2.2. Genel Öğretim Yöntemleri Kullanımı ve Özellikleri
2.2.7. Yaratıcı Drama Yöntemi
Para Bacon, as ciências não progrediram por causa de uma série de fatores. Em primeiro lugar porque herdara de seus fundadores, os gregos, o caráter de um saber acadêmico e pródigo em disputas. Também aponta como causa o apego demasiado aos costumes e
69 Novum Organum, Livro I, Aforismo LXV 70 Novum Organum, Livro I, Aforismo LXIII 71 Novum Organum, Livro I, Aforismo LXIX
tradições, mas principalmente, a reverência irrestrita ao princípio da autoridade, o qual gerava um conformismo diante do saber estabelecido, sem buscar novos saberes. Em sua crítica, faz um paralelo apontando as novas descobertas quanto às regiões do globo terrestre, enquanto muitos homens conservam seu “globo intelectual” limitado pelos limites traçados pelos antigos. E, citando Aulo Gélio, afirma: “No que respeita à autoridade, é de suma pusilanimidade atribuir-se tanto aos autores e negar-se ao tempo o que lhe é de direito, pois com razão já se disse que ‘a verdade é filha do tempo, não da autoridade’.”72 (BACON, 1973, p. 58)
Utilizando a metáfora da aranha, da formiga e da abelha, Bacon mostra que também a falta de um método preciso para produção do conhecimento impedira o progresso das ciências. Faz, pois a crítica dos que seguiam o método dedutivo, bem como dos que se diziam indutivos, mas que ainda não tinham compreendido o verdadeiro sentido da indução:
Os empíricos, à maneira das formigas, acumulam e usam as provisões; os racionalistas, à maneira das aranhas, de si mesmo extraem o que lhes serve para a teia. A abelha representa a posição intermediária: recolhe a matéria- prima das flores do jardim e do campo e com seus próprios recursos a transforma e digere.73 (BACON, 1973, p. 69).
Se a indução usada até então não favorecia a produção de um saber seguro era porque ela concluía a partir de um número de fatos particulares inferior ao necessário, optando pelos de mais fácil acesso e por meio de experimentos realizados de forma obscura. Bacon propõe uma nova indução, a qual deveria ser como uma tocha que, inicialmente necessita ser acesa para depois iluminar o caminho, ou seja, o ponto de partida deveria ser uma experiência ordenada e medida e não vaga e desorientada, para dela chegar aos axiomas e destes, estabelecer novos experimentos74. Assim, “[...] a indução que será útil para a descoberta e demonstração das ciências e das artes deve analisar a natureza, procedendo às devidas rejeições e exclusões, e depois, então, de posse dos casos negativos necessários, concluirá a respeito dos casos positivos.”75 (BACON, 1973, p. 75).
Essa nova indução, Bacon apresenta no Livro II da obra Novum Organum, no qual ele dedica-se à instauração do novo método de produção do conhecimento. Afirma inicialmente
72 Novum Organum, Livro I, Aforismo LXXXIV 73 Novum Organum, Livro I, Aforismo XCV
74 A determinação dos axiomas a partir da experiência é o processo indutivo, para o qual Bacon dedicará o Livro II. Já o estabelecimento de novos experimentos a partir dos axiomas já definidos é o processo dedutivo, sobre o qual Bacon não faz referência explícita.
que o propósito de toda ação humana é de gerar ou de introduzir uma nova natureza em um determinado corpo. E para alcançar tal objetivo, a ciência tem como meta descobrir a forma ou natureza naturante, entendida como a condição fundamental para qualquer propriedade de um corpo, dessa natureza. Bacon inspira-se na distinção feita por Averróis entre natura naturata e natura naturante. O conceito de natura naturata indica a natureza da coisa em si mesma, correspondendo ao que Aristóteles determinou como forma. Já natura naturante refere-se ao produto ou a concretização da natura naturata; sendo que, no período do Renascimento, a expressão passou a ser usada para determinar o processo dinâmico da natureza. Bacon não vai utilizar o termo natura naturata e, ao usar o termo forma, não o faz propriamente no sentido determinado por Aristóteles.
No seu projeto de instaurar um novo saber, Bacon, dá um novo sentido às quatro causas aristotélicas76, considerando a causa final inútil e, a causa eficiente e material, dependentes da causa formal. As causas eficiente e material devem ser compreendidas a partir dos conceitos de processo e esquematismo latente. O processo latente não é o processo que se vê por meio da observação dos fenômenos, como medidas, sinais, escalas, mas o processo continuado, que escapa aos sentidos. É a lei que regula a geração e a produção do fenômeno, ou seja, o conjunto de operações internas as quais fazem uma substância passar de um estado a outro. Já o esquematismo latente refere-se à estrutura da natureza de um fenômeno, ou como as partículas que constituem o objeto material são ordenadas. Compreender a forma é compreender a estrutura de uma natureza, de um fenômeno e a lei que regula o seu processo, ou seja, o conhecimento da forma permite compreender a unidade da natureza.
