• Sonuç bulunamadı

O objetivo deste capítulo é apresentar a análise de dados gerados nas vivências do Pensar Alto em Grupo (Zanotto, 1995), utilizado nesta pesquisa como instrumento de geração de dados e como vivência pedagógica, para a prática de leitura em sala de aula. Para isso, atenho-me aos referenciais teóricos apresentados no capítulo 1.

Antes de iniciar a análise dos dados gerados, é oportuno relembrar as perguntas que norteiam a minha pesquisa:

1. Como a minha postura como mediadora nas aulas de leitura pode favorecer a interação social entre os meus alunos e, desta forma, possibilitar a construção e negociação de sentidos do texto?

2. Em que medida a utilização do Pensar Alto em Grupo pode propiciar aos meus alunos a construção de sentidos do texto e, consequentemente, que eles tenham uma atitude responsiva durante o evento de leitura?

Convém salientar que farei uma análise comparativa de duas vivências feitas com os alunos do 2º ano do Ensino Médio, para investigar as mudanças na minha postura como professora mediadora e propiciar uma reflexão crítica sobre a minha ação. Desse modo, pretendo verificar as diferenças na minha prática pedagógica, se houve ou não a participação efetiva dos alunos, se houve uma construção coletiva dos sentidos dos textos.

3.1 - Análise da primeira vivência – Texto “O Meu Guri”

Nesta 1ª vivência estavam presentes 6 alunos do 2º ano do Ensino Médio: Maria, Joana, Cristina, Cláudia, João, José e eu, professora pesquisadora. Os

nomes foram trocados, preservando dessa forma a identidade dos alunos. Da minha parte, confesso que estava um pouco preocupada, por se tratar da utilização de um instrumento pedagógico que não estava habituada a utilizar, visto que, tanto aluno como professor, tendem a ter uma atitude de preocupação, pois o novo causa instabilidade na rotina, dada a sua natureza de inovação e novidade.

Eu já havia falado com os alunos sobre a minha pesquisa e o que pretendia, ou seja, a utilização do Pensar Alto em Grupo como instrumento pedagógico, com o objetivo de construir sentido do texto pela interação social. Antes de começar a leitura, falei com eles que deveríamos ter uma atitude de respeito em relação às opiniões emitidas e com as falas de cada um.

Sentados em círculo, inicialmente solicitei aos alunos que fizessem uma leitura silenciosa do texto. No início, os alunos ficaram um pouco apreensivos com o gravador. Eu também estava muito preocupada, porque era uma situação inusitada para todos. Além disso, eu sabia de antemão que os turnos de fala seriam posteriormente analisados. Outro fato que me deixava preocupada era se o gravador, por algum motivo, deixasse de funcionar, pois, tratava-se de uma atividade a ser realizada extra sala de aula, isto é, fora do horário em que aulas normalmente aconteciam. Para repeti-la teria de solicitar que eles viessem novamente fora do horário de aula, o que muitas vezes traz complicações, por serem alunos que estudam no período noturno e trabalham o dia inteiro. Embora, todos tenham participado de livre e espontânea vontade, sei que isso traz algumas alterações em suas rotinas.

Iniciei a vivência perguntando aos alunos se já conheciam o texto a ser lido – O Meu Guri - e falei sobre o autor. Então vamos à análise propriamente dita.

1 Professora

Bem... então, a vivência de leitura é o seguinte: a gente vai conversar tentar ,entender esse texto. Então...vocês leram o texto silenciosamente...uma vez, tiveram um contato prévio com o texto ... gostaria que vocês conversassem entre vocês. Eu vou participar muito pouco do evento, tá? A participação maior será de vocês, bem...agora é com vocês...

2 Maria

Bom, pra mim, ele fala de um pai que não consegue sustentar o filho e vai suando a camisa pra sustentar ele. E no final do texto, fala que o filho dele se esforçou muito e chega lá. Ta dizendo aqui, “E na meninice ele um dia me disse Que chegava lá”. E ele chegou.

