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Neste capítulo, atenho-me à explicação de minhas escolhas, quanto à metodologia de pesquisa utilizada para geração de dados: o paradigma qualitativo de pesquisa. Esta corrente de pesquisa surge em oposição ao paradigma quantitativo de pesquisa. Nesse sentido, considero apropriado tecer comentários sobre as diferenças entre ambos e fazer um breve histórico da transição de um paradigma para outro. Além disso, discorro sobre a Pesquisa Interpretativista e a Pesquisa-Ação, sobre o contexto e os participantes da pesquisa. Finalizando, discuto sobre a geração de dados, em que utilizei o Pensar Alto em Grupo, bem como, teço comentários sobre os textos trabalhados nas vivências de leitura.

2.1 - Breve histórico – Transição Paradigma Quantitativo para o Paradigma

Qualitativo

As pesquisas nas áreas de Linguística Aplicada, Educação e Ciências Sociais estão atreladas basicamente a dois paradigmas: o Quantitativo (embasado no Positivismo e, por isso, também tratado como paradigma positivista) e o Qualitativo.

O paradigma positivista, que teve como precursor Comte, predominou por várias décadas nas ciências humanas, mais precisamente a partir de meados do século XIX, até início do século XX. O positivismo teve seu início nas Ciências Exatas e depois foi utilizado pelas Ciências Sociais. Este paradigma se caracteriza pela objetividade, pelo rigor dos conhecimentos científicos, pela ausência da subjetividade, pela negação da investigação e da valorização exacerbada da teoria.

Essa corrente teve fortes influências no Brasil e tem como sua representação máxima, o emprego da frase positivista “Ordem e Progresso”, − em plena bandeira brasileira −, extraída da fórmula máxima do Positivismo: "O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim”. A frase tenta passar a imagem de que cada coisa em seu devido lugar conduziria para a perfeita orientação ética da vida social.

De acordo com Bortoni-Ricardo (2008, p.31), no início de século XX, o positivismo vai perdendo espaço para o paradigma qualitativo, em decorrência da valorização do contexto sócio-histórico que propicia o entendimento dos fatos das Ciências Sociais.

Contudo, os pesquisadores qualitativos são alvo de críticas por parte dos positivistas. Segundo as afirmações de Denzin & Lincoln (2006/2008, p.22) “os novos pesquisadores qualitativos escrevem ficção, e não ciência, e que tais pesquisadores não dispõem de nenhum método para verificar o que é declarado como verdade”. As acusações desta natureza tinham por objetivo sobrepor-se ao pensamento do outro, evidenciando uma grande resistência ao qualitativo (Denzin & Lincoln), originou, com isso, um conflito entre as duas vertentes.

Enquanto a pesquisa quantitativa tem o foco na medição e relaciona as causas com as variáveis, nota-se que os processos e os valores não são enfatizados. Desse modo, percebe-se uma relação diametralmente oposta em relação à pesquisa qualitativa. A própria denominação nos remete à valorização das qualidades dos envolvidos, dos processos e dos significados. Denzin & Lincoln afirmam que os “significados não são examinados ou medidos experimentalmente”. Na realidade, é questionada a possibilidade desse fato acontecer, ou seja, a medição dos significados, em termos de quantidade, volume, intensidade ou frequência.

Na pesquisa qualitativa, a natureza social da realidade e os valores da investigação, assim como a relação entre o pesquisador e o que é estudado são relevantes. Outro ponto a se ressaltar, em relação à pesquisa qualitativa, é a preocupação em intensificar o modo como as experiências sociais são desenvolvidas e como elas assumem seus significados (Denzin & Lincoln, 2006/2008, p.23).

O século XX foi considerado um século de grandes avanços nas Ciências Humanas e Sociais, bem como nas pesquisas e o paradigma qualitativo teve seu espaço consolidado (Chizzotti, 2006, p.57).

Feitas as considerações sobre a transição do paradigma quantitativo para o qualitativo, passo agora a discorrer sobre o Paradigma Qualitativo.

2.2 - Paradigma Qualitativo

O paradigma Qualitativo teve sua origem na Antropologia e na Sociologia. É uma abordagem com uma perspectiva diferente da adotada pelo Positivismo. Dentre outros aspectos, cito um que merece destaque: ela se preocupa em entender os significados dos fatos e não precisamente em quantificá-los e mensurá-los (Minayo, 1993/1994, p.21). Podemos observar a ratificação do exposto acima, nas palavras de Celani:

O paradigma qualitativo, ao contrário, particularmente quando de natureza interpretativista, nos remete ao campo da hermenêutica, no qual a questão da intersubjetividade é bastante forte.(Linguagem & Ensino, Vol.8, n 1, 2005, p.101-122).

