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III. Araştırmanın Hipotezleri

1. TEMEL KAVRAMLAR

2.5. Eğitim ve Yemin

2.5.2. Yemin Kullanarak İyi İnsan Yetiştirme

A pesquisa realizada teve um caráter do tipo exploratório, com o objetivo de obter dados quali-quantitativos que permitam explanações sobre a atuação do Bibliotecário no campo jurídico em Belo Horizonte.

As informações necessárias ao levantamento dos dados foram obtidas através de entrevista semi-estruturadas, utilizando a análise de conteúdo nas fases de coleta e análise dos dados.

Falando sobre a pesquisa qualitativa, Haguetti (2005, p.63) nos mostra que o método nos permite

uma compreensão profunda de certos fenômenos sociais apoiados no pressupostos da maior relevância do subjetivo da ação social face à configuração das estruturas societais, seja a incapacidade da estatística de dar conta dos fenômenos complexos

e dos fenômenos únicos “e ainda que”os métodos qualitativos enfatizam as

especificidades de um fenômeno em termos de suas origens e de sua razão de ser.

A análise qualitativa de dados deve, segundo Cortes (1998, p. 19) ser precedida “da coleta de informações passíveis de serem assim analisadas”. A autora apresenta as técnicas mais usadas para a coleta de dados e dentre elas, destacamos, para o contexto deste trabalho, a entrevista semi-estruturada que, segundo a autora, tem como característica principal

basear-se em um roteiro que apresenta questões com respostas abertas, não previamente codificadas, nas quais o entrevistado pode discorrer livremente sobre um tema proposto ou pergunta formulada, embora possa apresentar algumas indagações com respostas previamente codificadas.

A entrevista, como forma de coleta de dados, pode ser definida como um processo onde interagem socialmente duas pessoas: o entrevistado e o entrevistador tendo por objetivo obter informações sobre um determinado tema; os dados podem ser obtidos por meio de um roteiro de entrevista (lista de pontos ou tópicos estabelecidos de acordo com o problema de pesquisa) que deverá ser seguido durante o processo. (HAGUETTI, 2005, p.86)

Este processo contém quatro elementos componentes que devem ser levados em consideração: a) o entrevistador, b) o entrevistado, c) a situação da entrevista, d) o instrumento de captação de dados, ou o roteiro de entrevista. Vários são os cuidados a serem observados para que a objetividade da pesquisa não seja comprometida por vieses como o próprio roteiro de entrevista (a forma como foi elaborado), a visão subjetiva do informante (entrevistado), falta de espontaneidade por parte do entrevistado, entre outros. A autora chama a atenção para a necessidade de o pesquisador estar atento às condicionantes externas e internas à entrevista, pois elas podem comprometer de maneira considerável o resultado obtido. (HAGUETTI, 2005, p.86).

4.1.1. A Análise de Conteúdo

A análise de conteúdo é um dos tipos de análise qualitativa de dados e tem, de acordo com Cortes (1998, p.29), o mérito de ser “um modo criativo e ao mesmo tempo rigoroso de leitura sistemática de primeiro plano do material empírico, visando atingir uma interpretação que ultrapassa os significados manifestos”.

De acordo com Bardin (1988, p. 18), a definição de análise de conteúdo surge no final dos anos 40-50, com Berelson, auxiliado por Lazarsfeld: “a análise de conteúdo é uma técnica de investigação que tem por finalidade a descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação”. Bardin (1988, p.42), define a análise de conteúdo como

um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, obter indicadores quantitativos ou não, que permitem a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) das mensagens.

A análise de conteúdo organiza-se em três “pólos cronológicos” (BARDIN, 1988, p.95).

1) A pré-análise: resumidamente, pode ser definida como a fase da organização propriamente dita do material, tendo por objetivo tornar operacionais e sistematizar as idéias iniciais.

