resse social e à garantia de permanência da população residente na área de intervenção.

E assim prosseguimos com reuniões semanais na Ocupação Mauá, na sede do Projeto Nova Luz e na prefeitura, entre trancos e barrancos com comerciantes, moradores e movimentos sociais. Críticas vieram de todos os lados, mas sempre seguidas de algum tipo de redenção. Dos moradores contra o nosso apoio às ocupações, alguns se afastaram, outros permaneceram. Dos comerciantes contra qualquer debate sobre o projeto e contra a formação do Conselho Gestor, tornaram-se membros do Conselho e passaram a frequentar as reuniões na Ocupação Mauá, redigindo documentos con- juntamente com os defensores da moradia. Os membros de movimentos sociais que eram contra o viés técnico que trazíamos ao debate, defendendo a manifestações e a ocupação das ruas como único caminho, também mantiveram-se presentes. No inal do processo de debate sobre o Projeto no Con- selho Gestor, em ano de eleições municipais, as reuniões já estavam esvaziadas, militantes cansados, um assunto sem im que havia se esgotado. Até mesmo os gestores do projeto, Sehab e SMDU, em vista de uma eminente derrota política nas eleições, já empurravam o debate com a barriga. Paula e eu voltávamos a ser duas, vez ou outra, para depois reencontrarmos a multidão.

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2.5.3 Conselho Gestor da ZEIS 3 do Projeto Nova Luz: processos de

formação

O sistema de gestão das ZEIS se dá através do Conselho Gestor, instância deliberativa instituída pelo §1º do Artigo 175 do Plano Diretor, que determina a sua constituição em todas as ZEIS, devendo ser compostos por representantes dos atuais ou futuros moradores e do Executivo, que deverão partici- par de todas as etapas de elaboração do Plano de Urbanização e de sua implementação.

A forma de constituição e atribuições do Conselho Gestor está detalhada no Art. 22 do Decreto nº 45.127, de 13 de agosto de 2004, que altera disposições do Decreto nº 44.667. A legislação determina que o Conselho Gestor seja formado pela Sehab no início do processo de elaboração do Plano de Urbanização. O Conselho Gestor deve ser composto por “[...] representantes do Poder Público e da sociedade civil, abrangendo moradores, suas associações e proprietários de imóveis localizados em ZEIS, observada a paridade entre o número de representantes do Poder Público e da sociedade civil.” (PMSP, 2004a). Segundo o decreto, cabe ao Conselho Gestor elaborar e aprovar seu regimento inter- no, bem como a forma de participação da população e de organizações não governamentais atuantes na área, em suas discussões e nas deliberações referentes ao Plano de Urbanização.

A formação do Conselho Gestor da ZEIS 3 C016 Sé, inserida no perímetro do Projeto Nova Luz, além de ser pré-requisito legal determinado pelo PDE e pelos Decretos que regulamentam as disposições sobre as ZEIS e seus Planos de Urbanização, também é parte integrante das exigências do Termo de Referência que rege o contrato do Projeto. Contudo, até abril de 2011, a poucos meses do prazo inal para a entrega do projeto consolidado (antes das posteriores revisões que se sucederam) o Conselho Gestor ainda não havia sido formado, contrariando o Art. 18 de Decreto 44.667 de 2004, que deter- mina a formação do Conselho Gestor como a primeira ação a ser realizada para o desenvolvimento dos Planos de Urbanização das ZEIS.

Em abril de 2011, quando o PUZEIS desenvolvido pela Cia City estava com sua versão preliminar inalizada, a Secretaria Municipal de Habitação iniciou as reuniões com moradores do perímetro da ZEIS para a formação do Conselho Gestor, após reivindicações da sociedade civil junto à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e à Sehab. Estas reivindicações estão registradas em três atas de reuniões realizadas na Prefeitura com a AMOALUZ e os movimentos de moradia que antecederam ao início do processo de formação do Conselho Gestor. As atas (Anexo 2.2) apontam a pressão exercida junto ao poder público para a abertura de um canal de comunicação com moradores e entidades sociais ligadas à moradia, até então inexistente, e para a formação do Conselho Gestor, até então sem nenhu- ma previsão de implantação.

A primeira reunião, realizada em 24 de março de 2011, ocorreu dois dias após a AMOALUZ ter lagrado uma reunião fechada entre comerciantes da região da Rua Santa Iigênia e a SMDU, discu- tindo as intervenções do Projeto Nova Luz no comércio local15, enquanto nenhuma abertura para

comunicação havia sido dada aos moradores. Após a revindicação para uma abertura de diálogo com 15 Esta “preferência” do poder público representava as disputas de poder existentes no território do Projeto Nova Luz. De um lado moradores, na sua maioria pobres e despolitizados, do outro comerciantes, na sua maioria trabalhadores e locatá- rios de pontos comerciais, porém liderados por meia dúzia de proprietários não só dos imóveis da região mas à frente das associações de comerciantes locais. Ou seja, proprietários que detinham não somente o poder econômico, mas, também, a inluência de mobilização social de toda uma classe de trabalhadores de um setor de alto valor econômico para o município. Os comerciantes da Santa Iigênia conquistaram ainda mais inluência com a pressão popular que eles representavam no