Em maio de 2004, por meio da Portaria nº 46, a Capes instituiu a “Comissão responsável pela elaboração do Plano Nacional de Pós-Graduação para o período de 2005 a 2010". A Comissão coletou sugestões de diferentes atores e entidades da comunidade acadêmica e científica e do governo. Em julho de 2004, promoveu os Fóruns Regionais de Pós-Graduação, abrangendo as cinco regiões do país, bem como audiências e seminários sobre as lacunas da pós-graduação, resultando desse trabalho o “Documento-Síntese- Preliminar”, o qual foi publicado na web para críticas e sugestões e também debatido na Reunião Anual do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Pós-Graduação (ENPROP), realizada em outubro de 2004, em Manaus-AM. Dele resultou o Documento-Síntese, que foi aprovado pela CAPES em dezembro de 2004.
52 Em 23 de janeiro de 2008, através da Portaria nº 9, a CAPES alterou a Tabela de Áreas de conhecimento, criando a Grande Área Multidisciplinar, além das oito já existentes: Ciências Exatas e da Terra; Ciências Biológicas; Engenharias; Ciências da Saúde; Ciências Agrárias; Ciências Sociais Aplicadas; Ciências Humanas; Lingüística, Letras e Artes.
O PNPG 2005-2010, partindo do princípio de que o sistema educacional é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico e cultural do Brasil, afirma que é tarefa da pós-graduação gerar profissionais aptos para atuar em diferentes setores da sociedade, contribuindo com o processo de modernização do país. Estabelecendo como princípio norteador que, as conquistas do sistema nacional de pós-graduação devem ser preservadas e aprimoradas, estabelece como um de seus objetivos fundamentais “[...] uma expansão do sistema de pós-graduação que leve a expressivo aumento do número de pós-graduandos requeridos para a qualificação do sistema de ensino superior do país, do sistema de ciência e tecnologia e do setor empresarial.” (BRASIL, Ministério da Educação, PNPG 2005-2010, p. 13). Ao fazer a retrospectiva histórica dos Planos anteriores, assim conclui:
[...] a política de pós-graduação no Brasil tentou inicialmente capacitar os docentes das universidades, depois se preocupou com o desempenho do sistema de pós-graduação e, finalmente, voltou-se para o desenvolvimento da pesquisa na universidade, já pensando agora na pesquisa científica e tecnológica e no atendimento das prioridades nacionais. Entretanto, deve-se ressaltar que sempre esteve presente a preocupação com os desequilíbrios regionais e com a flexibilização do modelo de pós-graduação. (BRASIL, Ministério da Educação, PNPG 2005-2010, p.21)
Após explicitar suas bases legais, especialmente a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), o Plano faz uma análise da pós-graduação no Brasil, apresentando inicialmente a evolução da pós-graduação strictu sensu, com destaque para o aumento do número de cursos e de titulados. Entre 1976 e 2004 (21 de maio), o número de cursos aumentou cerca de cinco vezes, passando de 673 para 2.993. Com relação ao doutorado, entre 1976 e 1990, foram criados em média 24 cursos por ano; houve uma retração na criação de cursos no período de 1990 a 1996, com média de 6 cursos ao ano; e um acentuado crescimento entre os anos de 1996 a 2004, com média de 62 cursos ao ano, como mostra a Tabela 1.
Tabela 1 - Cursos de Pós-Graduação no período 1976 a 2004
Nível 1976 1990 1996 2004 Mestrado 490 975 1.083 1.959 Doutorado 183 510 541 1.034 Total 673 1.485 1.624 2.993 Fonte: BRASIL, Ministério da Educação, PNPG 2005-2010, p. 31
O número de alunos titulados também cresceu expressivamente no período de 1990 a 2003, mais no nível de doutorado do que no mestrado, pois enquanto este cresceu 482%, o doutorado teve um aumento de 621%, como pode-se observar na Tabela 2. A média de titulados no doutorado no período de 1990 a 1996 foi de 281 alunos, subindo para 730 titulado no período de 1996 a 2003.
