A. Boyutsallık Analizleri
3. Bireysel Performans Ölçeğinin Boyutsallığı
Para Tripp (2005), a definição da pesquisa-ação é difícil por duas razões interligadas: primeiro é um processo tão natural que se apresenta, sob muitos aspectos, diferente; e segundo, ela se desenvolveu de maneira diferente para diferentes aplicações. Por este motivo, esse autor coloca que se reconheça a pesquisa-ação como um dos inúmeros tipos de investigação-ação. Termo este que é genérico para qualquer processo que siga um ciclo no qual se aprimora a prática pela oscilação sistemática entre agir no campo da prática e investigar a respeito dela.
Esse mesmo autor observa que, apesar de muitos atribuírem a criação da pesquisa- ação a K. Lewin por este ter cunhado o termo em 1946, diversos outros trabalhos poderiam ser reconhecidos como base do método. Para ele a identificação de saber quando e onde o método teve origem é difícil porque as pessoas sempre investigaram a própria prática com a finalidade de melhorá-la.
Franco (2005) realça que desde o aparecimento do termo e após diferentes incorporações teóricas ao conceito e à prática da pesquisa-ação, muitas interpretações têm sido realizadas em nome dela. Isto gerou um mosaico de abordagens metodológicas, que muitas vezes se operacionalizam na práxis investigativa, sem a necessária explicação de seus fundamentos teóricos, gerando inconsistências entre teoria e método, além de
comprometimentos à validade científica dos estudos.
Essa autora ainda destaca no método da pesquisa-ação a existência do ciclo em espiral de três fases proposto por Lewin que permite readequações e alterações de rumo do processo. Já Tripp (2005) identifica que a maioria dos processos de melhoria segue este mesmo ciclo e apresenta alguns desenvolvimentos metodológicos a partir do processo básico de investigação-ação (Quadro 8). Nomenclatura Autores Pesquisa-ação Lewin, 1946 Aprendizagem-ação Revons, 1971 Prática reflexiva Schön, 1983 Projeto-ação Argyris, 1985
Aprendizagem experimental Kolb, 1984
Ciclo PDCA Deming, 1986
PLA- Participatory
Learning and Action
PAR- Participatory Action
Research
PAD- Participatory Action
Development PALM- Participatory Action
Learning Methods
PRA- Participatory Rural
Appraisal
Chambers, 1983
Prática Deliberativa McCutcheon, 1988
Pesquisa Práxis Whyte, 1964;1991
Investigação Apreciativa Cooperrider e Shrevasteva, 1987 Prática Diagnóstica Genérica em medicina, ensino corretivo etc. Avaliação-Ação Rothman, 1999 Aprendizagem Transformacional Marquardt, 1999
QUADRO 8. Processos de investigação-ação. Fonte: Tripp (2005).
Para restringir o termo “pesquisa-ação” à forma de investigação-ação mais específica à pesquisa acadêmica, Tripp (2005, p.445) prefere que ela seja denominada como “uma forma de investigação-ação que utiliza técnicas de pesquisa consagradas para informar a ação que se decide tomar para melhorar a prática”. Técnicas que devem atender aos critérios comuns a outros tipos de pesquisa acadêmica (como, por exemplo, enfrentar a revisão pelos pares quanto a procedimentos, significância, originalidade, validade etc.).
Com viés mais sociológico, Thiollent (2005) classifica a pesquisa-ação como um método de pesquisa associada a diversas formas de ação coletiva orientada em função da
resolução de problemas ou de objetivos de transformação. Ele a distingue do método da pesquisa participante, pois na pesquisa-ação, além da participação, esta supõe uma forma de ação planejada de caráter social, educacional, técnico ou outro, que nem sempre se encontra em propostas de pesquisa participante.
Thiollent (2005) ainda limita a pertinência do alcance da pesquisa-ação à faixa intermediária entre o que é geralmente designado como nível microssocial (indivíduos, pequenos grupos) e o que é considerado como nível macrossocial (sociedade, movimentos e entidades de âmbito nacional ou internacional). Esta faixa intermediária de observação corresponde a uma grande diversidade de atividades de grupos e indivíduos no seio ou a margem de instituições ou coletividades. Neste aspecto, é destacado que na abordagem da interação social adotada em sua caracterização, os aspectos sociopolíticos são mais frequentemente privilegiados que os da realidade psicológica e existencial. Do ponto de vista sociológico, a proposta de pesquisa-ação dá ênfase à análise das diferentes formas de ação. O que é também observado por Franco (2005) sob um ponto de vista educacional.
Thiollent (2005) observa que o planejamento de uma pesquisa-ação é muito flexível e não segue uma série de fases rigidamente ordenadas. O que há é sempre um movimento oscilatório entre as várias preocupações que serão adaptadas em função das circunstâncias e da dinâmica interna do grupo de trabalho no seu relacionamento com a situação investigada. Existe só uma ordem temporal: em primeiro lugar aparece a fase exploratória e em último a divulgação dos resultados.