3 Professora ... chegou aonde?Maria!

4 Maria Acho que ele conseguiu vencer, assim...é trabalhando,neh? 5 Professora trabalhando?

6 Maria trabalhando... e ele deu orgulho pra esse pai dele. Era essa a intenção, porque ele não tinha nada e o seu filho,

7 Professora Ele não tinha nome,como?

8 Maria O pai dele não tinha nem nome pra dar pra ele.

9 Joana

Um nome importante, no caso, né? Da sociedade, um nome conhecido. O pai dele era... apenas digamos ... uma pessoa... da favela, humilde, que não tinha como dá comida, quanto mais um nome importante pro filho.

10 Professora ah... 11 Joana

... esse filho cresceu, se desenvolveu e no caso, ele

trabalhou... aqui, e futuramente ele vai ter um nome pra pro filho dele

12 Professora E onde que você leu no texto... que ta dizendo que é o pai... que ta falando?Onde especificamente? 13 Maria Então, não especifica que é o pai, neh? Mas especifica uma

pessoa contando uma história de um menino. 14 Professora E quem é essa pessoa?

pobre, né?

16 Professora pessoa pobre... Por que uma pessoa pobre? 17 Maria

Porque, a pessoa que tá contando diz que... a criança já nasceu com cara de fome e “eu não tinha nem nome para lhe dar”.

18 Professora E quem que é esse “eu”?

19 Cristina Pode ser a mãe ou o pai também.

Um aspecto que me chamou a atenção para esse início de vivência de leitura foi a minha postura. Observe que, logo no início no 1º turno eu disse: “Eu vou

participar muito pouco do evento, tá?” e ainda reforcei “A participação maior

será de vocês”. Um leitor atento, no mínimo iria pensar que eu estivesse sendo

totalmente incoerente, pois, falava uma coisa e fazia o oposto.

Em termos quantitativos, de 19 turnos, eu falei em 9 com 3 interlocutores. Maria teve 7 turnos, Cristina 2 e Silvia falou somente uma vez. Isso significa que logo no início, minha atuação no que se refere a tomar a palavra foi de mais ou menos 50%. Um aspecto muito interessante foi o fato de que nenhum dos alunos se manifestou em relação a minha postura, uma vez que logo no começo eu disse “Eu

vou participar muito pouco do evento, tá?” A participação maior será de vocês, bem...agora é com vocês...”. Isso me fez refletir e só consegui ver o que havia

ocorrido quando comecei a analisar os dados. No entanto, é muito importante esclarecer que, embora eu tivesse falado em um número maior de turnos em relação aos meus alunos, acredito que tenha sido necessário para criar condições para que houvesse interação entre os alunos e os motivasse a falar e construir sentido do texto. Contudo, é importante salientar que ao implementar uma nova prática em sala de aula, muitas vezes os alunos estranham também a inovação. Mesmo eu tendo explicado no início da vivência do Pensar Alto em Grupo, que gostaria que conversassem entre si para construir sentido no texto, logo no começo da vivência, não aconteceu da forma esperada. Como eles ficaram inibidos com a gravação da vivência, comecei a fazer perguntas com o intuito de incentivá-los a falar. Então, há que se considerar que a intervenção do professor teve o propósito de fomentar uma

interação entre os alunos. No turno 16, por exemplo, faço a pergunta “pessoa pobre... Por que uma pessoa pobre?” que cria um conflito sobre uma fala da

aluna Maria. Os alunos então, têm que repensar o sentido do texto a partir do significado que estão dando para a palavra “pobre”.

Para Freire, o professor “faz comunicados”, quando deveria “comunicar-se”. Essa atitude de “fazer comunicados” é o princípio e o erro da educação bancária. Na realidade eu estava me comunicando com eles, fazendo perguntas, na tentativa de promover um diálogo, uma vez que eles demonstravam certa timidez e não estavam falando entre si. Convém enfatizar que não devemos confundir um diálogo com possíveis respostas, com um diálogo com respostas prontas − como as atividades que constam nos livros didáticos, por exemplo, onde normalmente, só basta seguir o texto e responder as perguntas de forma linear. Além disso, o professor não deve simplesmente explicar e considerar que o aluno tenha entendido o que foi explicado, sem ao menos dialogar, porque nesse caso seria um monólogo e portanto um comunicado na visão de Freire.

