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Uygulamaya Yönelik Öneriler

4. SONUÇ VE ÖNERİLER

4.2. Öneriler

4.2.1. Uygulamaya Yönelik Öneriler

Para abordar esse tema, inicialmente, perguntamos se, nas aulas de surfe, eles conversavam, aprendiam sobre surfe e ética. Como na primeira questão, eles também apresentaram dúvidas e, por isso, foi preciso separar mais uma vez alguns temas para que compreendessem a pergunta. Assim, os temas colocados como exemplo para essa questão foram: 1) as regras no surfe; 2) posturas antidesportivas no surfe (o doping no surfe); 3) surfe e valores humanos (boas atitudes dentro e fora do mar); e 4) violência no surfe (localismo).

Perguntamos, em seguida, quais assuntos foram trabalhados nas aulas, se alguma dessas temáticas foi abordada, como foram essas aulas e se eles acham importante dialogar sobre esses temas nas aulas de surfe.

Com uma diferença dessa questão para a outra, antes da pergunta principal, eles tinham que dizer o que entendiam sobre ética, como eles conceituavam tal tema.

Conforme a mesma orientação do tema anterior, as respostas para essa temática foram transcritas para um melhor entendimento mediante um texto único, ficando, no início, as suas concepções sobre ética, apresentando-se, nesse sentido, da seguinte forma:

[Sobre ética:] não soube responder.

Já! Já conversamos, é tipo assim, de boas maneiras,de respeitar os outros. Uma vez, ele trouxe notícia de um cara que se machucou no surfe da pancada da prancha do outro, aí teve uma conversa, todo mundo ficou chocado, ele disse, aí o pessoal pergunta, aí ele ficou falando pra gente ter cuidado com isso e evitar briga. (Titanzinho, 13 anos).

[Sobre ética:] Comportamento da pessoa e como ela deve agir.

Às vezes, falando de ter cuidado com o outros, as brincadeiras no mar. (Vizinho, 13 anos).

[Sobre ética:] Que é o respeito.

Trazia o surfe, falava do respeito, respeitar o próximo, porque muitos alunos não têm respeito, falava palavreados feios, mas o professor foi ajeitando isso, pedindo para os alunos ter ética, né?!, e os alunos vão adquirindo o que professor falava e, hoje em dia, os alunos tão melhorando cada dia mais através do surfe e das aulas do IPOM. (Portão, 15 anos).

[Sobre ética:] É saber esperar a hora certa.

Às vezes, ter mais educação a respeitar os momentos de cada vez. (Havaizinho, 15 anos).

Dos quatro jovens participantes das entrevistas, apenas um não soube responder o que significava ética para ele. Os que responderam atribuíram suas concepções fazendo relação com base nas ações de comportamento das pessoas, elencando o respeito e a paciência para saber aguardar o momento certo.

Sobre esse tema, todos os jovens afirmaram já terem sido trabalhados nas aulas de surfe, dois destacaram que a temática aparece nas aulas, quando o professor os alerta para a conduta cuidadosa que se deve ter no mar, para que eles tenham cuidado com os outros.

Essa é uma fala constante nas aulas, visto que, no surfe, alguns acidentes acontecem também pela força das ondas, pois, nessa ação, as pranchas podem escapar do controle dos surfistas, o que pode acarretar em uma colisão do próprio surfista ou de outra pessoa que esteja no mar com a prancha. Por isso, a conduta da prática do surfe dentro e fora do mar é tão dialogada nas aulas, configurando-se em um trabalho ético pelo cuidado com o outro.

Apenas um jovem relatou que, em uma aula, foi apresentada uma notícia sobre um acidente no surfe e a turma mostrou-se envolvida com o assunto, como frisou jovem o Titanzinho, destacando que eles ficaram assustados, como podemos constatar na transcrição abaixo:

Uma vez, ele trouxe notícia de um cara que se machucou no surfe da pancada da prancha do outro, aí teve uma conversa, todo mundo ficou chocado, ele disse, aí o pessoal pergunta, aí ele ficou falando pra gente ter cuidado com isso e evitar briga. (Titanzinho, 13 anos).

