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Yaratıcılığın Ölçülmesinde Envanterlerin Kullanımı …

1.3. Yaratıcılığın Ölçülmesi …

1.3.2. Yaratıcılığın Ölçülmesinde Envanterlerin Kullanımı …

Esse primeiro tópico traz uma reflexão sobre o significado do surfe para os jovens, qual conceito eles atribuem a essa prática. As falas dos jovens, quando perguntamos sobre o significado do surfe para eles, foram as seguintes:

Surfe pra mim é um esporte maravilhoso, que tira o pessoal do mundo, né?, que tem gente que não tem nada para fazer, aí, se pegar uma prancha e ir pro mar, alivia a cabeça e se tiver um estresse dentro de casa quando tu for pro mar se esquece de tudo, fica ali só nas ondas relaxa acalma. (Titanzinho, 13 anos).

Significa uma coisa legal que a pessoa pode praticar, faz bem à saúde e pode se divertir ao mesmo tempo. (Vizinho, 13 anos).

Momento que a pessoa se distrai e se diverte, só isso mesmo. No surfe, encontra muitos amigos. (Portão, 15 anos).

Surfe significa várias coisas, na hora que a pessoa tá estressada, vai pro mar, esquece tudo que passou, pega altas ondas, esquece tudo que tava lá fora, volta com a mente mais fria. (Havaizinho, 15 anos).

De acordo com as suas falas, identificamos as seguintes concepções sobre o surfe: uma que remente à ideia de lazer e bem-estar; outra como um processo de socialização; e uma última como opção para ocupar o tempo livre dos jovens.

Com base nesse entendimento, este tópico traz, portanto, uma reflexão do surfe sob o enfoque de três perspectivas. A primeira aponta o surfe associado ao lazer e ao bem- estar, a segunda aborda-o como agente socializador, e a terceira associa-o como uma opção para ocupar o tempo livre dos jovens, correspondendo às seguintes categorias:

1) O surfe como prática de lazer e bem-estar. 2) O surfe como agente de socialização.

3) O surfe como opção para o tempo livre dos jovens.

6.3.2.1.1 O surfe como prática de lazer e bem-estar

Essa ideia de lazer e bem-estar foi identificada quando, nas falas desses jovens, encontramos afirmativas de que o surfe é uma prática bastante divertida, que faz bem à saúde, capaz de aliviar as tensões do dia a dia, ocasionando um estado de relaxamento.

As falas desses jovens expressam o reconhecimento deles sobre o surfe ser compreendido como uma prática de grande divertimento, sendo, por isso, um momento de lazer para os mesmos, possibilitando os benefícios que esse estado pode vir a oferecer, como aponta Dumazedier (1999), sobre o lazer ser um momento positivo às necessidades das

pessoas, sendo um estado de busca do bem-estar e também da satisfação, especialmente o público jovem vivencia o lazer pela promoção de diversão, descanso e desenvolvimento.

Nessa mesma linha, Schwartz (2002) afirma que a liberdade, o lúdico e o prazer propiciados nos momentos de lazer são elementos importantes para se viver bem. Diante dessa constatação, enfatizamos a importância do surfe para a vida desses jovens como uma prática que pode proporcionar essas sensações.

Configurando-se, por isso, como um elemento de promoção da qualidade de vida desses meninos e meninas, ainda mais se pensarmos em toda a problemática destes jovens em específico, analisando o seu contexto social marcado por uma realidade de grandes dificuldades, onde encontramos a miséria e a violência como protagonistas do cenário em que vivem.

Sobre a afirmativa expressada pelos jovens sobre o surfe ter a capacidade de aliviar as tensões do dia a dia, proporcionando relaxamento, podemos refletir essa ideia diante de duas relações, a primeira, pela própria lógica do lazer, que, segundo Friedmann (1983), passou a existir pela necessidade dos trabalhadores terem momentos com atividades prazerosas capazes de aliviar as tensões cotidianas, diminuindo os estresses que aconteciam no trabalho.

No que se refere à segunda explicação, essas afirmativas encontradas na fala dos jovens tanto são elucidadas por um âmbito geral quanto específico do surfe, assim, partindo da dimensão ampla atrelada às características encontradas nas práticas corporais de aventura, com base no estudo de Tahara e Carnicelli Filho (2013), as atividades englobadas nesse grupo são vivências espontâneas usadas para fugir da vida estressante das grandes cidades.