Para Bakhtin, essa situação denomina-se uma explicação monológica, situação em que o professor já vem com a pergunta e a resposta pronta e simplesmente “despeja” ou faz um comunicado (Freire,1970) para o aluno e este aceita de forma passiva o que o professor fala. Quanto ao meu questionamento no turno 16, convém esclarecer que eu tive uma atitude responsiva em relação a um conceito que para mim não havia ficado claro. Eu estava querendo entender como a aluna chegou àquela conclusão.

Com relação às leituras feitas neste 1º recorte, pode-se dizer que nos turnos 2, 4 e 6 Maria faz uma leitura descendente “top-down”, isto é, levou em consideração a sua visão de mundo para ler. No entanto, no turno 13, ela já começa a prestar atenção no que o texto diz, bem como no turno 17, sendo sua leitura nesses dois turnos ascendente ou “bottom-up”.

Nos turnos 09 e 11 Joana e Cristina no turno 19 tiveram uma leitura descendente ou “top-down”, levando em consideração seus conhecimentos prévios.

Com relação às minhas perguntas nos turnos 14 e 16 a intenção era, como já mencionei anteriormente, além de dialogar, incentivá-los a falar. Além do mais, eu tinha como objetivo que os alunos fizessem uma leitura em que se apoiassem mais no texto. Em outras palavras, eu estava questionando a leitura que eles estavam fazendo e criando condições para que eles pudessem verificar se esta leitura era pertinente ou adequada ao texto, por meio de um processamento ascendente ou “bottom-up”. Procedi assim, apesar de saber que às vezes, fazer muitas perguntas aos alunos pode inibi-los ou fazer com que eles não participem.

Feitas essas considerações referentes ao primeiro recorte, poderia dizer que eu não estava tendo uma atitude como a pregada pela educação bancária e nem uma atitude condizente com o Pensar Alto em Grupo. Eu diria que estou em fase de transição. A meu ver, minha postura em sala de aula já representa um passo inicial e significativo para mudanças. Mas, vamos analisar mais um recorte.

No 1º recorte ficou a dúvida se quem estava falando na letra da canção era o pai ou a mãe. Inicio este 2º recorte questionando os alunos sobre este aspecto.

2º recorte - Continuando a tropeçar

20 Professora uma mãe ou um pai, Cristina? 21 Cláudia

porque... vamos supor assim... no começo do texto, fala: “Quando seu moço nasceu meu rebento”, aí já tira a idéia que era um pai.

22 Professora Rebento é o quê?

23 Cláudia Como se fosse um ventre, assim ... falando de uma mãe... mas é o pai que tá contando a história... relatando.

24 Cristina Pode ser um pai ou uma mãe também. 25 Cláudia é...

27 Cristina

Porque não ta falando que... é um homem ou uma mulher...tá contando uma história.. prum moço... quando seu moço... tá contando prum moço ...essa história do filho...

28 Professora e alguém pode me dizer, se é pai ou mãe... o que seria rebento?

29 Cláudia como se fosse um ventre, sei lá...

30 Maria Rebento... acho que seria um lar, nasceu meu lar...

31 Professora pelo contexto,contexto é o que, pela história, o que vocês acham que poderia ser rebento?

32 Maria Ah...

33 Joana Seria o próprio moço... seria o rebento 34 Professora Fala Joana.. o que é...

35 Joana O próprio moço seria o rebento... porque... como você falou Maria?

36 Maria porque... a pessoa que está contando... 37 Joana

isso... não era o momento dele rebentar...já foi nascendo com cara de fome... é seria o nascimento... o próprio

desenvolvimento ...