Segundo André (1995/2008, p.16), a hermenêutica refere-se a “uma abordagem metodológica que se preocupa com a interpretação dos significados contidos num texto”, sugerida por Dilthey para as pesquisas nas Ciências Sociais. Sua natureza é contrária ao objetivismo e a interpretação se daria na compreensão da realidade vivida socialmente, tendo como base a construção de significados nas relações intersubjetivas. Chizzotti (2006, p.46) assim define,

a hermenêutica e as categorias do mundo histórico foram reunidas, no ano de 1910, em O mundo histórico (1944). O autor, em suma, propõe duas orientações epistemológicas autônomas: a compreensão (Verstehen) em ciências humanas, que envolve o diagnóstico interpretativo e reflexivo sobre o significado dos eventos à qual contrapõe a explanação ou explicação (Erklaren) em ciências naturais, que busca a descrição da coisa em si, independente da consciência. Esta distinção bipolar das ciências tornou-se um mote antipositivista, trabalhada e difundida por ele.

Nesse sentido, a relevância da metodologia qualitativa de pesquisa prende- se ao fato da ênfase que ela dá às relações sociais (Chizzotti, 1991/2009, p.80), que

permeiam os acontecimentos pesquisados como um todo, relações cujo significado não é passível de ser apreendido objetivamente como dado matemático.

Dito de outra forma, se por um lado, no quantitativo, a linguagem característica é o rigor científico e matemático, no qualitativo a linguagem tem como referência o contexto sócio-histórico-cultural em que estão inseridos os sujeitos pesquisados e pesquisadores. A interpretação, do sentido das interações sociais e dos fatos que as suscitam não são efetuados de forma artificial e isolada do seu contexto. Muito pelo contrário, todos os aspectos relacionados são muito valorizados.

Por esse motivo, podemos observar que nas últimas décadas tem havido um enorme interesse na utilização dessa metodologia, principalmente por causa da observância das desigualdades sociais, culturais e fatores como localização, tempo e situação, ou “pluralização de estilos de vida”, como denomina Flick (2009). Nesse sentido, em decorrência da enorme variedade de situações sociais que presenciamos hoje em dia, as pesquisas necessitam utilizar-se de estratégias indutivas, isto é, as pesquisas não podem se ater a simples aplicação da teoria à situação, mas ao contrário, as teorias seriam desenvolvidas a partir dos estudos empíricos.

Bortoni-Ricardo (2008), por sua vez, diz que a pesquisa qualitativa substitui a pesquisa quantitativa, pois nas Ciências Sociais não se poderiam desprezar o contexto sócio-histórico.

De acordo com Minayo (1993/1994), a pesquisa qualitativa tem como objetivo as questões não mensuráveis, que não podem ser quantificadas, relacionadas com os significados, valores, crenças e atitudes das ações e relações humanas. Em consonância com essa afirmação, Minayo afirma:

Essa corrente teórica, como o próprio nome indica, coloca como tarefa central das Ciências Sociais a compreensão da realidade humana vivida socialmente. Em suas diferentes manifestações, como na Fenomenologia, na Etnometodologia, no Interacionismo simbólico, o significado é o conceito central de investigação. (1993/1994, p.23)

A abordagem qualitativa parte do fundamento de que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito. O conhecimento não se reduz a um rol de dados isolados, conectados por uma teoria explicativa: o sujeito-observador é parte integrante do processo de conhecimento e interpreta os fenômenos, atribuindo-lhes um significado. O objeto não é um dado inerte e neutro; está possuído de significados e relações que sujeitos concretos criam em suas ações. (1991/2009, p.79)

A seguir, discuto sobre a Pesquisa Interpretativista, procurando entender como poderei fazer a análise dos dados gerados.

2.3 - Pesquisa Interpretativista

A metodologia que utilizei na minha pesquisa encontra referencial teórico no Paradigma Qualitativo. Segundo Bortoni-Ricardo (2008), o microcosmo de uma sala de aula é o lugar onde favorece a pesquisa qualitativa de base intepretativista.