2) A exploração do material: administração sistemática das decisões tomadas na fase anterior. É a fase de análise mais profunda do material, tendo como base as hipóteses e o referencial teórico da pesquisa (SILVA b et al, 2005, p.75).

3) Tratamento dos resultados - fase de tratamento dos resultados brutos de maneira a torná-los significativos; nesta fase, gráficos, diagramas, etc destacam as informações fornecidas pela análise.

O campo de aplicação da análise de conteúdo é extremamente vasto, “Em última análise qualquer comunicação, isto é, qualquer transporte de significações de um emissor para um receptor controlado ou não por este, deveria poder ser escrito, decifrado pelas técnicas de análise de conteúdo”. Citando Henry; Moscovivi, Bardin (1988, p. 31-33) mostra que “tudo o que é dito ou escrito é susceptível de ser submetido à análise de conteúdo”. Os diferentes contextos nos quais a análise de conteúdo pode ser aplicada são especificados no quadro a seguir (VALENTIM, 2005).

QUADRO I

Aplicações da Análise de Conteúdo

Domínios possíveis da aplicação da Análise de Conteúdo

Número de pessoas implicadas na comunicação Código e

suporte

Uma pessoa Monólogo

Comunicação Dual –

“Diálogo” Grupo restrito Comunicação de massa

Lingüístico

Escrito Agendas, maus pensamentos, congeminações, Diários íntimos. Cartas, respostas a questionários e a testes projetivos, Trabalhos seculares Ordens de serviço Numa empresa, todas as comunicações escritas, trocadas dentro de um grupo. Jornais, livros, Anúncios publicitários, cartazes, literatura, textos jurídicos, panfletos. Oral Delírio do doente

mental, sonhos. Entrevistas e conversações de Qualquer espécie Discussões, entrevistas, conversações de grupo de qualquer natureza. Exposições, discursos, rádio, televisão, cinema, publicidade, discos. Icônico sinais, grafismos, imagens, fotografias, filmes,etc.) Rabiscos mais ou menos automáticos, grafites, sonhos.

Resposta aos testes projetivos,

comunicação entre duas pessoas

através da imagem

Toda a Comunicação icônica num pequeno grupo (p.ex.: símbolos icônicos numa sociedade secreta, numa casta...). Sinais de trânsito, cinema, publicidade, pintura, cartazes, televisão. Outros códigos semióticos

(i.é, tudo que não sendo lingüístico pode ser portador de significações; ex.:música, objetos, comportamento, espaço, tempo, sinais patológicos, etc.) Manifestações histéricas da doença mental, posturas,gestos, tiques,dança, coleções de objetos.

Comunicação não verbal com destino a outrem (posturas, gestos, distância espacial, sinais olfativos, manifestações emocionais, objetos quotidianos, vestuário,

alojamento),comportamentos diversos, tais como os ritos e as regras de cortesia. Meio físico e simbólico: sinalização urbana, monumentos, arte; mitos, estereótipos, instituições,elementos de cultura.

O método de Análise de Conteúdo pode ser aplicado utilizando-se de variadas técnicas. Para o presente estudo, destaca-se a análise categorial que “trata do desmembramento do discurso em categorias, em que os critérios de escolha e de delimitação orientam-se pela dimensão da investigação dos temas relacionados ao objeto da pesquisa, identificados nos discursos dos sujeitos pesquisados”. (VALENTIM, 2000, p.126).

A construção de categorias é uma etapa fundamental da análise de conteúdo, pois são “elas que estabelecem os vínculos entre o problema da pesquisa e os resultados” (CORTES, 1998, p. 34). As categorias representam, segundo a autora, “elementos significativos em função dos quais se classificará e quantificará o conteúdo” e alguns princípios devem ser observados na construção das categorias:

1) Exaustividade: o conteúdo deve ser classificado em sua totalidade.

2) Exclusão: as categorias devem ser exclusivas: um determinado conjunto de material não deve pertencer a mais de uma categoria

3) Objetividade: diferentes classificadores devem ser capazes de classificar os elementos na mesma categoria

4) Pertinência: Devem estar relacionadas ao material a ser analisado e ao referencial teórico de orientação da pesquisa, bem como com os objetivos desta.