Tabela 2 - Alunos titulados na Pós-Graduação no período 1990 a 2003
Nível 1990 1996 2003
Mestrado 5.737 10.499 27.630 Doutorado 1.302 2.985 8.094
Total 7.039 13.484 35.724 Fonte: BRASIL, Ministério da Educação, PNPG 2005-2010, p. 33
Apesar deste crescimento abranger todas as áreas de conhecimento, o PNPG 2005- 2010 detecta a persistência da desigualdade entre as regiões do país, com predominância no Sudeste, o qual concentra 54,9% dos cursos de mestrado e 66,6%, de doutorado, como mostra a Tabela 3.
Tabela 3 - Cursos de Mestrado e Doutorado segundo as regiões do Brasil, nos anos de 1996 a 2004
Região 1996 2004
Mestrado Doutorado Mestrado Doutorado
Sudeste 685 450 1.076 689 Sul 166 50 384 177 Nordeste 155 22 305 107 Centro-Oeste 53 12 126 42 Norte 24 7 68 19 Total 1.083 541 1.959 1.034
Fonte: BRASIL, Ministério da Educação, PNPG 2005-2010, p. 35-36
Com relação às bolsas de estudo, o PNPG 2005-2010 aponta que não houve diminuição do número de concessão, entretanto, diminuiu a quantidade de bolsas concedidas em relação ao número de alunos matriculados. Os índices apontaram um aumento da produtividade tanto com relação ao número de titulados por docente quanto à quantidade de
publicações, mas em comparação com outros países, ainda é um sistema pequeno. E embora tenha crescido o número de matrículas e de titulações, houve diminuição do investimento.
Assinalando que, embora “as propostas de mudança de organização da pós-graduação enfrentam grande dificuldade, tanto no interior de suas instituições quanto nas agências de financiamento.” (BRASIL, Ministério da Educação, PNPG 2005-2010, p. 45), afirma a necessidade da flexibilização do modelo de pós-graduação, visando enfrentar a diversidade da demanda da sociedade. Justifica isso a partir do destino profissional dos egressos, constatando que 75% dos doutores estão ligados às universidades e instituições de pesquisa, enquanto que apenas 40% dos mestres trabalham na área acadêmica.
O PNPG 2005-2010 reafirma as assimetrias do sistema tanto sob o aspecto geográfico, com concentração no Sudeste, quanto entre as áreas de conhecimento, tradicionais e novas fronteiras. Indica a expansão do sistema em quatro vertentes: capacitação de docentes para o ensino superior, qualificação de professores para a educação básica, especialização de profissionais para o mercado de trabalho, e a formação de técnicos e pesquisadores para empresas públicas e privadas. Considera a pós-graduação brasileira como a melhor do hemisfério sul, mas necessita uma política nacional que supera as desigualdades no desenvolvimento científico entre os Estados, e que insira a formação de recursos humanos no contexto da política industrial. Finalmente, apresenta a evolução do sistema de avaliação, que se tornou referência para o credenciamento e reconhecimentos dos cursos, repercutindo também na política de fomento à pesquisa e na distribuição de bolsas. Dentro da nova escala de avaliação, de 1 a 7, implantada em 1998, o PNPG destaca a avaliação de 2004, na qual a maioria dos cursos obteve conceito 3 ou 4, como é possível detectar na Tabela 4.
Tabela 4 - Distribuição percentual dos programas de pós-graduação segundo o conceito
Conceito 7 6 5 4 3 2 e 1
% 3% 8% 24% 33% 30% 2%
Fonte: BRASIL, Ministério da Educação, PNPG 2005-2010, p. 52
A seção 4 do PNPG 2005-2010 traz as propostas de diretrizes gerais do Plano, orientadas pelos conceitos de estabilidade, enquanto manutenção do ritmo de crescimento, e indução de programas, visando equacionar as assimetrias. Tratando especificamente das assimetrias, propõe a elaboração de programas estratégicos específicos, a partir da articulação
da CAPES, CNPQ e FINEP e destas agências com os Estados e com o setor empresarial, com a participação dos Fundos Setoriais, definindo novas tipologias regionais.
O PNPG 2005-2010 também afirma o papel preponderante do Estado no financiamento da pós-graduação, retomando o parágrafo 3º do Art. 218 da Constituição Federal. Destaca a importância da continuidade dos programas e normas, com investimentos em longo prazo, a necessidade de restaurar a infraestrutura para a pesquisa nas universidades federais e, de dispor de recursos compatíveis com o crescimento do sistema. Propõe também a parceria e consórcio entre programas de regiões distintas, a mobilidade de professores e alunos entre instituições, fortalecer as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs), estimular parcerias entre programas e empresas.