A pesquisa interpretativista surge com o advento da pesquisa qualitativa no início do século XX. Seu cerne são as práticas sociais e seus significados,pois, nas Ciências Sociais não se concebe a pesquisa sem se ater à presença do homem na sociedade e suas relações com os outros homens.

Em outros termos, na pesquisa interpretativista, a concepção subjacente à produção de conhecimento considera que o acesso ao fato ou objeto a ser pesquisado deve levar em conta a visão de mundo do pesquisado. Só a partir dessa idéia é possível fazer uma interpretação dos vários significados que formam o contexto a ser analisado. Entende-se então por visão de mundo as crenças, as questões relativas ao poder, a ideologia, a história e a subjetividade do homem. O homem se constitui como ser social pela sua visão de mundo, então, pode-se dizer que existe uma relação estreita entre o homem e o mundo social.

Nesse sentido, a padronização e a generalização tornam-se muito difíceis para a pesquisa qualitativa, pois se lida com seres humanos, imersos em sua multiplicidade de significados. Dessa forma, a subjetividade e a intersubjetividade

são as características que fomentam os significados atribuídos pelo ser social ao mundo. De acordo com Moita Lopes (1994, p.332),

E é justamente a intersubjetividade que possibilita chegarmos mais próximo da realidade que é constituída pelos atores sociais – ao contrapormos os significados construídos pelos participantes do mundo social. O foco é, então, colocado em aspectos processuais do mundo social em vez do foco em um produto padronizado.

A pesquisa interpretativista considera a “complexidade e as contradições de fenômenos singulares, a imprevisibilidade e a originalidade criadora das relações interpessoais e sociais” (Chizotti, 1991/2009, p.78), intensificando as qualidades dos fenômenos e desvelando os significados ocultos da vida social.

Em outras palavras, a realidade depende de cada olhar, por conseguinte, o entendimento da realidade é individual. Como diz Moita Lopes (1994, p.331): “O que é específico, no mundo social, é o fato de os significados que caracterizam serem construídos pelo homem, que interpreta e re-interpreta o mundo a sua volta, fazendo assim, com que não haja uma realidade única, mas várias realidades”.

Nesse sentido, o que realmente interessa não é o que a pessoa diz, mas o quê e como o seu interlocutor entende e interpreta, o jogo social permeado pela linguagem. Esse jogo está relacionado com o poder, ideologia, história e subjetividade. De acordo com as palavras de Moita Lopes (1994), “o significado não é o resultado da intenção individual, mas da inteligibilidade inter-individual”. Dito de outra forma, o significado é construído pela intersubjetividade dos interlocutores.

Contrariamente à Positivista, de acordo com André (1995/2008), a pesquisa Interpretativista “busca a interpretação em lugar da mensuração, a descoberta em lugar da constatação, valoriza a indução e assume que fatos e valores estão intimamente relacionados, tornando-se inaceitável uma postura neutra do pesquisador”.

No que tange aos valores, ao poder de transformação e à natureza de não neutralidade da ciência, Denzin & Lincoln (2006/2008, p.17) afirmam que no início do século XXI, as pesquisas qualitativas devem ter uma preocupação mais humana, interligando-se com a esperança, visando a uma sociedade democrática e livre.

Nesse sentido, todo conhecimento gerado nas pesquisas tem implicações políticas e repletas de valores, apontando para uma “ciência social cívica baseada em uma política da esperança”.

Em consonância com esse pensamento, Moita Lopes (2009, p.22) também tem uma preocupação em criar inteligibilidade nas pesquisas. Assim ele se expressa sobre o assunto,

Em um mundo atravessado pelo poder de forma multidirecionada e que apresenta desafios para uma série de signficados sobre quem somos, que constituíram o cerne da modernidade, é crucial pensar formas de fazer pesquisas que sejam também modos de fazer política ao tematizar o que não é tematizado e ao dar a voz a quem não tem.

Com a discussão da Pesquisa Interpretatista, ficou claro que eu tenho que levar em consideração todo o contexto sócio-histórico-cultural da minha pesquisa. Então, para poder fazer uma análise global dos dados gerados, tenho que levar em consideração esse contexto e ter uma postura democrática. Passo agora a discorrer sobre a Pesquisa-Ação.