Portanto, nessa lógica de pensamento, podemos concluir que o surfe desenvolve um papel importante na vida desses jovens, ao proporcionar, mesmo que ainda de forma sutil, uma considerável minimização do quadro de sofrimento vivenciado por essa juventude em decorrência de tal realidade. Assim, o surfe pode ser visto como uma terapia no resgate da autoestima desses garotos e garotas que vivem no Titanzinho.

Porém, é preciso ter bom senso, como apontam Marinho e Inácio (2007), para não vincular esse posicionamento de forma tão extrema ao ponto de ajuizarmos, no caso do surfe, como um “remédio para todos os males”, pois essa posição reflete uma visão romântica impregnada por uma postura tendenciosa não coerente. Contudo, os autores esclarecem que essas práticas podem, através dos sentimentos e emoções gerados em suas vivências, contribuir para mudanças de comportamentos e atitudes atreladas às demais esferas da vida humana.

Focalizando para a dimensão mais específica pautada por uma reflexão com base no surfe, essa constatação se justifica pelas sensações vividas tanto pelo contato com a natureza como por momentos de intenso prazer ao deslizar a onda, acarretando em um sentimento de liberdade para todo o corpo, que parece ajudar no enfrentamento das exigências do mundo exterior ao mar. São prazerosos sentimentos providos pela relação com a natureza, benéfica, no sentido de compensar as situações de estresse do trabalho ou da vida cotidiana, agindo na reestruturação do seu equilíbrio mental, como descreve Bueno (2007, p. 142):

O surf ajuda as pessoas a serem mais felizes. O ato de surfar, ou mesmo de apreciar as ondas, é algo que adoça a vida, relaxa e inspira. No meio dessa vida veloz de cotidiano intenso e tecnologia frenética, feliz é aquele que pode surfar regularmente, aquele que pode respirar a brisa do cheiro do mar e do cheiro da pele queimada de sol. O ato de assistir as ondas quebrando, azul, perfeita, já nos ajuda a tranqüilizar o espírito.

Portanto, o surfe apresenta-se como uma prática corporal lúdica, capaz de aliviar as sensações de estresse, para esses jovens, promovendo o bem-estar e proporcionando momentos de lazer, aspectos esses importantes para a qualidade de vida e o desenvolvimento do ser humano, sendo, assim, uma prática benéfica para a juventude.

Depois dessa reflexão sobre o surfe como prática de lazer e bem-estar, a seguir, discorremos sobre o surfe como agente de socialização e opção para ocupar o tempo livre dos jovens, segunda categoria encontrada sobre o significado do surfe.

6.3.2.1.2 O surfe como agente de socialização

O surfe, enquanto a gente de socialização esteve presente nas falas dos jovens quando eles afirmaram que, no surfe, existe a possibilidade de encontrar amigos, configurando-se, portanto, como um elemento para a socialização.

Para essa afirmativa, tomamos como base o pensamento compartilhado por Albuquerque (2006), quando esta declara que os espaços lúdicos, como as ruas, as praias, as festas, são lugares importantes no que se refere à socialização dos jovens, por estabeleceram valores, laços, reconhecimento e identificações.

Nessa reflexão do surfe como elemento socializador, também nos apoiamos na constatação feita por Dayrel (2002, p. 119), para elucidarmos esse pensamento:

Nos últimos anos, e de forma cada vez mais intensa, podemos observar que os jovens vêm lançando mão da dimensão simbólica como a principal e mais visível forma de comunicação, expressa nos comportamentos e atitudes pelos quais se posicionam diante de si mesmos e da sociedade. É possível constatar esse fenômeno

nas ruas, nas escolas ou nos espaços de agregação juvenil, onde os jovens se reúnem em torno de diferentes expressões culturais, como a música, a dança, o teatro, entre outras, e tornam visíveis, através do corpo, das roupas e de comportamentos próprios, as diferentes formas de se expressar e de se colocar diante do mundo.

Diante dessas afirmativas, o surfe assume-se enquanto elemento de integração social da juventude do Titanzinho. Nesse sentido, podemos afirmar que o processo de socialização desses jovens se dá nas relações que ocorrem no mar, na praia.

