2.4. YENİ İLKÖĞRETİM PROGRAMININ DAYANDIĞI İLKELER VE
2.4.1. YAPILANDIRMACILIK
Segundo Sales (2007), intertextualidade significa a criação de um texto a partir de outro texto. Ou seja, há uma alusão referencial a um conteúdo pré-existente. Desta maneira, podemos pensar que a intertextualidade é inerente às práticas de Remix, e assim como este, a intertextualidade sempre supõe algum tipo de fragmentação.
Especificamente no nosso objeto empírico, dois gêneros de intertextualidade puderam ser identificados de maneira mais constante: o pastiche e a bricolagem.
O pastiche define-se por uma imitação estilística de algum conteúdo anterior, de forma que o discurso que surge desta alusão não resulta em algo satírico, do contrário, trataria-se de uma paródia (SÁNCHEZ-BIOSCA, 1995). No caso do nosso objeto, entendemos que o D- Book apresenta características intertextuais do pastiche ao atualizar algumas formas analógicas dos álbuns fotográficos, para o ambiente digital, especialmente o estilo de scrapbook, imitado pelo software desde o estilo visual até o processo de montagem. Neste sentido, através do pastiche o Remix aconteceria segundo o que Navas (2012) define como um meta-remix, através de uma atualização conceitual de algo.
Diferente do pastiche, a bricolagem propõe um recorte bem delineado de algum elemento para inseri-lo em outro contexto, formando assim uma composição de pedaços de informações.
Na apropriação realizada por Lévi-Strauss (1976), o conceito de bricolagem foi definido como um método de expressão através da seleção e síntese de componentes selecionados de uma cultura. Por sua vez, relendo o trabalho do antropólogo, Derrida (1971) ressignificou o termo no âmbito da teoria literária, adotando-o como sinônimo de colagem de textos numa dada obra. Finalmente, De Certeau (1994) utilizou a noção de bricolagem para representar a união de vários elementos culturais que resultam em algo novo (NEIRA; LIPPI, 2012, p. 610).
Como podemos ver, tanto o pastiche como a bricolagem estão relacionados com o Remix, no sentido que carregam a prática de sampling como elemento fundamental para a sua manifestação. Da mesma forma, trabalham ressignificando e atualizando conteúdos excertados de determinados contextos, a fim de dar origem a algo inédito.
Segundo Aversa (2011, p. 9), a bricolagem é definida como “o arranjo de elementos heterogêneos, a princípio díspares, que podem ser encontrados ao acaso, construindo algo novo”. Como prática de Remix, a bricolagem opera em todos os seus estágios, selecionando módulos de informação, sampleando estes fragmentos e reinserindo-os em novos contextos. Assim, o bricoleur45 seria “um indivíduo que confecciona colchas [...] que utiliza as ferramentas estéticas e materiais do seu ofício, empregando efetivamente quaisquer estratégias, métodos ou materiais empíricos que estejam ao seu alcance” (DENZIN; LINCOLN, 2006 apud NEIRA; LIPPI, 2012, p. 611).
Tanto na definição de Aversa (2011) como na de Denzin e Lincoln (2006), há referência ao fato de que os módulos que compõe a bricolagem geralmente podem ser encontrados ao acaso. Segundo Lévi-Strauss, o termo bricoleur esteve originalmente “relacionado à atividades como o bilhar, a caça e a equitação, sempre invocando um
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movimento incidental: da bola que salta, do cão que anda ao acaso, do cavalo que se afasta da linha reta” (apud AVERSA, 2011, p. 9).
Ainda para Lévi-Strauss (apud AVERSA, 2011), a ausência de planejamento prévio caracteriza a atividade do bricoleur. Isto porque o termo estaria associado com o seu conceito de pensamento selvagem, que relacionou a bricolagem com a aquisição meramente acidental do conhecimento, antes do surgimento da ciência moderna e da instauração do pensamento científico.
Assim, para Aversa (2011), esta é a razão da afinidade da bricolagem com os movimentos Dadaísta e Surrealista, que são entendidos nesta pesquisa como vanguardistas das manifestações de Remix na esfera visual.
Desta maneira, embora tenhamos identificado fortes características da bricolagem nas montagens feitas no software D-Book, a presença do template como elemento pré- programado contradiz a ideia de Lévi-Strauss sobre a ausência de planejamento prévio. Entretanto, entendemos que a bricolagem está relacionada, no nosso objeto empírico, às ações específicas do montador, nos casos em que este manipula um universo limitado de elementos disponíveis, sem subverter as possibilidades oferecidas pelo software.
Desta maneira, veremos, no capítulo 4, no eixo que discute como se desenha a autoria destas montagens com o auxílio do software, de que forma a bricolagem pode ser utilizada pelo autor/fotógrafo para construir histórias com as imagens.
No capítulo a seguir, buscaremos compreender como os elementos que configuram as práticas de Remix, verificados até aqui, podem se manifestar nas atividades que envolvem a fotografia. Para isso, julgamos importante abordar a relação do Remix com a fotografia desde as vanguardas artísticas que estiveram relacionadas com alguma prática de apropriação, como colagens e fotomontagens, até as manifestações contemporâneas destes procedimentos, de forma a compreender os reflexos destes fazeres no nosso objeto de análise.
3 O REMIX E A FOTOGRAFIA: DA MODERNIDADE À PÓS-MODERNIDADE
Como vimos no capítulo anterior, as práticas que envolvem o Remix não são exclusivas da contemporaneidade, da mesma forma como o Remix que envolve a fotografia não é uma novidade da era digital.
A historiadora de arte Ann Bermingham46 e a curadora do Instituto de Arte de Chicago Elizabeth Siegel47, desenvolvem pesquisas que envolvem a recombinação de fotografias com outros tipos de matérias-primas desde a era vitoriana. Ambas pesquisadoras empenham-se em compreender as fotocolagens no contexto sociocultural da época, refletindo sobre o papel da mulher na sociedade vitoriana. Bermingham (2010) também trata das fotocolagens além da esfera da arte, enquanto meio visual que serviu de base para formas posteriores de Remix com imagens.
Mais tarde, as colagens e as fotomontagens que surgiram com os movimentos de vanguarda no começo do século XX, passaram a permear a esfera da arte, questionando e refletindo sobre o contexto de uma sociedade complexa e fragmentada, reflexo do modelo capitalista burguês (NAVAS, 2012).
Com a popularização das tecnologias digitais e dos softwares de Desktop Publishing na década de 1980, as práticas com colagens e fotomontagens passaram a figurar também nos meios digitais, partindo do campo da arte até atingir movimentos culturais como Vaporwave e Chillpunk. Neste contexto, as montagens com fotografias acabaram por transformarem-se também em outras formas de composições com imagens, em aplicativos de dispositivos móveis, em softwares de edição e também nos softwares para montagens de fotolivros.
Para tanto, buscamos compreender neste capítulo, a trajetória das montagens com fotografias da modernidade até a pós-modernidade, passando pelas transformações nas maneiras de montar álbuns fotográficos, a fim de elucidar a presença do Remix neste processo.
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Ann Bermingham é professora de História da Arte na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara. Ela é especialista em arte europeia dos séculos XVIII e XIX.
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Elizabeth Siegel é doutora em Filosofia pela Universidade de Chicago e curadora de fotografia do Instituto de Arte de Chicago.