38 Maria como que dizendo... ele nasceu de mim mas não era o momento dele nascer.

39 Professora Quem é que nasce da gente?

40 Joana Nosso filho.No caso é uma mãe e não um pai. 41 Professora Então o que seria rebento?

42 Cristina A criança que nasceu.

43 Joana mas não era o momento dele nascer...

Neste segundo recorte, percebo que ainda estou fazendo perguntas aos alunos no sentido de buscar uma resposta, isto é, se se tratava de uma mãe ou pai que estava falando na letra da canção. Contudo, posso observar que as alunas já

começam a interagir entre si, de forma bem tímida, apresentando um progresso. De forma tímida, porque eu ainda estou bem presente nos diálogos, como, por exemplo, nos turnos 23, 24 e 25 notamos que houve uma interação entre as duas alunas, isto é, Cláudia fala: “Como se fosse um ventre, assim ... falando de uma mãe... mas

é o pai que tá contando a história... relatando”, logo em seguida Cristina diz:

“Pode ser um pai ou uma mãe também” e Cláudia responde, no turno 25: “é”.

Nos turnos anteriores, posso observar que elas estavam lendo, mas se reportavam a mim. Nos turnos 26 e 28 voltei a fazer mais duas perguntas, com o intuito de ajudá-los a construir a leitura de que seria uma mãe que estava contando a história na letra da canção, se bem que a leitura de um pai também fosse possível no início da letra. Podemos, porém ver mais adiante que o autor deixa algumas pistas, mostrando tratar-se de uma mãe, como por exemplo: quando fala “Me trouxe

uma bolsa já com tudo dentro” ou quando fala “ Boto ele no colo pra ele me ninar”.

Como eles desconheciam o significado da palavra rebento, para deixar clara a acepção da palavra rebento, no turno 31 perguntei a eles “pelo contexto,

contexto é o que, pela história, o que vocês acham que poderia ser rebento?”

No turno 33 Joana respondeu: “Seria o próprio moço... seria o rebento” e

continuando em seus pensamentos no turno 37 completa: “isso... não era o momento dele rebentar...já foi nascendo com cara de fome... é seria o

nascimento... o próprio desenvolvimento ...”, no turno 38 Maria continua: “como

que dizendo... ele nasceu de mim mas não era o momento dele nascer”.

É importante ressaltar que, ao mesmo tempo em que elas ficam sabendo a acepção da palavra rebento, fica claro para elas que se trata de uma mãe que está contando a história. Nesse caso, elas fizeram uma leitura que levou em consideração o conhecimento prévio que tinham e também se apoiaram no texto, pois no início o verbo nascer ocorre duas vezes. Pode-se dizer que, de certa forma, nesse 2º turno minhas perguntas foram no sentido de buscar uma resposta única:a letra da canção se referia a uma mãe e não a um pai.

Ao analisar o turno 39, quando eu pergunto: “Quem é que nasce da

gente?” e 41: “Então o quê seria rebento?”, avalio que foram perguntas

que se tratava de uma mãe, acho que ainda são resquícios da minha visão tradicional de leitura. Eu queria confirmar e verificar se elas realmente tinham entendido.

Passo agora a analisar o 3º recorte, que fala da gravidez indesejada. O que me levou a recortar esses turnos foi o assunto tratado aqui, no caso a gravidez indesejada ou o nascimento de um filho que não se espera e de repente nasce ou aconteceu a gravidez, isto é, não foi planejada. Por isso coloquei o título do recorte como relacionado à realidade.

Então, neste próximo recorte, podemos verificar que os alunos relacionam o texto às situações de suas próprias vidas.

3º recorte - Relacionando com a realidade

56 Cláudia Que não era momento de nascer. 57 Cristina

Nasceu prematuro, nasceu antes do tempo que ela

esperava...eles aguardavam ou não, essa criança mas num outro tempo, não pra esse tempo que nasceu

58 Maria Pode ser gravidez indesejada, neh? 59 Cristina Também

60 Professora E isso é comum? 61 Cláudia muito...

62 Maria Muito. Principalmente entre os jovens,neh? 63 Professora Em classes altas, baixas ou em geral? 64 Maria Classes baixas.

65 Joana

Depende... o caso da fome... assim vem da classe baixa... tipo uma adolescente de 15 anos não tem uma estrutura de vida pra dar prum filho,né?agora... tem...na classe alta também você vê...crianças ... temor ao pai, a mãe, ou então ah... vai acabar meu corpo... ou já era minha juventude... então dá pra ver dois lados.

