1.3. Yaratıcılığın Ölçülmesi …
1.3.1. Çoğul Düşünme Testleri
A ideia desse tópico é compreender como ocorre o primeiro contato desses meninos e meninas com o surfe, como eles aprenderam a surfar, em que época, idade, para entendermos como se inicia essa relação, pois podemos traçar paralelos no que refere ao sentido que eles atribuem ao surfe.
Prezando pela integridade desses jovens, assegurando suas identidades, eles foram identificados conforme os seguintes nomes: Titanzinho, Vizinho, Havaizinho e Portão, como foi destacado na parte sobre os autores sociais da pesquisa, no trecho destinado a falar sobre a metodologia desse trabalho.
Nesse sentido, a partir dessas questões cada jovem compartilhou como se deu esse primeiro contato:
Tô surfando há dois anos, aprendi com 10 anos, com o Raimundinho, na praia do Vizinho. Quando era pequeno, via a galera surfando, eu nem sabia o que era surfe, aí comecei a surfar quando entrei no IPOM. (Titanzinho, 13 anos).
Eu surfava com meus amigos que tinha prancha, eu tinha uns 6, 7 anos, mas era só brincadeira, aí aqui aprendi mais coisas. Antes daqui, do IPOM, fui de outra escolinha, mas aqui no IPOM eu aprendi muito mais e aqui também a gente aprende mais que manobra, tem as atividades de inglês, informática e na outra não tinha nada disso, eu me desenvolvo mais aqui. (Vizinho, 13 anos).
Foi há dois anos, aqui no IPOM, eu tinha 13 anos, antes, eu só ficava na beira brincando de tabuinha com os amigos quando era criança. (Portão, 15 anos).
Eu aprendi a surfar através do IPOM, com o professor Raimundinho, tinha mais ou menos uns 13 anos por aí. O Raimundinho foi passando vídeo ensinando as técnicas até que eu aprendi. (Havaizinho, 15 anos).
Dos quatro jovens entrevistados, três disseram ter aprendido a surfar no IPOM, o que aponta para uma diferença com relação à geração passada dos jovens do Titanzinho, como descreve Nogueira (2014), que, por volta dos anos 80 e 90, período de entrada do surfe
na região, essa era uma prática bastante marginalizada, onde se tinha muita dificuldade para conseguir pranchas, assim como também era difícil ter acesso aos conhecimentos.
Situação diferente do período atual, já que o surfe hoje é aceito por boa parte da comunidade, tendo, inclusive, na região, um número interessante de escolinhas e projetos sociais de surfe, sendo estes os espaços responsáveis pelas “primeiras remadas” de parte dos jovens do Titanzinho, configurando-se, portanto, como um canal inicial da juventude local com o surfe, como também destacou Nogueira (2016, p. 43):
As iniciativas de socialização do conhecimento foram fundamentais para a evolução do surfe na localidade. Assim, a abertura de pequenas escolas de surfe, muitas vezes improvisadas, surgiu como estratégia para democratizar as chances de acesso ao esporte e surtiu um efeito multiplicador.
Nesse sentido, enquanto antigamente os jovens apreendiam praticamente sozinhos, sem uma orientação “especializada”, a juventude atual tem acesso a um processo de aprendizagem mais “orientado”. Entretanto, apesar da existência de um número significativo desses espaços, podemos observar que alguns jovens ainda aprendem sem ser por esse caminho, porém, em menor proporção do que antigamente, quando não existiam as escolinhas e esses projetos sociais.
É interessante percebemos que essa nova condição reflete mudanças significativas na relação dos jovens do Titanzinho com o surfe, principalmente no que se refere à sua dimensão esportiva, como destaca Nogueira (2014, p. 56): “Essa tendência tende a impregnar as expressões corporais, antes associadas ao ideal de liberdade, de normas e padrões compatíveis com as regras e o espírito das competições contemporâneas”.
Pois, com base nesses dois grupos, os que aprendem o surfe em um espaço destinado para o ensino dessa prática, e outro EM que a aprendizagem acontece fora desses locais, pensamos que a forma como ocorre esse primeiro contato pode gerar diferentes influências na relação e nas percepções desses jovens com o surfe.
A aprendizagem, nesses espaços “oficiais” dedicados ao ensino do surfe, pode trazer o desenvolvimento de uma relação de esportivização da prática, com influências do meio competitivo do esporte rendimento, promovendo um contato com uma ideia de surfe mais sistematizada, padronizada e disciplinada, como afirma Nogueira (2016, p. 36): “A lógica da cultura esportiva gradativamente se impõe como espetáculo, exigindo diversos cuidados, sugerindo condutas e preconizando a manutenção do treinamento severo do corpo”.
Enquanto que os jovens que aprendem sem ser por esses espaços direcionados ao ensino do surfe, em nosso ver, apresentaram uma relação mais aberta com a prática, mais espontânea e, talvez, mais lúdica.
Diante da especificidade de cada contexto, pensamos que os jovens que aprendem o surfe nesses espaços “oficiais” podem apresentar uma relação com esta prática corporal mais planejada, mais segura e mais compromissada, enquanto que os outros, talvez, apresentem uma relação mais despreocupada.
Porém, sabemos que outras variáveis fazem parte dessas condições, ou seja, compreendemos que não é apenas o fato da aprendizagem ocorrer por meio de um espaço “oficial” ou não que essa relação vai se configurar de um determinado modo, disciplinado ou não disciplinado, por exemplo. Pois sabemos que outras questões se fazem determinantes para esse tipo de relação, como, por exemplo, a forma que esses espaços pensam e desenvolvem esse ensino.
Em um âmbito geral, acreditamos que, na maioria das vezes, essa determinante enquanto ter aprendido em um espaço “oficial” ou não, pode sim influenciar na forma como esses jovens vão perceber e se relacionar com esta prática corporal.
Depois dessa reflexão, diante dessa questão sobre o primeiro contato desses jovens com o surfe e possíveis influências na relação deles com essa prática, no próximo tópico buscamos compreender quais as percepções que essa juventude apresenta sobre o surfe.