C. Geçerlilik Analizleri
3. Yapısal Geçerlilik
Um dos fundamentos chave da pesquisa é a ergonomia situada e como esta busca compreender o trabalho no curso da ação da atividade de trabalho. Em ergonomia, quando se fala em atividade de trabalho, se remete ao núcleo central do método da Análise Ergonômica do Trabalho (AET). Método que, segundo Guérin et al. (2001), busca de forma estruturada e participativa “compreender o trabalho para transformá-lo”, dentro de um contexto de equilíbrio negociado da tensão gerada pelos critérios de eficiência econômica e os de saúde
dos trabalhadores.
A partir das discussões epistemológicas acerca da ergonomia organizadas por Daniellou (2004), Pizo e Menegon (2010) sintetizam uma linha de conduta para os trabalhos de pesquisa nesta área, de forma que o conhecimento gerado tenha um reconhecimento científico. As condutas identificadas são as seguintes:
A ergonomia situada se desenvolve da ação. Assim, todo trabalho em ergonomia deve ser baseado em um trabalho de campo que irá constituir o ambiente necessário para o completo desenvolvimento do conhecimento em ergonomia; Constituir o dispositivo de três polos de Schwartz (2004) para que se
identifiquem os atores em cada polo e com isto reconhecer o ambiente onde o conhecimento será gerado e validado. A identificação dos atores permite conhecer os linguajares utilizados em cada polo para possibilitar a tradução e a correta compreensão das manifestações geradas pelos mesmos atores;
Caracterizar o escopo da pesquisa de acordo com o esquema proposto por Hubault (2004), dentro dos paradigmas de continuidade e descontinuidade, de forma a identificar a abordagem conceitual adotada pelos atores e as ferramentas utilizadas no desenvolvimento do trabalho.
Realizar o trabalho de campo através da Análise Ergonômica do Trabalho como ferramenta principal para a geração dos dados brutos (fatos virtuais ou reais) que serão fontes do desenvolvimento do conhecimento em ergonomia.
Tendo estas condutas norteadoras do processo de construção do conhecimento em ergonomia, passa-se a descrever a método de análise ergonômica utilizado no estudo. A condução do processo de análise em ergonomia é, segundo Guérin et al. (2001), uma construção que, partindo da demanda, se elabora e toma forma ao longo do desenrolar da ação. Assim, cada ação é singular.
Esses autores identificam, todavia, que existe um conjunto de fases privilegiadas e pontos importantes que vão estruturar a construção da ação ergonômica, o que elas compreendem, as idas e vindas entre elas e como sua importância relativa dependem de cada ação ergonômica. Essas diferentes fases da ação ergonômica estão resumidas na Figura 19.
FIGURA 19. Esquema geral da abordagem para a construção de uma ação ergonômica. Fonte: adaptado de Guérin et al. (2001).
A fase de análise da demanda e do contexto é crucial para a condução do processo em função de que a demanda pode vir de diferentes interlocutores e sua formulação inicial pode ser mais ou menos aceitável ao ergonomista em virtude de representar ou não a verdadeira demanda. Desta forma, às vezes se faz necessário um trabalho inicial de análise e reformulação da demanda.
A fase de compreensão do funcionamento da empresa permite uma melhor avaliação das dificuldades encontradas, do contexto, das evoluções previsíveis da empresa e das margens de manobra para as transformações, bem como permite formular hipóteses que levarão a escolher a ou as situações de trabalho que devem ser analisadas em detalhe para delas retirar os elementos de resposta às questões levantadas. Nesta fase, explora-se o funcionamento da empresa e de seus traços como: características da população de trabalhadores, características da produção, indicadores relativos à eficácia e à saúde.
Na fase de análise do processo técnico e das tarefas, o ergonomista estabelece contato com os operadores envolvidos. Esta fase possui dois momentos principais: o das observações globais da atividade (observações abertas) e o das observações sistemáticas. Nas observações abertas, o ergonomista procura compreender o processo técnico e as tarefas confiados aos operadores, mas também observar as estratégias adotadas por eles e colher seus comentários. Tendo em mente os elementos que motivaram a demanda, inicia-se o estabelecimento das relações entre os constrangimentos da situação de trabalho, a atividade
desenvolvida pelos operadores e as consequências dessa atividade para a saúde e para a produção. No momento da observação sistemática é realizada a observação para verificar, enriquecer e demonstrar as hipóteses elaboradas anteriormente. Este processo ocorre com forte envolvimento daqueles que realizam a atividade de trabalho analisada de forma que estes possam reconhecer, nos registros feitos, a situação e as ações que realizava no momento.
Na fase de diagnóstico é formulado um diagnóstico local, útil aos envolvidos (empresa e operadores), com o qual se explicita as dificuldades encontradas e identifica os pontos que devem ser objetos das transformações dessas situações de trabalho. A partir do diagnóstico o ergonomista sugere indicações de soluções e propõe um acompanhamento do processo de concepção ou de transformação para assegurar que sejam levados em conta, da melhor maneira possível, os aspectos ligados à atividade de trabalho na fase de ajuste das novas condições de trabalho.
Guérin et al. (2001) observam que a presença do ergonomista e as análises efetuadas levam os atores da empresa a olhar as situações de trabalho de um novo ponto de vista, o da atividade dos operadores. Com a saída de cena do ergonomista, o cotidiano volta a acontecer e, dia após dia, modificações maiores ou menores vão ocorrer no ambiente de trabalho. Se o processo desenvolvido tiver transformado os conhecimentos dos atores e seu modo de abordar os problemas, a referência à atividade de trabalho constituirá eventualmente uma linguagem comum a diferentes interlocutores. Isto permitirá que as transformações sucessivas sigam no sentido de uma melhor compatibilidade com a saúde dos operadores e com a eficiência da produção.
A transformação do conhecimento dos atores, observam Haims e Carayon (1998) , acontece através de um efetivo programa participativo onde os trabalhadores tem um papel ativo na identificação e análise dos riscos ergonômicos, como também no desenvolvimento e implementação das soluções, no qual deve envolver crescentes níveis de controle, aquisição de conhecimento e experiência pelos indivíduos envolvidos.
Num processo permanente, os programas participativos internos devem ocorrer sobre uma base contínua e acumulativa, de modo que os especialistas externos possam deixar a organização e os atores participantes do programa possam ser capazes de responder sozinhos às demandas futuras. Para atender estas necessidades esses autores observam que as intervenções devem ser cíclicas, garantindo que se desenvolva entre os participantes o aprendizado, a ação e controle de forma que, gradualmente, o programa se transfira de uma regulação externa (o especialista) para uma regulação interna pelos próprios membros (autorregulação). Esta transferência de controle está relacionada ao incremento de controle
instrumental (relacionado às tarefas), conceitual (relacionado às condições de trabalho) e organizacional (relacionado à gestão do trabalho) que progressivamente os participantes ganharão durante os ciclos de intervenção (Figura 20).
FIGURA 20. Modelo de programa participativo baseado na teoria do comportamento cibernético. Fonte: Haims e Carayon (1998).
Este processo cíclico é aderente ao que se deseja no desenvolvimento de uma pesquisa-ação e o torna um modelo adequado para a condução das análises ergonômicas dentro do estudo proposto.