A pesquisa-ação, apesar de sua flexibilidade, possui algumas etapas que devem ser caracterizadas em sua execução. Thiollent (2005) define as seguintes etapas ou atividades:
FASE EXPLORATÓRIA: consiste em descobrir o campo de pesquisa, os
interessados e suas expectativas, estabelecer um primeiro levantamento (ou “diagnóstico”) da situação, descobrir os problemas prioritários e eventuais ações. A partir deste primeiro contato, elaborar a estratégia metodológica: pesquisa teórica, pesquisa de campo, planejamento de ações etc.
TEMA: é o trabalho de designação do problema prático e das áreas de conhecimento a serem abordadas. A designação do problema principal e seu desdobramento em outros a serem detalhadamente pesquisados são realizados a partir de um processo de discussão e consenso entre os participantes. A definição do problema deve ser precisa, tanto no que se refere à delimitação empírica
quanto no que remete à delimitação conceitual. O tema é a chave de identificação e de seleção das áreas de conhecimento a serem envolvidas.
COLOCAÇÃO DO PROBLEMA: a colocação do problema deve ser feita de acordo
com o marco teórico-conceitual adotada e a formulação de problema (procura de soluções para atingir um objetivo ou transformação dentro da situação observada) é colocada da seguinte forma: (a) análise e delimitação da situação inicial; (b) delineamento da situação final, em função de critérios de desejabilidade e de facilidade; (c) identificação de todos os problemas a serem resolvidos para permitir passar de (a) para (b); planejamento das ações correspondentes; (e) execução e avaliação das ações.
O LUGAR DA TEORIA: é a fundamentação teórico-conceitual que sustenta a
discussão dos problemas, tendo que ser adaptadas e “traduzidas” para a compreensão de todos os atores. Devem-se prever seminários para melhorar o nível de entendimento dos atores, discutirem informações circunstanciadas à luz das teorias;
HIPÓTESES: São as suposições formuladas à respeito de possíveis soluções a um
problema colocado na pesquisa, a partir da qual se identifica as informações necessárias, evita dispersão, focaliza determinados segmentos do campo de observação, seleciona dados etc. Cada hipótese é verificada a partir de indicadores definidos como elementos observáveis e mensuráveis escolhidos em função de sua capacidade de verificação da hipótese;
SEMINÁRIOS: centraliza todas as informações coletadas e discute as
interpretações, como também é seu papel examinar, discutir e tomar decisões acerca do processo de investigação. Tudo que é realizado no âmbito da pesquisa é discutido e aprovado nos seminários. Pelos seminários são: (a) definido o tema e equacionados os problemas para os quais a pesquisa foi solicitada; (b) elaborar a problemática na qual serão tratados os problemas e as correspondentes hipóteses de pesquisa; (c) constituir os grupos de estudos e equipes de pesquisa, como também coordenar suas atividades; (d) centralizar as informações coletadas e sua disponibilização; (e) elaborar as interpretações; (f) buscar soluções e definir diretrizes de ação; (g) acompanhar e avaliar as ações; (h) divulgar os resultados pelos canais apropriados.
CAMPO DE OBSERVAÇÃO, amostragem e representatividade: definir o que vai ser observado e quais os representantes da população envolvida;
COLETA DE DADOS: discutida a forma com que se realizarão as coletas de dados.
Em algumas pesquisas usam-se técnicas antropológicas (observação participante, diários de campo, histórico de vida, etnografia etc.);
APRENDIZAGEM: deve ocorrer algum aprendizado ao investigar e discutir
possíveis ações cujos resultados oferecem novos ensinamentos;
SABER FORMAL / SABER INFORMAL: ter consciência da importância dos dois tipos
de saberes, que devem ser levados em conta na evolução dos trabalhos;
PLANO DE AÇÃO: consiste em definir com precisão: (1) quem são os atores ou
unidades de intervenção? (2) como se relacionam os atores e as instituições: convergências, atritos, conflitos abertos? (3) quem toma as decisões? (4) quais são os objetivos (ou metas) tangíveis da ação e os critérios de sua avaliação? (5) como dar continuidade à ação, apesar das dificuldades? (6) como assegurar a participação da população e incorporar suas sugestões? (7) como controlar o conjunto do processo e avaliar os resultados?
DIVULGAÇÃO EXTERNA.
A forma de condução da pesquisa-ação se mostra, a partir da conceituação apresentada, como a mais adequada à condução da pesquisa em pauta. As fundamentações teórico-conceituais, que sustentam a discussão dos problemas e que devem ser adaptadas e “traduzidas” para a compreensão de todos os atores, possuem métodos próprios de desenvolvimento e condução que também deverão estar sob o manto da pesquisa-ação. Os métodos da fundamentação teórico-conceitual são apresentados a seguir.