Trazendo à tona a velha “luta” entre os defensores das pesquisas quantitativas e os que defendem métodos qualitativos de pesquisa, Cortes (1998, p. 13) nos mostra, citando Howard Becker (1994), que o autor “defende o modo artesanal de fazer ciência”, ou seja, “cada pesquisador produz os métodos necessários para o trabalho que está sendo feito, pois se a pesquisa tem o propósito de resolver um problema específico, deve fazê-lo dentro de um ambiente particular, recorrendo a técnicas também apropriadas àquele problema”. No entanto, destaca a autora citada que “seja qual for a técnica de análise empregada, ela deverá sempre envolver o maior grau de sistematização analítica possível de modo a permitir que se vá além da descrição exaustiva e entediante da realidade empírica

A autora segue seu raciocínio dizendo que “a principal diretriz a guiar uma investigação é o problema de pesquisa que emerge da curiosidade científica do pesquisador à luz das teorias do

campo de conhecimento que ele se propõe a estudar”. A metodologia escolhida “deve ser capaz de costurar estes elementos chaves do processo investigativo” - problema e referencial teórico. O uso combinado de métodos quantitativos e qualitativos dá ao pesquisador a possibilidade de “extrair o máximo de informações sobre a realidade e chegar a conclusões mais firmemente fundamentadas”.

4.1.2. Tipo de pesquisa, amostra e instrumento de pesquisa

A amostra foi escolhida de maneira intencional e foi composta pelos seguintes profissionais:

√ Cinco Bibliotecários e 5 Advogados atuantes em escritórios de advocacia privados √ Três Bibliotecários e 3 Advogados atuantes em órgãos públicos da área jurídica -

Ministério Público, Tribunal de Justiça e Tribunal Regional do Trabalho,

√ Três Bibliotecários e 3 Advogados atuantes em instituições de ensino superior de Direito (Faculdades e Universidades)

A amostra englobou os três grandes nichos de abrangência do campo jurídico: a magistratura (órgãos ligados diretamente ao Poder Judiciário), a academia (escolas de Direito) e a advocacia propriamente dita (escritórios de advocacia). As entrevistas foram realizadas entre os meses de setembro e novembro de 2006 com a participação de 22 (vinte e dois) profissionais sendo 11 Bibliotecários e 11 Advogados. Em todas as instituições foi realizada uma entrevista semi-estruturada, que seguiu a um roteiro pré-determinado apenas como garantia de que seriam abordados os temas de interesse da pesquisa; tais entrevistas foram realizadas com um Bibliotecário da instituição e um profissional do Direito, uma vez que a intenção era analisar a atuação do Bibliotecário sob a ótica dos profissionais dos dois campos: Biblioteconomia e Direito. Importante destacar que as entrevistas foram realizadas separadamente, ou seja, o Bibliotecário e o Advogado foram ouvidos em momentos distintos. As categorias analisadas na presente dissertação foram: Mercado de trabalho, Relações de Trabalho e Percepção e valor simbólico do profissional Bibliotecário no campo do Direito

Foi utilizada também a R.A.I.S- Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho, apresentada no próximo tópico, que demonstrou que a amostra escolhida abrangeu,

no caso dos escritórios de advocacia, a totalidade do universo pesquisado, indo, inclusive, além dele, pois foram entrevistados cinco Bibliotecários enquanto a RAIS mostra, em dezembro de 2005, em Belo Horizonte, somente quatro profissionais atuando no setor. Já nos órgãos do Poder Judiciário, a RAIS mostrou 5 estabelecimentos ligados à atividade de Justiça e que são empregadores de Bibliotecários, dos quais 3 (60%) foram incluídos na pesquisa. É possível por isso, afirmar-se que a pesquisa baseia-se em amostra siginificativa.