III. Araştırmanın Hipotezleri
1. TEMEL KAVRAMLAR
2.3. Kalem Suresinde Ahlak Eğitimi
O papel do Bibliotecário, no que diz respeito à democratização da Justiça está, diante do contexto acima descrito, diretamente relacionado à disponibilização de informações relativas aos direitos do cidadão, à prestação de serviços que aproximem o usuário da oportunidade de luta por uma sociedade mais igualitária, além da prestação de serviços em instituições ligadas à Justiça: escritórios de advocacia, órgãos públicos ligados ao Poder Judiciário e mesmo em bibliotecas de instituições de ensino do Direito. Disponibilizar a informação jurídica para os profissionais atuantes no campo jurídico é colaborar para o bom andamento de processos e, no caso de instituições de ensino, é peça fundamental na qualidade da formação de futuros profissionais do Direito e no seu contínuo aperfeiçoamento.
O que se espera do Bibliotecário é que ele cumpra seu dever ético de trabalhar para que a disseminação da informação ocorra de maneira igualitária, valorizando aspectos como identidade cultural, particularidades econômicas e valores sociais, direitos e deveres da sociedade na qual atua. Barreto (Apud CUNHA, 2003, p.6) mostra que a informação corretamente transmitida é capaz de provocar transformações no “estoque mental de saber do indivíduo trazendo benefícios para o seu desenvolvimento e para o bem estar da sociedade em que vive”.
O Código de Ética do Bibliotecário, em seu artigo 2, alínea e, que trata dos deveres e obrigações profissionais, diz que o Bibliotecário deve “contribuir, como cidadão e como profissional, para o incessante desenvolvimento da sociedade e dos princípios legais que regem o país”. No seu artigo 7, alínea c, tem-se que o Bibliotecário “deve interessar-se pelo bem público e, com tal finalidade, contribuir com seus conhecimentos, capacidade e experiência para melhor servir à coletividade”.
Ou seja, o Bibliotecário tem um papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa e deve estar atento, no seu cotidiano, para o fato de que
a atuação profissional na área de Ciência da informação deve estar apoiada na ética. O fazer profissional da área está muito ligado a atitudes e comportamentos éticos, tanto em relação ao usuário, quanto em relação ao próprio fazer informacional, ou seja, desde a prospecção e filtragem de dados e informações até a disseminação e transferência desses mesmos dados e informações ao público interessado. (...) o profissional desta área medeia, por meio de linguagens documentárias, os conteúdos informacionais de documentos de diferentes natureza e isto requer uma atitude ética constante. (VALENTIM, 2004, p.55).
Por comportamentos éticos entende-se, ainda de acordo com Valentim (2004, p.56), aqueles que busquem “a universalidade”, e pretendam
(...) extrapolar os contextos sociais que se apresentam, quando do julgamento de valor, uma vez que permite a reflexão sobre crenças, valores e normas
vivenciados, dando-nos a capacidade de decidir a acatar ou não determinados valores. (Grifos nossos)
Ou seja, cabe ao Bibliotecário o papel de agente transformador, de disseminador de informações igualitárias, de educador e formador do cidadão crítico diante do que lhe é posto.
É possível, no entanto, que os Bibliotecários ainda não tenham se conscientizado de seu papel de agentes de inclusão social. Em um estudo sobre o perfil do Bibliotecário capixaba, Rosemberg et all (2003, p. 15)mostram que os Bibliotecários ainda não “apresentam um perfil consoante com a dimensão social da profissão”. A pesquisa não encontrou uma justificativa lógica para tal postura, uma vez que quase 50% dos profissionais disseram que a falta de tempo ou o impedimento por parte dos empregadores não são barreira para que “se envolvam em projetos voltados para o desenvolvimento social do meio onde estão atuando”, segundo os autores
[os Bibliotecários] não relatam uma prática capaz de levar a instituição em que atuam a desempenhar uma função social para além do seu papel meramente econômico, no caso da vinculação a empresas que visam apenas o lucro. Os Bibliotecários precisam investir numa prática profissional revestida da dimensão social, pois assim, além de estarem colaborando para transformações sociais importantes, estarão propiciando a ocorrência do processo de visibilidade social da Biblioteconomia, o que há muito tem sido apontado como uma das diretrizes a ser adotada pela área visando melhorar a auto-imagem junto à sociedade (2003, p.15).
Em palestra proferida na mesa de debates “As dimensões sociais do nome profissional Bibliotecário”, em Florianópolis, em outubro de 2002, Cunha (2003) destaca algumas premissas básicas do papel social do Bibliotecário, dizendo que estes profissionais têm um papel social que
pode ser óbvio para nós, mas é bom lembrar algumas premissas:
• se as necessidades de informação dos cidadãos numa biblioteca pública são
atendidas isto se reflete, via de regra, na conquista de direitos básicos de cidadania;
• se os pesquisadores têm suas necessidades de informação atendidas, isto reflete-se
no progresso científico do país;
• o atendimento eficaz de alunos de escolas primárias por parte dos Bibliotecários
pode vir a despertar o gosto pela leitura, o prazer pelo estudo e a curiosidade por novas descobertas;
• a participação de Bibliotecários na definição de políticas nacionais de informação,
de projetos nacionais como o Programa Sociedade da Informação pode fazer diferença, por exemplo, nos critérios de definição das prioridades deste programa, na ênfase à participação das bibliotecas públicas neste processo, etc.
Como se pode perceber, o Bibliotecário pode e deve estar presente nas várias dimensões informacionais que contribuem para o efetivo exercício da cidadania, e, por extensão, contribuir para a maior visibilidade profissional, para que a sociedade perceba a real potencialidade dos serviços prestados por aqueles que se dedicam ao exercício da Biblioteconomia.
Diante do colocado, passa-se agora a analisar a informação jurídica, foco principal do fazer do Bibliotecário jurídico.