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YAZAR HAKKINDA Abdullah Fatih ÇELENK

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YAZAR HAKKINDA Abdullah Fatih ÇELENK

No sistema de regulação da profissão médica, como acima esposado, há a composição tanto de órgãos públicos, que exercem a regulação pública direta do Estado, como de instituições privadas, que realizam a autorregulação delegada ou autorregulação pública.

Cabe, desta feita, fazer uma breve análise de todas estas instituições, para que se possa compreender melhor como funciona a regulação da profissão médica.

6.6.1 Presidente da República e Congresso Nacional

O Congresso Nacional é o órgão que exerce o Poder Legislativo, composto pelo Senado Federal e pela Câmara dos Deputados, nos termos do artigo 44 da Constituição.

Como se vê, e conforme aponta Manoel Gonçalves Ferreira Filho (1992), o modelo adotado no Brasil é bicameral, uma vez que cada uma das casas funciona como uma câmara de contrapeso. Assim, o bicameralismo é geralmente associado ao federalismo, tendo em vista que permite igualar o poder de representação entre os Estados com diferenças

populacionais, considerando que uma câmara é composta pelos representantes do povo e a outra câmara representa os Estados federados426.

O motivo pelo qual o Congresso Nacional é mencionado aqui como um dos órgãos que compõem o sistema de regulação da profissão médica consiste em suas competências designadas nos artigos 22 a 24 da Constituição. Como já apontado acima, nos termos do artigo 22, inciso XVI da Constituição, é competência da União legislar sobre a organização do exercício das profissões.

Trata-se, como observa de forma crítica Fernanda Dias Menezes de Almeida (2013), de competência legislativa privativa da União Federal, isto é, aquela na qual é possível a legislação complementar pelos Estados mediante Lei Complementar. O apontamento é crítico, pois a referida autora entende que deveria ser do poder constituinte (e não do legislador federal) a responsabilidade de definir o que compete a cada entidade federativa e o que pode ser da competência comum, esclarecendo de que forma será exercida cada competência427.

Concorda-se com esta posição, uma vez que a previsão do parágrafo único do artigo 22 da Constituição afronta o entendimento de que apenas uma norma constitucional pode excepcionar a sua própria regra428.

Ademais, o referido dispositivo abriu um amplo leque de possibilidades ao utilizar genericamente a expressão “questões específicas” para fins de delegação legislativa ao Estado, ao invés de definir claramente o que poderia ser repassado pela União. Assim, possibilitou-se ao legislador federal a atribuição de repasse de competências legislativas que deveriam ter ficado exclusivamente a cargo da União429.

Com efeito, o Congresso Nacional é responsável por uma série de leis que estabelecem os requisitos e as regras gerais a serem seguidas na profissão médica, a exemplo da Leis nº. 3.268 de 1957 (que dispõe sobre os Conselhos de Medicina) e da Lei nº. 12.842 de 2013.

Apenas para se ter uma ideia, a Lei nº. 12.842 de 2013 define atividades que são privativas dos médicos, ou seja, que não podem ser desempenhadas por outras profissões. Alguns exemplos seriam a auditoria médica (art. 5º, inciso II) e a atestação médica de condições de saúde, doenças e possíveis sequelas (art. 5º, inciso XIII).

426 FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Comentário à Constituição brasileira de 1988. São Paulo:

Saraiva, 1992, p. 3.

427 ALMEIDA, 2013, p. 63-92.

428 Ibidem, p. 93. 429 Ibidem, p. 43-95.

Mas o Presidente da República não pode ser deixado de lado quando se trata da regulação da profissão médica. Ora, nos mais de 27 incisos do artigo 84 da Constituição, o Presidente possui, dentre outras atribuições, a de iniciar o processo legislativo (inciso III), “[...] sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução [...]” (inciso IV) e “[...] editar medidas provisórias com força de lei, nos termos do art. 62 [...]” (inciso XXVI).

Nesse sentido, é de extrema relevância para este trabalho lembrar que o programa “Mais Médicos” foi iniciado pela Medida Provisória nº. 621 de 2013, posteriormente convertida na Lei nº. 12.871 de 2013.

Portanto, não há como se ignorar o papel do Presidente da República e do Congresso Nacional na regulação da profissão médica.

6.6.2 Ministério da Saúde

Nos termos do artigo 9º, inciso I da Lei nº. 8.080 de 1990, ao Ministério da Saúde cabe a direção do Sistema Único de Saúde no âmbito da União Federal. Ademais, conforme o artigo 33, §1º do mesmo diploma, ao Ministério da Saúde cabe, na esfera federal, a administração dos recursos financeiros originários do Orçamento da Seguridade Social, de outros Orçamentos da União, além de outras fontes, por meio do Fundo Nacional de Saúde.

Não há dúvidas de que o Ministério da Saúde contribui – e muito – para a regulação da profissão médica no país. Ora, nos termos do artigo 88 da Constituição, cabe aos Ministros de Estado: a) exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal na área de sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da República; b) expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; c) apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério; e d) praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo Presidente da República.

