2.3. Genel Öğretim Teknikleri Kullanımı ve Özellikleri
2.3.1. Grupla öğretim Teknikleri
2.3.1.5. Đkili ve Grup Çalışması
O espírito revolucionário que inspirava as manifestações públicas nas primeiras décadas do séc. XIX inquietava Comte. Para ele, o confronto social entre as diferentes classes sociais era de natureza moral, e que a solução somente poderia vir da reforma das instituições e da mudança de costumes, como afirma no Discurso sobre o Espírito Positivo:
[...] as principais dificuldades sociais não são hoje essencialmente políticas, mas sobretudo morais, de sorte que sua solução possível depende realmente das opiniões e dos costumes, muito mais do que das instituições, o que tende a extinguir uma atividade perturbadora, transformando a agitação política em movimento filosófico. (COMTE, 1978, p. 69)
Da mesma forma, afirma no Discurso preliminar sobre o conjunto do Positivismo, que a regeneração da Europa Ocidental seria a iminente aplicação prática do positivismo, entendido como uma filosofia e uma política inseparáveis e intimamente combinadas: “[...] na medida em que o curso natural dos acontecimentos caracteriza a grande crise moderna, a reorganização política se apresenta cada vez mais como necessariamente impossível, sem a reconstrução prévia das opiniões e dos costumes.” (COMTE, 1978c, p. 97)
O temor frente à anarquia social foi a motivação para a elaboração de uma filosofia da história que assimilasse os avanços propiciados pela ciência, e favorecesse a reorganização social, sem utilizar os meios revolucionários. Segundo Benoit (2006) Comte inspirou-se em duas concepções complementares ao propor a sua teoria sobre a sociedade. De um lado assimilou a noção iluminista de progresso histórico, fundamentando-se principalmente no pensamento de Condorcet, expresso na obra Esboço de um quadro histórico dos progressos do espírito humano. Apesar de absorver a ideia de ordem social, defendida por Joseph de Maistre, dele discordou quanto a proposta de retorno ao passado, de reprodução da estrutura social da Idade Média.
Destarte, Comte defende o progresso, mas nos limites da ordem. Segundo ele, da mesma forma que o espírito positivo reconhece a existência de uma harmonia entre as ideias de existência e de movimento, percebe a harmonia entre as ideias de organização e de vida
quando se trata dos corpos vivos, evoluindo às ideias de ordem e progresso ao observar os fenômenos do organismo social. “Para a nova filosofia, a ordem constitui sem cessar a condição fundamental do progresso e, reciprocamente, o progresso vem a ser a meta necessária da ordem.” (COMTE, 1978b, p. 69)
A tarefa de superar a desordem que imperava na sociedade, provocada por questões ideológicas, e implantar uma filosofia estabilizadora caberia aos cientistas. Comte, porém, influenciando pelas ideias evolucionistas de sua época reconhece que tanto a existência individual quanto a organização social seriam determinadas por um processo evolutivo e que caberia à filosofia positiva “descobrir a verdadeira teoria da evolução humana, ao mesmo tempo, individual e coletiva.” (COMTE, 1978c, p. 112)
Essa compreensão da história, com um caráter evolutivo, pode ser sintetizada na célebre Lei dos Três Estados, segundo a qual o desenvolvimento da humanidade, tanto da sociedade humana como do espírito de cada indivíduo, ocorre em três fases distintas: a teológica, que corresponderia à infância da humanidade, a metafísica, a qual refletiria a fase de transição, equivalente à juventude, e a positiva, que seria o período de maturidade. Para Comte, esse processo evolutivo da história implicava também um processo evolutivo do método do conhecimento, cujo método perfeito seria o da ciência positiva.
Essa lei consiste em que cada uma de nossas concepções principais, cada ramo de nossos conhecimentos, passa sucessivamente por três estados históricos diferentes: estado teológico ou fictício, estado metafísico ou abstrato, estado científico ou positivo. Em outros termos, o espírito humano, por sua natureza, emprega sucessivamente, em cada uma de suas investigações, três métodos de filosofar, cujo caráter é essencialmente diferente e mesmo radicalmente oposto: primeiro, o método teológico, em seguida, o método metafísico, finalmente, o método positivo. Daí três sortes de filosofias, ou de sistemas gerais de concepções sobre o conjunto de fenômenos, que se excluem mutuamente: a primeira é o ponto de partida necessário da inteligência humana; a terceira, seu estado fixo e definitivo; a segunda, unicamente destinada a servir de transição. (COMTE, 1978, p. 04)
O estado teológico é caracterizado pela predominância da imaginação e no qual a observação dos fenômenos é ínfima. Não ocorre a problematização sobre a realidade, pois o conhecimento tem um caráter absoluto, por ser proveniente de uma revelação de seres sobrenaturais. Nele
[...] o espírito humano, dirigindo essencialmente suas investigações para a natureza íntima dos seres, as causas primeiras e finais de todos os efeitos que o tocam, numa palavra, para os conhecimentos absolutos, apresenta os fenômenos como produzidos pela ação direta e contínua de agentes
sobrenaturais mais ou menos numerosos, cuja intervenção arbitrária explica todas as anomalias aparentes no universo. (COMTE, 1978, p. 04).