Nesse recorte nota-se que os alunos relacionaram a letra da música com a realidade: o problema da gravidez precoce, fato muito comum hoje em dia, principalmente no contexto em que a escola está inserida. Lá presenciei alunas de 5ª, 6ª séries grávidas e, no Ensino Médio, também vi várias jovens que já são mães ou algumas grávidas. Cabe ressaltar que só pela leitura da letra da canção não se conclui que Chico Buarque esteja se referindo à gravidez de adolescentes ou de mulheres adultas. Porém, noto que elas estão lendo de acordo com o contexto em que estão inseridas, ou seja, a presença de grande número de adolescentes que engravidam precocemente no entorno da escola, acarretando com isso, um problema social. Então, é a realidade retratada na letra da canção, que os alunos sabem muito bem como é.

De acordo com a fala da Joana no turno 65, ela diferencia até a extensão do problema para cada extrato social, indo desde os problemas financeiros, enfrentados pelas meninas das classes sociais menos favorecidas, − no caso da letra da canção −, até a preocupação com relação à estética do corpo, comumente relacionadas às meninas de maior poder aquisitivo.

No turno 57, Cristina faz uma leitura “bottom up”, pois no texto está escrito

“Não era o momento dele rebentar”, então ela diz :“Nasceu prematuro, nasceu antes do tempo que ela esperava...eles aguardavam ou não, essa criança mas num outro tempo, não pra esse tempo que nasceu” e Joana no turno 58 faz uma

leitura “top-down”, ela acrescenta: “Pode ser gravidez indesejada, neh?”, talvez

referindo-se a casos de meninas que engravidam sem um planejamento, hoje em dia tão comum. Essa leitura é confirmada pela Maria, que também faz uma leitura “top-down” quando diz, no turno 62: “Muito. Principalmente entre os jovens, neh?”

De acordo com Kleiman (1989/2004, p. 25), “conhecimento prévio é, então essencial à compreensão, pois o conhecimento que o leitor tem sobre o assunto lhe permite fazer as inferências necessárias para relacionar diferentes partes discretas do texto num todo coerente”. Nesse recorte, também é possível verificar que as alunas estão interagindo entre si, concordando ou complementando o que a outra falou, como podemos observar nos turnos 61 e 62, ou mesmo para contrariar e

acrescentar novas informações, como fez Joana no turno 65. Nesse sentido, mudanças já estão ocorrendo. Passemos, então, à análise do 4º recorte.

O recorte seguinte refere-se à empatia que as alunas sentem em relação ao guri.

4º recorte - Acertando o passo, percebendo empatia...

66 Maria

Aqui onde tá escrito: “Chega no morro com o carregamento Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador Rezo até ele chegar cá no alto”?

67 Professora O que é isso?

68 Maria

Pra mim, deu a entender que ele mora numa favela,né? e até ele chegar lá em cima ele vai passar por muita coisa, ou seja, pelos traficantes que ficam lá embaixo na favela,ou os

policiais,né? como é o caso do Rio de Janeiro, e toda mãe reza até o filho chegar na... em casa,né?

69 Professora Então ele carrega tudo isso. Mas, o que que seria tudo isso? 70 Maria

Num sei se ele vende, vende...

pulseira,relógio,gravador...pneu... para chegar onde ele queria chegar.

71 Cláudia Ele tenta se virar... 72 Cristina

Acho que... ele falou pra mãe,um dia... no caso...que um dia ele chegava lá...eu acredito que seja um... é na profissão dele,assim...

73 Cláudia Algo que ele queira conquistar...

74 Cristina

que ele queria...ele queria sair de onde ele veio... dessa pobreza... como elas disseram... e ir prum lugar... melhor e poder ganhar mais... do que daquele lugar que ele estava vivendo, ali, entendeu? E isso é... da onde ele

trabalhava...podia ser com que ele trabalhava... né?

75 Maria “Chega estampado, manchete, retrato Com venda nos olhos, legenda e as iniciais Eu não entendo essa gente, seu moço

Fazendo alvoroço de mais”.Essa parte que tá assim...

76 Cláudia

Por ela ter relatado violência, tem uma parte que indica isso.