Com o título de Novos modelos, o PNPG 2005-2010 afirma como objetivos da pós- graduação para os anos seguintes: “[...] o fortalecimento das bases científica, tecnológica e de inovação; a formação de docentes para todos os níveis de ensino; a formação de quadros para mercados não acadêmicos.” (BRASIL, Ministério da Educação, PNPG 2005-2010, p. 58). Além disso, propõe a busca do equilíbrio no desenvolvimento acadêmico no país, com qualidade, estabilidade e pertinência. Indica a diversificação do sistema, com dinamismo, incorporação de novos indicadores ao processo de avaliação, adoção de procedimentos próprios para formação, em vista da atuação nos setores acadêmicos, profissional e tecnológico. Em vista da reformulação do mestrado, deve-se aprimorar a iniciação científica na formação do pesquisador. Visando ao equilíbrio entre regiões e instituições, quanto aos cursos e grupos de pesquisa, deve-se estimular programas de cooperação interinstitucional, sem gerar a flexibilização dos conceitos e critérios que fundamentam o sistema de avaliação. Deve-se dar atenção à educação à distância, com pesquisa sobre métodos que favoreçam a qualificação dos docentes da educação básica, bem como a formação profissional para empresas estatais e órgãos do governo.
Sobre as políticas de cooperação internacional e formação de recursos humanos no exterior o PNPG 2005-2010 afirma que devem aprimorar o sistema por meio do avanço do conhecimento, em vista do desenvolvimento econômico e social do país. Sugere, como formas de cooperação, a ampliação do atual modelo de parceria institucional, a intensificação dos programas de intercâmbio, apoio a estágios de pós-doutoramento, ampliação do intercâmbio de estudantes de graduação, estímulo a parceria e formação de redes de pesquisa na cooperação Sul-Sul.
Sobre a avaliação e a qualidade, o PNPG 2005-2010 afirma que, “A avaliação deve ser baseada na qualidade e excelência dos resultados, na especificidade das áreas de
conhecimento e no impacto dos resultados na comunidade acadêmica e empresarial e na sociedade.” (BRASIL, Ministério da Educação, PNPG 2005-2010, p. 61). Salienta que os índices devem refletir a relevância do conhecimento, a qualidade da produção científica e sua interação com a sociedade, especialmente o setor empresarial. Sugere a manutenção do sistema de avaliação, bem como sua periodicidade, com maior transparência. Também sugere a valorização do conhecimento nas áreas de fronteira e com relevância para o setor econômico, industrial e social. Propõe a adoção de novos indicadores de avaliação que estimulem o aumento do valor agregado do conhecimento, que levem em conta a diversidade de modelos de pós-graduação, que apontem problemas e questões e que valorizem produtos subavaliados.
Em seguida, o PNPG 2005-2010 apresenta cenários possíveis para a expansão da pós- graduação, projetando o número de titulados do doutorado, do mestrado e, de docentes da pós-graduação, a partir de um modelo dinâmico, a partir da evolução histórica da pós- graduação brasileira, assumindo como variante relevante o número de titulados no mestrado e no doutorado. E a partir de tais cenários estabeleceu as metas, por grande área do conhecimento, e orçamento necessário para concretizá-las.
No cenário proposto, o Brasil estará formando mais de 16.000 doutores e 45.000 mestres em 2010, e prevê-se para o período de 6 anos um acréscimo do orçamento de bolsas e fomento no valor de R$ 1,66 bilhões, consideradas todas as agências, federais e estaduais, que fornecem tais tipos de recurso. O crescimento do corpo docente da pós-graduação, necessário para a manutenção e ampliação conforme as demandas do PNPG, exigirá recursos adicionais equivalentes ao orçamento de bolsas e fomento. Conclui-se que, alcançadas as metas propostas por esse cenário, o Brasil atingirá, em 2010, o número de doutores por 100 mil habitantes equivalente ao nível alcançado pela Coréia em 1985. (BRASIL, Ministério da Educação, PNPG 2005-2010, p. 90)