É preciso ressaltar o papel exercido pelos ministérios no que tange ao auxílio do Presidente da República na direção da administração federal. Conforme José Afonso da

Silva, “[...] os ministros estão, assim, na cúpula da organização administrativa federal, fazendo como que a ligação entre o poder político e a Administração Pública Federal [...]”430.

O Ministério da Saúde, conforme o Decreto nº. 80.281 de 1977, ainda possui participação na Comissão Nacional de Residência Médica, tendo ainda, conforme o Decreto nº. 7.690 de 2012, influência na escolha dos municípios que poderão instituir cursos de graduação em medicina.

No exercício de sua competência, portanto, o Ministério da Saúde realiza uma série de atos que influenciam diretamente a profissão médica, a exemplo da expedição da Portaria nº. 213 de 2013, que altera valores de remuneração dos procedimentos de Terapia Renal Substitutiva (TRS).

Desta feita, é inegável que o referido ministério compõe a regulação pública da profissão médica.

6.6.3 Ministério da Educação

Aproveitando-se de parte das considerações realizadas no tópico anterior quanto aos ministérios, conforme o artigo 17 da Lei nº. 3.268 de 1957, os médicos só poderão exercer a profissão após o prévio registro de seus títulos, diplomas, certificados ou cartas no Ministério da Educação e Cultura e de sua inscrição no Conselho Regional de Medicina, sob cuja jurisdição se achar o local de sua atividade.

No mesmo sentido, o Decreto nº. 20.931 de 1932 prevê que só pode exercer a medicina quem possuir o título devidamente registrado, expedido por escolas reconhecidas e fiscalizadas pelo Estado. Por esta razão, não há qualquer sombra de dúvida de que o Ministério da Educação é peça importante como instrumento regulatório da profissão médica, fiscalizando a habilitação profissional dos médicos.

Como sustenta Genival Veloso de França (2010), o exercício da medicina exige uma habilitação profissional e uma legal. A legal é aquela obtida mediante os currículos das escolas médicas autorizadas ou reconhecidas. A profissional, por sua vez, é aquela obtida na posse de um título idôneo e mediante o registro do referido título nas repartições competentes431.

430 SILVA, J., 2008, p. 501. 431 FRANÇA, 2010, p. 34.

Com efeito, nos termos do Decreto nº. 7.690 de 2012, compete ao Ministério da Educação as seguintes tarefas: a) definir a política nacional de educação; b) tratar sobre a educação infantil; c) cuidar da educação em geral, compreendendo ensino fundamental, ensino médio, ensino superior, educação de jovens e adultos, educação profissional, educação especial e educação a distância, exceto ensino militar; d) realizar a avaliação, informação e pesquisa educacional; e) promover a pesquisa e extensão universitária; f) realizar o magistério; e g) realizar a assistência financeira a famílias carentes para a escolarização de seus filhos ou dependentes.

Vale destacar ainda que, nos termos do Decreto nº. 7.690 de 2012, é papel do Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Superior, estabelecer políticas e realizar programas destinados às residências em saúde, articulando-se por meio da Comissão Nacional de Residência Médica e da Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde com os vários setores relacionados ao tema.

Ademais, o mesmo diploma indica que compete à Diretoria de Desenvolvimento da Educação em Saúde, órgão do Ministério da Educação, coordenar a implantação, o monitoramento e a avaliação do programa “Mais Médicos”, além de gerenciar os programas de educação em saúde e os cursos na área da saúde. Da mesma maneira, compete à Diretoria de Desenvolvimento da Educação em Saúde, dentre outras atribuições, estabelecer diretrizes, a certificação de hospitais de ensino e a coordenação e avaliação de programas de residência em saúde.

É importante salientar que, nos termos do Decreto nº. 7.690 de 2012, por meio da Diretoria da Regulação da Educação Superior, o Ministério da Educação tem a atribuição de pré-selecionar os Municípios que receberão autorização para o funcionamento de cursos de graduação em medicina, após o parecer do Ministério da Saúde.

Dentro da estrutura do Ministério da Educação ainda existe a Comissão Nacional de Residência Médica, criada pelo Decreto nº. 80.281 de 1977. A referida comissão é destinada a credenciar e coordenar os programas de Residência, após ouvido o Conselho Federal de Educação.

Note-se que a composição da Comissão Nacional de Residência Médica é bastante diversificada, sendo integrada pelos seguintes membros: i) o Diretor Geral do Departamento de Assuntos Universitários do Ministério da Educação e Cultura, que é membro nato da Comissão e seu Presidente; ii) um representante da Comissão de Ensino Médico do Ministério da Educação e Cultura; iii) um representante do Ministério da Saúde;

iv) um representante do Ministério da Previdência e Assistência Social; v) um representante do Estado-Maior das Forças Armadas.

Por esta razão, fica claro que o Ministério da Educação também faz parte do sistema de regulação pública da profissão médica.