Portão destacou o fato de que o professor, nas aulas de surfe, conversa sobre o respeito ao próximo e pede para os jovens terem ética. Ele também destaca para o fato de que eles falavam muito palavrão, mas, por conta do trabalho nas aulas de surfe e do projeto IPOM como um todo, eles melhoraram nessa parte do comportamento, como podemos perceber no destaque abaixo para sua fala:

Trazia o surfe, falava do respeito, respeitar o próximo, porque muitos alunos não têm respeito, falava palavreados feios, mas o professor foi ajeitando isso, pedindo para os alunos ter ética, né?!, e os alunos vão adquirindo o que professor falava e, hoje em dia, os alunos tão melhorando cada dia mais através do surfe e das aulas do IPOM. (Portão, 15 anos).

Segundo Darido (2012), nas aulas de esportes ocorrem situações que possibilitam uma forte interação afetiva e social, sendo um ambiente favorável para se construir um diálogo explicativo e reflexivo sobre atitudes e valores éticos. O trabalho de formação que se estabelece pautado em uma intervenção pedagógica sobre a ética torna-se fundamental para se refletir em qual sociedade estamos vivendo e em qual queremos viver.

Com base nessa reflexão, o contexto das práticas corporais apresenta-se como cenário ideal para explicitação, discussão e reflexão sobre as atitudes e valores considerados éticos ou não éticos para si e para os outros.

Dessa forma, diante das concepções gerais das lógicas éticas presentes nos ambientes dessas práticas e pela delimitação com as particularidades do surfe, como podemos perceber, inclusive, através das falas dos jovens, tal prática traz no seu contexto momentos significativos para o trabalho com esse tema transversal.

Além desse cuidado com os outros que estão no mar, como identificamos nas falas dos jovens, existe, nesse cenário do surfe, uma questão muito específica do esporte, que acontece no âmbito das relações entre os surfistas e a preferência das ondas, conhecido como localismo, definido por Both (2015) como um fenômeno reacionário, no qual surfistas nativos de determinadas praias reivindicam a prioridade nas ondas por serem moradores ou por serem

locais, em detrimento dos que não são locais, vindo dessa relação esse título de localismo, uma situação geradora de cenas de violência verbal e física dentro e fora do mar.

Nas aulas de surfe do projeto, tomamos o conhecimento que o saber sobre a ética se dá no momento em que são identificadas e repudiadas situações de desrespeito, como agressões físicas ou verbais, apelidos pejorativos, discriminações em geral e também em momentos circunstanciais.

A partir dessas reflexões, percebemos a existência de um trabalho de cunho ético nas aulas de surfe, em que a prática educativa de tal modalidade no projeto presume uma intervenção em momentos oportunos para se dialogar sobre esse tema transversal, o que nos possibilita a identificação de tal saber nas aulas de surfe.

Perante essa realidade e no reconhecimento da importância dessa temática para a formação humana e cidadã e a inclusão social desses jovens, indicamos que um trabalho mais focado para essa tema pode ser efetivado mediante outras ações educativas, como círculos de cultura12, que venham a tratar dessa temática, nas aulas de surfe, partindo de assuntos (temas geradores) advindos de situações que fazem parte da realidade dos educandos, ou seja, que façam uma relação a partir do próprio contexto dos surfistas, como exemplo, os temas elencados para a explicação dessa questão podem apontar caminhos possíveis (FREIRE, 1999).

Podemos sugerir que o planejamento dessas aulas poderia orientar-se com base nos seguintes temas: “as regras no surfe”; “posturas antidesportivas no surfe (o doping no surfe)”; “surfe e valores humanos (boas atitudes dentro e fora do mar)”; e “violência no surfe (localismo)”, propondo ciclos dialógicos, promovendo debates e construções de ações com base nessas discursões, visando o desenvolvimento de propostas que proponham como foco o trabalho com as questões éticas.

Depois dessa investigação sobre o tema surfe e ética, no tópico seguinte, a pesquisa buscou saber se a temática mercado de trabalho podia ser identificada nessas aulas, pelo que os jovens falavam.

6.4.2.3 Surfe e mercado de trabalho

Para esse tema, perguntamos se, nas aulas de surfe, eles conversavam/abordavam/aprendiam sobre surfe e mercado de trabalho. Para especificar a

12 Espaço e estratégia para compartilhar experiências, fazer reflexões e debates em grupo, a partir de temas geradores, vivência mediada por uma relação dialógica dos participantes (FREIRE, 1980).