A investigação das formas que, por seu próprio princípio e lei, são eternas e imutáveis, compete à Metafísica. Já a investigação da causa eficiente e material, bem como do processo e do esquematismo latente, que se referem ao desenvolvimento ordinário da natureza, deve ser realizada pela Física. E para que essa investigação alcance melhor resultado, deve ser aperfeiçoada com o uso da matemática.
Para Bacon, a proposta de interpretação da natureza por meio do processo e esquematismo latente é uma realidade nova, é um estar nos átrios da natureza sem estar preparado para adentrar em seus íntimos recessos. Isso somente se tornaria possível por uma nova via, por um novo método para o conhecimento o qual permitisse por meio da experiência descobrir axiomas e, destes, inferir novas experiências. A afirmação de axiomas a partir da experiência depende de três administrações: dos sentidos, da memória e da razão.
76 Aristóteles, em sua teoria da causalidade, afirma a existência de quatro causas: material, formal, eficiente e final.
Mas antes, é preciso preparar uma história natural e experimental, que seria o registro dos fatos conforme vão sendo descobertos, evitando toda antecipação especulativa. Para esse registro Bacon propõe as tábuas e coordenações de instâncias, a fim de apresentar as instâncias, ou seja, os fatos observados, ao intelecto.
As tábuas são de três tipos: Tábuas de essência e de presença, nas quais devem ser registradas as instâncias que estão em concordância com a natureza estudada, as Tábuas de desvio (ou declinação) ou de ausência em fenômenos próximos, usadas para recolher as instâncias nas quais a natureza estudada está ausente, e as Tábuas de grau ou de Comparação, para registrar os casos em que o fenômeno se apresenta segundo uma intensidade maior ou menor. A utilização das tábuas é o início do processo indutivo, que torna possível, pois, descobrir “[...] uma natureza tal que sempre esteja presente quando está presente a natureza dada, ausente quando aquela está ausente, e capaz de crescer e decrescer acompanhando-a; e seja, como já se disse antes, uma limitação da natureza mais comum” 77 (BACON, 1973, p. 129).
Bacon propõe em seguida outros procedimentos, que denomina como auxílios do intelecto na interpretação da natureza: as instâncias prerrogativas, os adminículos da indução, a retificação da indução, a variação da investigação segundo a natureza do assunto, as prerrogativas da natureza, os limites da investigação, a transposição da dedução à prática, os preparativos para a investigação e a escala ascendente e descendente dos axiomas. Bacon enumera 27 instâncias prerrogativas, as quais têm função informativa, para auxiliar os sentidos e o intelecto, e função operativa, para ordenar a prática, através da mensuração ou em vista da execução. Merece destaque a instância de luta ou de predomínio, na qual Bacon aponta dezenove movimentos dos corpos que os tornam superiores ou inferiores em relação a outrem, e a instância crucial, a qual permite reconhecer a natureza verdadeira do fenômeno, via constância na concordância desta natureza com outras naturezas.
Na análise de Russel (2001), Bacon se equivoca ao atribuir à simples observação a capacidade de fazer emergir hipóteses, pois estas devem ser formuladas antes da experiência. “Bacon está completamente equivocado ao pensar que pode existir um instrumento de descoberta, cuja aplicação mecânica permitiria arrancar da natureza novos e surpreendentes segredos.” (RUSSEL, 2001, p. 272)
A teoria dos Ídolos é perfeitamente justificável dentro do contexto em que foi formulada, quando se fazia necessário reformular o procedimento gnosiológico. As
controvérsias escolásticas, na busca de verdades absolutas, eram sustentadas pela lógica aristotélica; sendo perfeitas na forma, mas vazias de conteúdo, não produziam um conhecimento que atendesse as necessidades da época. Mas, por sua perfeição formal, assustava os que dela discordasse. Fazia-se necessário construir um novo edifício cognoscitivo, capaz de atender aos novos horizontes humanos que se descortinavam. Porém, como não era possível construir sobre o que já existia, é justificável a exigência apresentada por Bacon de libertar o intelecto dos ídolos. Isso, porém, acabou produzindo uma concepção de ciência onde o sujeito que conhece deve libertar-se totalmente de qualquer elemento anterior à experiência. Nessa perspectiva, científico passou a ser sinônimo de objetividade, ou seja, de negação da subjetividade. O cientista é qualificado como um autômato, sem sentimentos, sem projetos pessoais, e principalmente sem interesses que possam afetar a produção do conhecimento.