São finais de tarde no outside, à espera das boas ondas ou fora, geralmente sentados nos bancos ou nas pedras, como espectadores de uma cena que se repete diariamente, registrada pela “câmera ocular” de meninos, meninas, garotos, garotas, homens, mulheres, senhores e senhoras, que vibram com as manobras empolgantes ou lastimam e até riem dos “caldos” sofridos pela galera, como também constata Sá (2010, p. 237):

Na perspectiva da antropologia da imaginação dos jovens, o significado simbólico do Serviluz precisa ser apresentado a partir de suas duas maiores autoatribuídas riquezas socioculturais: a pesca artesanal e o surfe. São os universos sociais entrecruzados destas duas práticas culturais que oferecem as maiores recompensas simbólicas para o ideal e imagem de nós desses jovens. Portanto, pesca e surfe são símbolos de ampliação da experiência sociocultural desses jovens.

Portanto, o surfe se configura como um agente de socialização para esses jovens, ao proporcionar encontros dentro e fora do mar, sendo um componente integrador na formação de grupos juvenis que apresentam o mesmo interesse nessa prática corporal, configurando-se como um elemento inicial de aproximação entre os jovens, constituindo um coletivo social a partir do surfe.

A seguir, compartilhamos a última categoria encontrada sobre o significado do surfe para esses jovens.

6.3.2.1.3 O surfe como opção para o tempo livre dos jovens

A ideia de que o surfe é um esporte que ocupa o tempo livre dos jovens, mantendo-os ocupados, longe dos perigos das ruas, reflete os posicionamentos colocados pelos jovens entrevistados, quando eles afirmam que o surfe é um esporte maravilhoso porque tira o “pessoal do mundo”.

Essa última afirmação condiz com o pensamento reducionista que exprime visões alienadas presentes em nosso contexto social a respeito das práticas corporais, como a solução dos problemas sociais da juventude.

Coloco esse posicionamento em questão para que possamos refletir que o problema não está na afirmação de que a prática corporal é vantajosa por ocupar o tempo dos

jovens, mas no pensamento de que os problemas sociais dos jovens com relação especificamente ao envolvimento deles com o crime e as drogas ocorrem por estarem ociosos.

Transfere-se a raiz do problema para essa justificativa, desfocando o fato de que essas situações-problemas ocorrem devido a um contexto de extrema desigualdade social, que a maioria dos jovens da camada popular que vive nas zonas de periferias das cidades tem que enfrentar, sem oportunidade e sem condição de desenvolvimento social, pela falta de educação e de outras garantias básicas necessárias para uma vida plena.

Nesse sentido, trago a importância de construirmos um diálogo emancipado nesses espaços que se destinam a trabalhar socialmente com os jovens, para que estes possam superar esses discursos alienantes que servem, inclusive, como instrumento de dominação e opressão, além de que essas justificativas superficiais acabam por ser também um mecanismo de transferência de culpa do Estado para o povo.

Espaços educativos e os educadores sociais podem ter como base o pensamento de Freire (1996, p. 23), quando este orienta que “[...] ensinar exige o reconhecimento do ser condicionado”; se estes trazem em sua missão a luta pela diminuição dos problemas sociais, inclusão dos que são excluídos em nossa sociedade e a melhoria de vida da camada popular, com essa orientação, de acordo com o pensamento freireano, é preciso rigorosidade no exercício constante de reflexão crítica da realidade para superarmos a ideologia fatalista embutida no discurso neoliberal de conformação das circunstâncias da vida.

O trabalho educativo, seja ele no espaço formal ou informal, precisa contribuir para que as pessoas tenham capacidade de fazer uma leitura crítica e histórica dos fatos, para que elas não continuem sendo manipuladas e oprimidas. A postura diante dessa orientação traz no seu bojo a negação aos argumentos liberais que tentam naturalizar as desigualdades promovidas pela ordem social, econômica e política vigente, indo na contramão do discurso defensor da meritocracia.

Finalizada essa primeira discursão sobre os significados que esses jovens atribuem ao surfe, a seguir, compartilharemos os sentidos que eles conferem ao surfe em suas vidas, sendo este o segundo tópico dessa parte sobre como os jovens percebem essa prática corporal.