2.4 - Pesquisa-Ação

Ao pesquisar as teorias que permeiam as concepções de leitura, tinha como objetivo investigar a minha prática em sala de aula, mais especificamente, as aulas de leitura, isto é, qual era o motivo dos alunos não gostarem de ler.

Percebi então, que queria que houvesse uma transformação nas minhas práticas pedagógicas e também no comportamento dos meus alunos, no que se refere ao tema leitura.

Optei pela Pesquisa-Ação porque esta metodologia de pesquisa, dentre outras características, possibilita ao pesquisador uma reflexão, visando a uma transformação no seu proceder. Apoio-me então, nas palavras de André (1995/2008, p.31) que assim se refere a Pesquisa-Ação:

Já em 1944 Lewin descrevia o processo de Pesquisa-Ação, indicando como seus traços essenciais: análise, coleta de dados e conceituação dos problemas; planejamento da ação, execução e nova coleta de dados para avaliá-la; repetição desse ciclo de atividades.

A mesma autora cita que ”um exemplo clássico é o professor que decide fazer uma mudança na sua prática docente e a acompanha com um processo de pesquisa, ou seja com um planejamento de intervenção” (André, 1995/2008, p.31), processo semelhante ao meu proceder, durante o transcorrer da minha pesquisa.

Endossando as palavras acima, Barbier (2007, p.35) citando Wilfred Car e Stephen Kemmis (1983) define a Pesquisa-Ação “como uma forma de pesquisa efetuada pelos técnicos a partir de sua própria prática”, André (1995/2008, p.32) completa “devem ser sistematicamente submetidas a observação, reflexão e mudança”.

Nesse sentido, entendo que a metodologia da Pesquisa-Ação possibilita um olhar mais atento para a minha própria prática em sala de aula e, consequentemente uma reflexão que irá me indicar um caminho para as mudanças, para um ensino de melhor qualidade.

Outro aspecto a ser considerado, diz respeito às mudanças que queremos efetuar em nossas vidas, pois estas só acontecem se realmente as quisermos, se refletirmos e tivermos uma autocrítica em relação à nossa postura. Barbier (2007, p.29) citando Kurt Lewin, afirma,

Quando nós falamos de pesquisa, subentendemos Action-Research, quer dizer, uma ação em um nível realista sempre seguida por uma reflexão autocrítica objetiva e uma avaliação dos resultados. Uma vez que o nosso objetivo é aprender rapidamente, nunca teremos medo de enfrentar nossas deficiências. Não queremos ação sem pesquisa, nem pesquisa sem ação (citado por Marrow, 1972)

Dessa discussão pude perceber que antes de agir tenho que refletir sobre meus atos, meus equívocos, meus acertos e agir de forma a buscar uma mudança

nas minhas práticas em sala de aula. Isso posto, faço uma explanação do contexto da minha pesquisa.

2.5 - O Contexto da pesquisa

As vivências do Pensar Alto em Grupo para geração de dados foram realizadas em uma Unidade Escolar da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, situada em um bairro da cidade de São Paulo.

A Unidade Escolar atende alunos do Ensino Fundamental e Médio em 13 salas, em todos os períodos ( manhã, tarde e noite ). Localiza-se em uma avenida muito movimentada do bairro, tanto em termos de trânsito, como pelo grande número de casas comerciais existentes. A população do bairro em sua maioria é composta de trabalhadores do comércio local, muitos deles migrantes da região norte e nordeste e alguns de outras regiões do país, ou mesmo de outras cidades do estado.

É muito comum a escola receber alunos, no decorrer do ano, provenientes de outros estados ou cidades. Muitas vezes, no entanto, devido a problemas pessoais, esses mesmos alunos retornam para suas cidades ou estados de origem antes do término do ano letivo. Às vezes oficializam na escola seu retorno, quando não o fazem, é caracterizado como abandono, evasão, pois não se manifestam junto à secretaria da Unidade Escolar. Além disso, no período noturno, os alunos priorizam o trabalho: caso tenham que optar entre trabalhar e frequentar a escola, sempre ficam com a primeira opção. Alguns alunos frequentam os cursos do Senai e ETE, vislumbrando uma formação técnica para exercer uma profissão. Muitos deles já trabalham em áreas relacionadas aos cursos técnicos, como por exemplo: mecânica, eletrônica, impressão gráfica, torneio mecânico, etc.

A gravidez também é muito comum nessa fase. Presenciei algumas meninas grávidas no Ensino Fundamental, algumas jovens no Ensino Médio já com filhos, meninas precoces em vários aspectos.