Este estado apresenta uma evolução em três períodos sucessivos: o fetichismo, no qual se atribui aos seres naturais uma dimensão espiritual; o politeísmo, para o qual os seres naturais não são o fundamento de sua vida, mas esta é dada por seres de um mundo superior; e finalmente o monoteísmo, que reúne todas essas divindades numa só. Esta mentalidade teológica gera a coesão social através da moral e, por fundamentar-se no princípio da autoridade, a forma política correspondente é a monarquia, aliada ao militarismo.
O estado metafísico não é mais do que uma modificação geral do estado teológico, sendo os agentes sobrenaturais substituídos por forças abstratas. Estas são compreendidas como entidades, que servem de substrato para todos os seres, oferecendo a explicação de todos os fenômenos. Em um processo evolutivo interno, o estado metafísico superou a ideia de que haveria diferentes entidades particulares, concebendo uma única entidade, denominada de natureza, considerada a causa única de todos os fenômenos. Na produção do conhecimento, a imaginação cede espaço pela argumentação e o concreto dá lugar ao abstrato. Na política, os reis são substituídos pelos juristas e a origem da sociedade dá-se por meio de um contrato, sendo o Estado legitimados pela soberania do povo. Para Comte, a metafísica, quando método de conhecimento da realidade, não é mais
[...] que uma espécie de teologia gradualmente inervada por simplificações dissolventes, que lhe tiram espontaneamente o poder direto de impedir o crescimento especial das concepções positivas, conservando-lhe, entretanto, aptidão provisória de manter certo exercício indispensável para o espírito de generalização, até que ele possa enfim receber melhor alimento. (COMTE, 1978b, p. 47)
Finalmente, no estado positivo é abandonada toda pretensão teológica e metafísica de obter noções absolutas, como determinar a origem e o destino do universo ou descobrir as causas primeiras. O único intento é descobrir as leis dos fenômenos a partir das relações invariáveis de sucessão e similitude, utilizando para isso, o intelecto e a observação. Neste estado, o poder espiritual passa para as mãos dos sábios e cientistas, e o poder material está nas mãos dos industriais.
Embora reconheça que o estado teológico e o metafísico foram inevitáveis e indispensáveis para o surgimento do estado positivo, considera-os como imperfeitos, devendo ser superados.
Embora no início em todos os aspectos indispensável, o primeiro estado deve, de agora em diante, ser sempre concebido como puramente provisório e preparatório; o segundo, que do primeiro constitui apenas uma modificação dissolvente, comporta apenas uma destinação transitória, a fim de conduzir gradualmente ao terceiro; este, o único plenamente normal, constitui, em todos os gêneros, o regime definitivo da razão humana. (COMTE, 1978b, p. 44)
O modelo de conhecimento no qual Comte se inspira ao propor o estado positivo é a física newtoniana. Aponta a lei da gravitação como ideal do espírito positivo, ou seja, a capacidade de explicar diversos fenômenos particulares observáveis utilizando um único fato geral. Para ele, o caráter fundamental da filosofia positiva é
[...] tomar todos os fenômenos como sujeitos a leis naturais invariáveis, cuja descoberta precisa e cuja redução ao menor número possível constituem o objetivo de todos os nossos esforços, considerando como absolutamente inacessível e vazia de sentido para nós a investigação das chamadas causas, sejam primeiras, sejam finais. (COMTE, 1978, p. 07 – grifos no original)
Para Comte, desde o século XVII, a filosofia positiva assumiu a tarefa de explicar todos os tipos de fenômenos naturais, isto é, os fenômenos astronômicos, físicos, químicos e fisiológicos. Entretanto, havia uma lacuna a ser preenchida, a de explicar os fenômenos sociais. Estes, por serem mais particulares, mais complicados e dependentes que os demais fenômenos, exigiam um conhecimento mais aperfeiçoado. Destarte, Comte assumiu essa tarefa de completar a filosofia positiva: “Já agora que o espírito humano fundou a física celeste; a física terrestre, quer mecânica, quer química; a física orgânica, seja vegetal, seja animal, resta-lhe, para terminar o sistema das ciências de observação, fundar a física social.” (COMTE, 1978, p. 09 – grifos no original)