Nota-se também, que muitas vezes os alunos frequentam a escola por causa da merenda e a escola, cumprindo seu papel social, muitas vezes acaba

sendo um ponto de encontro. Percebi uma carência muito grande dos alunos por querer conversar com os professores, contar seus problemas, manter uma amizade, algum conselho, uma opinião.

De maneira geral, os alunos iniciam seus estudos na 5a série do EF permanecendo até o 3º ano do EM na Unidade Escolar. Além disso, eles se conhecem, muitos são irmãos, primos, vizinhos, tios. Enfim, sempre tem uma relação anterior à escola entre eles.

Apresento a seguir os participantes da minha pesquisa.

2.5.1 - Participantes da vivência

Participaram desta pesquisa alunos dos 2ºs anos do Ensino Médio do período noturno. Todos eles, alunos de uma mesma Unidade Escolar, já descrita acima e eu, professora-pesquisadora participante da pesquisa.

Resolvi trabalhar com os alunos, formando grupo focal (Gatti, 2005), porque facilitaria o desenvolvimento da pesquisa, na medida em que as vivências seriam gravadas em áudio. O grupo formado era composto de alunos dos 2ºs anos do Ensino Médio do período noturno. Todos eles se conheciam, então não tive problemas em relação a um entrosamento entre eles. Muitos já tinham estudado na mesma sala, outros já se conheciam do Ensino Fundamental.

Falei sobre a pesquisa e os alunos concordaram em participar por livre e espontânea vontade. Enfatizei o acordo ético, dizendo que seus nomes não seriam mencionados, preservando tanto os alunos como a escola. De acordo com Bortoni- Ricardo (2008, p.57), “a pesquisa tem de ser regida por rígidos princípios de ética”, mantendo um respeito com todos os participantes, tranquilizando-os quanto às criticas ou quaisquer observações negativas, pautando pelo sigilo. Celani (2005, p.106) citando Warwick (1982) afirma o seguinte: “O que se pretende evitar são danos e prejuízos para os participantes de pesquisas, para os próprios pesquisadores, para a profissão e para a sociedade em geral”. A mesma autora acrescenta:

É preciso ter claro que pessoas não são objetos e, portanto, não devem ser tratadas como tal; não devem ser expostas indevidamente. Devem sentir-se seguras quanto a garantias de preservação da dignidade humana. Pode haver danos e prejuízos, também para os pesquisadores, em suas interações com colegas, com alunos de pós-graduação e com jovens iniciantes de iniciação científica. Para a profissão e a sociedade em geral, a perda de confiança na pesquisa e nos pesquisadores pode representar danos irreparáveis. (Celani, 2005, p.107)

Os encontros foram realizados no período da noite, uma vez que eles trabalham durante o dia e muitos deles também aos sábados. O tempo de cada vivência foi de aproximadamente 1 hora e 30 minutos, antes do início da aula. Foi- lhes esclarecido que o encontro e a vivência estão sendo empregados com o mesmo significado, ou seja, um evento de leitura no qual alunos participantes e professora-pesquisadora interagem entre si, para a construção de sentidos do texto com a utilização do Pensar Alto em Grupo.

Nesse sentido, na primeira vivência com a letra da canção “Meu Guri”, estavam presentes 6 alunos, sendo 4 meninas e 2 meninos. São eles:

1. Maria 2. Joana 3. Claudia 4. Cristina 5. João 6. José

Com relação à segunda vivência com a letra da canção “Roda-Viva”, também estavam presentes 6 alunos. Somente Cristina, João e José participaram das duas vivências.

2. Vera 3. Lucia 4. Cristina 5. João 6. José

De acordo com os documentos do comitê de ética, os nomes dos participantes foram trocados, para preservar tanto os alunos como a escola, evitando dessa forma, quaisquer constrangimentos e exposição e possíveis críticas negativas que por ventura os dados coletados pudessem suscitar, tanto no presente momento, como no futuro. De acordo com as palavras de Bortoni-Ricardo (2008):

... que todos os dados coletados terão caráter sigiloso e que qualquer divulgação, na forma de relatórios, tese, monografias etc., será discutida previamente com os professores envolvidos.Eles também terão de informar se desejam que seus nomes apareçam nos relatórios de pesquisa ou se preferem permancer anônimos.Em suma, a pesquisa tem de ser